Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda de Peniche / Igreja de Nossa Senhora da Ajuda

IPA.00001825
Portugal, Leiria, Peniche, Peniche
 
Igreja paroquial maneirista, barroca, com nave única com falsa abóbada a berço revestida de madeira, capela-mor forrada a caixotões. Espaço interior dinamizado pela pintura dos tectos, revestimento azulejar integral e pela talha dourada dos altares e arco triunfal.
Número IPA Antigo: PT031014010008
 
Registo visualizado 215 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta pelo rectângulos da nave e da capela-mor, de menores dimensões, a que se adossa a N. o espaço quadrangular da sacristia e, no seu seguimento, um anexo rectangular. Volumes articulados, com coberturas diferenciadas: telhado de 2 águas sobre a nave e capela-mor, de 4 sobre a sacristia, de 1 sobre o anexo. Fachada principal orientada, com empena em bico e vertentes ligeiramente encurvadas, sineira do lado S., portal de vão rectangular, com frontão triangular, inscrição no entablamento e a data de 1569 gravada nos pedestais. Fachada S. rasgada por 2 janelas de vão rectangular e portal com frontão triangular ladeado por aletas e rematado por cruz. Cimalha envolvendo todo o corpo da nave. Espaço interior diferenciado: nave única coberta por falsa abóbada a berço forrada a madeira, com sanca envolvente, pintada a representar a "Morte da Virgem"; capela-mor mais baixa e estreita coberta por caixotões; sacristia coberta por tecto em masseira. coro-alto sobre colunas assentes em pias de água benta, com alto pedestal; púlpito do lado N..

Acessos

Adro da Ajuda

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 45 327, DG, 1.ª série, n.º 251 de 25 outubro 1963

Enquadramento

Urbano. Ao centro de um adro empedrado, num plano superior à Av. 25 de Abril.

Descrição Complementar

RECHEIO - Toda a nave é coberta por painéis de azulejo em azul e branco, representado cenas da vida de Nossa Senhora no 2º registo e cenas profanas no 1º, pertencentes à fase da grande produção joanina e atribuídos a Teotónio dos Santos (GONÇALVES 1982: p.31) e a Valentim de Almeida (MECO 1986: p. 231); cenas do Cântico dos cânticos nas paredes do subcoro; baptistério forrado também a azulejos da mesma época; na capela-mor as paredes são totalmente revestidas a azulejos polícromos de padrão seiscentistas; a sacristia é forrada a azulejos de ponta de diamante, com um registo representando São Lourenço. Pintura de brutesco na abóbada da nave rodeando uma cartela central com a representação da morte da Virgem, as alegorias das virtudes nos extremos, a data de 1719 no tímpano sobre coro e a cena da adoração da eucaristia no tímpano sobre o arco triunfal; brutescos também no tecto do subcoro (atribuídos ao pintor Pedro Peixoto (GONÇALVES 1982: p.40)) 9 grandes painéis do tecto da capela-mor (atribuídos a Baltazar Gomes Figueira (SERRÃO 1981: p.47)). Capelas laterais em talha dourada, do estilo nacional, com as imagens de São Vicente e São Pedro Gonçalves Telmo, no altar da Epístola, uma "pietá" do lado do Evangelho; no trono do altar-mor, em talha nacional a imagem seiscentista da padroeira; dos 2 lados do nicho central as imagens de São João Baptista e de Santo Antão em 2 nichos laterais, sobre vitrines, uma delas com a imagem do Senhor morto; talha dourada envolve também o arco triunfal. Na sacristia sobre o arcaz maneirista a imagem em marfim do Cristo crucificado.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTORES: Baltazar Gomes Figueira (1630), Filipe Mendes (1706-1707), Pedro Peixoto (1705-1707, 1719, 1728-1729).

Cronologia

Séc. 16, meados - época provável de construção; 1569 - construção do portal principal, segundo inscrição; séc. 17, 1ª metade - revestimento azulejar da capela-mor; 1630, década - pintura dos painéis da capela-mor por Baltazar Gomes Figueira; 1705, outubro - pintura do teto da igreja em brutesco e da tela do Martírio de São Sebastião do arco da igreja, pelo pintor Pedro Peixoto; 1706 - 1707 - o pintor Pedro Peixoto, associado a Filipe Mendes, recebe da Irmandade do Santíssimo Sacramento 14$020 pelo estofo e douramento do retábulo-mor da igreja; segundo Flávio Gonçalves, é possível ter sido Pedro Peixoto o autor da pintura de O Cordeiro Místico sobre o Livro dos Sete Selos que orna da porta do sacrário; 1717 - início das obras de remodelação do interior, patrocinadas pelas irmandades de Nossa Senhora da Ajuda e de São Pedro Gonçalves Telmo: aumento da nave no sentido axial, construção da porta travessa, batistério, revestimento azulejar, altares em talha, teia de balaústres (GONÇALVES 1982 / 1983); 1719 - pintura do teto da nave pelo pintor Pedro Peixoto, com brutesco envolvendo o medalhão central com a Morte da Virgem, por 230$000 de "ajuste principal", mais 12$000 de "suas luvas" e 7$200 de "dourar a moldura" central; 1727 - 1728 - pintura do teto do sub-coro por Pedro Peixoto, que recebe 36$000; posteriormente despende-se mais 16$800 de despesa da fábrica da igreja com os pintores, de dourarem os serafins e reformarem a pintura sobre o arco, mais 5$800 da "reforma dos painéis do teto da capela-mor; 1729 - contrata-se com o pintor Pedro Peixoto o douramento e policromia do retábulo-mor, bem como o retábulo de Nossa Senhora da Piedade, este por 110$700.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Alvenaria rebocada e cantaria de pedra calcária, telha cerâmica, madeira, vidro, tijoleira.

Bibliografia

AA.VV - Arte Sacra nos antigos Coutos de Alcobaça. Lisboa: Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, 1995; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, V, 1955; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; SERRÃO, Vítor, Memória biográfica e artística de Belchior de Matos, pintor das Caldas da Raínha, in Belchior de Matos 1595-1628, Caldas da Raínha, 1981; GONÇALVES, Flávio, As obras setecentistas da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda de Peniche e o seu enquadramento na Arte Portuguesa da primeira metade do séc. XVIII, Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, 88, 89, Lisboa, 1982, 1983; MECO, José, O azulejo em Portugal, in História de Portugal, Lisboa, 1986; CALADAO, Mariano, Peniche na História e na Lenda, 4ª edição, Peniche, 1991; REIS, Vítor Manuel Guerra dos - O Rapto do Observador: invenção, representação e percepção do espaço celestial na pintura de tectos em Portugal no século XVIII. Lisboa: s.n., 2006. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2 vols; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73861 [consultado em 20 dezembro 2016].

Documentação Gráfica

DGEMN: DRMLisboa

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID, DRMLisboa

Documentação Administrativa

DGEMN: DSID, DRMLisboa

Intervenção Realizada

Observações

A construção da igreja está ligada à lenda do aparecimento de uma imagem da Virgem numa gruta da Papoa, que os pescadores terão transportado para a vizinha capela de São Vicente, enquanto se aguardava a sua conclusão.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1992

Actualização

 
 
 
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