Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes / Lar-Hospital D. Leonor Paler Carrera de Viegas

IPA.00001972
Portugal, Santarém, Abrantes, União das freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede
 
Arquitectura religiosa e de saúde, maneirista. Igreja de Misericórdia de planta longitudinal de nave única, simples, interiormente com presbitério sobrelevado, com fachada principal terminada em frontão triangular e rasgada por portal de verga recta encimado por friso e cornija sobrepujado por janela igualmente com friso e cornija e óculo no tímpano. Fachada lateral acusando a divisão espacial interior através de pilastras, e rasgada por porta travessa e várias janelas. Interior com coro-alto, púlpito no lado do Evangelho e tribuna dos Mesários no lado da Epístola, colocada sobrelevada e com comunicação para a Sala do Definitório, duas capelas retabulares com telas e molduras de talha e retábulo-mor de talha dourada barroca. Sacrisitia encimada pela Sala da Irmandade, percorrida por silhar de azulejos barrocos de composição figurativa representando as Obras da Misericórdia corporais. Antigo hospital desenvolvido junto à fachada lateral direita, à volta de um pátio, com fachadas desiguais, a mais antiga possuindo no piso intermédio arcada de arcos plenos e escada com guardas de alvenaria acedendo à quadra, com cisterna seiscentista.
Número IPA Antigo: PT031401110011
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Planta irregular composta por igreja rectangular de eixo interior longitudinal, de nave única e presbitério, de massa simples com cobertura homogénea em telhado de duas águas, tendo adossado à fachada lateral direita os corpos do antigo hospital, formando pátio trapezoidal irregular com duas sacristias, uma delas maior, sobreposta pelo cartório e sala do definitório, cuja fachada se vira ao pátio, sendo cobertos com telhados diferenciados de duas e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento, frisos, cornijas, terminadas em beiral, e molduras dos vãos pintadas a ocre. IGREJA: Fachada principal virada a SO. terminada em frontão triangular, rematada por cruz sobre acrotério com um losango em cada face; é rasgada por portal de verga recta, encimado por friso e cornija, e sobrepujado por janela, também encimada por friso e cornija, e, no tímpano, óculo circular com capialço; ladeia o portal, registo de azulejos, azuis e brancos, com memória histórica da Misericórdia. Fachada lateral NO. de três panos marcados por falsas pilastras, sobre plintos, ambos pintados de ocre, com friso central branco, sobrepujados sobre a cobertura por pináculos tipo urna terminados em bola assentes em acrotérios com losangos em cada uma das faces. No primeiro pano, da direita, o mais largo, abre-se portal de arco de volta perfeita moldurado, com pedra de chave saliente e voluta, sobre pilastras também molduradas enquadrado por pilastras de fuste toscano e capitéis de inspiração coríntia, assentes em plintos, as quais suportam entablamento, com friso ornado por elementos vegetalistas; encima-o vão circular moldurado, sobre plinto com querubim, albergando relevo com representação da Mater Omnium, envolvido por elementos vegetalistas, alguns formando volutas, e encimado por pináculo coroado por pelicano; lateralmente, no alinhamento das pilastras, acrotérios com carrancas, encimadas por vasos e cartelas com as inscrições "1548" e "Gaspar Dinis a fez"; nos seguintes, em cantaria, medalhões com bustos em relevo. Portadas e bandeira superior de madeira, com almofadas, tendo afixado em ferro a data "1707". O portal é ladeado por duas janelas de moldura rectangular e em cada um dos outros panos da fachada, rasga-se num plano mais elevado, uma janela de moldura superior em arco abatido. Fachada posterior cega terminada em empena. INTERIOR: paramentos rebocados e pintados de branco, com silhar de azulejos modernos de padrão azul e branco, pavimento de madeira e cobertura também de madeira em masseira, formando caixotões. Coro-alto de madeira assente em duas colunas dóricas sobre plinto, com guarda de madeira e órgão de armário, com espaço lateral para o foleiro; no lado da Epístola, tem porta no coro e sub-coro de ligação ao antigo hospital e sacristia grande; óculo da fachada com capialço também para o interior. No sub-coro confessionário de madeira. No lado do Evangelho ladeia o portal lateral pia de água benta semicircular sobre mísula gomeada e, sensivelmente a meio da nave, dispõe-se púlpito em calcário, de base semicircular, sobre mísula decorada por volutas, guarda em balaustrada encimada por cornijas sobrepostas e acesso por porta de verga recta. No lado da Epístola, em plano elevado, Tribuna dos Mesários, em madeira, sobre sete mísulas de volutas de remate inferior recortado e intercaladas por apainelados de madeira com almofadas de madeira oitavadas, e guarda de balaustres encimados por pilares que suportam cornija moldurada. É acedido a partir da Sala do Definitório, por dois vãos de arcos deprimidos com pedra de fecho saliente sobre pilastras, em madeira, um deles já entaipado. Ao longo da nave dispõem-se seis painéis, pintados sobre tábua e com moldura dourada, figurando a Anunciação, Visitação, Natividade, Cristo a caminho do Calvário, Calvário e Enterro de Cristo. Presbitério sobrelevado, com três degraus de acesso e com teia de madeira. De cada lado, tem uma capela lateral confrontante, pintada a ocre, contendo telas, figurando, na do lado do Evangelho Adoração dos Reis Magos e na do lado oposto Adoração dos Pastores. Retábulo-mor de talha dourada, de planta recta com corpo convexo e um eixo, ladeado por painéis decorados com enrolamentos, acantos e querubins. A parte central tem tibuna em arco de volta perfeita, com cobertura em caixotões, contendo trono de três degraus, encerrado por cortinas de veludo; é flanqueada por quatro pilastras e quatro colunas torsas assentes em consolas com anjos, decoradas com pâmpanos, as exteriores tendo míusulas suportadas por anjos e protegidas por baldaquinos, tendo em baixo relevo drapeados abertos; boca da tribuna com decoração rendilhada onde se distinguem pequenos anjos atlantes. O ático, sobre friso de querubins e cornija, é constituído por quatro arquivoltas decoradas por motivos fitomórficos onde se distinguem dois anjos atlantes e emblemas centrais, bem como fragmentos de frontão encimados por anjos de vulto. Sobre os painéis laterais surgem elementos entalhados acompanhando o perfil da cobertura com decoração fitomórfica. Embutido sobre a tribuna, surge o sacrário em forma de templete com quarteirões nos ângulos e remate bolboso com vários anjos sobre a qual surge a pomba do Espírito Santo e o Cristo crucificado; a ladear a porta dois anjos de vulto. Altar paralelepipédico com frontal dividido em quatro painéis definidos por colunas de fuste liso, ladeado por duas portas de acesso à tribuna. ANTIGO HOSPITAL: Adossado à fachada SE., sensivelmente avançado, com cunhais apilastrados de ocre, de três registos, rasgando-se no primeiro, nos extremos uma porta de verga abatida com fecho saliente, a do lado esquerdo sem moldura pintada, e a do lado direito ladeada por janela de peitoril; nos pisos superiores, duas janelas de peitoril e caixilharia de guilhotina, tendo também no terceiro pequeno óculo circular. Sobre a cobertura, ergue-se sineira de alvenaria, de arco de volta perfeita sobre pilares, terminada em frontão tiangular com pináculos laterais sobre acrotério e um outro circular ao centro. Perpendicularmente a esta fachada, desenvolve-se uma outra, de dois pisos, rasgada por janelas de peitoril e caixilharia de guilhotina e os corpos modernos do lar, mais recuados. O corpo principal desenvolve-se de modo a formar um pátio, com três alas, de fachadas de dois e três pisos, embora de igual altura, rebocadas e pintadas de branco, terminadas em cornija moldurada pintada de ocre e vãos moldurados igualmente pintados de ocre; na face SO. do pátio, muro elevado sustentando terraço, também rebocado e pintado de branco, com friso ocre e contendo inscrições latinas. Ala NE. de três registos, tendo no primeiro uma única porta, no segundo arcada com arcos de volta perfeita assentes em pilares quadrangulares, com impostas salientes sublinhadas a ocre, tal como os arcos, actualmente envidraçados, e o piso superior rasgado por sete janelas de peitoril e caixilharia de guilhotina; uma escada de um lanço, protegida por muros rematados superiormente por grandes volutas, e com pilares prismáticos terminais, liga a arcada ao centro do pátio. Fachada NO. de três registos, o inferior rasgado por duas portas e duas pequenas janelas de peitoril, e os dois superiores vazados por dez janelas de peitoril com caixilharia de guilhotina. A fachada SE. apresenta dois panos, o da esquerda muito estreito, de três registos, no seguimento da ala NE., e o da direita, correspondendo à sacristia grande e sala do definitório; este é de dois registos separados por friso de cantaria, delimitado por pilastra e cunhal apilastrado pintados de ocre, sendo rasgado no primeiro por porta central entre duas janelas de peitoril, molduradas a cantaria, as quais são encimadas, no segundo piso, por duas janelas de sacada, sobre mísulas em volutas, igualmente molduradas e rematadas por friso e cornija, com guardas em ferro; entre as janelas, registo de azulejo azul e branco recortado, representando o escudo nacional coroado sustentado por dois anjos tenentes. No centro do pátio, com pavimento cerâmico, encontra-se a boca da CISTERNA, quadrangular, com uma armação em ferro forjado, sustentando uma roldana, decorada com estilizações zoomórficas e encimada por uma cruz. A SACRISTIA grande é acedida pelo exterior e pela porta do sub-coro; possui silhar de azulejos azuis e brancos com composição seriada de albarradas, pavimento cerâmico e cobertura de madeira, formando caixotões planos sobre cornija; na face virada à rua, fonte de espaldar em cantaria terminado em tabela quadrangular ornada por cartela assimétrica com acantos, volutas e concheados, terminada em cornija ligeiramente encurvada, ladeada por falsas colunas coroadas por fogaréus; no espaldar, duas bicas saindo da boca de golfinhos de cauda entrelaçada e taça de lóbulos arredondados assente em pilar levemente avançado da estrutura. No alçado virado ao pátio, janelas conversadeiras ladeando porta de acesso ao mesmo. A sacristia pequena, com arcaz de madeira, é acedida pela igreja, através de porta de verga recta no lado da Epístola, e possui ligação ao pátio do Definitório, onde se desenvolve escada, alpendrada no topo e com painel de azulejos azuis e brancos de composição figurativa. A primeira sala do segundo piso tem azulejos de composição ornamental seriada, em albarradas, formando silhar, armários embutidos na parede, uma "burra" de madeira, vários quadros de Irmãos e cobertura de madeira em caixotões. Portal de verga recta com moldura recortada encimada por cartela inscrita e entablamento de perfil levemente curvo liga à SALA DO DEFINITÓRIO. Esta, tem planta quadrangular, com silhar de azulejos monocromos sobre fundo branco, de composição figurativa, delimitados por elementos arquitectónicos, cariátides e quarteirões, sobrepujados por vasos tipo Medicis, e com cercadura recortada, composta por elementos geométricos, putti e drapeados em forma de festão; representam as Obras da Misericórdia corporais, ilustradas com cenas do quotidiano, possuindo a sequência, a partir do painel entre os vãos de acesso à tribuna dos Mesários: "vestir os nús", "enterrar os mortos", "dar de comer aos famintos", "dar de beber a quem tem sede", "curar os enfermos", "dar pousada aos peregrinos e pobres" e "remir os cativos". O painel "dar pousada aos peregrinos", na parede O., fronteiro ao portal de acesso à sala, o único que surge inserida em cartela oval, é encimado por um pequeno oratório envidraçado, de arco de volta perfeita, enquadrado por talha dourada e marmoreada, com uma imagem de Cristo crucificado no interior. Ao centro da sala, de pavimento em tabuado de madeira, existe uma mesa redonda, rodeada por quatro cadeirais também redondos, três de três lugares e um de quatro, de espaldar formado por duas fiadas de almofadas rectangulares convexas assente sobre uma outra recortada com volutas; o cadeiral junto ao nicho é coroado, ao centro, por palmeta encimada por frontão e ladeada por volutas, assinalando assim o lugar do Provedor. Cobertura em tecto de masseira, com caixotões geométricos marmoreados assente em cornija, também marmoreada, sob a qual corre friso pompeano, composto por urnas, acantos volutados, elementos palmiformes e máscaras.

Acessos

Largo Motta Ferraz, Rua de Santa Isabel, Rua D. Nuno Álvares Pereira (antiga Rua da Barca de Cima). WGS84 (graus decimais) lat: 39.463755 long:-8.198364

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977 *1

Enquadramento

Urbano, planalto, adossado. Implantação harmónica na malha urbana, nas proximidades da Igreja de São João (v. PT031401110003), do Convento de São Domingos (v. PT031401110003) e do antigo Largo do Rossio ou da Feira. Ergue-se em terreno com desnível, possuindo junto à fachada lateral esquerda e posterior plataforma, protegido por gradeamento de ferro e pilares de alvenaria, formando adro sobrelevado em relação à estrada. Junto à fachada posterior recorta-se, num plano mais recuado e em ângulo recto, muro para o pátio do definitório, terminado em moldura curva e cornija, pintada de ocre, coroado por merlões compostos de aletas volutadas e por pináculos tipo urna terminados em bola e sobre plintos; na face frontal tem também frontão de volutas interrompido por cruz sobre acrotério; na face frontal abre-se portal de verga recta inscrita, e no friso do muro, entre motivos lançeolados, surge a data "1667". O antigo hospital possui adossado várias edifícios sucessivamente construídos, com túnel de circulação para a zona posterior do lar de idosos, onde se erguem vários corpos e se desenvolve pátio irregular, ajardinado.

Descrição Complementar

AZULEJO: O painel de azulejos no topo da escada de acesso à Sala do Definitório representa Safira expirando à frente de Pedro e enterramento de seu marido Ananias, como castigo pela sua hipocrisia e averesa. Na Sala do Definitório surgem retratadas, num silhar de azulejos, as Obras da Misericórida corporais, sem disposição ordenada, surgindo, a contar da parede paralela à igreja: "cobrir os nus" (3ª C.) - representando um homem, com capa pelos ombros, e um outro mais jovem retirando roupa de dentro de uma arca (burra), junto a uma casa, distribuindo-a a um grupo de pobres, semi-nus, composto por adultos e crianças; "enterrar os mortos" (7ª C.) - representando um cortejo fúnebre de grande pompa e extensão, percorrendo as ruas de uma cidade, de construções imponentes, de vãos decorados, e um arco de triunfo, composto por Irmãos trajados de opas, quatro deles segurando a tumba com o morto, e os outros com bandeiras, círios e umbelas processionais, acompanhados de quatro capelães; "dar de comer aos famintos" (4ª C.) - representando três fidalgos, um deles barbado, sentados à mesa, onde estão vários pratos, pão, faca e um galheteiro, enquanto dois empregados se aproximam trazendo pratos de carne; a cena passa-se junto a uma construção apalaçada, vendo-se ao fundo uma paisagem de montanha, com um lago, por onde passa um caminhante; perto da mesa, um cão alimenta-se das sobras caídas no chão; "dar de beber a quem tem sede" (5ª C.) - representando dois homens, um deles idoso, oferecendo água a um caminhante que passa, carregando bagagem às costas e um jarro preso à cintura, junto a uma casa apalaçada, com guarda encimada por vaso e no canto direito por cântaros de àgua, um deles sendo carregado por uma criança; perto do grupo figura um cão; "curar os enfermos" (2ª C.) - representando o interior de um hospital, com um conjunto de oito leitos individuais encimados por dossel de onde pendem cortinas, separados em dois sectores por parede com cimalha, iluminado por um lustre; pelo hospital circulam várias figuras que cuidam dos doentes deitados; no meio da composição existe uma braseira gomeada com brasas a arder; uma figura masculina introduz no espaço uma outra, portando capa e chapéu e no canto direito surge uma outra cena: um homem visitando um preso, que surge com o rosto junto às grades; "dar pousada aos peregrinos e pobres" (6ª C.) - representa uma figura masculina junto à porta de uma construção apalaçada oferecendo hospitalidade a duas figuras masculinas, surgindo ao fundo uma outra construção; "resgatar os cativos e visitar os presos" (1ª C.) - representando três frades trinos negociando o resgate de três personagens masculinas, que surgem ajoelhadas no chão, com quatro turcos, junto a uma mesa com várias bolsas de dinheiro, um documento e tinteiro e pena; ao fundo, cena marítima com um porto, para onde se encaminha um outro trino com dois jovens. TALHA: Capelas laterais de arco de volta perfeita, com pedra de fecho saliente, sobre pilastras, enquadrado por pilastras que suportam frontão triangular interrompido por tabela com frontão curvo e pináculos laterais; nos seguintes, elemento floral em relevo; albergam retábulo composto por tela, figurando no do lado do Evangelho Adoração dos Reis Magos e no lado oposta uma Adoração dos Pastores, enquadradas por frisos de talha, com querubins e elementos vegetalistas, pilastras com capitéis coríntios, terminados em ângulo; banco com volutas de acantos e frontal de altar em madeira encerada tripartido formando três arcos abatidos assentes em colunas de fuste liso.

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Assistencial: lar

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Gaspar Dinis; PINTORES: Manuel Henriques; Mestre de Abrantes.

Cronologia

Séc. 15 - o rei possuía um celeiro na vila de Abrantes, na R. da Feira; 1471, 8 Novembro - D. Lopo de Almeida recebe por doação a vila de Abrantes, com jurisdição cível e crime; 1476 - nomeado 1º Conde de Abrantes em Miranda do Douro, no dia do Corpo de Deus; 1481 - D. João II confirma-lhe todos os bens e direitos até ali concedidos, o de exercício da jurisdição cível e crime e do cargo de sesmeiro; 1482 - doação do celeiro real por D. João II a D. Lopo de Almeida, para aí edificar um hospital, sendo construído um outro celeiro noutro sítio; 1483 - fundação do Hospital do Salvador por D. Lopo de Almeida, e sua mulher D. Beatriz da Silva no local, deixando em testamento várias fazendas ao mesmo; 1484, Abril - o filho de D. Lopo, D. João de Almeida, requereu a D. João II a confirmação da carta de D. Afonso V em que o nomeava como sucessor de D. Lopo no título de Conde e em todos os direitos e rendas; 1486, a partir - foram os segundos administradores do hospital D. João de Almeida e D. Lopo de Almeida, netos do fundador; 1487 - D. João de Almeida obteve confirmação real de que todos os seus bens e direitos que detinha em Abrantes passassem para o filho D. Lopo; D. Filipe III declara a Casa de Abrantes e títulos vagos; 1488 - alvará de D. João II ordenando a anexação de todos os hospitais da zona ao Hospital do Salvador; 1490 - aforamento de uma casa na R. da Videira em nome do Hospital de D. Lopo, explicando-se que tal casa era pertença da albergaria, entretanto unificada com os restantes hospitais e instituições de assistência de Abrantes; 1495 / 1496 - movimento assinalável de compras por parte da Condessa de Abrantes e Provedor do Hospital, compreendendo bens rurais, aquisição de um conchouso (=quintal atrás das casas) contíguo ao hospital a fim de ser incorporado no mesmo; 1490 / 1496, entre - a gestão do Hospital do Salvador parece ter estado entregue a Álvaro Dias, provedor do Hospital e provável raçoeiro de São Vicente; séc. 14, década 90 - referência à existência em Abrantes da Confraria de Santa Maria e do Corpo de Deus num testamento de João Rodrigues, clérigo de São Vicente; 1504 - provável instituição da Irmandade da Misericórdia de Abrantes; 1528, 27 Novembro - confirmação do Compromisso por D. João III; 1517 - D. Manuel concede à Misericórdia e hospital sete arrobas de açucar anuais; 1520 - nova concessão real de sete arrobas de açucar; 1529 - instituição do cargo de Provedor através de provisão de D. João III; segundo um códice do séc. 18, nesta data o Infante D. Luís, administrador do Priorado de São João de Jerusalém, deu a Igreja de São Julião, "para nela fazerem casa, por ser do Hospital a casa em que estavam e como não usassem da dicta Igreja de S. Julião, foram-se deixando ficar na mesma casa do hospital e perto dela fundaram igreja"; 1532 - anexação do hospital do Salvador à Misericórdia por D. Fernando, Senhor de Abrantes; 1533 - era provedor Lopo de Avelar, o primeiro citado na documentação do Arquivo; 1538, 4 Abril - D. João III dava anualmente à Misericórdia quatro arreteis de incenso da Casa da Índia; 1548 - data inscrita no portal, referindo a sua construção; 1550, cerca - execução do antigo retábulo-mor, composto por pintura sobre tábua atribuída ao chamado Mestre de Abrantes; 1557, 6 Outubro - provisão do Bispo da Guarda, a que pertencia Abrantes, autorizando que os capelães da Misericórdia fossem os confessores dos enfermos do hospital; 1588, 14 Outubro - cópia do novo Compromisso da Misericórdia de Lisboa; 1605, 12 Dezembro - alvará de Filipe II impedindo o Provedor da Comarca de Tomar, a que pertencia Abrantes, de fiscalizar as contas da Misericórdia; 1615, 4 Abril - Bispo da Guarda autoriza a exposição do Santíssimo no dia de quinta-feira Santa na Igreja da Misericórdia; 1617, 1 Julho - alvará de D. Filipe II dando à Misericórdia de Abrantes os mesmos privilégios da Misericórdia de Lisboa; 1625, 20 Maio - Bispo da Guarda autoriza instituição de um altar com sepultura ao Inquisidor Bartolomeu da Fonseca, o qual fora Irmão e fizera testamento a favor da Misericórdia em 1621, com autorização de celebração de missa; 23 Setembro - Bispo autoriza colocação de um letreiro na capela; 1626 - tresladação dos ossos do Inquisidor da Igreja de Santa Ana, em Lisboa, para a Misericórdia; 1667 - data do muro do pátio do Definitório; 1707 - data afixada no portal da fachada lateral da igreja; séc. 18 - apeamento e desmembramento do antigo retábulo-mor; 1712 - o Padre António Carvalho da Costa refere que a igreja era de invocação de São Martinho; 1729 - restauro do templo, instalação do retábulo-mor e edículas laterais; séc. 18, 1º quartel - construção da fachada do definitório e remodelação das fachadas que rodeiam o claustro; c. 1730 / 1740 - revestimento azulejar da Sala do Definitório, proveniente, provavelmente, de uma oficina lisboeta; pouco depois - revestimento de azulejos da sacristia; séc. 18, meados - construção do lavabo; séc. 19, 2ª metade - várias reformas na igreja; pintura de friso na nave e Sala do Definitório com igual motivo; execução do órgão; séc. 20 - colocação do silhar de azulejos da nave e pintura dos alçados encobrindo as pinturas do friso junto à cobertura; anos 90 - adaptação do antigo hospital a Lar com construção de outros corpos; 2016, 23 setembro - publicação do anúncio do procedimento de fusão e ampliação da classificação do conjunto, em Anúncio n.º 207/2016, DR, 2.ª série, n.º 184.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada e caiada; corpos modernos em betão; elementos estruturais, molduras dos vãos, púlpito, colunas, pia de água-benta e outros em cantaria calcária; silhar de azulejos; retábulos de talha dourada; pintura sobre tábua, sobre tela e pinturas murais; janelas com cailhiraria de madeira ou em alumínio, com vidro simples; gradeamento de ferro; coro-alto, tribuna dos mesários, mesa e cadeira da sala do Definitório, arcaz em madeira; pavimento de madeira, cerâmico e de lajes calcárias; coberturas interiores em madeira e em betão; cobertura exterior em telha cerâmica.

Bibliografia

AAVV, 500 Anos das Misericórdias Portuguesas, Lisboa, 2000; CÂNCIO, Francisco, Ribatejo Histórico e Monumental, vol. II, s.l., 1939; COSTA, P. António Carvalho da, Corografia Portugueza..., 2.ª ed., tomo III, Braga, 1869 [1.ª ed. de 1712]; MARKL, Dagoberto, A Pintura do Período Manuelino. Os Ciclos: das Oficinas à Iconografia, in História da Arte Portuguesa, vol. 2, s.l., 1995, p. 240 - 277; IDEM, História da Arte em Portugal - O Renascimento, vol. 6, Lisboa, Alfa, 1986; MECO, José, O Azulejo em Portugal, Lisboa, 1986; MORATO, António Manuel, CAMPOS, Eduardo (notas críticas de), Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes, Abrantes, 1990; MOURATO, António Manuel, CAMPOS, Eduardo (notas de), Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes, Abrantes, 1981; NUNES, Mário, Nos Caminhos do Património II, Coimbra, 1995; PAIVA, José Pedro (Coordenação científica), Portugaliae Monumenta Misericordiarum, vol. 1, Lisboa, 2002; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Santarém, vol. III, Lisboa, 1949; SERRÃO, Vítor, A pintura maneirista em Portugal: das brandas "maneiras" ao reforço da propaganda, in História da Arte Portuguesa, vol. 2, s.l., 1995, p. 427 - 509; SOUSA, António Soares de, A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes nos séculos XVI e XVII, (dissertação de licenciatura apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), Coimbra, 1966; VILAR, Hermínia Vasconcelos, Abrantes Medieval séculos XIV - XV, Lisboa, 1988.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMAbrantes; União das Misericórdias Portuguesas

Documentação Administrativa

Arquivo Histórico Municipal (por depósito da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes; datas extremas: 1488 - 1950)

Intervenção Realizada

1984 - Início das obras de remodelação do hospital, adaptado a centro de dia e hospital de idosos; escavações arqueológicas, tendo-se então descoberto 32 talhas de grandes dimensões intacatas, pertencentes ao antigo celeiro real.

Observações

*1 - A Igreja e hospital da Misericórdia de Abrantes com as demais dependências foram classificadas independentemente no mesmo decreto com a designação: Conjunto constituído pelo pequeno claustro, incluindo a cisterna com a ferragem, a fachada da do Definitório da Misericórdia e a sacristia onde está o lavabo. Igreja da Misericórdia, incluindo seis tábuas de pintura quinhentista e demais recheio. Sala do Definitório da Misericórdia de Abrantes. *2 - Segundo Vítor Serrão, a identidade do Mestre de Abrantes pode ser ligada a Cristóvão de Utreque, um colaborador de Gregório Lopes, ou até mesmo a Cristóvão Lopes, filho de Lopes.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1990 / Isabel Mendonça 1995 / Paula Noé 2003

Actualização

 
 
 
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