Convento de Nossa Senhora da Estrela / Santa Casa da Misericórdia de Marvão / Lar da Santa Casa da Misericórdia

IPA.00001859
Portugal, Portalegre, Marvão, Santa Maria de Marvão
 
Arquitectura religiosa, manuelina, vernácula, setecentista, oitocentista. Convento franciscano quatrocentista, adaptado a Hospital de Misericórdia no séc. 19; da traça original restam, o claustro coberto por abóbadas de nervuras e rasgado por alguns arcos quebrados. Das intervenções levadas a cabo nos séc. 18 e 19 destacam-se os corredores e dependências do piso superior dos corpos que rodeiam o claustro como a clausura ou a zona da cozinha e refeitório ainda que com alterações já do séc. 20. O edifício do hospital é simples e de cariz vernáculo identifica-se com a tipologia dos conventos franciscanos pela estrutura da portaria e pelo arco abatido da entrada, assim como pela disposição das várias dependências conventuais, ainda que muito alteradas em relação à traça primitiva. Único convento franciscano em Marvão no qual se destaca o valor religioso e sentimental ligado a Nossa Senhora da Estrela cuja capela manuelina se encontra no interior da igreja. O edifício do hospital não corresponde às edificações mais eruditas dentro da tipologia dos conventos franciscanos. De destacar ainda o valor moral que lhe vem do facto de ter sido durante muito tempo o único local de assistência aos mais desfavorecidos na zona.
Número IPA Antigo: PT041210020006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos (Província dos Algarves)

Descrição

Planta irregular, composta por igreja a N., claustro a S. com jardim e cisterna, clausura e dependências do Lar e da Misericórdia nas alas E., O. e S. do claustro, prolongando-se a ala E., que foi ampliada, para S., e Centro de Saúde, num bloco perpendicular à ala E., formando com esta um ângulo de 45 graus, e dois jardins contíguos, onde ficava o cemitério antigo, entre a ala S. do claustro e o edifício do centro de saúde; volumes articulados, massas dispostas na horizontal; cobertura exterior diferenciada, em telhados de duas águas. Fachada principal com entrada a O., com a entrada principal num corpo central avançado, de pano único, limitada por cunhais em granito, com um portal com moldura da mesma pedra, de volta abatida, encimado por janelão rectangular; remate com cornija de granito e empena triangular; à esquerda fica fachada principal da igreja e à direita volumes articulados, ocupados pelos serviços administrativos e lar da Misericórdia e centro de saúde, o primeiro longitudinal, do edifício original ( ala O. do claustro) seguindo-se um pano correspondente a um prolongamento do braço S. do claustro, o muro e portão de acesso aos jardins e um pano do centro de saúde.. Fachada lateral N. adossada à igreja. Na fachada lateral S. um alçado do edifício do centro de saúde e no extremo direito uma varanda da zona do lar que corresponde a um prolongamento do braço E. do claustro. Fachada posterior orientada a E., à direita a cabeceira da igreja, seguindo-se o corpo do antigo convento (actualmente cozinha e refeitório no piso superior e bar, arrecadações e dispensa no térreo) e a zona acrescentada posteriormente que prolongou a ala E. do claustro. IGREJA de planta longitudinal de nave única tendo adossados os corpos da Sacristia e da Capela de Nossa Senhora da Estrêla, a S. o claustro e dependências conventuais. Fachada principal a O., de pano único, com embasamento, no qual se embebem as bases dos colunelos do portal de arquivoltas em arco quebrado enquadrado por gablete agudo, tudo em granito; sobre o portal janelão rectangular de guilhotina com verga decorada de medalhões, uma estrêla e os emblemas da Ordem Franciscana; no extremo esquerdo do muro, cunhal e contraforte de cantaria; remate em empena tendo à direita o campanário. INTERIOR: nave com cobertura em abóbada de aresta de nervuras descarregando em semicolunas embebidas nos muros nos quais se rasgam 3 altares de alvenaria. Coro-alto sobre arco abatido abobadado; à esquerda tramo longitudinal com abóbada nervurada de granito de acesso à Capela de Nossa Senhora da Estrêla com cobertura em cúpula, paredes revestidas com paineis de azulejos azuis e brancos e altar de mármore de Estremoz cinza e branco; no muro direito porta de comunicação com a Sacristia. Capela-mor com cobertura artesoada e retábulo-mor de mármore branco e negro e vestígios do antigo revestimento de azulejo polícromo. DEPENDÊNCIAS CONVENTUAIS: estruturam-se em dois pisos distribuídos em torno do claustro. No rés-do-chão, a O., o átrio, um corpo saliente, coberto por uma abóbada de berço que dá acesso a um segundo vestíbulo, coberto por uma abóbada de aresta, à direita do qual uma porta de acesso ao escritório da Misericórdia e em frente outra de acesso ao claustro; ainda a O., a seguir ao escritório ficam várias salas e um dormitório do lar. A N. do claustro a igreja, a S. a zona do lar dos acamados masculinos, quartos e salas cujas janelas dão para um jardim, antigo cemitério; a E. do claustro um pequeno bar, dispensas e salas de arrumos. O acesso ao piso superior é feito através de escadas na ala E., no extremo esquerdo. No piso superior na ala O., por cima da portaria, a sala de visitas e a clausura; a ala N. é ocupada por um corredor paralelo à igreja, no qual se abre uma porta de acesso à torre sineira e outra para o coro-alto e cujos extremos são ocupados a E. pela cozinha, junto à qual ficam as escadas de ligação entre os dois pisos, e o O. por uma sala de visitas. Na ala S., por cima da zona do lar dos acamados masculinos e também com janelas voltadas para o jardim, antigo cemitério, a zona das utentes acamadas. A ala E. é ocupada pela cozinha, refeitório e salas de convívio dos idosos. A cozinha tem alpendre e escadas para o exterior que dão para as traseiras do conjunto ( fachada E. ). Além destes espaços que correspondem ao edifício original existem outros blocos que foram sendo acrescentados ao longo dos tempos para atender às necessidades decorrentes das várias funções que o convento assumiu ao longo da sua história. A ala E. prolonga-se num corpo hoje ocupado por salas do lar mas que foi construído para albergar crianças deficientes e que dá para o jardim, antigo cemitério; perpendicularmente a este bloco foi erguido um outro, voltado a S. que actualmente é o centro de saúde mas que era onde ficavam as antigas oficinas. O braço S. do claustro, ocupada pelos acamados, homens no piso térreo e mulheres no superior, juntamente com o corpo que prolonga a ala E. e o do Centro de saúde, voltado a S., formam entre si ângulos de 45 graus, rodeando o jardim, antigo cemitério, formando um claustro que a O. é fechado por um muro ao qual se segue um outro jardim mais pequeno e um outro muro com portão. Os corredores do edifício original ( nos corpos em torno do claustro ) são cobertos por abóbadas de berço e restas; as galerias do claustro por abóbadas de arestas. O pavimento na zona da clausura é em madeira, no resto do edifício e nas galerias do claustro de tijoleira, no átrio de granito. As partes mais recentes do edifício têm paredes mais estritas, coberturas planas e pavimentos de tijoleira e cerâmica.

Acessos

EN 246, à esquerda da subida para Marvão. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,393435, long.: -7,373209

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982 / Incluído na Zona Especial de Proteção do Castelo de Marvão (v. PT041210020001) / Incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede (v. PT041214020015)

Enquadramento

Periurbano, extramuros, isolado, no sopé de monte, a 500m das muralhas da vila; afrontada por adro calcetado abrindo para via de circulação; no adro, frente à Igreja o Cruzeiro da Estrêla (v. PT041210020002).

Descrição Complementar

Azulejos seiscentistas, lápides sepulcrais, duas campas brasonadas, dois púlpitos e duas pias de água benta.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1448, 07 de Julho - bula autorizando a fundação da igreja de Nicolau V, a pedido do Duque de Viseu, D. Henrique, sobrinho de D. Afonso V; um documento arquivado na Torre do Tombo, o códice n.º 525, recua a origem do convento a 1258 (COELHO, 1988); 1455 - concessão das rendas da vila para se terminar a construção do edifício; 1457 - as obras mantinham-se (KEIL, 1943); 1494 - 1520 - obras no convento nomeadamente na igreja; 1689 - abobadamento da igreja; 1772 - construção da Sacristia; 1779 - as obras ainda não estavam concluídas encontrando-se grande parte do edifício abandonado, em ruína, segundo o visitador e Provincial da Ordem, Fr. Tomé de São Tomás Garção; pouco depois procede-se a obras no convento (COELHO, 1988); 1802 - restauro do retábulo-mor da igreja; Séc. 19, segunda metade - Séc. 20, primeira metade - o convento entra em ruína, embora esteja ocupado pelo Hospital da Misericórdia; 1938 - o convento, onde estava instalado o Hospital da Misericórdia de Marvão necessitava de obras assim como o cruzeiro; Séc. 20, década de 40 - D. Manuel Vivas procede a obras de restauro no edifício, Hospital da Misericórdia desde finais do séc.19, instalando-se no convento uma comunidade de religiosas vindas da Covilhã em 1941 (informação da mestre Superiora); 1967 - consolidação do cruzeiro e recolocação no adro da igreja; Séc.20, década de 80 - obras de ampliação no edifício; construção da ala que prolonga o corpo a E. do claustro, destinada a crianças deficientes, construção do bloco de oficinas, hoje centro de saúde e várias obras no interior do edifício de adaptação (informação da mestre Superiora).

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista (igreja).

Materiais

Alvenaria rebocada; cobertura de telha; granito nas molduras, cornijas e embasamentos; pavimentos em madeira, tijoleira, cerâmica e granito.

Bibliografia

COELHO, Possidónio Laranjo, Terras de Odiana - subsídios para a sua história documentada, vol. I, Coimbra 1924 (2.ª ed. anotada por Diamantino Trindade, Lisboa, 1988); COELHO, Possidónio Laranjo, Marvão, Lisboa, 1945; COSTA, Américo, Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, Vol.V, s.l., 1936; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Portalegre, Vol. 1, Lisboa, 1943; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1969; PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, Portugal - Diccionario Historico, Lisboa, 1906; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vols. II e III.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1982 - apeamento e reconstrução telhado da nave; demolição pavimento de tijoleira e sua substituição por tijoleira idêntica; 1984 - obras de conservação devido ao incêndio que provocou danos no reboco da abóbada e paredes da igreja; caiação e rebocos interiores; limpeza e reparação de telhados; SCMM: séc. 20, décadas de 80 e 90 - obras de restauro e ampliação do espaço do hospital com a construção das oficinas e da zona para as crianças deficientes; obras por todo o edifício nomeadamente no claustro onde foram colocados vidros e na portaria.

Observações

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Helena Mantas e Marta Gama 2000

Actualização

 
 
 
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