Pousada de São Vicente / Pousada do Infante / Pousada de Sagres

IPA.00017303
Portugal, Faro, Vila do Bispo, Sagres
 
Arquitectura comercial e turística, do século 20. Pousada de expressão "regionalista", construída de raiz, inserida na segunda fase de construção destes estabelecimentos, cronologicamente situada entre os meados da década de cinquenta e os anos de setenta. Prolonga a opção estética mais tradicional e oficial. Edifício de betão integrado no ambiente local e harmonizado nos materiais utilizados e estilo, utilizando características tradicionais da arquitectura algarvia. Localiza-se em Sagres, num lugar simbólico, pertença do imaginário nacional, associado aos Descobrimentos Portugueses e à importância da Escola de Sagres no desenvolvimento daquela empresa no séc. 15, onde ao Infante Dom Henrique se atribui protagonismo central. À pousada se emprestou o seu nome. O estabelecimento de hotelaria encontra-se inserido na rede Pousadas de Portugal, integrado no grupo das Pousadas Natureza. Construção do edifício respeitando as características arquitectónicas da região, expressas nos alçados, grandes lisos de caiados, arcaria de aresta chanfrada, chaminés algarvias, telhados e beirais à portuguesa, divisórias rendilhadas de grelha caiada, cantarias singelas nos vãos e escadarias, contrafortes de alvenaria caiados com capeamento simples de pedra, portadas exteriores de apertado rotulado e alegretes nos terraços. Decoração interior e mobiliário, tendo como tema central o ambiente náutico, o Infante e São Vicente.
Número IPA Antigo: PT050815040020
 
Registo visualizado 742 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Comercial e turístico  Unidade hoteleira  Pousada  

Descrição

Acessos

EN 268

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, marítimo, isolado. Implantado na orla costeira, voltada ao Oceano Atlântico, junto a Sagres, em pequeno promontório a SE. da vila piscatória localizada entre a Ponta da Atalaia e a Ponta da Baleeira. Em terreno de fundação rochosa sensivelmente de nível, desabrigado e com encosta escarpada. A zona urbanizada da pousada compreende anexo de apoio, arruamentos, pracetas de circulação e parque de estacionamento, zonas ajardinadas, mini-golfe, campo de tiro, zona de pesca e de actividades náuticas, campos de ténis, piscina e mirante. Na proximidade da Fortaleza de Sagres (v. PT050815040001), da Fortaleza de Belixe (v. PT050815040003), da Fortaleza do Cabo de São Vicente (v. PT050815040005) e da Fortaleza de São Vicente do Cabo (v. PT050815040013).

Descrição Complementar

AZULEJOS: Cópia de um painel policromado existente numa fonte em Alcácer do Sal, com caravela e Armas de Portugal do séc. 16, da autoria de Eduardo Leite; ESCULTURA: Estátua de São Vicente; PINTURA: Retrato a óleo do Infante, reproduzindo a figura dos painéis de Nuno Gonçalves.

Utilização Inicial

Comercial e turística: pousada

Utilização Actual

Comercial e turística: pousada

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Grupo Pestana Pousadas

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Jorge de Almeida Segurado (arquitectura e mobiliário); Vaz Martins (urbanista); ARQUITECTO PAISAGISTA: António Viana Barreto; ENGENHEIROS: Baptista da Conceição, Carlos Maria da Silva Granate, Luís Pilar (civil), Adolfo Queiroz de Sousa (electrotécnico); ESCULTOR: Álvaro de Brée (estátua de São Vicente); PINTORES: Candida Costa Pinto (retrato do Infante), Jorge Barradas, Eduardo Leite (execução de um painel de azulejos na Fábrica Viúva Lamego).

Cronologia

1957 - continuação dos estudos para a construção da pousada, que deveria estar concluída por ocasião das Comemorações Henriquinas; 1958 - por despacho do Presidente do Conselho de Ministros, foi determinada a construção de uma pousada em Sagres, dentro do programa das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique; 15 Maio - apresentação do ante-projecto; 23 Agosto - celebração do contrato entre a DGEMN e o arquitecto Jorge Segurado para a elaboração do projecto; 1959, 27 Julho - adjudicação da empreitada à firma "Lourenço, Simões & Reis, Lda."; 24 Setembro - início da construção; 1960 - o Estado adquire a José Furtado Duarte e outros diversas parcelas de terreno para construção da estrada de acesso à pousada; colocação do painel cerâmico do Mestre Jorge Barradas; Fevereiro - por Despacho do Ministro da Presidência o nome da pousada é alterado de Pousada de São Vicente para Pousada do Infante; 27 Julho - adjudicação da empreitada de ajardinamento à empresa "Jardim Paraíso"; 1961, 14 Janeiro - auto de recepção da empreitada da obra dos espaços verdes; 4 Maio - aprovação de um projecto para a instalação de um posto de venda de combustíveis junto da pousada; 29 Setembro - conclusão do edifício principal; 11 Novembro - despacho da entrega do edifício ao Ministério das Finanças e sua cessão a titulo precário ao Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo; 1962, 11 Janeiro - compra de um terreno pertencente a Pedro Augusto Vidoeira, destinado a caminho de acesso à pousada; 1963, 24 Maio - auto de recepção definitiva da obra; 1967, 6 Outubro - delimitação dos terrenos da pousada; 1977, 12 Julho - elaboração de um projecto de remodelação e ampliação da pousada, da autoria do arquitecto Jorge Segurado; 1980 - ampliação da pousada com acréscimo da construção no topo O., resultando dezasseis quartos e aproveitamento do dormitório dos funcionários no primeiro piso, resultando cinco quartos, ampliação da cozinha, zonas de estar, sanitários, acessos e cave, construção de piscina ao ar livre e campos de ténis.

Dados Técnicos

Estrutura Mista: sistema de construção com alicerces e elevações, baseado no emprego de alvenarias de pedra e de tijolo, a par de uma estrutura de pilares e vigas de betão armado; Paredes auto-portantes.

Materiais

Alvenaria hidráulica de pedra rija no exterior, betão armado e pré-esforçado no exterior, interior e cobertura, betão pré-fabricado na cobertura, pedra vermelha do Algarve no exterior e interior, pedra serrada em brecha de Tavira ou calcário dos Ferreiros no exterior, interior e decoração, mármore branco de Estremoz e mármore Viana na decoração, tijolo macisso e furado no exterior e interior, telha de canal recto na cobertura, ladrilho e mosaico cerâmico no interior, azulejo no interior, aço, ferro forjado, ferro esmaltado e alumínio no interior, vidro, madeira de casquinha, madeira de castanho, madeira de mogno, madeira de azinho, madeira de sicupira e cortiça no interior, tacos de madeira em pavimentos interiores, argamassa de cal, lã de vidro no interior.

Bibliografia

DGEMN, Monumentos de Sagres, Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nº 100, Lisboa, 1960; FERNANDES, José Manuel, "Pousadas de Portugal: obras de raiz e em monumentos", Caminhos do Património, Lisboa, 1999; LOBO, Susana, Pousadas de Portugal. Reflexos da Arquitectura Portuguesa no Século XX, Coimbra, Imprensa Universitária de Coimbra, 2006; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSEP, DGEMN/DSPI/CAM, DGEMN/DREL/DEM, DGEMN/DREMS/DE, DGEMN/DSARH (PO - 280)

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DESA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSConservação, DGEMN/DSARH-PO, DGEMN/CAM, DGEMN/DSEP, DGEMN/DNISP, DGEMN/DSARH (PO - 280)

Intervenção Realizada

1960 - obras de melhoramentos, compreendendo o arranjo da entrada, jardinagem e arborização; 1963 - obras de conservação, com reparação das canalizações e instalação eléctrica, substituição das loiças dos sanitários e pinturas diversas; 1964 - obras de conservação e beneficiação na sequência de um sismo; 1965 - obras de reparação e beneficiação com caiação das fachadas e retoques de pintura nos caixilhos e interior; 1966 - obras de conservação com reparação das canalizações de água e esgotos; 1967 - obras de reparação, ocasionadas pelas rigorosas condições atmosféricas sentidas neste ano; 1968 - obras de reparação urgentes das canalizações, pavimentos e pintura; 1969 - reparação de fendas e telhados e instalação de aquecimento central; 1971 - pinturas, caiações, reparação de telhados e canalizações; 1973 - instalações electromecânicas; 1974 - obras de beneficiação nos esgotos; 1980 - ampliação das instalações especiais designadamente eléctrica, aquecimento, ar condicionado, água e esgotos.

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Filomena Bandeira 2003 / Patrícia Costa 2004

Actualização

 
 
 
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