Convento de Nossa Senhora do Carmo

IPA.00001930
Portugal, Braga, Braga, Braga (São Vicente)
 
Arquitectura religiosa, maneirista, barroca, rococó, neoclássica e revivalista. Convento carmelita de planta composta por igreja longitudinal, de cruz latina, com endonártex, integrando torre sineira, nave única de quatro tramos, capelas laterais profundas, e capela-mor rectangular, e dependências conventuais desenvolvidas em torno da igreja, com vários corpos irregulares, integrando pequeno claustro, lateralmente à igreja. Igreja com fachada principal neobarroca, segundo o modelo de "fachada-torre", semelhante à fachada principal do Santuário de Fátima (v. PT031421060020), construído já nos anos 30 do séc. 20. Interior da igreja com endonártex, com dois retábulos rococós, profusamente decorados por concheados. Nave com cobertura em abóbada de lunetas, e cruzeiro com cúpula. Paredes com sillhar de azulejos industriais oitocentistas. Retábulos laterais barrocos. Retábulo-mor neoclássico. Dependências conventuais com fachada principal oitocentista e restantes fachadas muito alteraldas já no séc. 20. Claustro maneirista, com arcadas plenas, encimadas por janelas de verga recta. Chafariz central do claustro barroco. O exterior foi profundamente remodelado no final do séc. 19 e princípio do séc. 20, contrastando com o interior barroco e neoclássico da igreja e com as características maneiristas do claustro.
Número IPA Antigo: PT010303490087
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem dos Irmãos Descalços de Nossa Senhora do Monte do Carmo - Carmelitas Descalços

Descrição

Planta composta por igreja longitudinal, de cruz latina, com endonártex, integrando torre sineira, nave única de quatro tramos, capelas laterais profundas, e capela-mor rectangular, e dependências conventuais desenvolvidas em torno da igreja, com vários corpos irregulares, integrando pequeno claustro, lateralmente a O. da igreja. Volumes articulados de dominante horizontal, quebrada pelo verticalismo da torre sineira. Coberturas diferenciadas em telhados de duas e quatro águas e em cúpula pétrea coroada por lanternim com imagem de Nossa Senhora do Carmo, na torre. IGREJA com fachada principal virada a S., em cantaria de granito, de três panos divididos por duplas pilastras, com registos separados por entablamentos, os panos laterais com um só registo, e o central com quatro, correspondendo os dois últimos à torre sineira que encima a fachada. Primeiro registo, com três portais em arco pleno, um em cada pano, sendo o central, maior, de acesso à igreja e os laterais ao convento. Os panos laterais são rematados por platibanda com imagens em veneradas pela Ordem Carmelita, nos extremos. Segundo registo com rosácea e, entre as pilastras, dois painéis com florões. A encimar as pilastras dos extremos encontram-se imagens pétreas. Terceiro registo com par de janelas em arco pleno, e último chanfrado nos cunhais, com relógio e sineira, com ventanas em arco pleno. Remate da torre em cornija, com par de urnas com fogaréus nos cunhais. Fachada lateral E. oculta pelos corpos do convento. Fachada lateral O., parcialmente oculta pelas dependências conventuais, rematada por cornija sob beiral. INTERIOR com endonártex com paredes em cantaria de granito e cobertura em abóbada de berço. Nas paredes laterais encontram-se dois retábulos em talha policroma a branco e dourado, o do lado do Evangelho, dedicado ao Senhor dos Passos, e o do lado oposto, ao Senhor da Cana Verde. Nave com paredes rebocadas e pintadas de amarelo, com silhar de azulejos industriais de padrão, monocromos a azul, ritmada por pilastras de granito. Cobertura em abóbada de lunetas, em granito, com tramos marcados por arcos, com pintura de florões. Coro-alto assente em arco abatido com balaustrada de madeira, ladeado por grandes mísulas de talha policroma a branco e dourado, com decoração fitomórfica, e mascarão. O acesso é feito pelo coro-alto, assentando na do lado do Evangelho, grande órgão de tubos. Sub-coro com duas pias de água benta, em mármore rosa, de taça decorada por acanto e dois vãos com confessionários. Paredes laterais da nave abertas por par de arcos plenos, em talha dourada, de acesso às capelas laterais, com retábulos de talha dourada, encimadas por telas com sanefas de talha. As do lado do Evangelho são de invocação a Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora de Fátima e as do lado da Epístola, da Sagrada Família e Menino Jesus de Praga. No arco cruzeiro adossam-se púlpitos confrontantes, de base rectangular, chanfrada nos ângulos, escalonada inferiormente, com guarda plena de talha dourada, bojuda, com armas enquadradas por anjos. Acesso por escada de pedra, helicoidal, com balaustrada de talha. Cruzeiro coberto por cúpula, com pintura de brasões. Topos dos braços do transepto com retábulos de talha dourada, o do lado do Evangelho, de Santo Elias, e o do lado oposto de São José. No braço, do lado do Evangelho, encontra-se porta de acesso ao convento e no do lado da Epístola, a Capela do Crucificado. Arco triunfal pleno, com sanefa de talha dourada ricamente decorada por acantos e concheados. Capela-mor coberta por cúpula estucada, com decoração marcada a dourado, com o brasão da Ordem ao centro. Paredes laterais com duas telas representando cenas ligadas à vida da Ordem, estando ambas inseridas numa armação retabular, em talha policroma a branco e dourado, assentes em pilastras com atlantes, que ladeiam portas de verga recta. Retábulo-mor de talha dourada, de planta côncava, com três eixos, rematado por entablamento, elevado ao centro por arco pleno da tribuna, encimado por cúpula, com decoração fitomórfica. Tribuna com trono com imagem do orago. Eixos laterais com peanhas com imaginária, enquadrados por colunas coríntias, estriadas, demarcadas no terço inferior por grinaldas. Banco de grandes dimensões, integrando sacrário. Sacristia com arcaz e pias de água benta. DEPENDÊNCIAS CONVENTUAIS, com fachada principal a S., recuada em relação à fachada principal da igreja, rebocada e pintada de cor de rosa, de três panos, separados por pilastras colossais, rematada por cornija e platibanda de granito, com frontão no pano central. Apresenta dois registos, possuindo no pano central portal de verga recta encimado por janela de sacada, rematada por cornija, com guarda bojuda de ferro, e os laterais, organizados simetricamente, possuindo, no primeiro, portas e janelas simples e, no segundo, janela de sacada, igual à do pano central, ladeada por duas janelas de peito. Fachada lateral E., rebocada e pintada de branco rasgada por grandes janelas geminadas, com remate em platibanda. Fachada posterior a N., rebocada e pintada de branco, de dois panos, e três registos não coincidentes, rasgados no primeiro por portas e no restantes por janelas de peito, todas de verga recta, mas com diferentes dimensões. Remate em cornija sob beiral. CLAUSTRO de dois registos, com arcaria plena, em granito, assente em murete, no primeiro, e janelas rectangulares de guilhotina, no segundo. Pátio do claustro com laje de granito, possuindo ao centro, chafariz de granito, com base trilobada, encimada por tanque com a mesma morfologia, elevando-se ao centro coluna de três secções, bojuda, com conchas, encimada por pináculo com repuxo. INTERIOR possuindo no primeiro piso, vestíbulo principal, com acesso directo ao claustro, ladeado por sala e segundo vestíbulo com escadaria de acesso ao piso superior, com arranque volutado. Ainda no primeiro piso distribuem-se salas e corredores, algumas das referidas salas com ligação ao claustro. Piso superior com divisões correspondendo às antigas celas. Último piso com oratório.

Acessos

Rua do Carmo, Travessa do Carmo, Rua Gabriel Pereira de Castro

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 740-EX/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 de 31 dezembro 2012

Enquadramento

Urbano, isolado, em pleno centro histórico da cidade de Braga (v. PT010303070088), situado num pequeno largo, à face da estrada, separada da fachada principal por passeio. Fachada principal das dependências conventuais precedida por logradouro ajardinado, com gradeamento de ferro e portão ao centro. Na proximidade, a SO., virados ao Campo da Vinha, encontra-se o Lar Conde de Agrolongo e capela do antigo Convento do Salvador (v. PT010303410020) e o Quartel da GNR (v. PT010303410186). Para O. encontra-se o Mercado Municipal de Braga (v. PT010303490242).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Residencial unifamiliar: casa

Propriedade

Privada: Igreja Católica / Pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Arquitecto: João de Moura Coutinho de Almeida e Eça; Organeiro: J. L. Ciais de Acunha.

Cronologia

1635 - Fundação do Convento de Nossa Senhora do Carmo pelo padre frei José do Espírito Santo; 1653 / 1654 - início da construção do convento; 1655, 11 Outubro - os onze religiosos que jaziam na primitiva residência das Carvalheiras são transladados para o convento; séc. 18 - abertura de um nicho na fachada da igreja; segunda metade - execução de retábulos; 1760 / 1790 - execução do órgão por J. L. Ciais Ferraz de Acunha; séc.19, 1ª metade - entaipamento dos vãos de acesso da igreja à ala O. do convento; 1834 - na sequência da extinção das ordens religiosas o convento passa para a Irmandade de Nossa Senhora do Carmo; 1837 - o convento é cedido à Câmara Municipal de Braga; para lá ser instalado um quartel militar; parte da cerca é transformada para mercado de gado e parte do convento é usado como mercado de peixe; séc. 19, 2ª metade - revestimento das paredes da igreja e sacristia com azulejos industriais; remodelação da fachada principal das dependências conventuais; séc. 20 - o Colégio de Dublin instala-se nas antigas dependências conventuais; 1907 - remodelação da fachada principal da igreja, que se apresentava bastante arruinada, segundo projecto do arquitecto João de Moura Coutinho de Almeida e Eça; 2010, 14 Maio - proposta de Zona Especial de Proteção da DRCNorte; 2012, 13 setembro - publicação do projeto de decisão de classificação do edifício como Monumento de Interesse Público e fixação da respetiva Zona Especial de Proteção em Anúncio n.º 13414/2012, DR, 2.ª série, n.º 178.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista.

Materiais

Estrutura, cunhais, embasamento, platibanda do convento, elementos decorativos, púlpitos e escadas de acesso, pavimento do primeiro piso do convento, da sacristia e espaços adjacentes, e escadas de acesso aos pisos superiores, em granito; portas, janelas, pavimento da igreja e os compartimentos dos pisos superiores do convento, retábulos, órgão e sacada e balaústres do coro-alto, em madeira; silhar de azulejos industriais, na igreja em azulejo; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

MENDES, Fernando, Guia de Braga Turístico e histórico, Braga, 1993; OLIVEIRA, Jorge, Rua do Carmo - Convento serviu de quartel militar, in Diário do Minho, 15 Agosto 2004, p. 8.

Documentação Gráfica

Ordem dos Frades Carmelitas Descalços *1

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Ordem dos Padres Carmelitas Descalços: 1968 - Recuperação do pavimento da igreja; 1976 - remodelação do telhado da igreja; 1992 - remodelação do fachada lateral E. do convento; 1996 - remodelação do piso da sacristia e sala anexas.

Observações

*1 - A Ordem conserva em seu poder os projectos correspondentes à alteração da fachada da igreja levada a cabo em 1907, pelo Arquitecto João de Moura Coutinho de Almeida e Eça.

Autor e Data

João Santos / António Dinis 1997

Actualização

 
 
 
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