Núcleo urbano da vila de Góis

IPA.00019868
Portugal, Coimbra, Góis, Góis
 
Núcleo urbano sede municipal. Vila situada em vale. Vila medieval de fundação senhorial. Vila contemporânea industrial (minas). O núcleo fundacional concentrou-se na margem direita do rio, expandindo-se à outra margem de forma mais dispersa. Formação radioconcêntica com centro em Praça na área mais antiga. Conserva vestígios arquitectónicos e estrutura de malha urbana do séc. 16. Localização da igreja matriz descentralizada, no extremo S. do aglomerado, com cemitério confinante. A expansão foi condicionada pela topografia acidentada. Góis é atravessado pelo Rio Ceira. Teve o seu período áureo no séc. 16, mantendo o traçado dessa época, da qual persistem exemplos como o túmulo de D. Luís da Silveira e a ponte quinhentista. Trata-se de um conjunto inserido numa área rural, sendo de salientar a diversidade tipológica que junta num só aglomerado: edificado de carácter rural, na forma de solares ou casas mais humildes, casas quinhentistas com as suas cantarias assim como exemplos das épocas que se seguem, sobressaindo várias casas nobres e abastadas. A igreja matriz de Góis localiza-se no limite do núcleo.
Número IPA Antigo: PT020606040021
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Vila  Vila medieval  Vila medieval  Senhorial

Descrição

O núcleo de origem implantou-se na margem direita do rio Ceira, que inevitavelmente desempenha um papel estruturador. A mancha urbana desenvolveu-se paralelamente ao rio numa formação linear inicial, segundo o eixo Rua da Igreja (Rua António Francisco Barata) / Rua da Quinta / Rua da Roda (Rua de Santo António), já denotando um centro polarizador na actual Praça da República, fazendo a ligação à Igreja Matriz de Góis (v. PT020606040001) localizada no extremo S. do núcleo. Resultante das fases de crescimento, a malha urbana agregou esse espaço e consolidou-se numa rede viária cuja estrutura aponta para uma expressão radioconcêntrica. No centro, na Praça da República, confluem o eixo referido e os restantes eixos fundamentais: a Rua da Ponte (Rua Conselheiro José Dias Ferreira) para O. e a Rua Comandante Henrique Bebiano Baeta Neves para NE., que foi o início da estrada para Arganil aberta no séc. 19. Na outra margem reconhece-se ainda uma zona de organização dispersa, relacionada com a presença da elevação onde se encontra a capela do castelo (v. PT020606040022) e o parque de campismo. À complexidade do tecido urbano equivale uma organização viária concordante, identificando-se vários tipos de ruas, de geometria orgânica. Intercalam-se as que apresentam duas frentes edificadas com as ruas formalizadas apenas com uma frente e muro correspondente a logradouro. As ruas mais largas correspondem aos eixos principais. As vias de limite ao tecido consolidado apresentam somente uma frente edificada e funcionam como charneira para a envolvente rural, observando-se ruas estreitas que descrevem percursos sinuosos. A leitura dos espaços urbanos públicos, largos, praças e espaços de confluência viária traduz uma expressiva diversidade, relacionada com formas e usos. A Praça da República, que constitui o pólo central da rede de distribuição de fluxos, apresenta um traçado irregular de 4 frentes. Aqui se situam a casa Havaneza Goiense (v. PT020606040024), a casa da Praça (v. PT020606040007), o antigo Hospital da Misericórdia com a respectiva capela e ainda o edifício dos Paços do Concelho (v. PT02060604002), cujo acesso se faz pela Rua da Quinta, formando gaveto. Contíguo a esta rua para N, está a Praça Pequena (Praça do Pelourinho), de pequenas dimensões, reduzida apenas a um encontro de ruas, a Rua do Forno e a Rua da Roda (Rua de Santo António), onde se encontra a casa da Roda (v. PT020606040042). O Largo do Pombal (Largo Francisco Inácio Dias Nogueira), onde vão ter a Rua da Quinta, a Rua da Lavra de Baixo e a Rua do Celeiro, deve o seu nome ao facto de aí ter existido o pombal dos senhores da terra, que estaria situado onde hoje é a casa Baeta da Veiga (v. PT020606040047). É o largo mais amplo, que resulta de uma sequência de espaços irregulares, nomeadamente dos vestígios da implantação da desaparecida casa do Pombal (casa das Ferreirinhas), área actualmente utilizada para estacionamento. É dominado pela presença da Igreja da Misericórdia e respectiva casa de Despacho (v.PT020606040009), da cisterna do Pombal (v.PT020606040010) e do fontanário do Pombal (v.PT020606040023), também aqui se encontram a casa Paços Velhos (v.PT020606040041), a casa do Povo de Góis (v.PT020606040035) e a casa Nogueira Ramos (v.PT020606040036). O adro da Igreja Matriz desenvolve-se em espaço aberto, sobre plataforma no limite S. do núcleo. Confinante ao edifício, para S. localiza-se o cemitério. Não houve crescimento urbano nesta área devido ao declive da encosta. O Largo do Terreirinho (Largo António Nogueira Pereira), tem um desenho mais regular de 4 frentes, localiza-se na área que concentra alguns vestígios de arquitectura seiscentista, de que é exemplo como a casa do Terreirinho (v.PT020606040045) com portal manuelino, a S da ponte sobre o rio Ceira (v.PT02060604004). A Rua da Ponte (Rua Conselheiro José Dias Ferreira) foi alargada para N. com a passagem da estrada de Arganil, levando à demolição da antiga Casa da Câmara, à entrada da Praça da República; mantiveram-se as casas do lado S. cujas frontarias foram em geral. Junto da ponte a N, desenvolve-se a Rua da Torre Fundeira (Avenida Engenheiro Álvaro de Paula Dias Nogueira). No início deste percurso ribeirinho arborizado, localiza-se a E o edifício moderno 'o Paço', na que seria a localização dos Paços Novos do conde no séc. 16.O Bairro do Pé Salgado foi zona de expansão do séc. 19; é aí que se encontram a Associação Educativa e Recreativa de Góis (v. PT020606040036), o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Góis, o edifício dos Correios ou o Centro de Saúde. Antes nesta zona, apenas existia um simples caminho pedonal, a Quelha dos Linhares ou do Regato, que conduzia à fonte do Pé Salgado passando em linhas mais curvas junto à casa da Lavra de Baixo (v. PT020606040037). Na margem esquerda, está a capela de S. Sebastião (v. PT020606040005) e para S o Bairro dos Combatentes da Grande Guerra (Bairro da Boa Vista), encostado ao morro do Castelo. A mancha verde predomina na envolvente florestal e rural, os espaços agrícolas entram no espaço urbano e ocupam os espaços livres entre o edificado, sendo poucos os espaços verdes públicos no interior do núcleo: o jardim do Castelo que envolve a capela do castelo (v. PT020606040022) e a praia fluvial da Peneda, ao longo da margem esquerda do rio. O parque de campismo, espaço ajardinado semi-público, localiza-se no morro do castelo a cota elevada e tem presença imponente pela sua dimensão relativamente ao aglomerado; forma um dos extremos do núcleo em encosta de declive acentuado, o que limitou o crescimento neste sentido. O traçado urbano caracteriza-se por quarteirões irregulares, com presença corrente de logradouros, dedicados à agricultura. A forma dos lotes apresenta alguma heterogeneidade, alternando lotes rectangulares de frente estreita e quadrangulares no núcleo principal e lotes extensos de frente larga e quadrangulares nas zonas de expansão. O espaço edificado caracteriza-se principalmente por casas unifamiliares de 2 e 3 pisos, em alvenaria de pedra rebocada, cobertas por telhados de 2 águas, com a cumeeira paralela à rua. O sistema de comunicação vertical é feito geralmente por escadas internas em madeira, mas ainda se registam alguns casos de escadas exteriores em pedra. Os ritmos de composição são muito variados, registando-se a conjugação de diversos tipos de vãos (janelas simples, de sacada, com ou sem bandeira), mostrando caixilharias de batente de 2 folhas e de guilhotina (de salientar a diversidade do desenho das janelas de guilhotina). O remate do pano da fachada pode ser simples, com cimalha (mais ou menos elaborada, de perfis variados), com beirado simples, duplo ou até triplo. Da heterogeneidade do espaço construído, reveladora das várias épocas de construção, desde o séc. 16, destacam-se as casas abastadas e os solares: casa da Lavra de Cima (v. PT020606040038), casa da Lavra de Baixo (v. PT020606040037), Casa dos Maias (v. PT020606040044) e Solar dos Sanches (v. PT020606040048). Mais modestos, destacam-se também alguns exemplos de arquitectura residencial vernacular, como a tipologia de 1 piso mais cave ou meia cave dedicada ao apoio à agricultura, com escadas de acesso exteriores em pedra, com localização mais frequente nas vias de limite. Encontram-se ainda alguns exemplos de tipologias com passadiço, localizados numa área central, na Rua e na Travessa do Forno, no Largo do Pombal e na Rua de Cima.

Acessos

EN17, EN343

Protecção

Inclui Igreja Matriz de Góis, compreendendo o túmulo do Conde de Sortelha (v. PT020606040001) / Edifício dos Paços (v. PT020606040002) / Ponte sobre o Rio Ceira (v. PT02060604004) / Capela de São Sebastião (v. PT020606040005)

Enquadramento

Urbano. Situado numa região montanhosa, o núcleo implanta-se num vale, na base do Rabadão, extremo ocidental da Serra do Açor. É atravessado pelo rio Ceira que nasce algures na serra do Açor e desagua no Mondego. O desenvolvimento do conjunto foi condicionado pela presença do rio e pelo relevo acidentado. Concentrou-se primeiramente na margem direita do rio, ao longo da qual se expandiu, com extensão ocidental do Bairro de S. Paulo, na margem esquerda, em plano pegado à base da Serra do Carvalhal. As duas zonas urbanas encontram-se ligadas pela ponte quinhentista (v.PT020606040004). Actualmente existe outra ligação, no limite da vila para N. Os crescimentos recentes desenvolveram-se ao longo do rio no sentido S. / N.; na margem esquerda a expansão foi mais aleatória. A situação em terrenos aplanados da fértil bacia do Ceira é propícia à agricultura e pastorícia. Enquadrando-se em zona florestal, a paisagem envolvente é dominada pelo pinheiro e eucalipto, entre outras espécies, salienta-se uma espada de Santiago esculpida na vegetação da serra. Por outro lado, o subsolo é jazida de diversificados minerais, que ao longo da história foram explorados. Na sua envolvente próxima a N., salienta-se o parque do cerejal, já aglutinado pela vila, com árvores trazidas do Buçaco no séc. 19, quando foi local de eleição para passeio e onde se encontra a capela de Santo António (v.PT020606040011). Um pouco mais afastada, na mesma direcção, junto aos limites da vila, mas já fora dela, localiza-se a quinta da capela com o seu solar beirão (v.PT020606040006).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1113 - data do documento a doação da vila a Anião Estrada (Trastares, Vestariz) e sua mulher Ermezenda por D. Teresa e seu filho Afonso Henriques, existindo exemplares distintos que criam dúvidas; 1284 - clima de violência e conflito entre Vasco Peres Farinha, o 1º fundador da casa e morgado de Góis, e os seus parentes pela ausência de sucessores legítimos; esta contenda só terminou com a intervenção de D. Dinis; 1335 - deve ter sido concedida a jurisdição de Goes a Gonçalo Vasques de Goes por D. Afonso IV; 1352, 5 Janeiro - 1º foral dado por Gonçalo Vasques de Goes (depreende-se que este tenha sido o 1º contrato escrito entre senhores e súbditos, embora já desde Vasco Pires Farinha, existissem certas regras fixadas ou pelo menos contratos verbais); 1415, 10 Abril - a igreja de Santa Maria Maior foi instituída sede colegiada, por compromisso entre o prior Fernão Gil e o Senhor da Vila Estêvão Vasques de Pedra Alçada; 1448, 23 Julho - documento que faz a doação da vila ao trisavô de D. Luís da Silveira, Gomes Martins de Lemos, pelo rei D. Afonso V; 1498 - foi instituída a irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Góis; 1516 - 1º foral régio ao Morgado de Góis, por D. Manuel; 1527 - segundo cadastro da população do reino, existiam 321 habitantes na villa e termo e 77 hab na villa; 1527, 23 Junho - D. Luís torna-se o 1º conde de Sortelha, alcaide-mor de Alenquer e Sortelha; 1528, 28 Maio - falece D. Nuno Martins da Silveira, 16º senhor de Góis, sepultado na Igreja Matriz de Góis; 1529, 10 Abril - contrato de execução, firmado em Lisboa, referente à construção dos paços novos e à reconstrução da capela-mor feito entre D. Luís da Silveira e Diogo de Torralva, com procuração de Diogo de Castilho; 1533 - falece D. Luís da Silveira, 17º senhor de Góis, 1º conde de Sortelha, guarda-mor de D. Manuel e D. João III; D. João III manda construir a ponte sobre o rio Ceira (denominada até meados do séc. 19 por Ponte Real); 1577 - abertura do Antigo Hospital, que levou 22 anos a edificar; 1588 (conjectural) - por morte do 2º conde levanta-se demanda na sucessão entre seu filho D. Álvaro e seu neto D. Diogo, sendo finalmente dada ao último, que faleceu ainda menor, sucedendo-lhe D. Luís, 3º conde, também menor. Foi este o primeiro período de declínio dos Paços Novos; 1596 - foi iniciado o processo para a construção da Misericórdia de Góis; 1598 - criação da Misericórdia, com o contributo e ajuda do povo; 1612 - os paços velhos em ruína foram aforados pelo 3º conde D. Luís (sobreviveu a torre do relógio até ao séc. 19); 1718, 14 Abril - deliberação que a capela da Misericórdia deveria ser demolida e reedificada; 1721 - segundo informação paroquial da freguesia, existiam 1415 pessoas de comunhão e 464 fogos; 1755 - o terramoto provoca danos na igreja e na torre sineira; 1758 - segundo informação paroquial da freguesia de pessoas de comunhão com mais de 14 anos, existiam 834 homens e 1042 mulheres; 1792, 7 Janeiro - na sequência da lei de 19 de Julho de 1790, foi criada comarca com sede em Arganil, à qual fica subordinada Góis e seus termos; 1799 - Tombo da casa de Sortelha / o Pelourinho estava na Praça da República; 1801 - segundo as 'taboas topographicas e estatísticas' existiam 2575 habitantes para 683 fogos na freguesia; 1810 - durante a sua retirada das terras de Coimbra, os franceses deixam um rasto de destruição, saque e morte em Góis; 1816 - criação do 1º partido para 1 médico na vila de Góis, para aí residir (medida a só executada em 1824); 1821 - fundação da Fábrica de Papel em Ponte do Sótam por José Joaquim de Paula e José Maria de Paula; 1832, 13 Agosto - decreto que extingue os forais, senhorios e doações régias, declarando-se os bens livres para quem os possuía e os donatários indemnizados, termina assim o senhorio de Góis com D. Pedro José Maria (30º e último senhor de Góis, 7º Marquês de Abrantes), que manteve aí os bens de domínio particular 1821, após - com a extinção das doações, em Góis há necessidade da criação de impostos para cobrir as despesas; 1834 - o Antigo Hospital fechou definitivamente, após ter sido fechado temporariamente entre 1829 e 1830; 1835, 19 Outubro - nomeação interina da 1ª junta de paróquia; 1835, 20 Dezembro - eleição da 1ª junta de paróquia para 1836 em eleições censitárias, pelos 13 maiores contribuintes; 1836, 6 Novembro - por decreto foi encetada uma remodelação administrativa, projecto do coronel Franzini, que definiu os limites dos diversos concelhos e distritos; 1836, 18 Julho - decreto que cria o lugar de administrador do concelho nomeado pelo governo, institui a eleição das juntas de paróquia e a eleição directa do comissário da paróquia / Góis passa a pertencer ao julgado de Arganil e deixa de ter advogados; 1846, 10 Janeiro - pedras do Pelourinho removidas para se empregarem nas obras da casa da Câmara; 1846, 6 Agosto - D. Pedro José Maria, com a confirmação do irmão, aforou 'o Paço' (o casarão e a casa denominada o Lambique, que noutro tempo teria sido o Palácio dos condes de Sortelha) e as casas do Hospital com seus anexos a Francisco Barreto Botelho Chichorro de Villas Boas; 1847, 29 Junho - a convenção do Gramido restabelece a paz e o domínio dos Cabrais no país, após as violentas lutas liberais, em que os goienses na maioria adeptos de D. Pedro lutaram; 1849 / 1860 - reedificação da igreja matriz; 1850 - deixou de funcionar a roda dos expostos de Góis; 1856 - data da 1ª sepultura com pedra tumular no cemitério de Manuel Ferreira Neves (só a partir de 1878 começaram outras famílias a requerer a concessão para jazigos); 1859 - o reverendo José Barata d'Oliveira natural da vila, cede à junta um bocado da sua propriedade chamada o Quintalão, contígua ao adro, para este ser alargado, uma vez que o comprimento da igreja havia aumentado; 1863 - foi construída a ponte sobre o regato do Cerejal; 1864 - 3553 habitantes na freguesia; 1865 - Plantação de árvores no Cerejal, vindas do Buçaco, execução de novo relógio para a torre dos Paços Velhos, mas devido ao seu mau estado, foi posto na torre da igreja, que foi acrescentada para esse efeito; 1867, Junho - deliberação da Câmara para que sejam cortadas árvores e videiras de particulares nas ruas do cimo da vila, e demolidos os balcões que estorvem os alinhamentos ou passagens de carros; 1868 - o velho caminho para a Lousã foi melhorado, passando à categoria de estrada; a ponte é novamente calcetada; 1870 - ampliação do cemitério; 1871, 14 Janeiro - é ordenada a demolição da torre dos antigos paços, em risco de ruir; 1873 - início da abertura da estrada para a Várzea como estrada municipal pela câmara (obras que se prolongaram até 1877); 1877 - registo de que o Pelourinho estava na Praça Pequena (Praça do Pelourinho); 1878, Junho - a Quélha da Bota, hoje R. 5 de Outubro, foi terraplanada, nivelada e alargada; 3835 habitantes na freguesia; 1879 - em sessão de Fevereiro, a Câmara trata da passagem da estrada (Miranda - Santa Comba Dão) atravessando a vila, sendo necessárias várias demolições, entre elas a Casa da Câmara que arderia em 1887; 1880, Janeiro - um sector da casa dos Paços do Concelho foi vendido, fazendo parte das expropriações para a construção da estrada; 1885 / 1886 - início da abertura da estrada do Bairro da Boa Vista (actualmente, Bairro dos Combatentes da Grande Guerra) a Carcavelos; 1886, 29 Julho - desaparece o julgado de Góis na sequência da extinção dos juízes ordinários e criação de juízes municipais para os julgados localizados a mais de 15 km da sede da comarca; 1887 - incêndio destrói o edifício da Câmara, desaparecendo a maior parte dos documentos do arquivo; 1889, Janeiro - parte do terreno da casa da Câmara destruída foi vendido para a construção da estrada e o restante, com demolição das paredes foi calcetado e incluído na Praça em Dezembro do mesmo ano; expropriação amigável de parte das casas da Lavra para construção do primeiro lanço da estrada Góis-Cadafaz-Colmeal, a partir da Lavra de Cima; 1890 - 3436 habitantes na freguesia; 1900 - 3532 habitantes na freguesia; 1906 - constituição da Sociedade Anónima Companhia de Papel de Góis, sendo seus fundadores Francisco Inácio Dias Nogueira e seus irmãos; 1910, 23 Junho - classificação da capela-mor da igreja matriz como monumento nacional; 1912 - Francisco Inácio Dias Nogueira constrói a central hidroeléctrica de Monte Redondo, nas margens do Rio Ceira, para apoiar a laboração da companhia de papel de Góis, possibilitando o fornecimento futuro de energia eléctrica a todo o concelho (que viria a acontecer na década de 1950), Góis foi o 1º concelho do distrito de Coimbra a dispor de luz eléctrica; 1920 - 3837 habitantes na freguesia; 1924, 1 Maio - classificação dos tectos da Casa da Quinta de monumento nacional; 1929, 16 Abril - foi retirada a pedra de armas dos Sortelhas da capela do hospital; 1930, década de - a partir da II Guerra Mundial, o concelho passa a ser um importante centro de exploração mineira de volfrâmio e estanho; 1931 - a Câmara Municipal de Góis adquire todo o prédio da Casa da Quinta, onde já tinha os seus serviços desde 1914 e onde tem as suas instalações actualmente; 1933 - ressurge a Filarmónica de Góis; 1939, 1 Outubro - fundação da Associação Educativa e Recreativa de Góis; 1940 - censo regista 3769 habitantes na freguesia; 1940, década de - Góis é um grande centro de volfrâmio; a Câmara e os próprios municípios investem em vias de comunicação; com o fim da II Guerra Mundial, a exploração de estanho e volfrâmio praticamente cessa; 1945, cerca - instituição da sopa dos pobres, que funcionava na Casa da Caridade Rosa Maria; 1947, 20 Novembro - resolução da Câmara de realizar a feira do gado, no 1º Domingo de cada mês, na nova Avenida junto ao rio; 1948, 29 Agosto - inauguração da Av. Engenheiro Álvaro de Paula Dias Nogueira (Antiga Rua da Torre Fundeira), transformada e melhorada durante a presidência da Câmara do Engenheiro Dias Nogueira; 1949, 30 Março - inauguração no Largo do Pombal de um monumento à memória de Francisco Inácio Dias Nogueira, que passou a dar nome ao largo; 1950 - censo regista 3341 habitantes na freguesia; 1950, década de - a produção da central hidroeléctrica do Monte Redondo era suficiente para abastecer todo o concelho, a distribuição pertencia a Companhia de Papel; 1951 - Reinício da construção da estrada Góis-Cadafaz-Colmeal, com comparticipações do Estado, tendo o seu início no Pé Salgado, em frente à Associação Educativa e Recreativa de Góis; fundação do Grémio da Lavoura de Góis; 1954, 5 Junho - criação da casa do concelho de Góis, em Lisboa; 1956 - criação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis; 1960 - censo regista 3098 habitantes na freguesia; 1975 - incorporação da companhia eléctrica das Beiras EDP, depois de comprar a distribuição de energia à companhia de papel de Góis; 1985 - inauguração oficial das novas instalações da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis; 1992 - a Companhia de Papel de Góis deixa de laborar, a concessão da central pertencente à Companhia de Papel até 2002, passa para a Gestid - Gestão de Recursos Hídricos, Lda

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

NEVES, J. Afonso Baeta, Notícia histórica e topográphica da villa de Goes e seu termo, Lisboa, 1897; CORREIA, Virgílio, Um Túmulo Renascença, Coimbra, 1921; AZEVEDO, Rui de, Documentos Medievais Portugueses, s/local, 1939; CORREIA, Vergílio, GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal - distrito de Coimbra, Lisboa, 1952; AZEVEDO, José Correia de, Inventário Artístico da Região de Coimbra, Lisboa, 1953; MATTOSO, António G., Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil, Conferência integrada nos trabalhos do I Congresso Regionalista da Comarca de Arganil, Arganil, 1960; CARVALHO, ed. Raul de, O Concelho de Góis - Concelhos de Portugal monografias, Lisboa, 1970; RAMOS, dir. e ed. Mário Paredes, Arquivo histórico de Góis, Torres Vedras, 1956 - 1971; Tesouros artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; GIL, Júlio, As mais belas vilas e aldeias de Portugal, Lisboa, 1984; AMARAL, Ana Filomena Leite, Góis: entre o rio e a montanha, Góis, 1997; SIMÕES, João Alves, Os expostos da roda de Góis (1874-1841), Porto, 1999; CRUZ, José de Matos, Igreja de Góis, 2001; SILVA, João Castro, O Túmulo de Góis [texto policopiado], Lisboa, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGOTDU: Arquivo Histórico (Anteplano de Urbanização de Góis - Esboceto, Eng. Carlos Ferreira Pimentel, 1964).

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH (Anteplano de Urbanização de Góis, DSARH-005-0603/01), DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

JAE: séc. 19 - obras e melhoramentos, entre os quais a construção da maior parte das estradas de ligação a Coimbra, Poiares e Arganil; JAE / CMG: 1995 - adjudicação da estrada EN2, que liga Góis a Coimbra, para obras de rectificação e pavimentação; 1996 - construção da nova ponte sobre o rio Ceira, integrada na beneficiação do traçado da EN342, que faz a ligação de Góis a Arganil e Vila Nova de Poiares, no intuito de afastar o tráfego da antiga ponte real sobre o rio Ceira; CMG: 1948 - pavimentação da ponte com paralelepípedos de granito; 1990, década de - demolição da Casa do Pombal (casa das Ferreirinhas), localizada no Largo Francisco Inácio Dias Nogueira; 1995 - recuperação da zona E. do edifício dos Paços do Concelho; 1998 - construção do Parque de Campismo; 2000 - ampliação do cemitério. Fundo de Fomento de Habitação (actual Instituto Nacional de Habitação): 1980, década de - construção do bairro Fernando Carneiro; AHBVG: 1980, década de - construção do edifício da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis; SCMG: 1992, 28 Junho - obras de restauro da capela da Misericórdia e seus anexos; CMG / GTL: 1998 - elaboração do plano de pormenor do centro histórico de Góis, que não chegou a ser regulamentado; colocação de placa com os topónimos e números de polícia, constando a toponímia tradicional; projecto de requalificação e valorização da praia fluvial da Peneda; 2004 - projecto de requalificação do Largo Francisco Inácio Dias Nogueira (em fase de avaliação); DGEMN: 1932 / 1948 / 1972 - obras de reparação e beneficiação na Igreja Matriz de Góis; 1965 - trabalhos gerais de recuperação no edifício dos Paços do Concelho.

Observações

Autor e Data

Berta Mota 2004

Actualização

 
 
 
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