Serro de Santo Aleixo

IPA.00016820
Portugal, Viseu, Tabuaço, União das freguesias de Barcos e Santa Leocádia
 
Arquitectura agrícola. Quinta de produção vitivinícola, oitocentista e vernácula. Quinta implantada em solos de xisto com declives agudos, numa região de clima seco, apresentando diversos tipos de armação do terreno vitícola, correspondentes a diferentes épocas: vinha em socalcos pré e pós-filoxéricos, patamares, taludes de terra, com poucas zonas de mato e oliveiras em bordadura em algumas áreas. Áreas construídas localizadas em locais estratégicos, cenográficos e centralizados, de características vernáculas, seiscentista, setecentista e oitocentista, dispostas em largos patamares artificiais. Quintas caracterizadas por alguma diversidade de espaços produtivos, formando anfiteatro na encosta, de elevado carácter cénico, perfeitamente delimitado por elementos naturais ou edificados. Grande parte das vinhas implantam-se em taludes de terra, existindo algumas em socalcos pós-filoxéricos, para NE.. Áreas de pomar e de horta localizam-se perto da área edificada, para N., enquanto que para E. e NE. se desenvolve uma mata sobre socalcos pré-filoxéricos. Os núcleos edificados encontram-se localizados no cume do Serro de Santo Aleixo, dominando as propriedades, acedidos por caminhos particulares ou públicos de terra batida. Toda a área edificada encontra-se assente em patamares dispostos em cotas diferentes, surgindo, na Quinta do Serro, a Casa principal a Casa do Caseiro e Casa dos Lagares; nos Armazéns do Monte Travesso, subsistem os armazéns e Casa de Lagares.
Número IPA Antigo: PT011819030189
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Agrícola e florestal  Quinta    

Descrição

Propriedade implantada no cume de um monte, com solos cascalhentos de xisto, rodeados por alguns socalcos pós-filoxéricos, com algumas vinhas. As suas encostas encontram-se lavradas de socalcos pré-filoxéricos, actualmente cobertos por mata e bordejados por algumas oliveiras, na metade voltada a E., ou rasgadas por taludes de terra de execução recente, com uma fiada de bardos em cada geio, na metade O.. O monte apresenta-se rasgado pelo caminho público antigo que ligava as povoações de Barcos, Santo Aleixo e Tabuaço, sendo de terra batida na parte SO. de acesso ao Serro desde a EN 323. Um conjunto de edifícios ergue-se na cota mais elevada, composto por Armazém, casa de lagares e anexo, envoltos por diversas oliveiras e, no lado NE., por três largos socalcos pós-filoxéricos, com 1 a 2 m. de altura e cerca de 4 ou 5 fiadas de bardos por geio. Do lado N., longo terreiro acompanha os edifícios, todo murado com xisto, com a altura de cerca de 1 m e capeamento de forma boleada devido à colocação das pedras em leque, rasgado a nascente e a poente por portadas de ferro forjado. Os edifícios apresentam aparelho misto, de xisto e granito, com as modinaturas e cunhais em cantaria de granito aparente, e coberturas de uma e duas águas em telha de meia cana, e xisto a preencher os panos, de volumes articulados, sendo a fachada voltada a N., composta por três panos correspondentes aos três corpos que o constituem, o da esquerda, em plano relativamente recuado, rematado em meia empena e cego. Ao centro, levanta-se o pano correspondente ao armazém, rasgado, em plano central, por larga portada, de três folhas com bandeira, ladeada, em plano superior, por duas janelas jacentes, com guardas de ferro fundido. No extremo direito levanta-se o pano correspondente à Casa dos Lagares, rasgada, ao centro, por porta com moldura simples de cantaria. Fachada lateral esquerda, virada a O., em empena e rasgada por janela deslocada para o lado esquerdo, também de moldura em cantaria e grades metálicas, surgindo, em plano recuado, o pano correspondente ao armazém, também rematado em empena e mais elevado. Fachada posterior composta por três panos, o da esquerda, em plano recuado, rasgado por duas janelas, actualmente entaipadas, enquanto que à sua direita, em plano avançado, eleva-se o pano correspondente ao Armazém, rasgado por porta com moldura de cantaria no extremo direito, antecedido por um degrau de granito; o pano da direita, correspondente ao anexo, tem remate em meia empena, rasgado por pequena portada com moldura simples de xisto. INTERIOR do armazém, dividido por parede de taipa, formando pequena divisão no extremo E., sobradada, à qual se acede por portada interior, com pavimento em terra batida e coberturas em vigamento de madeira, em evidente estado de ruína. Diversas peças de granito, de grande dimensão, jazem ao longo do armazém, e que serviam para sustentar pipas e tonéis de vinho. Na Casa dos Lagares, desenvolvem-se quatro largos lagares em cantaria, um deles conservando ainda uma prensa de rosca, enquanto outros dois conservam a rosca, mas já sem os cinchos, possuindo, em plano inferior, lagaretas ou piotos, também em cantaria. No centro do Serro, para O., desenvolvem-se diversas construções, em ruína avançada, em regra com planta quadrangular, com aparelho construtivo em pedra seca de xisto, e granito nos vãos das janelas e das portas, com algumas das fachadas rematadas em meia empena. O conjunto é completado, a O., pela QUINTA DO SERRO, enquadrada por terreiro elíptico, todo murado da parte N., em xisto, com capeamento boleado, rasgado por dois portais de granito que rematam os muros a O. e a E.. Do lado S. desenvolvem-se dois longos patamares artificiais, contíguos, em planos diferenciados, ligados por pequena escadaria de seis degraus de granito. A propriedade urbana é composta por quatro corpos diferenciados, mas articulados, correspondentes à antiga CASA DO CASEIRO, a um pequeno ANEXO que liga à CASA PRINCIPAL, encontrando-se adossada a esta última a CASA DOS LAGARES, todos construídos em aparelho misto de xisto e granito, este último apenas utilizado nos cunhais e nos vãos. Fachada principal, voltado a O., antecedido pelo corpo da Casa dos Lagares, cego e rematado em empena, enquanto que o pano correspondente à Casa principal, em empena, é antecedido no extremo esquerdo por escadaria de oito degraus, através da qual se acede ao portal principal, com moldura simples de granito, contendo a data de "1829" na sua verga; o pano é, ainda, rasgado por uma portada, actualmente entaipada, e uma janela. No cunhal da direita ressaltam diversas peças de cantaria que fariam a ligação a um outro corpo actualmente inexistente. Fachada lateral esquerda, virada a N., marcada por quatro panos, o da esquerda da Casa do Caseiro, arruinado, onde se vislumbra a existência de uma porta, com moldura de cantaria, ladeado por duas pequenas janelas. À sua direita, ergue-se o pano do anexo, em xisto rasgado por vão de porta de moldura simples de cantaria, enquanto que o pano correspondente à Casa principal, em plano avançado, se apresenta antecedida por largo tanque de cantaria, com bordo lavrado, adossado à fachada onde se rasga uma bica, e, em plano superior, rasgam-se duas janelas com molduras simples e avental de cantaria. Fachada lateral direita, virada a S., composta por quatro panos, correspondendo o da esquerda à Casa dos Lagares, rasgada por três janelas com molduras de cantaria, enquanto que o corpo à sua direita, correspondente à Casa principal, se apresenta rasgado, em plano inferior, por janela jacente, e, no piso superior, por duas janelas, com moldura simples e avental de cantaria. O pano da direita, referente ao anexo, em aparelho de xisto, encontra-se arruinado. No extremo direito eleva-se o corpo da Casa do Caseiro, rasgado, no piso inferior, por porta com moldura de cantaria, correspondendo-lhe, no piso superior, três janelas de peitoril. Fachada posterior antecedida pelo corpo da Casa do Caseiro, com pano em empena, arruinado, enquanto que o pano correspondente à Casa principal, também em empena, é rasgado, no piso térreo, por larga porta com moldura de granito, de acesso ao Armazém, e, no piso superior, por duas janelas, com molduras de granito. INTERIORES bastante arruinados, conservando os lagares e os piotos na Casa dos Lagares, observando-se, no interior da Casa principal, restos do pavimento de madeira e de paredes interiores em taipa, bem como restos dos tectos em madeira corrida, suspensos dos vigamentos.

Acessos

De Tabuaço, pela EN 323, no sentido do Espinho, até ao lugar do Fornêlo, virando à esquerda, para a estrada de terra batida, subindo até ao Serro de Santo Aleixo, no topo do lugar homónimo, em Barcos; Gauss: M - 247.238, P - 463.177, CMP, fl. 127

Protecção

Categoria: IM - Interesse Municipal, categoria de conjunto, Deliberação da Assembleia Municipal de Tabuaço de 30 setembro 2005

Enquadramento

Rural, integrado na Região Demarcada do Douro, na sub-região do Cima Corgo, em zona de xistos, com solos acidentados, e clima seco, implantando-se no cume de monte, Serro de Santo Aleixo, que forma um dos braços da montanha de Barcos e desenvolve-se a meia-encosta do vale do rio Távora, pegando com a montanha de Barcos, dentro dos limites desta freguesia. As propriedades compõem-se de partes agrícolas e vitícolas, onde predominam os núcleos edificados da Quinta do Serro e dos Armazéns do Monte Travesso, encontrando-se rodeado pela Quinta do Monte Travesso a O., pelo Rio Távora a N., E. e S., pela Quinta da Chavelha a NO., pela Quinta do Fornêlo, a O. e S., e pela povoação de Santo Aleixo a N. A área do Serro de Santo Aleixo insere-se no Alto Douro Vinhateiro (v. PT011701040093). Localizada sobre a povoação de Santo Aleixo, que se estende a N., insere-se no termo da freguesia de Barcos (v. PT011819030181), cuja povoação, localizada a SO., teve origem medieval e encontra-se classificada como Aldeia Vinhateira, sendo composta por um interessante conjunto de imóveis com valor arquitectónico, onde se destaca a Igreja Matriz de Barcos (v. PT011819030001), enquanto que para S. se ergue o casario branco da vila de Tabuaço.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Agrícola e florestal: quinta

Utilização Actual

Agrícola e florestal: quinta

Propriedade

Privada: Pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 17 - provável época de edificação da maior parte dos edifícios primitivos que compunham o conjunto edificado do Serro de Santo Aleixo; 1757 - efectivação da classificação dos vinhos da região demarcada do Douro segundo categorias, da qual consta que, no termo da freguesia de Barcos, e de uma forma genérica, os vinhos aí produzidos terão ficado classificados como vinhos de 10$500 reis, para se venderem "a preço de vintém", sem no entanto se descriminar quais os terrenos *1; 1758, 7 Novembro - tombo e verificação das primeiras demarcações, com referência a terrenos e proprietários; no que concerne à actual área de Tabuaço, e relativamente ao vinho valorado a 19$200 reis a pipa, ficaram incluídos terrenos da freguesia de Tabuaço (Rio Bom, Vinagre, Oliveirinha do Simão, sítio do Carrasqueiro, Bairral, Pandas, Serro de Santo Aleixo até à ponte *2; 1758, 18 Novembro - demarcou-se para a mesma sorte e preço de 10$500 reis, os sítios de Cascalheira, Paços, "Mãotravêsso" (onde se insere actualmente a Quinta do Monte Travesso), Villa Chã, Enxertim e Paradela, bem como todo o vinho produzido no lugar de Santo Aleixo *3; 1788, 6 Setembro - Por despacho desta data da rainha D. Maria I, procede-se à aprovação das Demarcações Subsidiárias ou Marianas, passando o Serro de Santo Aleixo a zona de vinhos de feitoria, e a Chavelha a zona de vinhos demarcados para o preço de 15$000 *4; 1829 - provável época de grandes reformulações arquitectónicas nos edifícios da Quinta do Serro, ou pelo menos na Casa principal, conforme inscrição no lintel do pórtico principal daquela; séc. 19, meados - segundo a tradição oral, Francisco Correia Cardoso Monteiro e Santos, funcionário e procurador de D. Antónia Adelaide Ferreira, a "Ferreirinha", e que futuramente será proprietário dos Armazéns do Serro, terá mandado construir os armazéns e as casas da quinta do Monte Travesso, bem como a capela que se lhes adossa, em terrenos que lhe foram oferecidos pela mesma *5; 1862 / 1864 - a família Macedo Pinto, proprietária da Quinta do Serro, manda plantar mais de 50000 pés de videira, sendo 30000 de bastardo, tendo a plantação de cada milheiro custado entre 200 e 250$00 réis, e ao todo terão sido gastos mais de 12 contos de reis (LEAL, p. 514); 1882 - Pinho Leal, em artigo referente ao rio Távora, escreve que existem nas suas margens, "da ponte do Fumo até ao Douro, magníficos vinhedos, sendo os principaes - as Quintas de Rio-Bom - do Panascal - do Sêrro - e do Espinho, pertencentes á opulenta cada dos senhores Macedos Pintos, de Tabuaço", e acaba por descrever a "quinta do Sêrro, na margem esquerda do Távora", como sendo, então, "uma das vinhas mais luxuosas do Alto-Douro. Tem mais de 50:000 videiras, sendo 30:000 de bastardo. Infelizmente, está horrivelmente philoxerada; e, podendo produzir mais de 50 pipas de superlativo vinho de embarque, não produz hoje a quinta parte!" (LEAL, p. 514); 1887, 27 Novembro - Francisco Correia Cardoso Monteiro e Santos, casado, proprietário da vila do Peso da Régua, compra, através do seu procurador, Francisco Gonçalves Coelho, casado (residente na Quinta do Monte Travesso, no limite de Barcos e propriedade do primeiro), a João d'Azevedo Leitão e sua esposa, D. Maria Joana Ferreira, proprietários, da vila de Tabuaço, uma propriedade, mortório de vinha, com oliveiras, casa de lagares e armazém, e ainda outra casa, no sítio do Serro, bem como uma outra propriedade de monte com oliveiras, no sítio do "Avesseiro", então no limite de Tabuaço *6; 1888, 8 Abril - Francisco Correia arremata, através de seu procurador, a Quinta do Cuco, composta por terra que foi vinha, com pinhal e uma "pequena cazota", no sítio do Serro, que pertencia a Vicente Ferreira de Macedo Pinto e outro, por força de uma execução que o Banco do Douro lhes tinha movido; 18 Junho - Francisco Correia, compra a Bento Augusto Leitão e esposa, Maria das Dores Vaz Ferreira, e a António Vaz Ferreira Soares, todos de Tabuaço, um monte no sítio do Fornêlo, e mais 3 oliveiras, que estavam numa parcela de terra que tinha sido de José Ferreira Brito; 1889, 17 Janeiro - Francisco Correia compra a Alexandre da Silva e esposa, Ana Cardoso, proprietários do lugar de Santo Aleixo, freguesia de Barcos, uma parcela de terra de monte com 23 oliveiras e outras árvores, no sítio da Sobreira; na mesma data, compra a Luís da Silva Barradas e esposa, D. Joaquina Augusta Ribeiro, proprietário, da vila de Tabuaço, um mortório de vinha com oliveiras no sítio da Richeria e Serro, limite de Barcos; a escritura de compra e venda foi celebrada nas "casas de murada" dos compradores, em Tabuaço, na presença do tabelião; 1890, 28 Abril - João Ferreira Soares e esposa, Maria de Jesus Baptista Ferreira, proprietários, de Tabuaço, vendem a Francisco Correia Cardoso Monteiro e Santos, uma parcela de terra, mortório, com pinhal, no sítio do Serro ou Monte Travesso; 1891, 30 Novembro - João Augusto da Fonseca, solteiro e proprietário do lugar de Santo Aleixo, freguesia de Barcos, vende a Francisco Correia Cardoso Monteiro e Santos, um monte que foi vinha no sítio da "Soitidade"; 1893, 1 de Fevereiro - Francisco Correia compra a António Ferreira Osório e esposa, Maria da Natividade, proprietários, de Tabuaço, uma terra com oliveiras no sítio da "Bicha da Cova", junto ao Serro; 1896 - o Visconde de Vilarinho de São Romão refere a quinta do Monte Travesso *7; séc. 19 / 20 - segundo tradição oral, Francisco Correia oferece a Quinta do Monte Travesso, incluídos os prédios rústicos e urbanos do Serro, a uma filha sua por ocasião do seu casamento com Joaquim Soares Santos; 1900, 21 Março - Luís da Silva Barradas e esposa, Joaquina Augusta Ribeiro, vendem a Francisco Correia uma casa sem telhado no sítio do Serro; 1920, 25 Outubro - Joaquim Soares Santos, casado, proprietário, residente em Tabuaço, compra a Anacleto Lopes, viúvo, proprietário, do lugar de Santo Aleixo da freguesia de Barcos, um prédio urbano em ruínas no sítio do Serro, que parte de todos os lados com o comprador, e outro prédio urbano, também em ruínas, no mesmo sítio, que parte do nascente, poente e Sul com herdeiros da casa Ferreirinha, e Norte com o caminho público; 1921, 18 Janeiro - Joaquim Soares Santos, compra a Manuel Bernardo da Costa, solteiro, proprietário, de Barcos, uma propriedade denominada Quinta do Ramiro ou Monte Travesso, que confronta do nascente com herdeiros de Francisco Correia; 1937, 8 Dezembro - a Secção de Finanças de Tabuaço passa certidão por motivo do requerimento assinado por Joaquim Soares Santos, dirigido ao Chefe da Secção de Finanças, no sentido de averiguar quais os encargos que pesam sobre a Quinta do Monte Travesso, a Pereira, o Cuco, o Serro e a Chavelha, que lhe pertencem, e a sua esposa Sarah Guichard Soares Santos; 1937, 21 Dezembro - Joaquim Soares Santos e esposa, D. Sara Guichard Soares Santos, proprietários, residentes na Quinta do Monte Travesso, Barcos, celebram uma escritura de hipoteca com Rogério Vieira Alvares Montes, empregado bancário, do Porto, no valor de 100.000$00 e recaída sobre várias propriedades, entre as quais a denominada "Serro", "Cuco" e "Chavelha", descrita como sendo composta por "terra de Olival, terra de mato e armazém / com vários lagares de cantaria"; 1939, 2 Agosto - Artur de Magalhães Pinto Ribeiro compra a Quinta do Monte Travesso, comportando os prédios mistos e do Serro, Cuco e Chavelha, por compra que fez a Joaquim Soares Santos e esposa, D. Sara Guichard Soares Santos, proprietários, residentes no Porto, pela quantia de 180.000$00; séc. 20, meados - A propriedade do Serro, onde se implantam os denominados Armazéns do Monte Travesso, pertença da família Nápoles de Carvalho, continua a ser explorada com vinha; 1960 - Alcino Cordeiro descreve a Quinta do Monte Travesso, referindo um armazém com vasilhame (tonéis) na capacidade de 90 pipas, o qual será o do Serro, normalmente referenciado como Armazém da Quinta do Monte Travesso (CORDEIRO, p. 107; 1965 / 1970 - os denominados Armazéns da Quinta do Monte Travesso, com uma capacidade de armazenagem de 120 a 150 pipas de vinho, deixam nesta época de funcionar, passando apenas a albergar alfaias agrícolas; numa das divisões do edifício residiu até esta época um trabalhador da quinta, com a função de Guarda dos Armazéns, das vinhas e das diversas matas que se estendiam até aos sítios do Cuco e da Chavelha; 1970, década de - Jeremias de Macedo adquire a Quinta do Serro; 1970 / 1973 - as vinhas do terreno onde se implantam os Armazéns do Monte Travesso são abandonadas, transferindo-se toda a actividade vitivinícola para a quinta do Monte Travesso; 1980, início da década - abertura de um novo caminho público de acesso ao Serro de Santo Aleixo, desde a EN 323, dividindo parcialmente a propriedade do Serro onde se implantam os Armazéns, motivado pelo facto de o caminho público antigo ser muito íngreme e estreito; uma das casas arruinadas, situadas no centro do conjunto arquitectónico do Serro, é demolida para facilitar o alargamento do cruzamento dos diversos caminhos públicos; 1990, início da década - reconversão das vinhas da Quinta do Serro, que entretanto passou aos herdeiros de Jeremias de Macedo, em taludes de terra, apenas deixando intocados os patamares artificiais onde se implantam os edifícios da quinta e seu terreiro; 1997, 25 Novembro - a propriedade mista do Serro, Cuco e Chavelha, por doação de D. Margarida do Carmo de Magalhães Pimentel Pinto Ribeiro de Carvalho, são inscritas a favor de seu filho José Emanuel Pinto Ribeiro Nápoles de Carvalho e António Pedro Pinto Ribeiro Nápoles de Carvalho; 1998, 25 Março - registo da aquisição de metade das propriedades, por compra, a favor de José Emanuel Pinto Ribeiro Nápoles de Carvalho; a parte principal da Quinta do Monte Travesso ficou a ser propriedade daquele, bem como a parte relativa ao Serro, onde se situam os denominados Armazéns do Monte Travesso, ficando a ser propriedade de seu irmão metade da parte agrícola e vitivinícola e alguns edifícios anexos da Quinta do Monte Travesso (incluindo parte referente à quinta do Ramiro), que foram para o efeito desanexados, bem como as propriedades do Cuco e da Chavelha, que também foram desanexadas; 2003 / 2004 - desmatação do terreiro da Quinta do Serro, com corte dos exemplares arbóreos que o envolviam; demolição de um dos muros do terreiro e início das obras de consolidação estrutural da antiga Casa principal, através do desmonte do seu aparelho; 2004, Julho - entrada, nos serviços da Câmara Municipal de Tabuaço, de um pedido de Informação Prévia, com vista à realização de obras de recuperação, reconstrução e ampliação dos imóveis do Serro que são pertença da família Nápoles de Carvalho, com recuperação dos socalcos pré e pós-filoxéricos, ainda existentes e actualmente simples mortórios e matas, para novas vinhas e sua inclusão numa estrutura hoteleira, a ser construída de raiz, aproveitando todas as potencialidades turísticas, culturais e paisagísticas do local; 2004, Setembro de - proposta de classificação como Conjunto de Interesse Municipal de todo o edificado do Serro de Santo Aleixo que se localize em nível superior à cota de 300 m de Altitude.

Dados Técnicos

Paisagem: terraceamento da área agrícola através de muros de granito e xisto e de taludes de terra; Núcleo construído: estrutura autoportante.

Materiais

Paisagem - inertes: xisto e granito aparelhado e taludes de terra; vivos: vinha, árvores de fruto, oliveira, sobreiro, cedro, azinheira, etc., vegetação arbórea-arbustiva (cornalheira, urze, esteva, zimbro, etc.). Núcleos construídos: granito e xisto aparelhado; rebocos interiores e exteriores de barro, tinta e cal; coberturas de telha portuguesa de barro, sobre armação de asnas de madeira, caixilharias de madeira pintada; ferro fundido e forjado nas ferragens; vidro.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMTabuaço

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMT

Documentação Administrativa

DGA/TT: Memória paroquial de Barcos, in Diccionario Geographico, vol. 6, n.º 36, págs. 295 a 298, 1758; CMTabuaço: Divisão de obras; Arquivo do Registo Predial; IVP: Arquivo Cadastral; IPPAR: Direcção Regional do Norte; IFADAP: VITIS; Proprietário

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

*1 - foram classificados como terrenos que produzem vinho bom de ramo, com o preço de 19$200 reis, "para se vender a trinta reis ao ramo, e se embarca para o Brazil, e Lisboa quando houver falta de vinho fino", "Entre os Rios Baroza, e Tedo, os Sitios de Folgoza, Marmelal, e Granja do Tedo. Entre os Rios Tedo e Távora, e Adorigo a Quinta particular do Deaõ do Porto, e Tabuaço. Entre os Rios Távora, e Torto, o sitio de Valença"; Como vinhos de 10$500 reis, "para se vender apreço de vintem", ficaram classificados os seguintes terrenos: "Em Figueira quazi tudo. Em Parada o que não for de Feitoria. Em Villa Seca de Coura, e Folgosa, o que não for de primeira sorte de Ramo. O mesmo pelo que toca a Marmelal, e à Granja do Tedo. Em Santo Adrião, Goujoim, e Santa Leocadia, quasi tudo. Em Barcos, e Távora o mesmo. Em Taboaço o que não for de primeira sorte de Ramo. Em Valença o mesmo. No Castanheiro, Sarzedinho, Cazaes, Roriz, Ervedoza, Soutello, Nagozello, São Martinho, São João da Pesqueira, somente o que for dos melhores sítios…" (FONSECA, pp. 61-64). *2 - relativamente ao sítio de Santo Aleixo transcreve-se a respectiva demarcação: "Principia a demarc.am deste terreno pª o preço de 19$200 no ribr.º de Riobom [Segundo Moreira da Fonseca, em 1950, trata-se do Ribeiro do Rio Bom, afluente da margem esquerda do Távora, o qual desce de Tabuaço e ao sul do lugar donde sai o ramal de estrada para a mesma Vila], na altura da Quebrada q. tem o Serro chamado do Vinagre [Encostas da margem esquerda do Rio Bom, abaixo da estrada nacional], o qual está no meyo do monte q. fica supperior ao dº rio, e vindo em direytura ao dº Serro. Dahi corta ao sitio chamado da Oliveirynha do Simão, e deste vay em direyrura ao sitio do Carrasqueyro [Encostas ao norte do Vinagre, cerca de meia distância entre o Rio Távora e a estrada nacional, pertencentes a Alberto Pina Vaz e outros], donde corta ao sitio do Bayrral [Encostas, contíguas e ao sul do Armazém do Monte Travesso, do Sr. Nápoles de Carvalho] , e estrada, ou caminho que fica por sima das Cazas, q. estão na vinha do Capp.am Mór de Taboaço André Ferreyra da Mota, ficando as m.mas Cazas comprehend.as nesta demarc.am, e se vay seguindo o dº caminho até ao sitio das Pandas [Encostas, a nascente do Armazém do Monte Travesso, cortadas pela actual estrada que do Douro vai para Tabuaço] , do qual se vay em direytura ao Serro de S.to Aleixo [Habitações sobranceiras a Santo Aleixo e onde se encontram os Armazéns do Monte Travesso] , e cazas do Capp.am Andre Soares, de Távora. Dahi se segue a estrada q. vay pª a ponte de S.to Aleixo [Passagem no rio Távora por onde seguia o caminho velho que de Santo Aleixo vinha para o rio Douro. Nesse lugar passava para a margem direita do Távora e através dos fundos das encostas do Panascal atingia o Rio Douro, no lugar do Espinho] , e rio Tavora aonde finda a demarcação de 19$200 do districto da Villa de Taboaço, a qual houveram elles Dezembargadores Concelheyros e Dep.dos por bem f.ta e acabada"; No que concerne aos vinhos de 10$500 reis, demarcou-se, em 15 de Novembro, em Tabuaço, todo o vinho produzido no "destricto desta Villa", e que não tinha sido declarado para o preço de 19$200 reis (FONSECA, pp. 148-274). *3 - Moreira da Fonseca tentou identificar os diversos sítios, "Cascalheyra", que se trata das encostas entre Barcos e Adorigo, águas vertentes para o Rio Tedo, pertencentes, em 1950, a José Amaral e outros, "Paços", que compreende as encostas a Poente da actual estrada Barcos-Adorigo, "Mãotravêsso", que inclui a Quinta do Monte Travesso, a Poente e sobranceira a Santo Aleixo, e que Moreira da Fonseca refere pertencer, em 1950, ao Sr. Nápoles de Carvalho, "Villa Chã", referente às encostas a Poente do Monte Travesso, pertencentes, em 1950, a António Pina, "Enxertim" e "Paradélla", que serão as encostas confinantes com as anteriores (FONSECA, pp. 148-274). *4 - relativamente ao vinho de feitoria: Em Tabuaço - sítio do "Carrasqueiro", "Sitio chamado Tumbio" e, depois, "correndo pela mesma estrada athe chegar á Villa de Taboaço, segue pela sua direita até chegar ao Pelourinho, e Praça pública [segundo Moreira da Fonseca, o pelourinho, que ficava na Praça Pública, encontrava-se já deslocado no final da década de 1970, existindo no entanto a Praça Pública onde todos os Domingos, de acordo com o autor, se faz mercado] da ditta Villa, e seguindo a Rua chamada da Calçada [segundo o autor, trata-se de uma rua existente na Vila de Tabuaço, onde se encontra o lugar do Terreiro] ate se meter na estrada pública que vai da mesma Villa de Taboaço contigua ás Cazas de Pedro Guedes [Solar no Lg. do Terreiro], segue a mesma estrada até ao Ribeiro dos Moinhos [do Terreiro sai o caminho público que nos conduz ao Ribeiro dos Moinhos], e seguindo a mesma vai ao Sitio chamado do Ribeiro de Val do Barco [o referido caminho segue para o Vale do Barco] e seguindo a dita estrada vai ao sitio chamado o Cabeço [o Cabeço faz parte do caminho que vem do Vale do Barco, atravessa o Cabeço e segue até Santo Aleixo] e dahi pela mesma estrada athe ao Ribeiro da Moura [segundo o autor, o Ribeiro da Moa corre entre os sítios de Vale do Barco e do Serro] e seguindo a estrada ate a quina das Cazas do Padre Mestre Geral Frei Pedro da Trindade que se achão no Sitio chamado do Serro, e seguindo o Norte por de tras das mesmas Cazas se mete na estrada pública que vem de Villa de Barcos [segundo o autor, este caminho vem da povoação de Barcos e vai para Santo Aleixo e Ponte Velha sobre o Rio Távora] contigua ás mesmas Cazas ficando estas comprehendidas e seguindo a mesma estrada até chegar ás Cazas do Cappitam Andre Soares da Fonseca, ficando estas também comprehendidas, e seguindo a estrada que vai por de traz das ditas Cazas pelo Serro chamado de Santo Aleixo até á Ponte Velha do Rio Távora…" (FONSECA, pp. 45-294). *5 - a realidade histórica não deverá andar muito longe, dado que ainda no início do séc. XX existiam terrenos limítrofes registados em nome de herdeiros de D. Antónia Adelaide Ferreira. *6 - João d'Azevedo Leitão era parente de D. Maria Preciosa de Azevedo Leitão, mãe do escritor Abel Acácio d'Almeida Botelho, nascido em Tabuaço; o facto de, até 1887, os Armazéns do Serro, entre outras propriedades, terem pertencido à família do lado materno de Abel Botelho explica, em nossa opinião, o bom conhecimento que o escritor tinha da região e do Serro, e a excelente descrição da quinta fronteira às propriedades de sua família, que utilizou no enredo do conto O Cerro, inserido na obra Mulheres da Beira; acreditamos que na sua juventude o escritor terá passado algumas temporadas neste local, provavelmente nas épocas de vindima. *7 - nesta data, os Armazéns do Serro já haviam passado a funcionar como armazéns e casa de Lagar de apoio à exploração de toda a propriedade da Quinta do Monte Travesso.

Autor e Data

Gustavo Almeida 2004

Actualização

 
 
 
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