Casa da Quinta da Fidalga / Quinta de Vale de Grou / Quinta do Salema / Quinta de Vasco da Gama

IPA.00016753
Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires
 
Casa nobre originalmente localizado noutro local da propriedade, edificado sobre antigas estruturas agrícolas. O corpo adossado da capela demonstra claramente esta utilização anterior e divergente da actual. Nesta quinta existe um lago de maré, que demonstra a aplicação de técnicas características da zona a espaços de influência estrangeira como o jardim de buxo de desenho geométrico; A zona de jardim era utilizada pelos seus proprietários e convidados para a pratica do jogo da bola ou pela, possuindo para esse fim de uma estrutura apropriada que, apesar de alterada, ainda está marcada no jardim, e em encontros de lazer de famílias abastadas. A peça em baixo relevo que remata a porta da capela apresenta um desenho renascentista de boa qualidade porém é um elemento recente, importado da Casa Nascimento Miranda (Sandomil) em Setúbal. Edifício privilegiando os elementos em pedra como são exemplo os bancos e o portal principal.
Número IPA Antigo: PT031510030019
 
Registo visualizado 95 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Edifício de planta rectangular com volumetria de sentido horizontal, sem coincidência exterior/interior, composto por três corpos: um principal e dois laterais, mais estreitos e baixos. Coberturas diferenciadas em telhado de duas águas na capela e solar, este último com 8 águas-furtadas com telhados de três águas, e de três águas na varanda panorâmica. O edifício não apresenta uma uniformidade de linhas e de estilo plena dada a divergência do corpo lateral correspondente à capela. CORPO PRINCIPAL: constituído por dois pisos, separados por cornija, mais sótão: fachada principal virada a S. constituída por um pano central e dois laterais simétricos marcados por embasamento proeminente e pilastras. Pano central rasgado no primeiro piso por porta com verga em arco deprimido ladeada por pilastras suportando entablamento liso, tudo em pedra; segundo piso aberto por porta de verga recta de acesso a varandim com guarda, ladeada por pilastras de cor amarela, remate com cornija encimada por frontão triangular; panos laterais: primeiro piso aberto ao centro por porta de duas folhas, de verga recta, com bandeira e portadas, ladeada por duas janelas, com as mesmas características que a porta, sobre dois bancos assentes em mísulas; segundo piso: aberto por duas janelas, semelhantes às anteriores, mais uma de sacada, remate com cornija e beiral saliente apresentando-se o telhado, ao nível das duas janelas anteriores, aberto por duas águas-furtadas com janelas quadrangulares de guilhotina e verga recta rematadas por cornija e beiral saliente. Fachada lateral virada a E.: adossada, na sua maioria, ao corpo da igreja é constituída por um pano rasgado no primeiro piso por um arco de volta perfeita de acesso a porta e janela; segundo piso aberto por uma janela e empena rasgada por três janelas, semelhantes às das águas-furtadas. Fachada lateral virada a O. adossada à direita no primeiro piso pelo corpo da varanda panorâmica e rasgada no segundo piso por duas janelas com bandeira e uma janela geminada, ambas rectangulares e de verga recta, no sótão fachada aberta por três janelas de guilhotina quadrangulares; remate em empena aberta por três janelas quadrangulares de verga recta de guilhotina encimadas por beiral saliente, telhado rasgado à esquerda por chaminé. Fachada posterior: de um pano rasgada ritmicamente por janelas, semelhantes às da fachada principal, e portas com portadas; primeiro piso: aberto por arco na sua extrema esquerda, igual ao anterior, e rasgado por 7 vãos: 3 janelas de guilhotina, 2 janelos e 2 portas, uma das quais aberta ao centro a um nível intermédio mais elevado com acesso por lance de escadas com guarda em cantaria; segundo piso rasgado por 7 janelas, mais uma janela quadrangular que encima a porta anteriormente descrita, remate semelhante à fachada principal à excepção das águas-furtadas, neste caso, cada uma com duas janelas, apresentando a água-furtada mais a O. uma janela lateral simples. CORPO LATERAL a E.: correspondendo à capela este corpo não respeita a continuidade de linhas do corpo principal; fachada principal virada a S.: aberta no primeiro registo por porta com moldura de faixa, de verga recta, encimada por pedra de armas e peça em baixo relevo, suportada por mísulas, porta ladeada à direita por laje inscrita e duas janelas rectangulares gradeadas com verga recta; segundo registo rasgado por 3 janelas quadrangulares, com as mesmas características que as anteriores, remate em cornija e beiral; fachada lateral: rasgada no primeiro registo por duas janelas quadrangulares, de verga recta, com portadas e no segundo registo por janela rectangular de verga recta, remate em empena encimada ao centro por cruz e à esquerda por sineira, tudo em pedra; fachada posterior de um registo rasgada na extremidade direita por janela quadrangular e porta e rematada por beiral. CORPO LATERAL A O.: tal como o corpo central é marcado por embasamento proeminente e pilastras, com cornija divisória dos pisos e com remates com cornija e beiral saliente; fachada principal virada a S. aberta no primeiro piso por portão de quatro folhas, de verga recta com bandeira e portadas, encimado no segundo piso por varanda aberta com guarda vazado em ferro com duas colunas lisas adossadas nos cunhais; fachada lateral: primeiro piso rasgado por duas janelas quadrangulares em guilhotina encimadas por varanda, demonstrado continuidade, introduzindo apenas uma coluna lisa ao centro; fachada posterior: no primeiro piso rasgado por uma janela rectangular e duas quadrangulares todas de guilhotina; segundo piso com varanda aberta com guarda pleno em alvenaria.

Acessos

Avenida da República (E.N. 378); Rua Dr. Aristides Sousa Mendes

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Edifício inserido no espaço urbano entre o Seixal e a Arrentela. Situado num vale da zona ribeirinha, de um braço do Tejo, com declive moderado visível no edifício. Inserido no limite O. da propriedade da Quinta da Fidalga (v.PT031510030015) *2, originalmente limitada por praia sujeita ao regime de marés, onde se localiza, ainda hoje, o estaleiro denominado "da Fidalga" *3. Esta ligação foi cortada pela construção da Estrada Nacional n.º 378 / Av. da República, actual estrada de acesso principal à quinta. O edifício é, actualmente, separado desta via por um muro que acompanha todo o limite da propriedade paralelo à via. A fachada principal está virada para S. e aberta para um pátio *4 fechado por muro com acessos à zona envolvente do edifício constituída a S. por jardim do século XVI - XVII com uma área de buxo de estrutura geométrica de influência italiana e pomar divididas por alamedas e estruturas com embrechados (fontes, zonas de repouso...) destacando-se o lago de maré; a E. por construções de apoio ás actividades rurais e a N. por zona de cultivo. Possui uma Capela consagrada a Nossa Senhora do Escapulário do Carmo *5 no extremo E. da fachada principal. O acesso é feito por portão com pilastras encimado por platibanda e frontão triangular com pedra de armas, rematado por dois pináculos esféricos nas pontas e um piramidal no topo, inserido num pano limitado por pilastras e platibanda em cantaria rematado nas pontas por pináculos piramidais e rasgado por portão, já referido, ladeado por duas janelas gradeadas de verga recta e moldura plana em cantaria. Esta localização geográfica terá contribuído muito para o estabelecimento de famílias ligadas à vida marítima.

Descrição Complementar

INSCRIÇÂO: localizada à direita da porta da igreja encontramos uma laje com a seguinte inscrição: ESTA CAPELA FOI BENZIDA NO DIA / 22 DE OUTUBRO DE 1950 / POR SUA EMINENCIA / O CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA / D. MANUEL GONÇALVES CEREJEIRA / 22-10-1957; PEDRA DE ARMAS: encimando a entrada da capela o brasão do título Sandomil; junto à capela existe, ainda, um brasão ostentando as armas plenas dos Nogueira: de ouro, uma banda xadrezada de cinco tiras de verde e prata, a do meio coberta por um filete de vermelho, timbre com dois ramos de nogueira passados em aspa e frutados de sua cor; encimando o portão principal encontra-se a pedra de armas dos Gamas com o característico gamo e escudo português enxaquetado por três peças em faixa e cinco em pala, neste xadrez de quinze peças 8 são lisas e 7 listadas por cinco barras envolvendo o escudo e com origem no elmo pode ser visto um paquife formado por dois ramos onde sobressaem folhas vegetais.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Cultural e recreativa

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 (conjectural) / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Raúl Lino (séc. 20).

Cronologia

1567 - casamento de Fernão Gomes Gama com D. Maria de Almada e segundo o qual a quinta terá entrado para a família Gama; séc. 17 - Sebastião da Gama Lobo, fidalgo e escrivão de fazenda da Casa de D. Pedro I, terá estabelecido o vínculo da quinta ao morgadio da família Gama Lobo; 1755, 1 de Novembro - parte dos elementos construídos da quinta terão sido, senão destruídos, danificados; séc. 18, inícios - descrição da quinta pelo padre Luís Cardoso no seu Dicionário Geográfico de Portugal; Séc. 20 - azulejos originais do pátio são vendidos aos proprietários, da época, da Quinta da Trindade; séc. 20 (Estado Novo) - diversas visitas de António Oliveira Salazar a esta propriedade a convite dos seus proprietários, na época a família Reis; 1952 - encomenda a Raúl Lino, por parte dos proprietários da época, de um novo projecto para a casa e capela e a remodelação de partes do jardim; 1995, 11 janeiro - aprovação da classificação do imóvel por deliberação da Câmara Municipal do Seixal; 1997 - adquirida pela Câmara Municipal do Seixal; 2001, Setembro - espaço ajardinado é aberto ao público; 2021, 14 outubro - publicação da abertura do procedimento de classificação da Quinta da Fidalga como Imóvel de Interesse Municipal, em Anúncio n.º 233/2021, DR, 2.ª série, n.º 200.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria rebocada e pintada de cor branca (paredes), cantaria (molduras das fenestrações, bancos, lance e guarda de escadas, pilastras e embasamento (pintados de cor amarela), colunas, friso, pedras de armas, cruz e sineira) ferro, madeira (portas, janelas e portadas), vidro e telha cerâmica.

Bibliografia

Quinta da Fidalga, Expresso Imobiliário, 27 de Abril 2002; C.M.S., Boletim Municipal n.º 337, 22 de Fevereiro 2002; Castel Branco, Cristina, O lugar e o significado - os jardins dos Vice-reis, Lisboa, 1992

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietários: 1952 - Restauro da fonte ao fundo da alameda dos plátanos e das casa de fresco (com cimento armado), remodelação do espaço originalmente construído para a prática do Jogo da Bola ou Pela, integração da Capela de Nossa Senhora do Escapulário do Carmo e reconstrução do palacete ignorando a sua localização original; C.M.S.: final séc.XX - restauro geral do exterior e de alguns espaços do interior.

Observações

*1 - É possível que tenha pertencido a Vasco da Gama e a Estevão Gama e até um dos locais de construção de caravelas para as Viagens para a Índia; Dic. Geográfico do Padre Luís Cardoso de início de setecentos descrevia a quinta: "toda muralhada pela praia, ficando as casas, e pátio, com um formoso tanque na ilharga dele, no meio dos muros acompanhados de 2 formosos pomares, um da parte do Norte de laranja, e algum de limão, com seu poço de nora; e o da parte do Sul primorosamente repartido com ruas mui asseadas, cobertas por cima, e outras acompanhadas pelas ilhargas de parreiras postas em latada, e outras cobertas de árvores silvestres, com quarteiros de laranjeiras por uma das partes, e por outras de limoeiros com outra diversidade de frutos, com 3 fontes de embrechados, a que vem a água de 2 poços de nora. Tem mais no dito pomar um grande tanque, ou viveiro de água salgada com peixe, em que entra, e sai água do mar com a maré por um esteiro com ralos de bronze, ficando-lhe o bom de três palmos de água de pois de maré vazia, sendo todo redondo de cantaria, e grades de ferro com largura em quadro de quase tiro de espingarda; e o de que mais consta esta quinta são vinhais e pinhal"; *2 O edifício original e principal da quinta localizava-se mais para SE., em relação ao actual tendo uma relação diferente, e mais comum, com o jardim; *3 Este estaleiro, tal como outros da zona, terá servido para a construção de algumas das embarcações incorporadas nas viagens marítimas quinhentistas portuguesas, favorecidos pela sua localização geográfica e características locais - existência de matérias-primas e mão-de-obra, porto de abrigo e ligações, desde os primórdios, à vida marítima; *4 pátio antigamente ladeado por casas, lagar, celeiro, vacaria e abegoaria e forrado por azulejos, comprados no séc. 20 pelos proprietários, da época, da Quinta da Trindade; *5 Substituindo uma capela mais antiga; Possível projecto de instalação do Conservatório Metropolitano do Seixal e do Museu - Oficina de Artes Manuel Cargaleiro; Jardim e diversas zonas de lazer abertas ao público de 3ª feira a domingo, das 11 às 19 horas (de Junho a Setembro) ou das 11 às 17.30 horas (de Outubro a Maio).

Autor e Data

Cecília Matias e Pedro Tavares 2003

Actualização

 
 
 
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