Convento de Nossa Senhora da Estrela / Santa Casa da Misericórdia de Marvão / Lar da Santa Casa da Misericórdia

IPA.00001859
Portugal, Portalegre, Marvão, Santa Maria de Marvão
 
Convento franciscano fundado no séc. 13, sendo o edifício atual quatrocentista, adaptado a Hospital de Misericórdia no séc. 19. Da traça original, resultante das obras do séc. 15, restam o claustro coberto por abóbadas de nervuras e rasgado por alguns arcos quebrados. Das intervenções levadas a cabo nos séc. 18 e 19 destacam-se os corredores e dependências do piso superior dos corpos que rodeiam o claustro como a clausura ou a zona da cozinha e refeitório ainda que com alterações pontuais, datadas do séc. 20. O edifício do hospital é simples e de cariz vernáculo e identifica-se com a tipologia dos conventos franciscanos pela estrutura da portaria e pelo arco abatido da entrada, assim como pela disposição das várias dependências conventuais, ainda que muito alteradas em relação à traça primitiva. No interior da igreja, destaca-se pela opulência a Capela de Nossa Senhora da Estrela, fundada no séc. 16, mas com decoração barroca, sendo de registar a pedra de armas e o retábulo-mor em cantaria, semelhante ao existente na capela-mor.
Número IPA Antigo: PT041210020006
 
Registo visualizado 832 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos (Província dos Algarves)

Descrição

Planta poligonal irregular, composta pela igreja e pela antiga zona regral, desenvolvida em torno de um claustro, com portaria saliente e rodeado por vários corpos irregulares, formando um terreiro aberto, onde se situam várias dependências do lar da Misericórdia, serviços administrativos da instituição, o centro de saúde e dois jardins, marcando um deles um cemitério antigo, entre a ala sul do claustro e o atual centro de saúde. De volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematadas em beiradas simples. Fachadas em alvenaria rebocada e pintada de branco. IGREJA de planta retangular composta por nave, capela-mor e os corpos adossados da sacristia e da Capela de Nossa Senhora da Estrela. Fachada principal virada a ocidente, percorrida por soco saliente, com cunhal esquerdo em cantaria, reforçado por contraforte do mesmo material, tendo remate em empena, percorrida por friso e pintado de amarelo e cornija, tendo cruz latina sobre plinto no vértice. É rasgada por portal em arco apontado, escavado e enquadrado por gablete em cantaria de granito aparente, formando quatro arquivoltas, assentes em 8 colunas sobre dados. Está encimado por janelão retangular, com moldura recortada, encimada por sobrejanela decorada por estrela e rematada por cornija interrompida por escudo da Ordem Franciscana. Sobre o corpo da nave e recuada, é visível a torre sineira, com cobertura em coruchéu e rasgada por ventanas em arcos de volta perfeita. A fachada lateral esquerda é cega no corpo da nave, tendo vários corpos adossados, pontados por janelas retilíneas. Fachada lateral direita adossada à zona conventual. Fachada posterior rematada em empena cega. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em falsa abóbada de berço, rebocada e pintada também de branco, assente em cornija, e pavimento em lajeado. Coro-alto sobre arco abatido assente em pilares e guarda de madeira vazada, formando elementos geométricos. Confrontantes, surgem confessionários embutidos nas paredes e púlpitos quadrangulares, com bacias cantarias e guardas torneadas, com acesso por portas de verga reta, com guarda-voz simples. Uma teia metálica protege o presbitério. No lado do Evangelho, a Capela de Nossa Senhora da Estrela, com as paredes revestidas a painéis de azulejos azuis e brancos e cobertura em cúpula. Tem retábulo em mármore de Estremoz cinza e branco. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, flanqueado por capelas retabulares colaterais. Capela-mor com cobertura em abóbada de aresta, com mesa de altar simples. É marcada por alto supedâneo de sete degraus centrais com os maciços revestidos a painéis de azulejos policromos, representando anjos. Na parede testeira, o retábulo-mor de mármore branco e negro, existindo vestígios do antigo revestimento de azulejo polícromo. ZONA CONVENTUAL de planta retangular, desenvolvida em torno de um claustro de dois pisos. Fachada principal marcada por um corpo avançado, correspondente à portaria, rematado em empena e flanqueado por cunhais perpianhos, rasgado por portal em arco abatido, encimado por janelão retangular. No lado direito, desenvolvem-se, de forma irregular, os serviços administrativos e lar da Misericórdia, bem como o centro de saúde, desenvolvido perpendicularmente, rasgadas regularmente, por janelas retilíneas. Na fachada lateral direita, surge o centro de saúde e no extremo direito uma varanda da zona do lar que corresponde a um prolongamento do braço oriental do claustro. Fachada posterior marcada pelos atuais bar, arrecadações e dispensa no piso térreo e cozinha e refeitório no piso superior; surge, ainda a zona acrescentada posteriormente que prolongou a ala oriental do claustro. INTERIOR do corpo antigo desenvolve-se em tono do claustro, com arcadas no piso inferior e janelas retilíneas no superior. No inferior, surge, a antiga portaria, com cobertura em abóbada de berço, que dá acesso a um vestíbulo, coberto por uma abóbada de aresta, tendo, à direita, a porta de acesso ao escritório da Misericórdia e em frente outra de acesso ao claustro. No lado ocidental surgem várias salas e um dormitório do lar. A sul, a zona do lar dos acamados masculinos, quartos e salas cujas janelas dão para um jardim, o antigo cemitério; no lado oriental, um pequeno bar, dispensas e salas de arrumos. O acesso ao piso superior é feito através de escadas situadas no extremo esquerdo da ala oriental. No piso superior, surge, na ala oriental, por cima da portaria, a sala de visitas e a atual zona de clausura. A ala norte é ocupada por um corredor paralelo à igreja, no qual se abre uma porta de acesso à torre sineira e outra para o coro-alto e cujos extremos são ocupados pela cozinha, junto à qual ficam as escadas de ligação entre os dois pisos, e uma sala de visitas. Na ala sul, a zona das utentes acamadas. A ala oriental é ocupada pela cozinha, com alpendre e escadas de ligação ao exterior, o refeitório e salas de convívio dos idosos. Os corredores do edifício original, nos corpos em torno do claustro, são cobertos por abóbadas de berço e restas; as galerias do claustro por abóbadas de arestas. O pavimento na zona da clausura é em madeira, no resto do edifício e nas galerias do claustro de tijoleira, no átrio de granito. As partes mais recentes do edifício têm paredes mais estritas, coberturas planas e pavimentos de tijoleira e cerâmica. Além destes espaços que correspondem ao edifício original existem outros blocos que foram sendo acrescentados ao longo dos tempos para atender às necessidades decorrentes das várias funções que o convento assumiu ao longo da sua história. A ala oriental prolonga-se num corpo hoje ocupado por salas do lar mas que foi construído para albergar crianças deficientes e que dá para o antigo cemitério; perpendicularmente a este bloco foi erguido um outro, voltado a S. que atualmente é o centro de saúde mas que era onde ficavam as antigas oficinas.

Acessos

EN 246, à esquerda da subida para Marvão. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,393435, long.: -7,373209

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982 / Incluído na Zona Especial de Proteção do Castelo de Marvão (v. IPA.00003234) / Incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede (v. IPA.00028261)

Enquadramento

Periurbano, situado extramuros, 500 metros a sudeste das muralhas da vila (v. IPA.00003222), no sopé de monte, com inclinação acentuada, a que se adapta. Tem acesso a partir da Estrada Nacional 246, com dois acessos à esquerda da subida para a vila, o primeiro pavimentado a calçada, de ligação à entrada principal, sendo o segundo pavimentado a alcatrão, de ligação às áreas de serviço. No adro, fronteiro à Igreja, pontuado por algumas árvores de grande porte, situa-se o Cruzeiro da Estrela (v. IPA.00003215).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia de Marvão

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 15 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1258 - um documento arquivado na Torre do Tombo, o códice n.º 525, recua a origem do convento a esta data (COELHO); 1448, 07 julho - bula de Nicolau V, autorizando a fundação da igreja, a pedido do Duque de Viseu, D. Henrique, sobrinho de D. Afonso V; 1455 - concessão das rendas da vila para se terminar a construção do edifício; 1457 - as obras continuavam (KEIL); 1494 - 1520 - obras no convento, nomeadamente na igreja; 1689 - abobadamento da igreja; 1772 - construção da sacristia; 1779 - as obras ainda não estavam concluídas encontrando-se grande parte do edifício abandonado, em ruína, segundo o visitador e Provincial da Ordem, Fr. Tomé de São Tomás Garção; pouco depois procede-se a obras no convento (COELHO); 1802 - restauro do retábulo-mor da igreja; séc. 19 - séc. 20 - o convento entra em ruína, embora esteja ocupado pelo Hospital da Misericórdia; 1938 - o edifício necessitava de obras assim como o cruzeiro; séc. 20, década de 40 - D. Manuel Vivas procede a obras de restauro no edifício; 1941 - instala-se no antigo convento, numa área de clausura, uma comunidade de religiosas vindas da Covilhã (informação oral da Superiora); séc. 20, década 80 - obras de ampliação no edifício; construção da ala que prolonga o corpo a oriente do claustro, destinada a crianças deficientes, construção do bloco de oficinas, hoje centro de saúde e várias obras no interior do edifício de adaptação (informação oral da Superiora).

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada e pintada; modinaturas, cornijas, socos, pavimentos, arcos, cruzes em cantaria de granito; pavimentos de madeira ou tijoleira; coberturas em telha cerâmica; janelas com vidro simples.

Bibliografia

COELHO, Possidónio Laranjo - Terras de Odiana - subsídios para a sua história documentada. 2.ª ed. Marvão: Câmara Municipal de Marvão, 1988; COSTA, Américo, -Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular. Porto: Civilização, 1929, vol. V; KEIL, Luís - Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Portalegre. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1943; VITERBO, Sousa - Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1904, vols. II e III.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN/DREMSul/DM

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMSul/DM, SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: PT DGEMN/DSARH-010/141-0027, PT DGEMN/DSARH-010/141-0028, PT DGEMN:DSID-001/012-1800/1, PT DGEMN:DSID-001/012-1800/2, PT DGEMN:DSID-001/012-1800/3, PT DGEMN:DREMS-001-0277/1, PT DGEMN:DREMS-001-0277/2

Intervenção Realizada

DGEMN: 1982 - apeamento e reconstrução do telhado da nave; demolição do pavimento de tijoleira e sua substituição por tijoleira idêntica; 1984 - obras de conservação devido ao incêndio que provocou danos no reboco da abóbada e paredes da igreja; caiação e rebocos interiores; limpeza e reparação de telhados; PROPRIETÁRIO: séc. 20, décadas de 80 e 90 - obras de restauro e ampliação do espaço do hospital com a construção das oficinas e da zona para as crianças deficientes; obras no claustro onde foram colocadas novas vidraças e na portaria.

Observações

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Helena Mantas e Marta Gama 2000

Actualização

 
 
 
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