Estação Ferroviária de Beja

IPA.00016980
Portugal, Beja, Beja, União das freguesias de Beja (Salvador e Santa Maria da Feira)
 
Estação Ferroviária eclética, cuja concepção geral se baseia na tradição vernacular, com volumes individualizados, cobertos por telhados de quatro águas, com fachadas animadas por vãos uniformemente distribuídos, enriquecidas com elementos de cantaria em que se destacam pilastras, cunhais, frontão e colunata de desenho clássico simplificado, denotando no portão influências Art Deco e uma depuração geral que não é indiferente à influência do modernismo mas onde se destaca principalmente nesta mistura ecléctica o gosto decorativista oitocentista patente nos revestimentos azulejares, onde está patente e naturalismo dos medalhões figurativos, alusivos à vida rural, ou o tardo-romantismo das cenas históricas, a linguagem Art Deco das barras e padrões de motivos florais estilizados e os remates de influência árabe, simulando merlões; nos silhares de padrões diversos encontram-se situações que vão da réplica de padrões seiscentistas ao invulgar padrão do restaurante onde se procura criar algo de novo dentro da tradição. O conjunto de revestimentos azulejares, em particular os painéis da autoria de Jorge Colaço, que constituem um dos seus derradeiros trabalhos, onde está patente o anacronismo tardo-romântico da sua produção mas ao mesmo tempo o seu poderoso efeito decorativo que consegue animar um conjunto de edifícios austeros e frios.
Número IPA Antigo: PT040205110086
 
Registo visualizado 252 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

Planta composta por quatro edifícios separados, alinhados ao longo da linha férrea: de N. para S. as instalações sanitárias de planta rectangular, regular; a gare de planta composta por três rectângulos alinhados, sendo o central mais largo e elevado; o edifício administrativo de planta rectangular, regular; o restaurante de esquema idêntico; uma colunata adossa-se às fachadas E. da gare e do edifício administrativo, de planta rectangular, regular. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal com cobertura diferenciada em telhados de quatro águas (sanitários, corpo central da gare e colunata), de três águas (corpos laterais da gare), de duas águas (edíficio administrativo). GARE: fachada principal a O., com o corpo central dividido em cinco panos por pilastras de cantaria, cada um dividido em dois registos, sendo o inferior revestido a cantaria e o superior rebocado e pintado a branco; remate em cornija e beirado, acima do qual se eleva ao centro um frontão de cantaria, ladeado por plintos encimados por urnas, no coroamento das pilastras centrais, destacando-se no tímpano as armas nacionais sobre esfera armilar, sob as quais se interrompe o beirado; ao nível térreo rasga-se uma porta em cada pano e ao nível do primeiro andar uma janela, sendo a segunda e a quarta encimadas por cornijas que definem um remate do pano em empena e que se prolongam pelas pilastras; sobre a janela central destaca-se o cronograma " 1940 " em cantaria; os corpo laterais, ligeiramente recuados, apresentam um só pano definido por cunhais de cantaria e assente em soco de cantaria, rematado por cornija e beirado, rasgado o da esquerda por três janelas e uma porta e o da direita por quatro janelas, com molduras de cantaria. Fachada lateral N. de um só pano definido por cunhais de cantaria, assente em soco de cantaria e rematado superiormente por cornija e beirado, rasgado por porta; acima do soco eleva-se um silhar de azulejos polícromos delimitado por cercadura de motivos florais estilizados, com cantos formados por quadrifólios; o campo é preenchido por um padrão de um só azulejo de motivo floral estilizado onde se inserem três medalhões de recorte polilobado, dos quais o central é maior, com cenas agrícolas pintadas a azul; o silhar é rematado superiormente por uma fiada de azulejos azuis, recortados simulando merlões; à esquerda adossa-se o topo da colunata com arquitrave rematada por beirado assente em coluna toscana de cantaria. Fachada S. de um só pano definido por cunhais de cantaria, assente em soco de cantaria a que se adossa canteiro revestido a azulejos esponjados a azul, rematado superiormente por cornija e beirado, rasgado por uma porta e uma janela com molduras de cantaria e com silhar de azulejos de padrão de camélias, azul e branco, com cercadura de quadrifólios e remate superior com guarnição de albarradas. Fachada E. com colunata de dezassete colunas toscanas de cantaria, suportando arquitrave rematada por beirado; em segundo plano situa-se, à direita, o edifício da Gare que sob a colunata apresenta três panos definidos por cunhais e pilastras de cantaria, assente em soco de cantaria e rasgados por portas, com molduras de cantaria boleadas, cinco no pano central e quatro nos laterais; entre cada porta e entre estas e as pilastras inserem-se troços de silhar de azulejos, acima do soco de cantaria, com molduras, padrão e remates idênticos aos descritos e medalhões de formato variado representando monumentos e figuras históricas da cidade; acima do pano central, sobre a colunata, eleva-se um pano rematado por cornija e beirado e rasgado por cinco janelas. INTERIOR: amplo átrio que comunica com a rua por três portas e com a colunata por cinco portas; possui balcão revestido a calcário e encerrado por vidros, à direita e uma bilheteira à esquerda; janela em arco de volta perfeita, com moldura de madeira e vidros coloridos, tendo à direita uma porta; silhar de azulejos de padrão de 4 x 4, azuis e amarelos, rodapé esponjado a manganês, encimado por cercadura e friso e remate com friso e barra com enrolamentos de folhas de acanto; à esquerda situa-se a Sala de Espera, que comunica com a colunata por duas portas, com silhares de azulejos de padrão azul e manganês. EDIFÍCIO ADMINISTRATIVO: fachada principal a O. de um só pano definido por cunhais apilastrados de cantaria, assente em soco de cantaria e rematado superiormente por cornija e beirado, rasgado por sete janelas com molduras de cantaria; fachada N. de um só pano definido por cunhais apilastrados de cantaria, assente em soco de cantaria a que se adossa canteiro revestido a azulejos esponjados a azul, e rematado por cornija e beirado, rasgado por uma janela com moldura de cantaria, com silhar de azulejos idêntico ao da fachada S. da Gare; fachada E. com o lado esquerdo da colunata em primeiro plano para a qual abre a fachada do edifício administrativo, de um só pano definido por cunhais de cantaria, assente em soco de cantaria e rematado por cornija de cantaria, rasgado por sete portas com molduras de cantaria, separadas por silhares de azulejos de esquema idêntico aos da gare, mas onde dominam as cores verde e amarela nas molduras e os medalhões figurativos são pintados a castanho; à direita, fazendo a ligação ao edifício da Gare, adossa-se um pórtico de cantaria, com arquitrave onde se destaca a inscrição "SAIDA", assente em duas pilastras, ladeadas por dois vãos onde se inserem canteiros; fachada S. de um só pano definido por cunhais de cantaria, assente em soco de cantaria e rematado superiormente por cornija e beirado, rasgado por uma porta e uma janela com molduras de cantaria, silhar de azulejos de esquema idêntico à fachada E., com três medalhões figurativos. RESTAURANTE: fachada principal a E. de um só pano definido por cunhais de cantaria, assente em soco de cantaria e rematado superiormente por cornija e beirado, ao centro abre-se um portal de cantaria de verga recta com chave saliente, encimada por cornija sobre a qual se destaca a inscrição "RESTAURANTE", no qual se insere uma escadaria de seis degraus de cantaria, que conduz à porta recuada; no soco rasgam-se duas pequenas janelas de cada lado, encimadas por chave saliente e no pano abrem-se duas janelas de cada lado, com molduras de cantaria e jardineiras com bacia de cantaria assente em dois cachorros de cantaria, resguardadas por gradeamento de ferro forjado; fachada lateral N. de um só pano definido por cunhais de cantaria, assente em soco de cantaria e rematado superiormente por cornija e beirado; o pano é rasgado por duas janelas com jardineiras idênticas às da fachada E.; fachada O. de um só pano definido por cunhais apilastrados, assente em soco de cantaria e rematado superiormente por cornija e beirado, rasgado por porta com moldura de cantaria, ladeado por janelas engradadas, com molduras de cantaria, óculos circulares engradados e janelas engradadas com molduras de cantaria. INTERIOR: com um piso e cave, com sala de entrada tendo fronteiro à porta um balcão de madeira envidraçado e de cada lado um arco de volta perfeita que conduz às salas de refeição, com paredes revestidas até meia altura por silhar de azulejos de padrão de 2 x 2 em azul e amarelo com contornos a manganês, com rodapé em esponjado de manganês e cercaduras inferior e superior; virada a NE. situa-se, ao centro, a cozinha, ladeada pelas instalações sanitárias e outras dependências.

Acessos

Largo da Estação

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, em destaque, precedido por uma largo empedrado, tendo a S. um armazém e uma moagem, e a N. as linhas do caminho de ferro.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação ferroviária

Propriedade

Pública: empresa pública

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR DE AZULEJO: Jorge Colaço (1940).

Cronologia

1893 - construção da Estação dos Caminhos de Ferro; 1940 - alterações e ampliação da estação, incluindo os revestimentos azulejares da autoria de Jorge Colaço.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Paredes de alvenaria, com estrutura de betão armada, rebocadas e pintadas, com socos, cunhais, pilastras, molduras de vãos, colunas e elementos secundários de cantaria de mármore de Trigaches e calcários; telhados em telha de marselha de barro cozido; pavimentos de tijoleira, mosaico hidráulico, lajes de calcário, calçada; silhares de azulejos polícromos; portas e caixilharias de madeira; gradeamentos de ferro forjado

Bibliografia

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Ricardo Pereira 2002

Actualização

 
 
 
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