Câmara Municipal de Vimioso

IPA.00019523
Portugal, Bragança, Vimioso, Vimioso
 
Edifício de paços do concelho construído no séc. 19, com linhas clássicas e sóbrias, e regularidade da fenestração, com vãos de diferentes modinaturas sobrepostos no pano central, sendo os vãos da fachada posterior mais irregulares e de feitura mais recente. Apresenta planta retangular, com fachadas, de dois pisos, separadas por friso, com pilastras toscanas nos cunhais, coroadas por urnas e terminadas em friso e cornija. A fachada principal, de três panos, definidos por pilastras toscanas, também com urnas, tem o pano central terminado em frontão triangular com brasão no tímpano e é rasgada por portal entre janelas de peitoril, de verga abatida e moldura terminada em cornija, sobrepujado por janelas de sacada comum, com guarda em ferro, de verga reta, encimada por frontão triangular. Nos panos laterais abrem-se janelas de peitoril retilíneas, molduradas, no piso térreo, e, no segundo piso, janelas de sacada, com cornija reta. Nas fachadas laterais abrem-se janelas de peitoril retilíneas sobrepostas, as do segundo piso formando bricos retos. No interior, tem vestíbulo central de distribuição.
Número IPA Antigo: PT010411140091
 
Registo visualizado 305 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo regional e local  Câmara municipal  Casa da câmara, tribunal e cadeia  

Descrição

Planta retangular de volume simples, com cobertura em telhados de quatro águas, rematadas em beirada simples. Fachadas de dois pisos, separadas por friso, e rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria, pilastras toscanas nos cunhais, coroadas por urnas, sobre plintos paralelepipédicos, e terminadas em friso, ritmado por argolas de ferro, e cornija. A fachada principal, virada a S., é dividida em três panos por pilastras toscanas, coroadas por urnas, sobre plintos paralelepipédicos. No pano central, terminado em frontão triangular alteado, com as armas de Portugal no tímpano, abre-se portal de arco abatido, com moldura terminada em cornija e de fecho relevado, entre duas janelas de peitoril, com moldura igual, mas sem fecho, e, no segundo piso, três janelas de larga sacada comum e de perfil contracurvo ao centro, com guarda em gradeamento de ferro, de verga reta, moldura ligeiramente recortada lateralmente, e encimada por frontão triangular. Nos panos laterais, simétricos, rasgam-se, no primeiro piso, duas janelas de peitoril retilíneas, de molduras simples, e, no segundo piso, duas janelas de sacada, com guarda em ferro, de verga reta e moldura ligeiramente recortada lateralmente encimada por cornija reta. Fachadas laterais rasgadas por cinco janelas de peitoril sobrepostas, tendo as do piso térreo molduras simples e as do segundo formando brincos retos; na lateral esquerda um dos vãos do piso térreo corresponde a portal. Na fachada posterior, sem friso a separar os pisos, abrem-se vãos retilíneos de molduras simples, correspondendo no primeiro a dois portais e janelas jacentes e no segundo a portal, janelas jacentes, algumas geminadas, e duas de peitoril. INTERIOR com vestíbulo central, possuindo frontalmente três arcos de volta perfeita, de fecho relevado, sobre pilastras, o central maior e no qual se desenvolve as escadas de acesso ao segundo piso, e os laterais formando corredores de distribuição espacial.

Acessos

Vimioso, Praça Conselheiro Eduardo Coelho

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, integado no planalto mirandês e fazendo parte da Terra Fria transmontana. Implanta-se no Núcleo urbano da vila de Vimioso (v. IPA.00027980), adaptado ao declive do terreno, formando frente de rua, com passeios separadores. Em frente, desenvolve-se praça, onde se ergue a Igreja Paroquial de Vimioso (v. IPA.00000555) e, a SO. desta, a Fonte do Cano (v. IPA.00006901). Junto à fachada posterior, onde o terreno apresenta uma cota bastante elevada, existe passadiço metálico de acesso ao portal rasgado ao nível do segundo piso. Nas imediações, erguem-se a Casa da do Dr. Policarpo Liberal, a Casa do Conde de Antas (v. IPA.00019520), a Casa da Cultura e o Pelourinho de Vimioso (v. IPA.00000188).

Descrição Complementar

Na pilastra do cunhal direita, da fachada principal, existe lápide, em mármore, com a inscrição "1480 - 1940 / FOI DADA A CATEGORIA DE/ VILA A VIMIOSO EM 1480 / POR D. AFONSO V".

Utilização Inicial

Política e administrativa: câmara municipal

Utilização Actual

Política e administrativa: câmara municipal

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1376, 13 agosto - Vimioso já é cabeça de concelho; 1416, 16 maio - doação da aldeia de Vimioso a João Mendes de Bragança, filho de Estêvão Anes de Bragança, com todas as suas rendas, direitos e jurisdição civil e crime, reservando a correição; 1516, 05 março - foral de D. Manuel elevando Vimioso a vila; 1534, 28 março - carta de criação do título do Conde de Vimioso dada a D. Francisco de Portugal, o qual passa a gozar de "todas as rendas, juros e direitos reais, que eu hy ey e por aver, com o castelo, alcaydaria e direitos dele e portagem"; 1706 - a povoação, com 300 vizinhos, é da Comarca de Miranda e do senhorio do Conde de Vimioso, D. Francisco de Portugal; 1719 - referência documental à Casa da Câmara; 1720 - Vimioso tem 247 fogos; 1758, 17 abril - segundo o pároco Baltazar Choa nas Memórias Paroquiais, a freguesia tem 241 moradores, 1000 pessoas de sacramento e passa de 200 sem sacramento; tem juiz ordinário e câmara por si e está sujeita ao ouvidor de Vila Real; 1835, 7 agosto - criação do julgado e comarca de Vimioso, sendo-lhe anexado as povoações do concelho de Algoso, Miranda e Outeiro; 1840, 28 dezembro - Vimioso passa a pertencer à comarca de Mogadouro; 1853 - com a supressão do concelho do Outeiro, Vimioso recebe as povoações de Angueira, Argoselo, Avelanoso, Carção e Santulhão, e com a extinção do concelho de Algoso, integra as povoações de Avinhó, Junqueira, Matela, Mora, Uva, Vale de Algoso e Vila Chã da Ribeira; 1855, 24 outubro - Vimioso passa a pertencer à comarca de Miranda do Douro, então criada; 1863 - 1866, entre - construção do atual edifício dos paços do concelho; 1867, 10 dezembro - extinção do concelho de Vimioso, passando a sede a pertencer ao de Bragança; 1875, 23 dezembro - confirmação da constituição da comarca e Miranda do Douro; 1890, cerca - segundo Pinho Leal, os novos paços do concelho, muito sólidos e amplos, acomodam perfeitamente a câmara da vila, o tribunal judicial, a cadeia, a administração do concelho, a direção da alfândega, a repartição da fazenda, etc.; 1900, 10 janeiro - publicação em Diário do Governo da criação da Comarca de Vimioso; 1954 - destruição parcial do edifício devido a um incêndio; 13 julho - Direção de Finanças de Bragança informa a Direcção-Geral da Fazenda Pública que decorriam obras nos paços do concelho, na Zona Especial de Proteção da Matriz, sem obtenção de parecer favorável da Junta Nacional da Educação; 16 julho - telegrama da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais à Direção de Finanças para promover o embargo das obras; 22 julho - dada a urgência e transtorno causado à Câmara provocado pela paralisação da obra, ordenada pelo Sr. Secretário das Finanças, a mesma solicita à DGEMN a autorização para continuação das obras; 28 julho - DGEMN responde que, sendo uma obra de reconstrução, levada a efeito dentro do traçado primitivo do edifício, cujos alçados mantém o equilíbrio e proporções da época, não vê inconveniente em autorizar o prosseguimento dos trabalhos de modo a permitir que seja abreviada a instalação dos serviços no edifício; 1968, cerca - funciona no edificío dos paços de concelho, o tribunal judicial, a cadeia, a direção da Alfândega e a repartição da fazenda.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; soco, frisos, cornijas, pilastras, urnas, brasão e molduras dos vãos em cantaria de granito; portas e caixilharias em madeira, excepto a porta posterior que é em ferro; guardas em ferro; janelas com vidros simples; placa de mármore; cobertura de telha.

Bibliografia

ALVES, Francisco Manuel, AMADO, Adrião Martins - Vimioso Notas Monográficas. Coimbra: Junta Distrital de Bragança, 1968; Vimioso. Boletim Municipal. Vimioso: Município de Vimioso: agosto 2009; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho - Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 1890, vol. 12.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSARH

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

1954 - obras de reconstrução dos paços do concelho devido à danificação provocada por incêndio; CMVimioso: 2009 - obras de remodelação dos gabinetes; 2017, 22 setembro - publicação do Anúncio de procedimento n.º 8005/2017, em DR 2.ª série, parte L n.º 184/2017, relativo à abertura do concurso público para realização de obras reabilitação do edifício, incidindo essencialmente na resolução do conforto térmico e simultaneamente na resolução das patologias mais pronunciadas, no valor de 619697.57 euros; as obras implicarão, na cobertura, à demolição da estrutura atual e colocação de uma nova estrutura em madeira e telha de aba e canudo, nas paredes, ao isolamento térmico pela face interior das paredes e revestimento com placas de gesso cartonado, nos vãos, à substituição da caixilharia por outra em madeira, com vidro duplo e colocação de proteção solar em cortinas de tela opaca, no pavimento térreo, ao isolamento térmico e revestimento a granito e madeira, bem como à instalação de sistema de climatização AVAC, instalação elétrica com Iluminação LED e equipamentos elétricos de baixo consume e instalação de rede ITED adequada às necessidades atuais.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 2013

Actualização

 
 
 
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