Núcleo urbano da vila de Palmela

IPA.00019825
Portugal, Setúbal, Palmela, Palmela
 
Núcleo urbano sede municipal. Vila medieval de jurisdição sob ordem religiosa militar (ordem de Santiago) com castelo e cerca, de ocupação inicial muçulmana. Arrabalde situado a N., em encosta. Implantação do alcácer e da alcáçova na cerca, seguidos da Medina. Expansão segundo alinhamentos perimetrais paralelos às muralhas e caminhos de acesso respeitando as direcções de maior declive e acompanhando as curvas de nível, paralelamente à cerca. Da R. Direita, artéria mais importante da urbe, irradiam eixos secundários: travessas, escadas, becos. Espaços urbanos integrados no tecido medieval em oposição aos do séc. 20, que rematam a malha urbana de expansão. Transição harmoniosa do traçado medieval para o do séc. 20 segundo alinhamentos ortogonais.
Número IPA Antigo: PT031508020017
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Vila  Vila medieval  Vila fortificada  Ordem religiosa militar (Ordem de Santiago)

Descrição

Núcleo urbano com estruturação inicial no castelo, expandindo-se o arrabalde para N. segundo um traçado orgânico adaptado à topografia, com dois pólos opostos estruturantes (Lg. do Rossio e Paços do Concelho). Consolidado no séc. 16, densifica-se até ao século 18 com um traçado linear e quarteirões de lote estreito. Nos sécs. 19 e 20, articula-se com a área de expansão urbana de malha reticulada. O aglomerado urbano estende-se sobre um dos contrafortes da cordilheira da Arrábida, a partir de uma zona escarpada voltada a N., encimada pelo castelo. Ocupação muçulmana ininterrupta da alcáçova do castelo, desde meados do século 8 até à reconquista, no séc. 12. O castelo torna-se fronteira de expansão para sul em meados desse século, com vista à conquista de Alcácer do Sal, provocando uma alteração na organização funcional ao nível militar, religioso e habitacional. Trata-se de uma urbe não muralhada, dadas as condições topográficas, habitada por uma povoação organizada: na cerca implantou-se o alcácer e a alcáçova, seguidos da medina, formando um núcleo pré-urbano. A partir do séc. 12, a população muçulmana desloca-se para o arrabalde, com uma ocupação cujo traçado urbano se adapta às condições topográficas e defensivas através de ruas estreitas, travessas, becos, labirintos e escadas. Constroem-se casas cujas soluções, formas arquitectónicas e técnicas construtivas são de cariz defensivo, com escassas fenestrações. É uma "população de fortaleza" reduzida a servantes, que construía as suas casas em terras da Ordem de Santiago, cultivando-as. A adequação ao relevo respeitou a tradição urbana mediterrânica de estratégia de ocupação territorial. A R. do Arrabalde ligava a zona da encosta, ao Castelo através da R. do Parque e do seu prolongamento já desaparecido. A expansão inicial em áreas menos íngremes realiza-se segundo alinhamentos perimetrais paralelos às muralhas e aos caminhos de acesso, extramuros. São exemplo disso a R. de Nenhures, o Caminho do Castelo, (actual R. do Castelo), interceptadas por travessas curtas e estreitas (Tv. de Nenhures, Tv. do Castelo), formando quarteirões orientados a E. / O. A R. Direita era a artéria mais importante da urbe, tanto pela densidade de ocupação como pelo atravessamento quase total da vila que proporcionava, da qual irradiavam eixos secundários. Actualmente estabelece a ligação entre a Praça Duque de Palmela e o Largo Marquês de Pombal. As travessas desenvolveram-se segundo as direcções de maior declive, acompanhando as curvas de nível, paralelamente à cerca e à R. do Arrabalde., correspondendo provavelmente aos caminhos pré-existentes, resolvidas com degraus e como solução de drenagem de águas pluviais. O bairro mouro seria mais tarde ocupado pela comunidade judaica, A zona do Novo Burgo, estruturada em torno do Lg. do Rossio, servia de intercâmbio devido à posição estratégica que ocupava, ponto de fixação de mestres e comerciantes, actividades atestadas pela toponímia: R. da Saboaria, R. do Brochado. O Largo do Rossio (actual Lg. d'el rei D. João I), excentrado e afastado de novos acontecimentos urbanos em termos de expansão, seria uma das portas da vila, que estabelecia uma ligação directa com Setúbal. À sua volta existe uma ocupação radio-concêntrica. Este aglomerado mercantil viria ultrapassar em muito a importância do anterior, ocupando os campos de feira ("fora"). Nas restantes zonas surgem ruas extensas orientadas a E./P. (R. Direita, R. Serpa Pinto, R. Hermenegildo Capelo, que ligam a plataforma superior da vila à inferior, onde se localiza o Largo S. Sebastião). O talvegue correspondente à R. Hermenegildo Capelo seria provavelmente uma linha de fronteira pelas suas características naturais. No séc. 13 deu-se um aumento populacional e uma alteração de áreas religiosas e administrativas. A Igreja de Santa Maria, intramuros, perde importância e uma nova igreja, anterior à de S. Pedro é edificada na zona cristã, extremo oposto da comunidade islâmica. O parcelamento homogéneo gera nestes séculos um tecido urbano eventualmente relacionado com uma fase de prosperidade económica e de crescimento urbano. Na época dos Descobrimentos Palmela ganha duas novas Igrejas (Igreja da Misericórdia e a nova Igreja Matriz) e o Pelourinho. O equilíbrio entre o castelo e os largos criou uma morfologia urbana baseada nas condições de acessibilidade, privilegiando a proximidade com as estradas de ligação ao exterior. O Largo do Município retira peso na importância do castelo e cria um pólo dinamizador de actividades religiosas e administrativas e do novo crescimento urbano, oposto ao Rossio. Nos séculos 15 e 16 surgem alterações na malha urbana em virtude das pilhagens, incêndios e abandono de habitações devido à revolução de 1383-85. As casas da R. de Nenhures e da R. do Castelo são abandonadas. A R. Augusto Cardoso, limite E. da vila no séc. 16, terá servido de lixeira. O desenvolvimento urbano seguiria a direcção E. / O., a partir da Igreja de S. Pedro, estabelecendo-se nesta direcção uma ligação directa com a vila da Moita. O Largo do Município une o Lugar de S. Pedro, o Caminho do Castelo e a Estrada para a Aldeia Galega (Montijo). A organização urbana adopta frentes unidireccionais, de lote estreito e profundidade constante. A área dos lotes desta época seria de 20 a 30 m2 e as casas, por vezes sobradadas, eram de adobe, pedra, cal e com cobertura em telha vã, materiais confirmados por escavações arqueológicas. A madeira servia para aplicações no interior, no chão ou em paredes. Do Rossio para N. / NE., a paisagem foi dominada por casais agrícolas até ao séc. 18, espalhados pela zona rural que envolvia a vila. É possível que, com a construção da muralha ordenada por D. Pedro II, se tenha perdido parte do tecido urbano existente. Com a época das especiarias, terá havido uma renovação tipológica, em que o tecido urbano e os espaços públicos terão sido consolidados. A expansão da vila contrasta com a malha medieval, articulando-se na Av. Gago Coutinho e Sacadura Cabral, paralela à R. Direita. No início do século 20, quarteirões regulam uma malha ortogonal intencional, axiada em dois espaços públicos estruturantes: o Lg. do Touril (com ligação ao Lg. do Município) a O. e o Largo S. João a N.. Houve preocupação em manter algumas pré-existências rurais, como é exemplo a Tv. da Humanitária. A Av. dos Bombeiros Voluntários, que liga à Avenida Dr. Juiz José Celestino Ataz Godinho de Matos mantém a ortonogalidade do traçado.Os largos passam de situações exteriores a centrais, integrados pela expansão urbana. A ligação entre os Lgs. do Touril e de S. João, através de uma via hierarquicamente relevante no conjunto urbano, a Avenida Gago Coutinho e Sacadura Cabral, é interceptada por travessas com dimensão de rua, como a Tv. da Humanitária, a Tv. de Olivença, e ruas perpendiculares, como a R. Infante D. Henrique, a R. Vasco da Gama, a R. D. João de Castro, a R. S. Francisco Xavier. O Largo S. João Baptista, espaço estruturante mais imponente em termos de dimensão, apresenta uma forma rectangular, cujo edificado disperso e rico em valor arquitectónico criam um espaço público hierarquicamente fundamental no conjunto. Entre outros espaços estruturantes contam-se o Lg. da Boavista, com uma forma triangular, a partir de uma escadaria múltipla, o Lg. d'El Rei D. Afonso Henriques, trapezoidal e dividido por duas plataformas de cota diferenciada, o Lg. d'El Rei D. João I, o Lg. do Chafariz D. Maria I, de dimensões amplas e ainda uma das portas da vila, o Lg. do Município, de forma rectangular, o Lg. Marquês de Pombal, quadrangular e centrado por um chafariz e o Lg. 5 de Outubro, com três frentes de edificado e forma quadrangular. A Praça Duque de Palmela apresenta uma forma trapezoidal, tendo ao centro o Pelourinho. Os eixos estruturantes mais importantes são a R. Direita (Rua Contra Almirante Jaime Afreixo), a Rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral, a Rua General Amílcar Mota, a Rua Heliodoro Salgado, a Rua Hermenegildo Capelo. O espaço construído, com os seus tipos arquitectónicos dominantes, congrega um núcleo urbano com características muito particulares. O casario acompanha a morfologia do terreno, resumindo-se a arquitectura civil corrente a casas térreas com 1, 2, 3, 4 ou 7 módulos, com ou sem chaminé, com 1, 2 ou 3 acessos, casas de 2 pisos com 1, 2, 3, 4 ou 5 módulos, algumas com assimetria na disposição dos vãos, revelando a sua origem medieval; a maior parte apresentando chaminé à face, com ou sem saliência. Nos casos particulares destacam-se as casas com escadas exteriores (a maioria na situação de gaveto), as "casas-quarteirão", construídas por famílias abastadas ligadas à cultura viti-vínicula nos séc. 19 / 20, que ocupam o lote na sua totalidade e as casas com empena triangular. As adegas, tipo arquitectónico característico da vila têm 1 ou 2 pisos, integrando ou não habitação. Surgem espalhadas por toda a vila, com especial incidência na zona de expansão do século 20, onde integram a habitação dos proprietários no mesmo lote, de grandes dimensões. Destacam-se pormenores arquitectónicos nas casas do burgo medieval como: arestas boleadas nos vãos, varandas constituídas por balcão de sacada com hastes cilíndricas aneladas em ferro forjado, óculo na zona da escada acesso ao segundo piso, que a iluminava naturalmente. A distribuição interior baseava-se numa sala com lareira, peal para o pote de água; "salas-cozinha" eram o espaço comum de convívio das famílias. O número de quartos era de 2, um para o casal outro para os filhos, com separação de sexos, chegando os rapazes a dormir nas cocheiras. Portas interiores eram cortinas. Cocheira no interior ou nas traseiras, para o burro que servia também de instalação sanitária. Candeeiros a petróleo e lamparinas de azeite ou velas de sebo para os mais pobres eram a forma de iluminação até à chegada da luz eléctrica. Nos finais do séc. 19, surge o uso da platibanda decorada, alterando a composição das fachadas, encimadas por balaustradas e faianças, e varanda de sacada em ferro forjado. Na zona de expansão de finais do séc. 19 e do séc. 20, a N. da vila, surgem casas abastadas com cantarias nos vãos, elementos trabalhados em argamassa na fachada, azulejo cerâmico vidrado de revestimento nas fachadas e painéis que retratam cenas da vida quotidiana da vindima.

Acessos

A2, EN 252, Alameda 25 de Abril a E., Estrada do Cemitério e Avenida dos Bombeiros Voluntários a O.

Protecção

Incluído na Zona Especial de Protecção do Castelo de Palmela (v. PT031508020002), Igreja de Santiago (v. PT031508020001) e Pelourinho de Palmela (v. PT031508020003) / Inclui Cine-Teatro São João (v. PT031508020015) / Chafariz D. Maria I (v. PT031508020008) / Igreja de Misericórdia de Palmela (v. PT031508020007) / PDM - Plano Diretor Municipal, Resolução de Conselho de Ministros n.º 115/97, DR, 1.ª série-B, n.º 156 de 9 julho 1997

Enquadramento

Situado em encosta, na unidade de paisagem da Serra da Arrábida (v. PT031511010102). O núcleo inicial, correspondente ao castelo, situa-se à cota de 238m, no cimo de um dos contrafortes da Serra da Arrábida, permitindo uma visão estratégica da envolvente: domina parte do estuário sadino, uma vertente da cordilheira da Arrábida (que compreende as serras do Louro, de S. Luís e da Arrábida), a serra de Sintra e as planícies envolventes que a separam do Tejo (em particular a região ribatejana), o curso deste até às vizinhanças de Santarém, as lezírias em Lisboa (bem visíveis em dias claros) e o Alentejo setentrional. Este factor é importante pelas ligações e possibilidades de comunicação que se estabeleciam em termos estratégicos defensivos com os castelos circundantes das linhas do Tejo e do Sado (Almada, Alcácer do Sal, Lisboa). Nas proximidades localizam-se as Grutas da Quinta do Anjo (v. PT031508020004), a Capela de São Gonçalo (v. PT031508020006), a Estação de Caminhos de Ferro de Pinhal Novo e respectiva Torre de Sinalização e Manobra Ferroviária (v. PT031508020009), o Mosteiro de São Paulo de Alferrara (v. PT031508020013), o Convento de Nossa Senhora da Conceição da Província da Arrábida de Alferrara ou Convento de São Francisco, o Palácio de Rio Frio (v. PT031508020011) e a Quinta da Torre (v. PT031508020012). Palmela é caracterizada por uma grande heterogeneidade paisagística, em que uma parte do território concelhio está integrado na Reserva Natural do Estuário do Sado e outra no Parque Natural da Arrábida.

Descrição Complementar

Não aplicável

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 08 / 12 / 14 / 16 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Paleolítico médio e Neolítico - vestígios de ocupação humana em Chibanes, Quinta do Anjo e Quinta da Cerca; 310 a.C - fundação de Palmela pelos Celtas (cuja designação é desconhecida), foi dominada nos quatro séculos seguintes pelos romanos; 106 - reedificação da vila por Aulio Cornelio Palma, pretor romano da Lusitânia, dando-lhe o nome da Palma Pequena para a distinguir de uma outra que já fundara na Andaluzia; séc.5 a 8 - presença dos Alanos, dos Suevos e dos Visigodos; 711 - início da ocupação muçulmana; 715 - conquista árabe; início da fortificação de Palmela, com a construção do castelo; séc. 8 a 12 - ocupação do castelo pelos muçulmanos; séc. 12 - possível localização do primitivo convento da Ordem de Santiago na alcáçova; data provável da construção da Igreja de Santa Maria, primeira Paroquial; séc. 12 / 13 - rendição do castelo, existência de uma casta nobre muçulmana (Balmâla) no castelo, expulsa da medina para o arrabalde, que é posteriormente também ocupado pela comunidade judaica, alteração de áreas religiosas e administrativas e perda de importância da Igreja de Santa Maria, devido ao crescimento populacional extramuros; construção do edifício anterior à Igreja de S. Pedro no extremo oposto à zona habitacional da comunidade islâmica séc.12, finais / 13, inícios - incursões almoadas sucessivas e contra-investidas cristãs, pelos freires de Santiago que estabelecem um núcleo militar no castelo; 1147, Outubro - após a conquista de Lisboa, D. Afonso tenta conquistar Palmela; contudo há uma retoma do castelo pelos sarracenos; 1165 - reconquista definitiva por D. Afonso; 1166, 23 Junho - reconhecimento do castelo pelo rei diante de 60 lanceiros; reconstrução e ampliação do castelo para evitar nova investida moura; doação da povoação aos cavaleiros de Santiago para que a povoassem e defendessem; 1170, Março - D. Afonso Henriques concede carta de segurança e de privilégios aos mouros forros; 1168 / 1170 - instituição da Ordem de Santiago da Espada por Fernando II de Leão, (Cáceres foi primeira sede); 1172 - reedificação do castelo por D. Afonso Henriques e fundação do Convento para a permanência da Ordem de Santiago, com vista à defesa do castelo; 1185, Março - D. Afonso Henriques, grão-mestre da ordem de Santiago, dá o primeiro foral a toda a população cristã; 1186, 28 Outubro - doação do castelo de Palmela por D. Sancho I, ao Mestre de Santiago Sancho Fernandes e aos seus sucessores; 1190 - invasão almoada sob o comando de Iacub Abu Yussuf al-Mansur (Almançor), conquista e destruição de Palmela pelo Miramolim Aben-Joseph; 1191 - saque da vila por Iacub-el Mansur, abandono da povoação até 1205; séc. 12 a 15 - consolidação do limite S. da vila, por razões topográficas e defensivas; a antiga medina corresponde à área afecta à Ordem de Santiago; 1205 - Palmela fica definitivamente em poder dos portugueses, reedificação de todos os edifícios de defesa por D. Sancho I, reforço de combatentes; 1210 - regresso da Ordem de Santiago, que permite aos cristãos assumir novamente a posse do castelo; segundo testamento de D. Sancho I, foi ordenada a sua reconstrução e repovoamento; 1217 / 1218 - confirmação dos forais de 1170 e 1185 por D. Afonso II; 1239 /1423 - o Mestrado da Ordem de Santiago passa para Mértola; 1245 - a bula Illius Ordinem vestrum, de Inocêncio IV, confirma a doação dos padroados das igrejas de Palmela e do seu termo, por D. Sancho II; séc. 13, finais - início da formação do núcleo cristão fora do limite das muralhas, localizado nas imediações da actual Igreja de S. Pedro; séc. 14 - formação do aglomerado urbano com dois pólos distintos: os Paços do Concelho, com funções religiosas e administrativas, e o Largo do Rossio, onde se consolida o bairro mouro; séc. 14 / 15 - alteração da malha urbana em virtude de calamidades; 1314 / 1316 - os cavaleiros portugueses elegem seu mestre o comendador-mor de Palmela, Lourenço Anes; 1317, 17 Abril - nova bula ordena a obediência a Castela; 1319, 27 Fevereiro - suspensão desta última, devido à intervenção de D. Dinis, pela publicação de outra bula de João XXII, Olim felicis recordationis; 1320 (?) - fundação da (primeira) Igreja de S. Pedro; 1323 - elevação de Palmela a vila por D. Dinis, donde resulta a concessão de novo foral; 1343 - autonomia de Palmela relativamente a Setúbal; 1383 - com a morte de D. Fernando, Palmela toma partido do Mestre de Avis; 1383 / 1385 - a área do actual edifício dos Paços do Conselho e envolvente é alvo de incêndios e pilhagens, com consequente abandono das casas, pelo facto de Palmela ter tomado o partido do Mestre de Avis; séc. 15 / 16 - renovação e expansão do tecido urbano, marcado por uma linearidade e regularidade morfológica e pela construção do Pelourinho, da Igreja da Misericórdia e da nova Igreja de S. Pedro; séc. 15, finais - a população rondava os 400 habitantes; o limite E. da vila é aproximadamente definido pela R. Direita (actual R. Contra Almirante Jaime Afreixo), pela R. Augusto Cardoso (zona de lixeira nesta época) e marcado por espaços públicos como o Lg. S. Sebastião (actual Lg. Marquês de Pombal), o Lg. do Mercado e o Lg.do Rossio; 1423 - início da edificação do convento de Santiago e das cercas, ordenadas pelo rei D. João I; estas obras prolongar-se-ão por 59 anos; 1443, 5 Maio - D. João I institui definitivamente Palmela como sede da Ordem de Santiago, cujo grão-mestre é D. João, seu filho; 1443 / 1482 - construção do segundo edifício correspondente à actual Igreja de S. Pedro; início da construção da Igreja de Santiago; 1470 - conclusão da construção da Igreja de Santiago; 1482 - o infante D. João, filho de D. Afonso V e 4º mestre da Ordem, contribui para o fim das obras do convento e da igreja; 1484 - D. Garcia de Menezes, Bispo de Évora, morre encarcerado numa cisterna da torre de menagem do Castelo, acusado de conspiração contra D. João II; 1492, 5 Maio - D. Jorge torna-se mestre de Santiago e de Avis; 1512, 1 Junho - Concessão de novo foral à vila por D. Manuel, que decreta a expulsão dos Mouros forros; 1534 - reconstrução da Igreja de Santa Maria; 1550, 22 Julho - morte do último grão-mestre da Ordem, D. Jorge, sepultado na Igreja de Santiago; 1552, 2 Setembro - incorporação do Mestrado na Coroa, passando a Ordem a depender do rei; séc. 15 - período de apogeu da vila: transferência da sede principal da ordem religiosa-militar de Santiago de Espada para o Castelo, sendo o seu mestre o Infante D. João; séc. 16, finais - início da construção do novo Convento; 1608 - beneficiação de edifícios, por iniciativa de D. Jorge de Melo, prior-mor; 1689 - D. Pedro II manda construir as muralhas abaluartadas, ampliando o Castelo; 1713, 17 Abril - incêndio na Igreja de S. Pedro; 1755 - o terramoto provoca a destruição parcial do Castelo, da Igreja de Santa Maria e da Igreja de S. Pedro; 1780 - condecoração da Ordem de Santiago de Espada por D. Maria II aquando das reformas das insígnias das antigas Ordens Militares, com o objectivo de distinguir o mérito prestado às ciências, letras e artes; séc. 16 a 18 - o crescimento para O., a partir dos limites da vila no séc. 16, é marcado pelo povoamento disperso e pelos casais agrícolas que dominavam a paisagem até à encosta; sécs 17 / 20 - existência uma zona de transição que faz a ligação da vila medieval ao traçado geometrizante moderno, em que o quarteirão surge como elemento estruturante da malha urbana; surgem habitações integrando adega e os prédios de rendimento, sobretudo na Av. Gago Coutinho e Sacadura Cabral; séc. 18, 1ª metade - conclusão da construção do novo Convento; 1833 - D. Pedro de Sousa Holstein é nomeado duque de Palmela, sendo o primeiro portador deste título; 1834 - extinção das Ordens Religiosas militares em Portugal, data até à qual residiram os freires em más condições no Castelo; 1841, 4 Fevereiro - nascimento, numa das habitações do Castelo de Palmela, de Hermenegildo Carlos de Brito Capelo, Almirante da Armada; 1855 - extinção do concelho e integração no de Setúbal; 1855, 24 Outubro - supressão do concelho, por decreto régio de D. Fernando; 1866 - início da construção do caminho- de-ferro da linha de Setúbal-Palmela; 1876, 16 Fevereiro - inauguração da iluminação a gás na vila; séc. 20 - recuperação do pelourinho por um habitante da vila, Manuel Joaquim da Costa; 1938 - iluminação eléctrica na vila; 1948 - Plano de Urbanização de Palmela, que visa a expansão da vila para N. e a protecção da encosta do cemitério a E., protecção vigente até hoje através da ZEP e da ZP do castelo; 1979 - inauguração da Pousada de Palmela, após obras de restauro e adaptação do Convento.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

COSTA, Carvalho da, Corografia Portuguesa, Tomo III, Lisboa, 1706, p. 303; FORTUNA, António Matos - (Prólogo, selecção e notas de...) - Monografia de Palmela - Vol.I: Memórias Paroquiais de 1758, Ed.: Grupo de Amigos do Concelho de Palmela, 1982; Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais Nº 129 - Castelo e Pousada de Palmela, Lisboa, 1984; FORTUNA, A. Matos - Reflexões sobre a História Social de Palmela (Brochura policopiada), s/l,1984; ALÇADA, Isabel e MAGALHÃES, Ana Maria - O Castelo dos Ventos, "Col. 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Maria I), Ed.: Grupo de Amigos do Concelho de Palmela, s/l, 1997; ANDRADE, Sérgio Guimarães e outros - "S. Thiago Discipulo de Jezus e fêz guerra contra os Mouros" - Catálogo da Exposição, Ed.:Divisão de Património Cultural, 1998; LEAL, Ernesto Castro e outros - Da Supressão à Restauração do Concelho de Palmela. Conjunturas e Símbolos (1855 - 1926), "Col. Cadernos Locais, Vol. I", Ed.: Grupo dos Amigos do Concelho de Palmela, s/l, 1998; FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira, Cor. Eng.º MOREIRA, Guilherme Bastos, Ten. Cor. PASTOR, José Quesada - (Roteiro do) Espaço de Transmissões Militares - Núcleo do Castelo do Museu Municipal de Palmela, Ed.: Divisão de Património Cultural, s/l, 1999; PEQUITO, Luís e outros - A Profissão de um Cavaleiro da Ordem de Santiago, Projecto "História ao Vivo", s/l, 1989; Colecção de Postais Museu Municipal, 8 postais / cor, Ed.: Divisão de Património Cultural/ Museu Municipal, s/l, 1999; AAVV - As Ordens Militares: Guerra, Religião, Poder e Cultura, Actas do III Encontro sobre Ordens Militares (2 vols.), Co-Edição: Edições Colibri/Câmara Municipal de Palmela, 1999; Revista Militarium Ordinum Analecta, vol. II (Direcção de Luís Adão da Fonseca) - As Ordens de Cristo e de Santiago no início da Época Moderna: A Normativa, Ed.: Fundação Engº António de Almeida, s/l, 1999; AAVV (Coord. Maria Teresa Rosendo) - Museu Municipal de Palmela - Roteiro, À descoberta do património concelhio, Ed.:Divisão de Património Cultural/Museu Municipal, s/l, 2000; AAVV (Coord.: Isabel Cristina F. Fernandes e Dulce Fernandes) - Simpósio Internacional sobre Castelos - Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb . Resumos das Comunicações, BARROCA, Mário; MONTEIRO, João Gouveia e RUBIM, Nuno Varela - Pera Guerrejar. Armamento Medieval Português (séculos IV-XV), Roteiro da Exposição, Ed.: Divisão de Património Cultural - Museu Municipal, s/l, 2000; Colecção de Postais Imagens de Palmela 1920 - 1950 - por Américo Ribeiro, 15 Postais / Preto e Branco, Ed. Divisão de Património Cultural / Arquivo Histórico Municipal, s/l, 2000; Rosendo, Maria Teresa (Coordenação); PIMENTA, Maria Cristina - As Ordens de Avis e de Santiago na Baixa Idade Média - O Governo de D. Jorge, Ed. GESOS - Gabinete de Estudo sobre a Ordem de Santiago, Câmara Municipal de Palmela, s/l, 2002; BARROCA, Mário Jorge e PAVÃO, Luís - Os Castelos da Ordem de Santiago, Ed. Divisão de Património Cultural, Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago, s/l, 2002; FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira - O Castelo de Palmela - do islâmico ao cristão, Edições Colibri, Câmara Municipal de Palmela, Lisboa, 2004; ROSENDO, Maria Teresa, Apontamentos vários para tese de mestrado, Departamento Cultural (DPC) da CMP, 2004.

Documentação Gráfica

AHM: Núcleo de Arquivo; DSE: Núcleo de Arquivo; IHRU: DGEMN/DSID; CMP: GCH

Documentação Fotográfica

CMP; Biblioteca Nacional: Arquivo da Torre do Tombo; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

CMP; Biblioteca Nacional: Arquivo da Torre do Tombo; IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1932 a 1939 - demolição da capela do lado N. da Igreja de Santiago de Palmela; 1939 - consolidação dos baluartes exteriores do castelo; demolição de edifícios intramuros, considerados sem valor e em ruínas, consolidação de abóbadas no interior do convento de Santiago; 1940 - reparação do revelim desmoronado à entrada do castelo; 1956 a1960 - obras na casa do almirante Hermenegildo Capelo, reconstrução de telhados, rebocos, pintura e caiação; portas e caixilhos, instalações sanitárias; 1957 - reparação da torre sineira da igreja de Santiago de Palmela; 1961 - iluminação exterior do castelo; 1969 - projecto de adaptação do convento a pousada; 1970 a 1979 - recuperação e consolidação das muralhas seiscentistas e baluartes; obras de adaptação a pousada; 1981 - valorização das muralhas; 1982 - instalação de um pára-raios; 2000 - reconstrução de troço de muralha O., consolidação, refechamento de juntas do pano N.; ENATUR - actualização do levantamento da pousada; 2002 - projecto de beneficiação e ampliação da pousada; CMPalmela, 2000 - construção do chafariz no Largo São João Baptista, demolição do mercado municipal; 2003 - criação de transporte público gratuito (mini-autocarro); 2004 - recuperação do quarteirão com frentes para a Rua Contra Almirante Jaime Afreixo, Rua Serpa Pinto, Rua 31 de Janeiro e Rua Coronel Galhardo, remodelação do sistema de iluminação exterior do centro histórico; construção de novo mercado municipal; remodelação do edifício da antiga escola primária, no Largo S.ão João Baptista, futura Biblioteca Municipal; construção da rede de distribuição por cabo com vista à retirada das antenas hertzianas dos telhados; reformulação do mobiliário urbano; conclusão do arranjo e valorização do Chafariz D. Maria I; iluminação do arco da Rua do Passadiço; conclusão da implementação do estudo de sinalização e trânsito para o centro histórico; 2012 - requalificação das infra-estruturas de abastecimento de água, drenagem de águas residuais domésticas e pluviais, pavimentação e ajardinamento do Largo Duque de Palmela, Largo do Município, Alameda Nuno Alvares Pereira, Miradouro e Avenida dos Cavaleiros da Ordem de Santiago.

Observações

Palmela parece ser diminutivo de palma, palavra de raíz latina que pode significar a folha da palmeira ou a vitória. Pode ser um "genitivo de Palmius, nome masculino que deu o topónimo daquela freguesia" (vide Boletim Nº 129 da DGEMN). O rio Sado estender-se-ia, na época do domínio árabe, até à base da encosta do castelo. No século 16, segundo o Numeramento de 1527-32 existiam duas freguesias: S. Pedro, correspondente ao novo burgo e Santa Maria respeitante à zona do castelo.O brasão da vila de Palmela encontra-se na Torre do Tombo; para além de um escudo púrpura, apresenta uma mão de homem, de prata, que sustenta uma palmeira no meio de duas torres; sobre a palmeira está a cruz de Santiago no meio de duas vieiras de prata, em campo de ouro. Actualmente, o brasão tem um braço direito de homem sustentando uma palma, entre duas torres e, de cada lado, sobre elas, a cruz da ordem de Santiago. Sobre a palma estão as cinco quinas da bandeira nacional; Os cavaleiros de Santiago foram também designados "os Espatários", dado que esta também se chamou Ordem de Santiago da Espada; A Estrada da Cobra, possivelmente de origem mais antiga, foi mandada reparar e alargar por D. Jorge de Lencastre, Mestre da Ordem de Santiago, proporcionando um mais fácil acesso entre Palmela e Setúbal. Tratava-se de uma via de extrema importância, para o acesso de pessoas e bens, atendendo que a Ordem cobrava impostos sobre as mercadorias descarregadas na região. O seu trajecto repleto de curvas e contracurvas, motivo que lhe deu o nome, foi estudado para ter o mínimo de inclinação e para se conseguir o maior controlo possível a partir do Castelo; A Igreja de Stª. Maria possui dois sinos grandes, o de Santiago e o da Srª. da Anunciada. Em determinada época intentou-se vender este último tendo o negócio chegado a firmar-se. Porém, foi de tal modo violenta a oposição do povo de Palmela que o sino permaneceu onde estava; D. Domingos de Sousa Holstein (1818-1864) foi o segundo duque de Palmela; António de Sampaio e Pina de Brederode foi o terceiro duque. Luis Coutinho Dias da Câmara foi o quarto duque, usufruindo do título por casamento com a herdeira, a duquesa D. Helena Maria (1864-1941); D. Domingos de Sousa Holstein Beck (1897- ) foi o quinto duque; A Festa das Vindimas, com lugar no início de Setembro de cada ano, é o maior acontecimento cultural da vila. 1512, 1 Junho - Feriado municipal em virtude da concessão de novo foral à vila por D. Manuel, em 1512, que decretou a expulsão dos Mouros forros; O interior das casas era forrado a estuque, técnica muçulmana que foi abandonada no século 16, altura em que se começa a cobrir alguns troços do chão das casas.

Autor e Data

Eunice Torres 2004

Actualização

Anouk Costa 2011 / 2012
 
 
 
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