Cerca urbana de Barcelos / Torre de Barcelos

IPA.00001955
Portugal, Braga, Barcelos, União das freguesias de Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha (São Martinho e São Pedro)
 
Arquitectura militar, gótica, renascentista. Torre da antiga muralha da vila, de planta quadrangular, com quatro pisos interiormente, sendo uma sala por piso. Primitivamente apresentava planta em U, sendo o pano S., apenas fechado por madeira. O remate da torre é renascentista, composto por merlões e gárgulas de canhão. Primitivamente, os pisos superiores tinham planta em U, sendo fechados apenas em três lados, enquanto o quarto era fechado através de uma estrutura de madeira. O esquema da passagem da porta era em cotovelo, formando a entrada e a saída um ângulo recto. Possui merlões de estranha morfologia, pouco comuns na arquitectura militar.
Número IPA Antigo: PT010302140006
 
Registo visualizado 880 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Cerca urbana    

Descrição

Planta quadrangular simples, de volumetria de dominante vertical. Cobertura em telhado de quatro águas, rodeado por corredor lajeado de circulação. Fachadas em cantaria de granito, rematadas por cornija com gárgulas de canhão nos ângulos, encimada por platibanda ritmada por merlões piramidais escalonados coroados por círculo. Fachada principal a O. de três registos, possuindo no primeiro porta em arco quebrado e nos superiores, ao centro, janela em arco quebrado. Fachada lateral N. com janela em arco quebrado no último registo. Fachada lateral S., de quatro registos, com pano destacado no primeiro, aberto por portal em arco quebrado. Registos superiores com pares de janelas quadrangulares. Fachada posterior a E. com janela ao nível do terceiro registo. INTERIOR com quatro pisos, sendo uma sala por piso, fazendo-se a ligação entre elas por escadaria. Paredes em cantaria de granito, com a espessura de 2,36 m., com coberturas planas em madeira com o travejamento à vista, possuindo no segundo piso arco abatido de sustentação. Pavimentos em soalho.

Acessos

Barcelos, Largo Dr José Novais; Largo da Porta Nova

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 11 454, DG, 1ª Série, nº 35 de 19 fevereiro 1926 (Torre) *1

Enquadramento

Urbano, em pleno centro histórico, adossada a E. a edifícios de habitação. Na proximidade encontra-se a Casa dos Machados da Maia e a Casa do Barão da Retorta.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: cerca urbana

Utilização Actual

Comercial e turística: posto de turismo

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1401 / 1461 - D. Afonso torna-se o 8º Conde de Barcelos, fazendo construir a cerca amuralhada da vila; séc. 15, meados - já estava concluída a construção da cerca que integrava três torres sobre a portas principais nomeadamente, a de Cimo de Vila, na saída para Viana e Ponte de Lima, defendendo e cobrindo a passagem em cotovelo e que, primitivamente, tinha planta em U, apresentando a face S., voltada ao interior da vila, aberta, apenas com um resguardo de madeira; séc. 16, meados - construção do remate, nomeadamente da cornija e merlões; abertura da ponta final da Rua Direita e construção da Porta Nova em substituição da porta sob a Torre de Cimo de Vila; 1595 - a torre era usada como cadeia; 1631 - abertura do Postigo da Ferraria; 1635 - abertura do Postigo das Velhas ou da Feira; 1631 - provável data em que se terá feito a parede pétrea a S.., com diversas janelas; 1755 - o terramoto causou alguns estragos na cerca amuralhada de Barcelos, tendo caído alguns merlões para a parte N., e na Torre, que então se designava da Cadeia; 1794 / 1797 - foi demolida a Torre do Vale; séc. 19 - parte do troço do postigo do Pessegal para N. até ao edifício do Banco de Barcelos e depois para NO. até a Torre da Cadeia ou da Porta Nova, foi demolida para dar passagem à Rua Faria Barbosa; 1800 - da Torre da Ponte apenas existiam vestígios, pois ruíu nesta data impedindo por alguns dias o trânsito na ponte; 1806 - alguns moradores conseguiram aforar parte das muralhas junto dos seus quintais, aproveitando-as para recreio próprio; 1811 - foi demolido o troço desde a Ponte até à Fonte de Baixo; 1857 - foi demolido o troço da muralha desde a Fonte de Baixo até à Torre do Vale; 1867 - foi demolido o Postigo da Travessa do Apoio; 1935 - ruíu parte da muralha do lado N..

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura e elementos decorativos em cantaria de granito; portas, janelas, tectos e pavimentos em madeira; vidro nas janelas; cobertura em telha de canudo.

Bibliografia

Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, 1993, vol. II, Distrito de Braga, p. 18; VALE, Clara Pimenta do, O paço do Conde de Barcelos, Barcelos - Revista, 2ª Série, nº 2, Barcelos, 1991, p. 111 - 135 (s/ a cerca da vila: p. 112 - 114); ALMEIDA, C. A. Ferreira de, Barcelos, Lisboa, 1990 (s/ a torre: p. 58); FONSECA, Teotónio da, O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado, Barcelos, 1987, vol. I, p. 144 - 147; BASTO, C. A. V. de S., As Muralhas de Barcelos, Barcellos - Revista, Barcelos, 1982, 1(1), p. 57 - 66; Flores, Joaquim António de Moura, "O sistema defensivo medieval em Barcelos" in Barcelos Terra Condal - Congresso, vol. II, 1999, pp. 297-312.

Documentação Gráfica

DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

1631 - Provável data em que se terá fechado a fachada S., com parede de cantaria; DGEMN: 1936 - pequena reparação de cantarias; 1942 - pequena reparação de cantarias; 1985 - obras de conservação; 1986 - obras de conservação; 1987 - reparação da instalação eléctrica; 1994 - trabalhos de conservação na instalação eléctrica e no telhado; 2012 - obras de recuperação em curso para adaptação a centro de interpretação do galo e da cidade de barcelos.

Observações

A Torre de Barcelos estava integrada na cerca amuralhada da vila, situando-se sobre uma das suas três principais portas. O Largo da Porta Nova foi assim chamado depois que a Porta Nova, construida no enfiamento da Rua Direita em meados do séc. 16 e já desaparecida, veio substituir a velha Porta de Cimo de Vila localizada sob a Torre de Barcelos. O Largo José Novais resultou da demolição de um quarteirão de velhas casas intramuros; *1 - DOF: Torre de Barcelos, chamada "Postigo da Muralha".

Autor e Data

Isabel Sereno e Paulo Dordio 1994 / Joaquim Gonçalves 2004

Actualização

 
 
 
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