Igreja da Lapa e Edifício das Arcadas

IPA.00017173
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)
 
Arquitectura religiosa, neoclássica, e comercial oitocentista e revivalista. Planta irregular, marcada axialmente por igreja ladeada por dois corpos rectangulares, com torre sineira adossada posteriormente, seguindo o esquema tradicional bracarense. A igreja apresenta planta rectangular, longitudinal, com endonártex, nave única, interiormente aproximadamente quadrangular, com panos recortados côncavos, nos ângulos, e capela-mor também rectangular. Fachada principal marcada pela igreja, em cantaria de granito ritmada por pilastras, com arcaria no primeiro piso que se prolonga para os corpos laterais, possuindo estes ao nível do segundo piso revestimento azulejar oitocentista e janelas de sacada corrida.Interior da igreja revestido a azulejo de padrão oitocentista, coro-alto de perfil recortado com balaustrada de madeira, nave com cobertura em cúpula, retábulos de talha policroma, neoclássicos, ainda com decoração rococó, principalmente ao nível do remate. Café Vianna com decoração interior revivalista, com pilastras de mármore e capitéis estilizados com volutas.
Número IPA Antigo: PT010303410210
 
Registo visualizado 1084 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja  

Descrição

Planta irregular, marcada axialmente por igreja ladeada por dois corpos, rectangulares, com torre sineira, quadrangular, adossada posteriormente. A igreja apresenta planta rectangular, longitudinal, com endonártex, nave única, interiormente aproximadamente quadrangular, com panos recortados côncavos, nos ângulos, e capela-mor também rectangular. Volumes de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, possuindo os corpos laterais, sobre os terraços, construções recuadas, também com duas águas. Fachada principal voltada a E., definindo três panos de dois registos, o central, da igreja, ligeiramente avançado, em cantaria de granito e os laterais, revestidos a azulejos industriais policromos, de estampilha castanha, preta e branca. Pano central terminado em empena com cornija recortada ritmada por urnas com fogaréus, sobre plintos prismáticos, emoldurados e no vértice cruz arquiepiscopal. O pano é ritmado por pilastras colossais, possuindo no primeiro registo tripla arcada plena sobre pilastras toscanas, sendo o central mais amplo, em eixo com o portal principal da igreja, de verga recta, ladeado por nichos com imagens de pedra. Segundo registo com três janelões de em arco abatido, o central mais alto. Acima deste último encontra-se pedra de armas do arcebispo D. Gaspar de Bragança. Panos laterais rematados por platibanda de pedra com argolas de ferro, tendo o primeiro registo arcada plena sobre colunas toscanas, de secção quadrangular, ligando às do endonártex, e no segundo janelas de sacada, em arco abatido, com varanda corrida em ferro forjado. Protegidos pela arcaria, abrem-se, do lado esquerdo portas em arco pleno, com bandeiras, de acesso ao café Vianna e do lado direito, amplos vãos, rectangulares, do café Astória e do BPI. Fachada posterior marcada por torre sineira, visível em dois registos separados por cornija, o primeiro em cantaria de granito, com escada de pedra e varandim, com acesso por porta de verga recta, cerrado por grade de ferro forjado e o segundo, rebocado e pintado de branco, com pilastras toscanas nos cunhais, com quatro sineiras em arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, terminado em balaustrada de pedra com urnas nos vértices e rematado por coruchéu, octogonal, coroado por pináculo. INTERIOR: IGREJA com nave com tecto em cúpula estucado e pintado de azul com apontamentos dourados, com pedra de fecho com decoração vegetalista integrada numa moldura octogonal. Pavimento em tacos de madeira. Coro-alto recortado, sobre modilhões, protegido por balaustrada de madeira. Sub-coro com guarda-vento de madeira de castanho com vidraça protegida por grade de ferro forjado, ladeado por duas pias de água benta, gomadas. A nave é enquadrada por pilastras que suportam a cúpula e estruturam seis panos, dois deles, laterais. Estes dois panos são revestidos a azulejos monocromos, de estampilha azul e branca, com dois registos separados por friso e cornija, preenchidos por dois retábulos de talha policroma, a branco, dourado, azul e vermelho, e amplo janelão em arco abatido. Os outros quatro, apresentam perfil côncavo, em cantaria de granito, dois situando-se junto ao coro-alto, com varandas recortadas assentes em três mísulas vegetalistas que prolongam o coro-alto, tendo no do lado da Epístola órgão de tubos, e os outros dois, colateralmente ao arco-triunfal, com púlpitos de base quadrangular, apresentando guardas plenas de talha policroma a branco e dourado, com vão sobrepujado por sanefa, encimados por janela de varandim com balaustrada de pedra. Arco triunfal pleno. Capela-mor com tecto em abóbada de berço, estucado e pintado de azul com apontamentos dourados, sobre friso e dupla cornija. As paredes são revestidas a azulejos semelhantes aos da nave, sendo sobrelevada, com quatro degraus de pedra, possuindo lateralmente, confrontantes, duas portas de verga recta, rematadas por espaldar e cornija contracurvada, sobrepujadas por janela com varandim em balaustrada de pedra. Ao centro, mesa de altar em forma de urna com apontamentos dourados. Retábulo-mor de talha policroma a dourado, bege e azul, de planta convexa e um eixo delimitado por pilastra e coluna sobreposta, capitel coríntio, e fuste marmoreado, a coluna com o terço inferior estriado. No centro nicho sobrepujado por frontão triangular, com fundo pintado com glória de anjos, albergando trono eucarístico, com três degraus hexagonais. Remate em espaldar, com dois anjos segurando festão, nos extremos e dois sustentando coroa da Virgem, terminada em frontão curvo. Banco integrando sacrário. Nos pedestais das colunas surgem o sol e a lua, símbolos marianos. Sacristia com pavimento em soalho de castanho, com armário embutido, arcaz de também castanho com ferragens de metal e lavabo de granito com espaldar rectangular, decorado com duas bicas carrancas, encimadas por losango e rematado por cornija, com concha ao centro. Pia recortada. FÉ VIANNA com paredes decoradas por lambril de mármore e espelhos enquadrados por pilastras e colunas também de mármore com apontamentos de volutas a dourado, simulando capitéis. Tecto de estuque e pavimento em mosaico com decoração floral e geométrica.

Acessos

Praça da República

Protecção

Incluído na Zona Especial de Protecção do Castelo de Braga (restos) designadamente a Torre de Menagem (v. PT01030341009)

Enquadramento

Urbano, adossado, em pleno centro histórico (PT010303070088), entre ruas de circulação pedonal, voltada à Avenida Central, uma das principais artérias da cidade. Na envolvência mais próxima ergue-se, a SE., a Igreja e Convento dos Congregados (v.PT01030342046), a NO., Igreja dos Terceiros (v. PT010303410109), a O., a antiga Escola Industrial e Comercial de Braga (v. PT010303410248) e a Torre de Menagem (v. PT01030341009), e a NE. o Banco de Portugal (v. PT010303410258). Em frente do edifício implanta-se uma fonte luminosa com tanque circular.

Descrição Complementar

TALHA: Retábulos laterais semelhantes, de planta côncava e um eixo delimitado por pilastras e colunas de fuste pintado com marmoreado e capitel compósito, sustentando fragmentos de frontão interrompido por espaldar com delta luminoso ladeado por anjos. Nicho em arco pleno, com fundo pintado de azul. Mesa de altar em forma de urna com apontamentos dourados.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja / Comercial: mercado

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Comercial: estabelecimento de restauração / Serviços: banco

Propriedade

Privada: Igreja Católica / pessoa singular / pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: André Soares (atr. igreja); AUTOR DO RISCO: Manuel Moreira da Silva e Carlos Amarante (retábulo-mor); ENGENHEIRO: Joaquim Pereira da Cruz (1867); ENTALHADORES: Álvaro José Pereira Faria e Francisco de Freitas Rego; ORGANEIRO: Manuel de Sá Couto (1797); PEDREIRO: Domingos Gonçalves Saganha (1715, 5 Julho).

Cronologia

Idade Média - Abertura da praça; séc. 16 - o Arcebispo D. Diogo de Sousa mandou construir umas "estrebarias e alpendre com suas colunas para pousarem de graça os almocreves" junto da porta do Souto; 1715 - o Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles manda construir as arcadas, em substituição dos alpendres que existiam no tempo do Arcebispo D. Diogo de Sousa, e que terão conferido o nome de "Arcadas"; 5 Julho - contrato da obra de pedraria com Domingos Gonçalves Saganha; 1757 - o padre Ângelo Sequeira iniciou o culto à Senhora da Lapa *1; 1760 - o rei D José I autoriza a construção da Igreja da Lapa, solicitada pelo seu irmão, o Arcebispo D. Gaspar de Bragança; 1761, 9 Setembro - o Desembargador António Barbosa Goyos lança a primeira pedra nos alicerces da nova Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Alpendres; 1767, 7 Setembro - benzida a nova igreja; 1767 - colocação da imagem de Nossa Senhora da Lapa; 1768 - a igreja é ocupada pela Irmandade dos Santos Passos; 1769 / 1771 - construção da torre sineira; 1771 - a igreja é deixada pela Irmandade dos Santos Passos; 1772 - a estátua representativa da cidade de Braga, que se encontrava no topo do edifício é retirada e colocada no topo do Arco da Porta Nova (v. PT010303520012); 1774 - transfere-se para esta igreja a Irmandade de São Tomás; 1781 - conclusão dos retábulos laterais; 1791 - colocação do retábulo-mor; 1797 - execução do órgão por Manuel de Sá Couto; 1805 - A Irmandade de São Pedro das Chagas instala-se; 1858, 4 Novembro - abriu as portas o Café Vianna; 1867 - projecto de alteração do edifício, pelo engenheiro municipal Joaquim Pereira da Cruz; 1885 - terminam as obras de remodelação do actual edifício; 1904 - o largo chamava-se Hintze Ribeiro; 1910 - após a implantação da república, o largo muda para o nome que actualmente possui.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura, arcaria, fachada principal da igreja, elementos decorativos, pias de água benta, base dos púlpitos, balaustrada das janelas de sacada e lavabo da sacristia, de granito; fachada principal e interior da igreja revestidos a azulejos; portas, janelas, pavimentos, balaustrada do coro-alto, guarda dos púlpitos, órgão, sanefas, retábulos e arcaz, de madeira; grades das janelas e varanda, de ferro; cobertura exterior de telha.

Bibliografia

SMITH, Robert, A Casa da Câmara de Braga, Braga, 1968; SMITH, Robert, Frei José de Santo António Vilaça, vol. 1, Braga, 1972; Vv.Aa., Estudos Bracarenses 5, A Arcada da Lapa, A Arquitectura, Braga, 1982; COSTA, Luís, Braga. Roteiro Monumental e Histórico do Centro Cívico, Braga, 1985; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. 2, Braga, 1990; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Estudos sobre o século XVIII em Braga, Braga, 1993; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, O edifício do Convento do Salvador - De mosteiro de freiras ao Lar Conde de Agrolongo, Braga, 1994; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Braga. Percursos e memórias de granito e oiro, Porto, 1999, pp. 13 - 20; DUARTE, Eduardo Manuel Alves, Carlos Amarante (1748 - 1815) e o final do Classicismo. Um arquitecto de Braga e do Porto, Porto, 2000; OLIVEIRA, Jorge, Praça da República - Mais conhecida por Arcada, in Diário do Minho, 22 Setembro 2004.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMB: 1994 / 1995 - Arranjo do largo; colocação de uma fonte luminosa fronteira ao edifício.

Observações

*1 - A construção da igreja está relacionada com a colocação de uma estampa de Nossa Senhora da Lapa nas arcadas, por um padre missionário brasileiro, chamado Ângelo Sequeira, que teria começado a rezar, atraindo uma grande quantidade de fieis e angariando muitas esmolas.

Autor e Data

António Dinis 2005

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login