Pelourinho de Avis

IPA.00001755
Portugal, Portalegre, Avis, Avis
 
Arquitectura político-administrativa e judicial, maneirista. Pelourinho de urna semiesférica, com colunas composta por base e fuste de plantas quadrangulares, ostentando o escudo e coroa portugueses, encimado por urna semiesférica, rematada pelo símbolo da vila. Pelourinho bastante elaborado, de estrutura pouco comum, sem plataforma de sustentação, tendo a base assente no pavimento, com fuste encimado por capitel de folhagem de acantos, antecedido por anel e inscrição que percorre todo o perímetro do mesmo, em três linhas, dando a data primitiva de construção e os seus promotores. A coroa do fuste é coeva do mesmo, sendo o escudo com as armas é uma adição posterior. O remate em urna é pouco comum, com estrutura semiesférica, ornada por estrias e carrancas, encimadas por bordo com quatro braços, de onde se desenvolviam os ferros de sujeição, decorados com elementos antropomórficos e zoomórficos.
Número IPA Antigo: PT041203030004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Judicial  Pelourinho  Jurisdição de ordem militar  

Descrição

Estrutura em mármore, cuja coluna assenta directamente no pavimento, composta por base de planta quadrangular, com plinto, listel côncavo, escócia e listel convexo, de onde evolui o fuste quadrangular, monolítico, com a zona superior marcada por inscrição que corre nas quatro faces, numa delas, a principal parcialmente oculta pelo escudo de Portugal, encimado por uma coroa fechada. A inscrição acha-se truncada e refere: "ESTA OBRA SE FEZ NA (...) 1589 SENDO UVIZ DE FORA O LICENCIADO ANDRE VELHIVRS O P ALVARO MENDEZ (...) FREIRE PEDRO DE VARVALHIS BRITO (...) PROCURADOR DO CONCELHO". Esta separa-se do capitel por anel, sendo o capitel em forma de coxim, ornado por folhas de acanto. A estrutura remata em urna semi-esférica, ornada por estrias e carrancas, encimada por rebordo boleado de onde evoluem quatro braços antropomórficos e zoomórficos. Sobre a tampa da urna surge uma águia de asas abertas, símbolo da vila de Avis, aludindo à lenda da fundação do castelo medieval num lugar alto habitado por águias, que segundo a tradição deram origem ao nome da povoação.

Acessos

Praça Serpa Pinto. WGS84 (graus decimais) lat.: 39.056737; long.: -7.890732

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 23 122, DG, 1.ª série, n.º 231 de 11 outubro 1933

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado a meia encosta, em zona de forte declive, elevado relativamente à via pública, sendo vencido o desnível por escadas em cantaria de granito, de seis degraus, com focinho saliente. As escadas estão ladeadas por muro de suporte de terrenos, em alvenaria rebocada e pintada de branco e amarelo, encimado por grades metálicas, que delimitam o adro da Igreja Matriz de Avis, pontuado por laranjeiras e pavimentado a calçada.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Judicial: pelourinho

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Autarquia local, Artº 3º, Dec. nº 23 122, 11 Outubro 1933

Época Construção

Séc. 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1211 - doação de Avis por D. Afonso II a Fernão Anes, tornando-se Cabeça da Comarca e da Ordem de Avis; 1215, 12 Janeiro - D. Mafalda, filha de D. Sancho I, doa ao mestre de Avis a povoação de Seia; 10 Julho - D. Afonso II dá aos povoadores de Avis um foral semelhante ao de Évora; 1218, Agosto - confirmação da doação do foral, pelo rei; 1223, 20 Agosto - foral outorgado por Martim Fernandes, mestre da Ordem; 1331 - Gil Peres, mestre da Ordem conseguiu uma sentença contra o mouro forro, Mafamede Francelho, que fora designado pela sua comunidade como alcaide e juiz da mesma, ficando, a partir desta data, dependente dos alcaides do castelo; 1512, 11 Janeiro - D. Manuel deu-lhe foral novo, assinado em Santarém; 1589 - feitura do pelourinho, conforme data inscrita no fuste da coluna; séc. 17 - provável reforma da estrutura; 1758 - segundo as Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Frei Gaspar Xavier Leitão, a povoação, pertença da Ordem de Avis, era cabeça de comarca, com ouvidor e juiz de fora, nomeados pelo monarca; 1950, Abril - a DGEMN refere que o pelourinho foi demolido pela Câmara Municipal de Avis, que projectou um novo arranjo para a praça onde se inseria e construiu no local um depósito de água; existência das peças do pelourinho, desmontadas, junto à Igreja Matriz; 26 Abril - envio de um telegrama ao município, alertando-o para o facto de não poderem remover um edifício classificado sem prévia autorização e exigindo a imediata suspensão das obras; 29 Junho - a DGEMN informa o Director Geral do Ensino Superior e das Belas-Artes de que a Zona de Protecção do Pelourinho ainda não fora delimitada; 1953 - colocação do pelourinho no adro da Igreja Matriz e arranjo da zona envolvente, com espaço ajardinado; séc. 21 - demolição das estruturas ajardinadas, permitindo o alargamento da via, ficando, apenas, o muro de suporte de terras.

Dados Técnicos

Estrutura autónoma.

Materiais

Cantaria de mármore.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; CHAVES, Luís, Os Pelourinhos, Lisboa, José Fernandes Júnior, 1938; COSTA, Maria Clara Pereira da, A Vila de Avis, Cabeça da Comarca e da Ordem, Lisboa, 1982; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Portalegre, vol. I, Lisboa, 1940; MALAFAIA, E. B. de Ataíde, Pelourinhos Portugueses - Ttntâmen de inventário geral, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1997; REGO, Francisco Xavier do, Descrição Geográfica Cronológica, Histórica e Crítica da Vila e Real Ordem de Avis, in Cadernos de Divulgação Cultural, ano I, n.º 1, Avis, Câmara Municipal de Avis, Novembro 1985 [1.ª ed. de 1730].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSMN-001-0181/01/2, DGEMN/DSARH-010/039-0002; DGARQ/TT: Memórias Paroquiais (vol. 5, n.º 63, fl. 925-936); BNP: REGO, Francisco Xavier do, Descripção Geographica, Chronologica, Histórica e Critica da Villa e Real Ordem de Avis, 1730

Intervenção Realizada

Séc. 20, década de 50 - reconstrução do pelourinho, com o acrescento de um novo escudo; séc. 21 - rearranjo urbanístico da zona envolvente.

Observações

*1 - a inscrição que actualmente se lê é algo distinta da que nos dá Luís Keil, em 1940: "Esta obra se fez na IVIS de Foral o Lº André Velhº Urº Dº po Alvº Medez / Freire Pº de Carvalhais Bº Procº do Cº".

Autor e Data

Rosário Gordalina 1991 / Paula Figueiredo 2009

Actualização

 
 
 
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