Farol do Penedo da Saudade

IPA.00016892
Portugal, Leiria, Marinha Grande, Marinha Grande
 
Arquitectura de Comunicações, do séc. 20. Edifício para equipamento de assistência à navegação marítima e habitação de função. Farol costeiro com torre quadrangular prismática, integrada entre dois edifícios simétricos de planta rectangular, de dois pisos. Fachada principal de 3 panos rasgada por portas e janelas de moldura rectangular, em cantaria, dispostas a eixo, criando uma certa simetria e homogeneidade estética. O pano central, saliente em relação aos laterais, apresenta um jogo de portas e janelas geminadas. A torre de 33 m. de altura apresenta uma escada em caracol com acesso à lanterna do farol com sistema de iluminação de óptica em cristal direccional rotativa de luz branca com um alcance de 30 milhas e altitude de 55 m.
Número IPA Antigo: PT021010010012
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Comunicações  Farol    

Descrição

Conjunto edificado composto pelo edifício e torre do farol, pela casa da oficina e garagens. EDIFÌCIO DO FAROL: Planta rectangular, composta por edifícios de 2 pisos, ao meio dos quais se ergue a torre prismática de planta quadrangular. Volumes articulados, massas dispostas na vertical para o farol e na horizontal para os restantes corpos. Cobertura diferenciada em telhados de 4 águas nos corpos N. e S., em terraço no corpo central e torre e cúpula no farol. Remate em platibanda assente em friso e cornija nos edifícios e sobre a torre. Fachadas revestidas a azulejo industrial cor de tijolo; molduras de vãos, cunhais, embasamento e cornijas de cantaria. Fachada principal voltada a E. de 3 panos delimitados por cunhais apilastrados e percorrida por embasamento em cantaria; pisos definidos por friso; o pano central, com ligeiro avanço em relação aos laterais, correspondendo ao hall de acesso à torre, é rasgado nos dois pisos por três vãos colocados a eixo; 1º piso com porta principal ladeada por duas janelas, de moldura rectangular em cantaria unidos a nível superior por friso e no 2º piso vão tripartido, de brincos, unido entre si por moldura em cantaria; ao centro, sobre a porta principal um painel de azulejos azul e branco com a identificação do local "Farol do Penedo da Saudade", inscrito entre motivos florais; corpos laterais rasgados simetricamente e a eixo por 4 vãos de molduras rectangulares em cantaria, sendo uma porta e três janelas no 1º piso e 4 janelas no 2º. O acesso às soleiras das portas é feito por um degrau em cada uma delas. Fachadas laterais de 3 vãos de moldura recta em cantaria em cada um dos pisos e fachada posterior de 3 corpos, os dois laterais abertos por 4 vãos em cada piso, de molduras simples em cantaria; corpo central, ocupado pela torre do farol de uma forma destacada e avançada, apresenta 32 metros de altura e 55 metros relativamente ao nível médio das águas do mar, com um alto embasamento em talude de cantaria, definido por friso muito saliente, com os quatro alçados delimitados por cunhais de cantaria, em falso perpeanho e panos em cantaria aparente em aparelho isódomo. Todas as fachadas são rasgadas por vãos rectangulares de moldura saliente, 6 na fachada posterior e 4 em cada uma das outras fachadas. Lanterna do farol de planta circular, assente em pedestal de metal pintado de vermelho, levantado ao centro do terraço da torre protegido por varandim com balaustrada em cantaria; lanterna protegida por gradeamento formando varandim; cobertura em cúpula encimada por elemento esférico e rematada por cata-vento. INTERIOR: composto por amplo vestíbulo com as paredes revestidas a alto rodapé em cantaria encimado por silhar de azulejos industriais brancos, relevados, com cercadura policroma em branco e verde, de elementos vegetalistas e rebocado e pintado a branco até à sanca; tecto plano rebocado e pintado de branco com roseta em estuque ao centro donde pende um candeeiro e pavimento em mosaico cerâmico, branco e cor de tijolo, colocado em diagonal formando desenho geométrico; portadas das janelas pintadas a cor cinza. Este vestíbulo encontra-se aberto por 3 portas de moldura rectangular, as laterais de acesso a outro vestíbulo de menores dimensões que faz a ligação às casas dos faroleiros e a central de acesso à torre. Os dois corpos laterais, também com acesso autónomo pela fachada principal, têm um pequeno vestíbulo subdividido por 2 vãos em arco de volta perfeita em madeira, de fecho e impostas salientes, criando uma pequena antecâmara pela qual se acede ao primeiro piso e a escadaria de alvenaria, forrada a ladrilho cerâmico, branco, de três lanços, com guardas em ferro forjado pintado a verde e prateado, que conduz ao 2º piso; paredes rebocadas e pintadas de branco e pavimento em ladrilho cerâmico. A divisão das casas, igual nos dois corpos laterais e nos dois pisos, é composta por corresor que abre para os quartos (3), voltados a NO., sala , WC, e cozinha do lado SE.; remata o corredor uma pequena dispensa. O acesso ao interior da torre do farol faz-se através de um patamar com pavimento em cantaria de mármore, tendo ao centro uma estrela de oito pontas em mármore vermelho inscrita num círculo também vermelho que se repete a toda a volta da parede; ao centro da estrela um círculo em mármore branco marca o ponto de queda do pêndulo da máquina de relojoaria (*5). O Farol com interior de secção circular, totalmente forrado a azulejos brancos é dotado de escada de caracol de pedra com corrimão de ferro pintado de verde e prateado. Através das escadas em caracol acede-se ao 2º piso do corpo central que funciona como a casa do Chefe e um pequeno escritório; no patamar seguinte chega - se ao terraço através de alta e estreita porta de moldura rectangular, rasgada no corpo da torre. Na plataforma seguinte existe um armário de madeira, fazendo parte do conteúdo estrutural do farol; o piso seguinte, acedido a partir deste último por escadas de ferro pintadas de branco e corrimão verde, corresponde à antecâmara da lanterna, sendo as paredes revestidas de madeira e tendo ao centro o pedestal em ferro (*4) de suporte da cuba de mercúrio e da mesa óptica; através deste espaço acede-se à varanda da torre; pequeno lanço de escadas conduz-nos ao corpo da lanterna do farol, totalmente fechado por vidros e cobertos por cortinas durante o dia (*1). Um dos vidros da lanterna abre-se para dar acesso ao varandim exterior do corpo da lanterna totalmente protegida por guarda em ferro pintado de vermelho. GARAGENS E CASA DA OFICINA: localizadas à esquerda, recuadas em relação ao corpo principal do farol, as GARAGENS são de planta rectangular com embasamento marcado a cor cinza e paramentos pintados a branco, remate em friso saliente, de cor cinza e cobertura de aba corrida em chapa de fibrocimento. Fachada principal aberta por 3 portas e restantes fachadas cegas. INTERIOR de espaço amplo para guardar as viaturas. CASA DA OFICINA: de planta quadrangular, localizada à direita das garagens, de fachadas delimitadas por cunhais apilastrados, percorridas por embasamento saliente e paramentos rebocados e pintados; remate em friso suportando platibanda e cobertura homogénea em telhado de 4 águas em chapa de fibrocimento. Fachada principal aberta por duas janelas rectangulares, ligadas inferior e superiormente pela moldura em cantaria; restantes fachadas rasgadas por 2 janelas cada, de perfil quadrangular e moldura em cantaria; todos os cunhais, embasamento e friso de remate são em cor cinza. INTERIOR: de espaço amplo com divisórias definidas pelas mesas de trabalho; paramentos cobertos de azulejos brancos até 1/3 de altura e restante rebocado e pintado de branco.

Acessos

São Pedro de Moel, Avenida do Farol

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Isolado, destacado. Situado a meia distância entre o Cabo Carvoeiro e o Cabo Mondego, está assente no topo de um penhasco, chamado "Penedo da Saudade", a 800 m a N. de São Pedro de Moel. Implantado a 55 m. de altitude em relação ao nível médio do mar, é delimitado nas fachadas laterais e posterior por muro em alvenaria de tijolo, pintado de branco, e por rede presa a estacaria de madeira, formando um espaço ocupado pelas estruturas de apoio e hortas. Fachada principal voltada à via pública e dela separada por passeio e ciclovia. A S. da fachada principal, entre dois pilares abre-se um portão, baixo, pintado de verde, de acesso ao pátio; no pilar da esquerda uma placa com a identificação do local "FAROL DO PENEDO DA SAUDADE". No pátio pequenas estruturas construídas que protegem as 3 cisternas existentes.

Descrição Complementar

A lanterna do farol que assenta na mesa da óptica é composta por anéis catadióptricos, pelo aparelho óptico, aparelho iluminante e pelos anéis dióptricos.

Utilização Inicial

Comunicações: farol

Utilização Actual

Comunicações: farol

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Defesa Nacional - Direcção de Faróis

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIROS: Barbier, Bénard & Turenne (Ingenieurs - constructeurs) - lanterna do farol (1920).

Cronologia

1758 - Marquês de Pombal manda publicar um alvará com força de lei, passando os faróis a ser uma organização oficial, competindo a responsabilidade da sua instalação à Junta de Comércio; são mandados construir seis faróis, dos quais só se viriam a concretizar 5: o de Nossa Senhora da Guia (1761) (v. PT031105030094), o do Cabo da Roca (1772) (v. PT031111050276), Forte de São Julião da Barra / Farol de São Julião (v. PT031110040004), Torre de São Lourenço / Torre do Bugio / Farol do Bugio (v. PT031110040005) e o da Serra da Arrábida (1775); 1835 - o serviço de faróis passa para a dependência do Ministério da Fazenda, sendo seu Director Gaudêncio Fontana Fontana que cria uma oficina para a construção e reparação de aparelhos ópticos, a funcionar no Jardim do Tabaco em Lisboa; 1852 - o serviço de faróis transita para o Ministério das Obras Públicas; 1864 - é nomeada uma comissão presidida pelo engenheiro hidrógrafo Francisco Maria Pereira da Silva para estudar a passagem do Serviço de faróis para o Ministério da Marinha; 1865 - o Almirante Pereira da Silva, primeiro oficial da Marinha a assumir a responsabilidade pelo serviço de faróis; 1866, 27 Janeiro - é criado um projecto geral de farolagem, de autoria do Almirante Pereira da Silva; 1866 - O capitão de fragata Francisco Maria Pereira da Silva, à data Inspector de Faróis, fez o levantamento dos locais escolhidos para edificação de faróis de segunda e terceira ordem, ao longo da costa de Portugal, antevendo a necessidade de erigir um farol na posição aproximada onde hoje se localiza o farol do Penedo da Saudade; 1868 - o serviço de faróis passa de novo para a gestão do Ministério das Obras Públicas, tendo sido criada a Direcção Geral de Telégrafos e Faróis; 1880 - fusão da Direcção dos Telégrafos com a dos Correios, resultando na Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis; 1881 - nomeação de uma Comissão de Faróis e Balizas, presidida pelo Director-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, Guilhermino Augusto de Barros, tendo por encargo a elaboração de um novo plano de farolagem das costas, portos e barras do Continente; 1883 - aprovação do Plano Geral de Alumiamento e Balizagem do Continente; 1892 - separação definitiva dos Faróis da Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, tendo sido atribuída à Marinha a responsabilidade pela manutenção de uma rede de faróis na costa portuguesa; 1902 - nomeada a comissão que decidiu sobre o local definitivo para a construção do farol *2; 1909 - início da construção do farol; 1912, 15 Fevereiro - inauguração e entrada em funcionamento do farol, com um aparelho óptico de 3ª ordem, de rotação. A fonte luminosa utilizada era a incandescência pelo vapor de petróleo e a rotação da óptica era produzida por uma máquina de relojoaria; 1916 a 1919, Dezembro - o farol esteve apagado devido à Primeira Grande Guerra; 1921 - a óptica existente no farol do Penedo da Saudade foi deslocada para o novo farol do Cabo Mondego (v. PT020605040056); 1921, 3 Março a 27 Julho - o farol de São Pedro esteve apagado para substituição da referida óptica, tendo sido instalado um aparelho lenticular de 3ª ordem, grande modelo, de rotação, dando grupos de dois relâmpagos; 1966 - a potência da fonte luminosa foi reduzida, sendo instalada uma lâmpada de 1500 W; 1980 - foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública, iniciando-se a automatização. A lâmpada foi substituída por outra de 1.000 W; 1983 - várias avarias na parte técnica do farol, causadas por uma forte trovoada; 1984 - fornecimento de energia eléctrica ao posto marítimo, partir de uma linha retirada do quadro geral das habitações do farol; 2012, 15 fevereiro - comemoração do Centenário do Farol do Penedo da Saudade pela Câmara Municipal da Marinha Grande, Capitania do Porto da Nazaré e a Direção de Faróis, às 10h30, em São Pedro de Moel.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes de alvenaria de pedra e cal revestidas a azulejo cor de tijolo; molduras de vãos, cunhais, socos, cornijas e elementos secundários de cantaria; madeira nas portas e janelas, no armário da torre e arcos dos vestíbulos; azulejo nas paredes do vestíbulo principal da Fábrica de Sacavém; mármore no pavimento de acesso à torre; mosaico nos pavimentos; torre de fibra de vidro com estrutura interna em ferro; lanterna, gradeamentos e elementos secundários de ferro; coberturas em placas de fibrocimento.

Bibliografia

AGUILAR, J. Teixeira, NASCIMENTO, José Carlos, SANTANDREU, Roberto, Onde a Terra Acaba, História dos Faróis Portugueses, Lisboa, 1998; Farol do Penedo da Saudade (17): Os Faróis de Portugal na Revista da Armada, in Revista da Armada, s.l., 2006; Revista da Armada, nº 383, Fevereiro - 2005; VILHENA, João Francisco, LOURO, Maria Regina, Faróis de Portugal, Lisboa, 1995; www.marinha.pt, 14 de Junho 2007.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DREMC/DE

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

1921 - substituição da óptica; obras de conservação da guarda do varandim da torre, tendo sido colocados tirantes para reforçar a balaustrada; 1937 - substituição da telha marselha da cobertura do edifício do farol por telha lusalite; DGEMN: 1946 - construção da casa dos motores; DF: 1947 - substituição do sistema de luz, instalação eléctrica, tendo começado a funcionar com uma lâmpada de 6.000 watts; 1950 - foram adicionados painéis aeromarítimos à óptica, passando a funcionar com a característica de aeromarítimo; DGEMN: 1963 / 1968 - diversas obras de conservação, (1ª fase); substituição das portas exteriores; 1974 / 1975 - obras de reparação e beneficiação; DF: 1997 / 1998 - foram feitas grandes obras de reconstrução e remodelação, no interior e exterior dos edifícios e nos telhados; séc. 20, anos 90 - obras de restauro e reconstrução das garagens.

Observações

*1 - Pela fragilidade dos materiais os vidros da lanterna estão sempre protegidos por cortinas para evitar uma exposição solar que os possa prejudicar, sendo somente recolhidas à noite. *2 - A Comissão de Faróis e Balizas viria a propor a criação de um farol em Nossa Senhora da Vitória, prevendo para ele a instalação de um aparelho de 2ª ordem, dando um relâmpago branco e outro vermelho. *3 - Os marqueses de Vila Real eram simultaneamente alcaides de Leiria onde tinham um palácio grandioso, além de casa em São Pedro de Moel. *4 - O pedestal apresenta registo da data e nome dos engenheiros construtores "Anciens Etablissements / Barnier, Bérnard & Turenne / Ingénieurs-Constructeurs". *5 - O sistema do aparelho de relojoaria só funciona em caso de falha do sistema eléctrico.

Autor e Data

Cecília Matias 2008

Actualização

 
 
 
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