Edifício e Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo

IPA.00016992
Portugal, Beja, Ferreira do Alentejo, União das freguesias de Ferreira do Alentejo e Canhestros
 
Arquitectura religiosa e de saúde, manuelina, maneirista, barroca, neoclássica. Portal bem característico do gosto manuelino regionalmente implantado, com recurso à frequente solução de arco canopial enquadrado por arcos de volta perfeita, colunas torsas e tratamento vegetalista dos elementos arquitectónicos. A construção do imóvel é no entanto já de gosto maneirista, se bem que recorrendo a soluções fixadas durante a época manuelina, com plintos paralelepipédicos no coroamento dos contrafortes e o recurso a elementos das ordens clássicas, como no arco triunfal e tribuna. Barrocos são os elementos de talha do retábulo do altar-mor, posteriormente enquadrados por uma decoração neoclássica tardia, de estuques marmoreados e delicada decoração vegetalista de tratamento plástico claramente linear. O notável portal manuelino, com os seus capitéis com cabeças aladas.
Número IPA Antigo: PT040208020007
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Planta longitudinal escalonada, orientada, composta por coro, nave, capela-mor mais estreita e camarim, a que se adossam à direita a sacristia, e várias dependências e o edifício do antigo Hospital. Cobertura diferenciada, em terraço no coro, telhado de duas águas na nave e de uma água na capela-mor e camarim, e na sacristia. IGREJA: fachada principal de dois panos e dois registos, com soco saliente pintado de azul e cunhais de argamassa relevada e pintada de azul, na continuidade do soco; No pano da esquerda abre-se o portal principal de cantaria, formado por arco canopial, em cujo intradorso se suspendem romãs; o conjunto é contornado por um torçal de dois toros que concluem num cogulho central, lateralmente apoiados em colunas torsas, igualmente de dois toros, de superfície fitomorfizada pela marcação de nós da madeira, com capiteis representando cabeças aladas e bases escalonadas de cinco registos; portas de madeira almofadada com o cronograma "1876"; sobre o portal janela rectangular de guilhotina, com molduras pintadas a azul; remate em empena, acompanhada de beirado e cornija, coroada por cruz de cantaria assente em plinto; à esquerda acrotério rematado por romã. No pano da direita rasga-se porta com moldura de cantaria, seguida de pequeno óculo oval de ventilação; superiormente janela idêntica à anterior; remate em platibanda com grelhas de tijoleira assente em beirado seguida de um campanário em espadana com olhal em arco de volta perfeita enquadrado por pilastras de argamassa pintada a azul e remate superior em frontão polilobado encimado por cruz e catavento com esfera armilar, em ferro forjado. Alçado N. com soco pintado de azul, dividido em cinco panos por contrafortes e rematados superiormente por cornija e beirado; o primeiro pano é cego e apresenta uma platibanda com grelhagem de tijoleiras, sobre o beirado; primeiro contraforte colocado de escorço, com gárgula de cantaria e encimado por dois plintos escalonados e desencontrados; o segundo pano tem adossado um maciço que liga os dois contrafortes; o segundo contraforte apresenta uma gárgula de cantaria ao nível da cornija, sendo sobrepujado por dois plintos escalonados e desencontrados encimados por uma esfera de cantaria lavrada; o terceiro pano é idêntico ao segundo; o terceiro contraforte é duplo, apresentando o troço da direita um remate rampeado que culmina junto da cornija, e o da esquerda segue o esquema do primeiro contraforte, encimado por uma esfera de cantaria lavrada; quarto pano idêntico ao segundo; quarto contraforte de remate rampeado; quinto pano, ligeiramente saliente, de esquema idêntico ao segundo pano. Alçado E. com soco pintado de azul e um pano definido por pilastras pintadas de azul; remate em empena assimétrica, sendo o troço esquerdo mais alto e elevado sobre uma cornija com beirado; à esquerda abre-se uma janela de verga curva, com moldura de argamassa pintada de azul, sobrepujada por uma janela de sacada, com moldura de argamassa pintada e gradeamento de ferro forjado assente em mísula de cantaria pintada de azul; à direita destaca-se cruz latina, de cantaria, assente em calvário. INTERIOR: nave única coberta por um tramo de abóbada de berço abatida, com penetrações, e dois tramos de abóbadas de cruzaria de ogivas, com mísulas e chaves de cantaria lavrada; coro-alto assente em arco de asa de cesto emoldurado e assente em pilastras, resguardado por balaustrada de madeira; do lado do Evangelho os três panos são cegos. À direita de quem entra, pia de água benta de cantaria. Do lado da Epístola, o pano central é rasgado por uma porta onde se abre a grelha de um confessionário, e num plano superior, por uma tribuna entaipada, com dois arcos de volta perfeita emoldurados e assentes em colunas, sendo a central de cantaria, resguardada por balaustrada de madeira, assente em três cachorros de madeira; arco triunfal de volta perfeita, com moldura de cantaria assente em pilastras, com vestígios de policromia, ladeado por pilastras de argamassa divididas em três registos, a que se adossam meias colunas balaustriformes. Capela-mor coberta por abóbada de berço que arranca de cornija, pintada a ocre, contornada por barra azul e branca, destacando-se ao centro um medalhão circula onde está pintada a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia; paredes laterais decoradas com marmoreado em dois registos, abrindo-se na da esquerda uma janela e na da direita a porta de acesso à sacristia; altar-mor precedido por degrau, com retábulo de estuques polícromos e trono eucarístico de quatro registos, baldaquino, sacrário e banqueta de talha dourada e pintada, apresentando camarim em arco de volta perfeita, com moldura almofadada e decorada com estuques relevados, assente em pilastras, e enquadrado superiormente por composição de estuques relevados de cariz vegetalista, sobre fundo azul, rematada pelas armas reais; ladeiam o camarim duas mísulas. Sacristia coberta por abóbada de berço abatida, com janela ladeada por converssadeiras, arcaz de madeira e parte do antigo cadeiral dos mesários, em madeira apainelada e pintada a preto, com molduras amarelas e medalhões brancos, na parede destacam-se os suportes de madeira para as lanternas processionais. HOSPITAL: fachada principal de pano único, definido por cunhais pintados, e 2 registos; soco pintado a azul, remate em cornija e beirado; ao nível térreo rasga-se uma porta com moldura de cantaria ladeada por duas janelas com moldura de argamassa pintada; ao nível do primeiro andar rasgam-se três janelas com moldura de argamassa pintadas a azul. Fachada E. com soco de argamassa pintado a azul, um pano definido por cunhais e rematado por cornija e beirado, rasgado ao nível térreo por uma porta e quatro pequenas janelas e ao nível do primeiro andar por três janelas com molduras de argamassa. À direita o alçado apresenta soco pintado a azul, um pano definido por cunhais pintados e remate em cornija e beirado, ao nível térreo rasga-se uma porta com moldura de cantaria ladeada por duas janelas com moldura de argamassa pintada, ao nível do primeiro andar rasgam-se três janelas com moldura de argamassa.

Acessos

Largo Comendador José de Vilhena

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 510/2014, DR, 2.ª série, n.º 123, de 30 junho 2014 (igreja)

Enquadramento

Urbano, adossado, abrindo a fachada principal sobre um largo empedrado com um pequeno adro definido por patamar calcetado.

Descrição Complementar

EPIGRAFIA: na pilastra esquerda do arco triunfal a inscrição gravada " ESTEAR / COMÃ / DOVF / AZER . / HOPRO / VEDOR / MEL . N~VZ " e na direita: " EOS MA / ISIRMA / ÕSANO / DI595. "

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: António Nogueira (1570, c. de)

Cronologia

1516 - aprovação dos estatutos da Santa Casa por D. Manuel I; 1570, c. de - execução do políptico pelo pintor eborense António Nogueira; 1595 - construção do arco triunfal; 1615 - a obra ainda não estava terminada; séc. 18, 1ª metade - trono eucarístico e elementos de talha do retábulo; 1763, após - construção da sacristia e hospital; séc. 19 - estuques do retábulo; 1822 - construção das enfermarias para homens e mulheres; 1876 - Portas de madeira; séc. 20, inícios - instalação do portal e do políptico, provenientes da demolida Ermida do Espírito Santo; 2002, 24 de julho - Proposta de abertura do processo de classificação pelo IPPAR/DRÉvora; 2002, 29 de julho - Despacho de abertura do processo de classificação; 2003, 29 maio - Despacho de homologação de classificação da Igreja da Misericórdia como IIP - Imóvel de Interesse Público, pelo Ministro da Cultura; 2008, 15 de dezembro - Proposta de ZEP pela DRCAlentejo; 2009, 3 de março - Parecer favorável à ZEP pelo Conselho Consultivo do IGESPAR; 2013, 06 março - publicado no DR, 2.ª série, n.º 46, o Anúncio 104/2013 de Projeto de Decisão realtivo à fixação de ZEP.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Paredes de alvenaria de pedra e cal, rebocadas e caiadas; portal, gárgulas, remates dos pináculos, mísulas e chaves de abóbada de cantaria; telhado de telha de canudo; pavimento de tijoleira, balaustradas de madeira, retábulo de estuque policromo e talha dourada e pintada, pinturas murais.

Bibliografia

CAETANO, Joaquim de Oliveira, Novas Obras do Pintor Maneirista António Nogueira, Anais da Real Sociedade Arqueológica Lusitana, 2ª série 1º volume, Santiago do Cacém, 1987; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Beja, Lisboa, 1992.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Ricardo Pereira 2000

Actualização

 
 
 
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