Capela de São João da Ponte

IPA.00017245
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)
 
Capela alpendrada de construção seiscentista, de planta retangular composta por nave e capela-mor, precedidas por alpendre, com corpo setecentista adossado à esquerda. A fachada principal termina em empena, possivelmente alteada, rasgada por portal de verga reta, inscrita, entre janelas e encimada por uma outra, aberta sobre o alpendre, suportado por colunas toscanas assente em murete. A capela integra uma série de elementos provenientes de outros imóveis, nomeadamente um retábulo lateral, o revestimento azulejar interior seiscentista, de padrão, e a estrutura retabular barroca na fachada posterior, os dois últimos pertencentes ao Convento de Nossa Senhora dos Remédios. Os retábulos são de talha neoclássica, tendo o mor sido ampliado em data mais recente com apainelados envolventes, formando três eixos.
Número IPA Antigo: PT010303420126
 
Registo visualizado 332 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta retangular, composta por alpendre, nave e capela-mor, retangulares, em eixo, tendo adossado à fachada lateral esquerda corpo retangular. Volumes escalonados de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e três águas, rematadas em beirada simples. Alpendre sustentado por duas mísulas e seis colunas toscanas, sobre murete, revestido interiormente por azulejos seiscentistas, de padrão, policromos a azul e amarelo, interrompido por duas aberturas laterais e uma frontal. Possui pavimento em lajes de granito e teto forrado a madeira. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de granito, com cunhais avivados por placas de granito e remate em cornija. Fachada principal voltada a norte, com a nave terminada em empena, com cruz sobre acrotério e, nos cunhais, pináculos piramidais. É rasgada ao centro, com portal de verga reta, com inscrição no lintel, ladeado por duas janelas retangulares e encimado por uma janela retangular, aberta acima da cobertura do alpendre. O corpo adossado termina em cornija e sineira, de duas ventanas, em arco de volta perfeita, com pilastras nos cunhais, coroadas por urnas, rematado em frontão de volutas, interrompido por esfera sobre acrotério, sobrepujada por cata-vento e cruz, de metal. Este pano é rasgado, no primeiro piso, por porta de verga reta e janela jacente de brincos e, no segundo piso, por duas janelas de peitoril retilíneas, também de brincos. A fachada lateral nascente é rasgada, no primeiro piso, por duas janelas jacentes de brincos e, no segundo, por três janelas de peitoril retilíneas de brincos. Fachada lateral direita, com a capela-mor rasgada por janela de capialço. A fachada posterior termina em empena, coroada por cruz sobre acrotério, possuindo ao centro estrutura retabular em pedra, com a imagem de São João Baptista, enquadrada por colunas pseudosalomónicas *3; à direita abre-se janela jacente de brincos, no primeiro piso, e um janela de peitoril retilínea, também e brincos, no segundo. INTERIOR integralmente revestido a azulejos seiscentistas de tipo tapete, policromos azuis e amarelos. Coro-alto de madeira, sobre mísulas, de perfil contracurvo, com guarda em balaustrada de madeira. No sub-coro, possui do lado do Evangelho, pia de água benta, de taça semicircular, com espaldar côncavo, contendo motivo concheado. Nave com pavimento em mosaico e cobertura em falsa abóbada de berço, estucada e pintada com motivos alusivos ao martírio de São João Baptista, sobre friso e cornija de cantaria. No lado do Evangelho abre-se nicho moldurado a talha policroma a dourado, com marmoreados fingidos a verde, com sanefa e cerrado por vidraça, albergando imagem. Segue-se púlpito de bacia retangular, sobre modilhão, com guarda plena em talha idêntica à do nicho, e retábulo de talha policroma, também a verde e dourado, com invocação de Santo António, inscrito em vão em arco de volta perfeita, com moldura de talha com marmoreado a rosa. No lado da Epístola, surgem dois retábulos de talha policromia idêntica, inscritos em vãos de arco de volta perfeita, dedicados ao Senhor da Saúde *1 e a Nossa Senhora da Conceição. Arco triunfal de volta perfeita, sobre pilastras toscanas. Capela-mor sobrelevada por degrau de pedra, com cobertura em falsa abóbada de berço, estucada e pintada, com cartela central enquadrada por querubins com as iniciais "AM". Na parede do lado do Evangelho, abre-se porta de verga reta, de acesso à sacristia. Sobre o presbitério sobrelevado, acedido por dois degraus de pedra, dispõe-se o retábulo-mor de talha policroma, com marmoreados fingidos a verde e cinzento, e dourado, de corpo reto e um eixo. Este é definido por duas colunas coríntias, coroadas por urnas e prolongadas por pilastras, sustentando o remate, em cornija e espaldar recortado com cartela vazada ao centro. Tribuna em arco de volta perfeita, com trono, encimado por imagem do orago. Sacrário embebido no banco e altar em forma de urna com esquife contendo a imagem jazente de Santa Felicidade. O retábulo é enquadrado por apainelados, adaptados ao perfil da cobertura, formando dois painéis laterais sobrepostos por mísulas com imaginária, encimada por baldaquino. Sacristia revestida a azulejos, de tipo tapete, policromos a azul e amarelo, com pavimento de cimento e teto de madeira. Possui arcaz de castanho, encimado por oratório com par de nichos, moldurados por decoração fitomórfica. No lado norte encontra-se uma porta que faz a ligação a uma ampla sala onde se guardam ex-votos de cera, onde se vê um vão cego, utilizado como expositor, o qual terá sido originalmente de comunicação com a igreja. No lado sul rasgam-se duas portas que comunicam com compartimento para arrumações e instalações sanitárias, e escadas que conduzem ao segundo piso, a um grande salão com acesso ao coro-alto e à sineira.

Acessos

São José de São Lázaro, Parque da Ponte; Avenida da Liberdade

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, inserido num parque ajardinado e arborizado, com tílias e plátanos de grande porte, junto ao rio Este. Dispersos pelo parque, encontram-se um coreto, chafariz, lago, cruzeiro, estátuas de pedra e outros elementos arquitetónicos, provenientes do demolido Convento dos Remédios de Braga. A fachada principal da capela, abre-se para a Avenida da Liberdade, fazendo-se o acesso por um passeio empedrado. Possui adro delimitado por paredão recortado, encimado por urnas e colunas helicóidais, igualmente provenientes do Convento dos Remédios, que sustentam caramanchão de madeira.

Descrição Complementar

Na verga do portal principal existe inscrição, sem moldura nem decoração, em letra capital quadrada : "ANO de 1616". O retábulo lateral do Senhor da Saúde, tem corpo reto e um eixo, definido por pilastras, coroadas por pirâmides sobre esferas, tendo tribuna rematada por frontão triangular. Altar paralelepipédico, com frontal destacado em forma de urna. Os retábulos laterais são semelhantes, de corpo reto e um eixo, definido por pilastras, ladeadas por aletas estilizadas, e remate em frontão triangular, com fragmentos destacados nos extremos, com nicho. Altar em forma de urna.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela *2

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Braga)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1570 - Durante um grave surto de peste que atinge a cidade de Braga, o arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires manda construir na sua deveza, na saída de Braga para Guimarães, uma casa de saúde onde pudessem ser tratados os enfermos; 1616 - edificação da Capela de São João da Ponte, conforme data inscrita na verga do portal; 1758 - o Padre João do Couto Ribeiro, nas Memórias Paroquiais da freguesia, refere a existência da Ermida de São João Baptista da Ponte, situada na Coutada do Prelado do arcebispado, separada das ruas com pouca distância; junto à qual se realiza a feira de bestas franca no dia de São João Batista e no dia seguinte; 1782 - data da provisão e confirmação dos Estatutos da Confraria de São Cristóvão da Ponte, situada na capela de São João; séc. 18, final - edificação do corpo lateral adossado à capela, rematado por sineira e, possivelmente, da fonte que esteve adossada à fachada posterior; séc. 19, início - substituição dos retábulos; 1882, junho - um grupo de 12 pessoas de Lisboa ofereceram "uma riquíssima bandeira, recamada a ouro com alguns brandões de descomunal grandeza"; 1897 - colocação de um sino novo, comprado com o resto das esmolas angariadas para os festejos do ano anterior; séc. 19, finais - início de grandes obras de embelezamento do Parque da Ponte, com colocação de elementos provenientes do Convento de Nossa Senhora dos Remédios; 1905 - repinte das imagens de Nossa Senhora do Parto e Santa Felicidade; 1910, setembro - foi exposto um projeto de uma nova capela, da autoria de António Augusto Gonçalves, que pretendia substituir a antiga, devendo as obras ser dirigidas pelo arquiteto Moura Coutinho; 1912, outubro - os responsáveis da capela de São João da Ponte pedem à Câmara Municipal de Braga que a imagem do Oratório do Senhor da Saúde, das Carvalheiras, então em demolição, fosse transferida para a capela, o que é deferido pela Câmara; o industrial José Manuel Lopes oferece um retábulo de talha antiga que tinha em Arcos de Valdevez destinado à colocação da imagem; 1916, janeiro - festa para a benção da imagem do Menino Deus, que fora restaurada a expensas do capitalista António Augusto Correia da Cunha; maio - um anónimo oferece uma "belíssima custódia em prata"; junho - inauguração de um órgão "fabricado pelo mesmo autor do grandioso... do Convento de Tibães que se achava inutilizado", tendo sido restaurado por José Manuel da Costa Lobo; dezembro - inauguração da imagem de Nossa Senhora da Conceição, feita nas oficinas de João Evangelista Vieira; 1919 - revestimento do interior da capela com azulejos seiscentistas, provenientes do demolido Convento dos Remédios, pertencendo a supervisão dos trabalhos, ao padre Manuel Aguiar Barreiros; sensivelmente por essa data procede-se à remoção da fonte setecentista existente na fachada posterior da capela, de que ainda existem registos fotográficos a documentá-la, e à sua substituição por elementos que integravam o portal principal do Convento dos Remédios, demolido nos alvores da República provenientes, criando uma estrutura retabular com imagem do padroeiro num nicho; 1983 - com a criação da paróquia de Santo Adrião, a capela fica na sua jurisdição.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura, elementos decorativos, soco, cunhais, cornija do remate, sineira, retábulo da fachada posterior, base do púlpito, pia de água benta, e pavimento do alpendre e do presbitério, em cantaria de granito; pavimento da sacristia em cimento; paredes da nave, capela-mor e sacristia revestidas a azulejos policromos; portas, janelas, teto da sacristia, cobertura interior do alpendre, balaustrada do coro-alto, guarda do púlpito e arcaz em madeira; retábulos em talha policroma e dourada; pavimentos da nave e capela-mor em tijoleira; cata-vento e gradeamento das janelas e do portal principal em ferro; cobertura exterior em telha de canudo.

Bibliografia

COSTA, Luis, Braga - Roteiro Histórico e Monumental Extra-Muros. Braga: 1998, pp. 74 - 77; CUNHA, Dom Rodrigo da - História Eclesiástica dos Arcebispos de Braga (Reprodução Fac-similada do original de 1635). Braga: 1989, vol. 2, p. 378; PASSOS, José Manuel da Silva - O Bilhete Postal Ilustrado e a História Urbana de Braga. Lisboa: 1996, pp. 82-86; OLIVEIRA, Eduardo Pires de - A Paróquia de São José de São Lázaro (1747 - 1997). Braga: 1997, p. 25; OLIVEIRA, Eduardo Pires de - Arte Religiosa e Artistas em Braga e sua Região (1870 - 1920). Braga: 1999, pp. 73-75; OLIVEIRA, Eduardo Pires de - Braga. Percurso e memórias de granito e oiro. Braga: 1999, pp. 28, 346-348; TADIM, Manuel José da Silva - Diário Bracarense (manuscrito). Braga: 1786, fl. 282.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - Esta imagem é oriunda do demolido Oratório do Senhor da Saúde, das Carvalheiras. *2 - os festejos do São João desenrolam-se nesta zona da cidade, acorrendo à capela os muitos romeiros que demandam a cidade. O Parque da Ponte serve de local para merendas e para passar a noite. As margens do rio Este são embelezadas com grandes imagens personificando acontecimentos relevantes, nomeadamente "São Cristóvão transportando Jesus ao ombro" e "São João baptizando Jesus Cristo perante a observação dos Apóstolos".

Autor e Data

António Dinis 2000

Actualização

 
 
 
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