Abrigos rupestres da Penha / Estação Arqueológica da Penha

IPA.00001699
Portugal, Braga, Guimarães, Costa
 
Sítio pré e proto-histórico. Abrigos rupestres. Espaço natural, pontuado por vários afloramentos graníticos, que constituíam abrigos para actos de celebração no Calcolítico e na Época do Bronze. O abundante espólio arqueológico recolhido nessas cavidade naturais é constituído por fragmentos cerâmicos, diversos tipos de objectos líticos e metálicos.
Número IPA Antigo: PT010308120026
 
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Registo

 
Sítio  Sítio pré e proto-histórico  Abrigo rupestre      

Descrição

Espaço natural com um relevo predominantemente de natureza granítica, constituido por afloramentos de grande diversidade de formas e escalas, por vezes formando abrigos e grutas naturais, onde foi possivel encontrar, ao longo dos tempos, artefactos líticos e cerâmicos, e um lajeado coberto por saibro bem compactado, perto da fonte de Santa Catarina.

Acessos

Estrada N 101-2, Rua Nossa Senhora da Penha; teleférico da Penha; Estrada M 579-2

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 39 175, DG, I Série, nº 77, de 17 abril 1953 / ZEP, DG, 2ª Série, nº 14, de 18 Janeiro 1954

Enquadramento

Rural, isolado, implantado no Monte da Penha, no interflúvio dos rios Selho e Vizela, situa-se a E. da cidade de Guimarães, e atinge 613 metros de altitude no seu ponto mais elevado. Destaca-se regionalmente entre as colinas e os restantes montes, de altitude inferior a 400 metros, existentes no corredor formado pelo curso médio e inferior da bacia do rio Ave. É alongado,com orientação geral N-S e cerca de 5 km de comprimento, localizando-se entre a povoação de Mesão Frio, a Norte, e a de Abação, a Sul. Na área do topo do monte e nas vertentes a O. existem afloramentos graníticos e vários cursos de água. A sua posição geo-estratégica e altitude, permite a sua perceptibilidade numa área de muitas dezenas de quilómetros.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Calcolítico / Idade do bronze

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Calcolítico - Idade do bronze - ocupação de grutas, abrigos e fendas para acções de celebração e comemoração diversas; 1886 - é criada a Comissão de Melhoramentos da Penha, sob a presidência do arqueólogo vimaranense Bráulio Caldas; construção da Fonte de Santa Catarina; pagava-se portagem para aceder à Gruta do Ermitão e visitar o jardim suspenso; 1877 - a câmara decide construir uma estrada partindo do oratório do Senhor dos Serôdios para a Penha; 1908 - é inaugurado o sistema de distribuição de água, com capacidade para 100 mil litros, que veio permitir a intensa plantação de árvores no parque; partir desta data, com o aumento das obras de transformação turística do local, começaram a ser exumadas grandes quantidades de espólio arqueológico, que foram dando entrada no Museu da Sociedade Martins Sarmento, mas que não resultaram de escavações conduzidas arqueologicamente; 1916 - a câmara manda abrir a estrada da Costa para a Penha; 1923, 5 Junho - pelo Dec. nº 8894 (Diário do Governo, 1ª Série, nº 119 de 5 de Junho) foi a Penha considerada Estância de Turismo, criando-se nessa altura a respectiva Comissão de Iniciativa e Turismo; 1933 - na exploração de uma pedreira na encosta O. do monte, lugar de Cantonha, apareceu um raro e importante conjunto de jóias pré-históricas em ouro; 1937 - extinção da Comissão de Iniciativa e Turismo, passando a funcionar a Junta de Turismo da Penha; 1965 - abertura da estrada entre Belo-Ares e a Penha, Lapinha; 2005, 16 Janeiro - o Dr. João Gonçalves da Costa inicia um processo de inventariação das principais espécies vegetais do Parque Florestal da Penha, que incluirá um projecto chamado de "Árvores falantes" que consiste na explicação ao público das várias espécies através de um sistema de som junto às àrvores.

Dados Técnicos

Materiais

Granito

Bibliografia

BETTENCOURT, A.M.S. 1999. A Paisagem e o Homem na bacia do Cávado durante o II e o I milénios AC, 5 vols. (Dissertação de Doutoramento apresentada à Universidade do Minho, na área de Pré-História e História Antiga – policopiada); BETTENCOURT, A.M.S. 2000. Estações da Idade do Bronze e Inícios da Idade do Ferro da bacia do Cávado (Norte de Portugal). Cadernos de Arqueologia, Monografias – 11. Braga: Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho; BETTENCOURT, A.M.S. no prelo. Estruturas e práticas funerárias do Bronze Inicial e Médio do Noroeste Peninsular. In Javier Sanchez Palencia, Anthony Gilman & Primitiva Bueno (eds.) Livro de Homenaje a Maria Dolores Fernández-Posse y de Arnáiz, Bibliotheca Praehistorica Hispana (BPH). Madrid: CSIC.: BETTENCOURT, A.M.S.; Dinis , A.P.; Cru z, C. & Silva , I.S. 2003a. A estação arqueológica da Senhora da Penha, Guimarães (norte de Portugal): notícia preliminar das escavações de 2002.Trabalhos de Antropologia e Etnologia 43 (3-4): 137-162.; BETTENCOURT, A.M.S.; Dinis , A.P.; Cru z, C. & Silva , I.S. 2003b. O Povoado da Idade do Bronze de Santa Catarina, Guimarães (norte de Portugal). Resultados dos trabalhos arqueológicos de 2002. Trabalhos de Antropologia e Etnologia 43 (3-4): 163-179; COFFYN, A., Le Bronze final atlantique dans la Péninsule Ibérique, Paris, 1985, nº 38, 77, 170, 267; CARDOZO, M., A estação pré-historica da Serra da Penha (Guimarães), II Congresso Nacional de Arqueologia, 1, 1971, pp. 239 - 259; Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha, Alto da Penha, Maio / Julho 2006; JORGE, Susana Oliveira, Povoados da Pré-história Recente da Região de Chaves - V.º P.ª de Aguiar, Porto, 1986, vol. I-B, p. 814 - 815, nº 31; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, 1993, vol. II, Distrito de Braga, p. 50; SARMENTO, M., Dispersos, Coimbra, 1933, p. 219 - 223, 233.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1886 / 1988 - Primeiras explorações arqueológicas realizadas por Martins Sarmento; 1958 a 1971 - desenvolveu-se um processo entre a DGEMN e a Comissão de Melhoramentos da Penha, relativo à construção e obras no Parque de Jogos na Estância da Penha no interior da Zona de Protecção, que acabariam por ser realizadas na última daquelas datas, tendo sido construido um edifício destinado a bar e o ajardinamento do recinto fronteiro; CMG: 2003 - construção da rede de saneamento da Penha.

Observações

Os vestígios conhecidos do povoado pré-histórico são constituídos apenas por espólio de diverso tipo, não tendo sido identificado até hoje qualquer estrutura relacionada. Este espólio arqueológico destaca-se pela sua quantidade e qualidade e pode ser observado em exposição no Museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, no Museu de Viana do Castelo e no Museu Nacional de Arqueologia. Segundo Hugo Aluai Sampaio, Ana M.S. Bettencourt, Maria Isabel Caetano Alves, os contextos de deposição em grutas, abrigos, fenda, em articulação com tipo de artefactos encontrados, indiciam acções celebrativas que implicaram a ocultação de determinados materialidades, muito provavelmente efectuadas em momentos específicos no âmbito de celebrações comunitárias, por parte de populações que não viveriam no local, mas sim nas suas imediações e a cotas mais baixas.

Autor e Data

Isabel Sereno / Paulo Dordio 1995 / Sónia Basto 2011

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