Capela de Nossa Senhora de Guadalupe

IPA.00017247
Portugal, Braga, Braga, Braga (São Vítor)
 
Arquitectura religiosa, barroca, rococó e neoclássica. Capela barroca de planta longitudinal, com nave sextavada no exterior e circular, no interior, exonártex e capelas laterais semi-circulares no exterior e rectangulares no interior e corpo rectangular correspondendo à capela-mor e sacristia, sendo a primeira semi-circular interiormente. Fachada principal com exonártex rasgado por tripla arcaria plena, encimada por edícula, rematada por frontão triangular. Decoração interior com janelas de sacada, púlpitos com guardas de talha, retábulos laterais neoclássicos e retábulo-mor rococó. Volumetricamente há uma aproximação à Capela de Santo Ovídio (v. PT010301060024), em Amares, cujo projecto terá vindo do Brasil, delineado pelo Sargento-mor, José Álvares de Azevedo. Deverá, também, ter servido de modelo à igreja brasileira do Rosário dos Pretos, em Ouro Preto, projectada por António Pereira de Sousa Calheiros, natural de Braga. A planta, não coincidente entre o exterior e o interior, inspira-se num modelo da tratadística da obra de Sérlio. A planta dos diversos corpos, apresenta uma alternância de formas geométricas entre o exterior e o interior, sempre colocadas em oposição entre uma forma angular e curva. A tripla arcaria do exonártex, também serliana, apresenta os pés direitos e as aduelas destacadas alternadamente e a ligar os três arcos, ao nível do pé direito, inspirado nos portais maneiristas. Todo o interior revela excelente qualidade artística, destacando-se, a cúpula com tramos de granito assentes em pequenas mísulas decoradas com enrolados, a estrutura onde se inserem os vãos das janelas de sacada e dos púlpitos, e o retábulo-mor, riscado por André Soares.
Número IPA Antigo: PT010303510128
 
Registo visualizado 586 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal, composta por nave única centralizada, sextavada, não coincidente no interior, apresentando planta circular, com exonártex e duas capelas laterais de recorte semi-circular, interiormente também não coincidentes, de planta rectangular, e corpo rectangular, integrando capela-mor, a sacristia e salão da Confraria, sendo a primeira, interiormente, também não coincidente, de planta semi-circular. Volumes articulados e escalonados, com nave mais elevada, de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de três e seis águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento saliente, ritmadas por pilastras toscanas nos ângulos e cunhais apilastrados. Remate em cornija sob beiral, com pináculos e cruz sobre acrotério no exonártex e nave. Fachada principal voltada a SO., marcada pelos panos curvilíneos dos vários corpos. Rasgam o exonártex três vãos, em arco pleno, com molduras rusticadas, sendo o central de maiores dimensões, sobrepujado por edícula rectangular assente em peitoril saliente, com cartela com inscrição, ao centro, enquadrada por pilastras com aletas, rematada por frontão triangular. No interior, cerrada por vidraça, encontra-se a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Ladeando o exonártex, no corpo da nave, duas janelas de vão rectangular. Fachadas laterais, dissemelhantes, com janelas rectangulares, tendo a voltada a NO., no corpo rectangular, porta de verga recta de acesso à sacristia e ao salão da Confraria e sineira, através de escada de pedra. No enfiamento da porta, coroando o beiral, ergue-se sineira de duas ventanas em arco pleno, rematada por cornija recta, e espaldar recortado, com cata-vento sobre acrotério. Fachada posterior, a NE., rasgada por janela rectangular, para iluminação do salão da Confraria. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com nave coberta por cúpula com tramos de pedra assentes sobre mísulas decoradas com volutas, e exonártex e capelas laterais com cobertura em abóbada de berço estucada e pintada de branco. Pavimento em taco, na nave e em lajes de pedra nas capelas laterais, Coro-alto parcialmente sobre a galeria do exonártex e sobre trave de madeira assente em duas mísulas, com guarda vazada destacada e semi-círculo, igualmente, de madeira. Sub-coro com guarda-vento de madeira ladeado por porta e moldura de vão, entaipado. A nave é enquadrada por oito possantes pilastras, que suportam a cúpula e estruturam quatro estreitos panos, dois, junto ao coro-alto, com pias de água benta e janelas de sacada, com guardas de ferro, e duas, junto ao arco-triunfal, com púlpitos semi-circulares de guardas plenas de talha policroma a branco, azul e dourado. Os vãos, de verga recta, são decorados por aletas e coroados por grande concha. Capelas laterais, com acesso por vão de arco pleno, sobre pilastras, tendo no interior, duas portas confrontantes e retábulos de talha policroma a branco, verde e rosa, sendo a do lado da Epístola, dedicada a Nossa Senhora da Piedade e, no lado oposto, a São Marçal. Arco-triunfal pleno com brasão da Confraria na pedra de fecho, assente em pilastras molduradas. Capela-mor coberta por abóbada de quarto de esfera, estucada e pintada de branco, assente em cornija de pedra, com duas portas a enquadrar o retábulo-mor. Pavimento em laje de granito. Retábulo-mor em talha policroma, a branca, azul, com decoração marcada a dourado. De planta côncava, um só eixo, rematado por cornija recortada, ritmada por concheados. Tribuna com imagem do orago, com fundo pintado com anjos e querubins. É ladeada por concheados e grandes acantos estilizados. Altar em forma de urna, com decoração fitomórfica e de acantos. Sacristia rebocada e pintada de branco, com pavimento em taco e tecto de madeira. Possui arcaz com oratório.

Acessos

Rua da Regueira; Rua de Guadalupe; Rua do Sardoal; Rua de Camões

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 740-AX/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 de 24 dezembro 2012

Enquadramento

Urbano, isolado, no interior de um parque arborizado, murado e cerrado de N. e O. por portões de ferro com implantação privilegiada, num outeiro denominado Monte de Santa Margarida ou do Reduto, na parte N. da cidade, sobranceiro à Praça Mouzinho de Albuquerque e à Avenida dos Combatentes. O acesso principal, a O., é enobrecido por portal enquadrado por pilastras coroadas por urnas de acesso a escadaria, de dois lanços, com guardas ritmadas também por pilastras coroadas por urnas.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: Inscrição gravada em cartela sobre o peitoril da edícula da fachada principal; decoração de motivos fitomórficos; granito; tipo de letra: capital quadrada; leitura: PROTEGAM VRBEM ISTAM 1747; TALHA: Retábulos laterais idênticos, de planta recta, um só eixo, rematados por espaldar ladeado por aletas encimado por cornija quebrada. Tribuna com imagem do orago enquadrada por colunas coríntias, e nos extremos, peanhas com imaginária. Altar em forma de urna.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Braga)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Autor de riscos: André Soares (retábulo-mor); Engenheiro: Manuel PintoVilalobos (atr.); Entalhador: Manuel Carneiro da Costa (retábulo-mor); Pedreiro Manuel Fernandes da Silva.

Cronologia

1718, 27 Março - A Confraria de Nossa Senhora de Guadalupe, com o apoio do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, faz um acordo com o mestre-pedreiro Manuel Fernandes da Silva para que este proceda à demolição da velha capela, dedicada a Santa Margarida, e à edificação de uma nova, no mesmo local; 1719 - Manuel Fernandes da Silva responsabilizou-se pela construção da capela, "no mesmo monte e sitio em que esta a velha a qual capela sera feita pela forma e maneira dos riscos que para ela se fizeram" (ROCHA 1995, 168); 1725, 23 Março - o Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles benze a nova capela; 1758 - o Abade de São Vitor, em resposta ao inquérito que lhe foi remetido, refere que "a capela da Senhora da Guadalupe, que é capela ordinária feita a Romana, que fica no arrabalde desta freguesia com a confradia da mesma Santa"; 1768, 4 Dezembro - contrato para execução do retábulo da capela-mor, pelo mestre entalhador Manuel Carneiro da Costa, morador na Rua de Santo André, pela quantia de 110.000 réis.; séc. 19 - construção dos muros em redor da capela; execução dos retábulos laterais; 1801 - a confraria de São Bento, do Convento do Salvador (v. PT010303410020) muda-se para a capela, unindo-se à confraria de Nossa Senhora da Guadalupe; 1973 - inauguração de um parque infantil, junto à capela; 2012, 27 Março - publicado em D.R., 2ª série, nº 62, o anúncio 6533/2012 com o projecto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público (MIP) e fixação da respectiva zona especial de protecção.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura, elementos decorativos, embasamento, cunhais, pilastras, cornijas de remate, pias de água benta, pavimentos das capelas laterais e capela-mor, e bases dos púlpitos e das janelas de sacada em granito; portas, janelas, guarda-vento, balaustrada do coro-alto, tecto da sacristia, arcaz, pavimento e tecto do salão da Confraria, retábulos e guarda dos púlpitos em madeira; pavimento da nave e sacristia em taco de madeira; grades da arcaria do exonártex, das janelas e cata-vento em ferro; cobertura exterior em telha de canudo.

Bibliografia

BARATA, Mário, Nota sobre a Igreja de N. Sª de Guadalupe, de Braga, relativamente ao surto dos espaços curvilíneos, na arquitectura setecentista lusa e brasileira, in Bracara Augusta, vol. 32, nº 72 - 74, Braga, 1978; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, O edifício do Convento do Salvador - De mosteiro de freiras ao Lar Conde de Agrolongo, Braga, 1994; ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, Manuel Fernandes da Silva Mestre e Arquitecto de Braga, 1693 - 1751, vol. 1, Porto, 1995, pp. 168 - 174 (Dissertação de Mestrado policopiada); COSTA, Luis, Braga Roteiro Histórico e Monumental Extra-Muros, Braga, 1998, pp. 52 - 54; OLIVEIRA, Eduardo Pires de , Visita guiada ao Campo Novo, Capela de Guadalupe e Convento das Teresinhas, in Diário do Minho, Braga, 22/3/1999, p. 4; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Braga. Percursos e memórias de granito e oiro, Braga, 1999, pp. 95 - 98; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Arte Religiosa e Artistas em Braga e sua Região (1870 - 1920), Braga, 1999, p. 71; ASSIS, Francisco, ENCARNAÇÃO, Marta, Capelas II, in Diário do Minho, 17 de Abril de 2003, p. 22.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Comissão Fabriqueira: 2003 - Obras de beneficiação.

Observações

Autor e Data

António Dinis 2000

Actualização

 
 
 
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