Centro Hospitalar do Alto Minho / Hospital de Santa Luzia / Hospital Distrital de Viana do Castelo

IPA.00016745
Portugal, Viana do Castelo, Viana do Castelo, União das freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela
 
Arquitectura civil hospitalar da década de 70 do século 20, enquadrada na orientação discursiva do "brutalismo" inglês. A estruturação da planta do edifício tomou como base a reprodução de um módulo de construção e unidade de espaço, ordenador do edifício no seu conjunto. Este módulo, definido por uma malha quadrangular [7.85x7.85m], foi determinado a partir do estudo das unidades de internamento, permitindo: conciliar as necessidades de economia do espaço com uma conveniente compartimentação; uniformizar os elementos construtivos; adoptar uma eficiente programação e coordenação dos projectos das especialidades e trabalhos de execução construtiva; recorrer aos sistemas de pré-fabricação e estandardização. Nos pisos inferiores este módulo foi aumentado para o dobro, de forma a tirar partido do piso técnico para estabelecer a transição dos elementos estruturais. Os vãos exteriores correspondem a ¼ deste módulo base de construção, medindo 3.85 m de largura. Cada secção de Internamento foi dividida em Serviços que, por sua vez, se subdividiram em Unidades Clínicas. Uma Unidade Clínica correspondia a um número específico de camas, entre 30 a 45, assistidas por um Posto de Enfermagem e dotadas de espaços de apoio complementares. Esta estrutura de funcionamento, associada à necessidade de orientar os quartos a sul, determinaram uma organização linear em extensão, o que implicou a criação de um núcleo central, constituído pelo Posto de Enfermagem, Sala de Trabalho e Espaços de Apoio (despejos, rouparia, etc.), localizando-se, em cada extremo, as áreas de Refeitórios e Salas de estar dos pacientes. O dimensionamento dos quartos foi pensado de modo a permitir contemplar duas camas de doente, ou uma cama e um sofá-cama para acompanhante. A cada Serviço corresponde, ainda, uma Unidade Central que integra gabinetes médicos, dotada de acesso independente pelo exterior. Na organização do programa e na estruturação do esquema funcional da área de Consulta, Diagnóstico e Tratamento o autor procurou assegurar as relações mais convenientes entre as unidades de espaço e garantir a separação eficaz entre as zonas afectas aos serviços internos, ao público, aos pacientes internos e aos pacientes externos. No Bloco Operatório e Cuidados Intensivos, zonas que requerem maiores cuidados de assepsia e de isolamento, foram criados acessos e circuitos de circulação autónomos, nos quais a entrada dos enfermeiros e médicos à zona esterilizada é realizada mediante o atravessamento de zonas de filtragem. A execução do projecto do hospital implicou um estudo aprofundado do programa funcional, visível nos numerosos esquemas gráficos e organogramas executados pelo autor da proposta, nos quais foram considerados: a articulação de cada área funcional; o movimento do pessoal interno; o movimento e distribuição da roupa; o movimento e distribuição dos processos clínicos e administrativos [ver RCR: PT43/165]. Referido projecto assentou ainda na experiência do autor encetada no projecto em 1955 para o Hospital Regional de Beja [PT040205130072], cujas unidades de internamento obedecem à mesma organização programática e espacial. A solução equacionada por Chorão Ramalho para o complexo hospitalar tomou como princípios estruturadores os condicionalismos de ordem urbana e paisagística, e a proximidade ao Templo de Santa Luzia. Na Memória Descritiva que acompanha o ante-projecto, o autor sublinha a preocupação em "atenuar [...] o seu impacto na paisagem, procurando dominar a sua composição volumétrica e tratamento de superfícies [...] A partir daí porém julgamos preferível libertarmo-nos de compromissos de expressão arquitectónica, ou de mimetismos em relação a uma arquitectura preexistente, para antes exprimir singela e coerentemente a organização do edifício e as técnicas empregadas na obra a realizar na época presente. Tal como noutras épocas aconteceu, em que a arquitectura militar, religiosa ou senhorial dominaram o burgo pela sua escala e presença [...] poderemos agora admitir que a obra social ou de interesse colectivo, como é o caso de um Hospital, tome idêntica posição" [RCR: PT44/165, Parecer do CSOP, 20 Abr. 1972]. Para além das determinantes já mencionadas, a proposta foi estruturada de acordo com a organização funcional e programa proposto, destinado a uma lotação de 327 camas (tipo V). Referido programa enquadrava-se no conjunto de 8 programas-tipo elaborados pelos Ministérios das Obras Públicas e da Saúde e Assistência, contemplando lotações que iam desde 120 a 530 camas, distribuídas em função do número de utentes por Distrito *3. Entre os objectivos enunciados na concepção do edifício eram sublinhados: a) a concentração das entradas num hall central, a partir do qual irradiam todos os acessos dos doentes, público e de alguns funcionários; b) distinção nítida entre áreas de circulação afectas a doentes, serviços e público exterior; c) reunir no piso de entrada todos os serviços que devem ser mais directamente acessíveis ao doente ou ao público; d) instalação, no piso de entrada, dos serviços de apoio à Consulta Externa e Urgência; e) assegurar e facilitar o acesso entre a Admissão e o Internamento, e destes com o movimento do pessoal; f) criação de um piso técnico, sob a zona de Internamento, para instalação de equipamentos, serviços industriais e de abastecimento. O autor recorreu à aplicação de materiais estandardizados e pré-fabricados, que, para além de assumirem uma identidade de carácter formal, permitiram: criar uma solução modular e uniformizada, com consequências directas ao nível da economia, racionalização e velocidade de execução da obra; e facilitar a planificação e coordenação dos projectos de especialidades. Aquando da sua edificação, o Hospital comportava os seguintes serviços e instalações: INTERNAMENTO - dividido em unidades, com uma lotação média de 34 camas [3 e 1 cama por quarto], dispondo de serviços necessários à autonomia de cada especialização (Medicina, Cirurgia, Ortopedia, Cuidados intensivos, Obstetrícia, Ginecologia, Pediatria, Infecto-contagiosos, Urgência); SERVIÇOS DE APOIO-DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICA - consulta externa e de urgência, Bloco operatório, Unidade de cuidados intensivos, Bloco de partos, Radiologia, Laboratórios, Fisioterapia, Farmácia, Central de esterilização, Psiquiatria; SERVIÇOS GERAIS - Cozinha, Lavandaria, Incineração, Central Térmica, Central de ar condicionado [bloco operatório e de cuidados intensivos], Central de emergência, Central de gases, Central de desinfecção; Oficinas, Garagem; DIRECÇÃO E SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS; SERVIÇO SOCIAL; SERVIÇOS DE APOIO INTERNO - Restaurante, Bar, Salas de espera, Vestiários e balneário; SERVIÇO CULTURAL - Biblioteca e Sala de Conferências; SERVIÇO RELIGIOSO - Capela com acesso interno e pelo exterior.
Número IPA Antigo: PT011609310232
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Saúde  Hospital    

Descrição

O complexo hospitalar é formado por volumes de configuração paralelepipédica justapostos, distribuídos paralela e perpendicularmente entre si, em função das prescrições programáticas. O acesso principal ao edifício é realizado mediante um hall de entrada, situado ao nível do piso térreo, a partir do qual se distribui toda a circulação de utentes e funcionários. No piso de entrada desenvolvem-se os serviços de pessoal e todos aqueles que exigem um contacto directo com o público, a saber: Consulta Externa, Serviço de Urgência, Radiologia, Laboratórios, Serviços Administrativos, Farmácia e Serviços Técnicos. Ainda ao nível do pavimento de entrada situa-se a Capela, volumétricamente individualizada no conjunto das construções, dotada de acesso autónomo pelo exterior e de um acesso interior destinado aos utentes internados ou aos funcionários. As unidades de internamento distribuem-se verticalmente em 6 pisos, destinando-se o último ao tratamento de infectocontagiosos.

Acessos

Estrada de Santa Luzia

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Peri-urbano. Desenvolve-se no sopé da encosta do Monte de Santa Luzia, na periferia do aglomerado urbano, numa zona de transição para a mancha verde em direcção ao Santuário de Santa Luzia (v. PT011609050117). Implanta-se numa parcela de terreno de proporções alongadas, que acompanha a linearidade do Rio Lima no sentido E.-O., com um declive acentuado no sentido N.-S.. A massa volumétrica do complexo hospitalar alterou a silhueta da cidade, quer pela escala e dimensão do edifício, quer pelas suas características formais, quer ainda pela posição sobranceira, evidenciando-se acima da mancha de casario que se espraia ao longo do Rio.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Saúde: hospital

Utilização Actual

Saúde: hospital

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Saúde

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Raul Chorão Ramalho; Leonel Clérigo [colaborador]. ENGENHEIROS: Herculano Chorão de Carvalho; Gastão Ricou; José J. Simões de Mendonça (estruturas). ARTES PLÁSTICAS: João Aquino C. Antunes [execução dos vitrais da capela-1981]; escultor Gustavo Bastos [escultura adossada à fachada principal]; escultor José Rodrigues [escultura integrada no pátio do piso 0]; pintor Júlio Resende [composição em mosaico e betão colorido]; Guilherme Camarinha. CONSTRUÇÃO: Firma Fundações Franki Lda [estudo geotécnico do terreno]; Sociedade de Construções Amadeo Gaudêncio SARL [2ª fase da obra].

Cronologia

1949 - a Comissão das Construções Hospitalares *1 adquire uma parcela de terreno com uma área de 29.600 m², situada a norte da Estação do Caminho-de-ferro, na vertente do Monte de Santa Luzia. A CCH manifesta a intenção de manter um pavilhão existente no terreno, construído para funcionar como Enfermaria Abrigo e entretanto convertido a Maternidade; 1960 / 1972 - projecto do hospital por Alfredo Evangelista Viana de Lima; 1969, 21 janeiro - o Conselho Superior das Obras Públicas pronunciou-se, de forma favorável, sobre o anteprojecto do hospital, considerando-o em condições de merecer aprovação superior para prossecução dos estudos; a falta de cumprimento dos prazos, por parte do projectista, conduziu à rescisão do contrato celebrado; 1956, março - o Subsecretário de Estado da Assistência Social considerava da maior urgência a elaboração de um estudo para o hospital regional para Viana do Castelo; 1969, 29 janeiro - na sessão parlamentar nº 169 é levantada a questão da carência de hospitais regionais no país, na qual se incluía o caso de Viana do Castelo, em cujas instalações impróprias "se regista[vam] as mais clamorosas insuficiências de ordem sanitária e assistencial incapaz[es] de permitir fazer dele um centro de assistência policlínica e de acção social". Para além desta questão os serviços hospitalares estavam disseminados por três edifícios - o velho hospital, o pavilhão cirúrgico e a enfermaria-abrigo -, comportando em conjunto uma lotação de 150 camas, insuficiente face às novas especificações fixadas na Lei n.º 2011, que estabelecia uma lotação mínima de 282 camas; 1970, Janeiro - início dos estudos elaborados por Raul Chorão Ramalho; 1972 - aquisição de nova parcela de terreno, com uma área de 23.327m², para maior desafogo das instalações; 1972, 14 março - deu entrada na secretaria do CSOP o anteprojecto do edifício (processo nº 3849); 1972, 20 abril - parecer emitido pelo CSOP aprovando a solução proposta. As sessões de trabalho desta Comissão integraram delegados da Direcção-Geral das Construções Hospitalares e da DGEMN; 1972, maio - elaboração do projecto de execução, que se estendeu até Dezembro de 1973; 1974, janeiro - conclusão do projecto de execução; 1976, fevereiro - início da construção; 1974, Jun. - projecto de arruamentos e arranjos exteriores, delineado pelo engº Adolfo Borges Ferreira; 1976, 20 outubro - parecer elaborado por Chorão Ramalho, sobre a "Viabilidade de aumento de lotação do Hospital Distrital de Viana do Castelo" [RCR: PT71/199]; referido parecer foi solicitado pela Direcção Geral das Construções Hospitalares, após o Grupo de Programação dos Hospitais ter procedido à revisão do programa e o Instituto de Assistência Psiquiátrica ter avançado com a proposta de instalação de Serviços de Saúde Mental *2. As alterações solicitadas implicavam um aumento significativo da capacidade de internamento do hospital, totalizando uma lotação de 537 camas, a introdução de mais um Bloco Operatório Central e uma Central de Camas, sem colidir com o ritmo dos trabalhos já em curso. O autor equacionou 6 hipóteses distintas: A) construção em andares sobre os corpos de internamento; B) construção de novos pavilhões independentes, implantados num terreno livre, situado a N.; C) construção, no terreno a N., de um bloco ou vários ligados à construção original mediante passadiços; D) aproveitamento do antigo pavilhão da Enfermaria-Abrigo para instalar uma ou duas unidades de internamento e a construção de um novo bloco no terreno a N.; E) Construção de um novo bloco de internamento no local onde estava implantada a Enfermaria-Abrigo, autonomizando no terreno a N. o Pavilhão da Psiquiatria; F) Implantação de um novo bloco de internamento no local da Enfermaria-Abrigo e construção das instalações de Internamento Psiquiátrico junto ao Dispensário de Higiene Mental e Hospital de Dia. O parecer é acompanhado de uma descrição pormenorizada de cada uma das soluções propostas, ilustrada com pequenos apontamentos gráficos, executados à mão levantada [ver RCR: PT71/199]; 1977, 9 maio - celebração de contrato [nº 101/77] com Chorão Ramalho para a elaboração do programa base, estudo prévio, ante-projecto e projecto de execução da expansão do edifício hospitalar. Recolha de elementos topográficos e discussão do programa em reuniões com a Direcção de Serviço de Projectos da DGCH; 1977, 28 Julho - reunião efectuada na DGCH, onde, após a apreciação do Serviço de Projectos (ocorrida a 19 Jul.), se aprovou a solução proposta de projectar um novo Bloco de Internamento, a ocupar com as unidades de Medicina e Especialidades Médicas, permanecendo, no edifício em construção, as restantes unidades; 1977, 27 dezembro - memória descritiva que acompanha o estudo prévio do projecto de ampliação, aprovado pelo Secretário de Estado das Obras Públicas, por despacho de 24 Fevereiro 1978; 1978, 31 outubro - celebração de contrato adicional [nº 494/78] ao contrato nº 101/77, no qual os estudos são separados em duas fases distintas: a 1ª fase, relativa à remodelação do edifício já em construção, compreendeu a ampliação do Bloco Operatório, da Unidade de Cuidados Intensivos, a Esterilização Geral, a Farmácia, Garagem e Quarto de Motorista, remodelação das zonas de entrada na Cozinha e Economato, centrais de ar condicionado do Bloco Operatório e Cuidados Intensivos; a 2ª fase integrou a construção das novas unidades de internamento destinadas à Medicina e Especialidades Médicas, uma Central de Camas e Subestação Térmica de apoio; 1978, 13 novembro - Memória Descritiva do projecto de ampliação do edifício; 1978, 30 novembro - o Secretário de Estado das Obras Públicas aprovou as propostas para execução de obras de arte a integrar no edifício: uma escultura adossada à fachada principal a executar por Gustavo Bastos [pela quantia de 370.000$00]; uma escultura-fonte, integrada no pátio do piso 0, junto ao hall principal, a executar pelo escultor José Rodrigues [pela quantia de 370.000$00]; composição em mosaico e betão colorido a aplicar na parede da capela, a realizar pelo pintor Júlio Resende [pela importância de 400.000$00]; vitrais para a capela a executar pelo pintor João Aquino Antunes [pela importância de 393.800$00]. As maquetas apresentadas pelos artistas plásticos foram apreciadas por uma comissão que integrou Chorão Ramalho, o arq. António Afonso (pela Direcção das Construções Hospitalares) e o arq. Vasconcelos Esteves [pela Direcção dos Serviços de Projectos]; 1981, janeiro- estudo para um Posto da Polícia a instalar na entrada do Serviço de Urgência do Hospital, elaborado por Chorão Ramalho; 1981, fevereiro - conclusão da 1ª fase da obra; 1981, abril - início da construção da 2ª fase da obra. A 3ª fase correspondeu à construção da ala norte que comportou 4 unidades de internamento; 1981, junho - conclusão e colocação do vitral, da autoria de João Aquino Antunes, no espaço da capela; 1981, 17 novembro - despacho do Secretário de Estado das Obras Públicas aprovando as Normas elaboradas pela DGCH sobre Características Térmicas das Paredes Exteriores destinadas a edifícios hospitalares; 1984 - conclusão da obra; 2005 - despacho n.º 21/GP/05, do Presidente do IPPAR, a determinar o estudo do processo para eventual classificação; 2009, 23 outubro - o processo de classificação caduca nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206, publicado nesta data.

Dados Técnicos

ESTRUTURA porticada em betão armado, com utilização de consolas na periferia a partir do 2º pavimento, comportando paredes rígidas nos núcleos de acesso vertical e elementos pré-fabricados no revestimento das fachadas constituídas: interiormente, por painéis de madeira prensada folheada a madeira natural, fixados a uma subestrutura formada por réguas de madeira; e exteriormente por painéis de betão ligeiramente armado, amarrados à estrutura por meio de fixações metálicas de aparafusar. Entre ambas as faces abre-se uma caixa-de-ar, cujo núcleo interior é preenchido com manta de lã mineral (de forma a garantir estanquicidade térmica), tendo sido projectada com dimensão suficiente para permitir a passagem das tubagens: de água quente, que alimenta as unidades de aquecimento; do sistema de arrefecimento; e das unidades de climatização. Os vãos exteriores - fechados com vidros de 5mm e suportados por caixilharia de alumínio anodizado -, são protegidos da insolação mediante: um sistema de estores constituídos por lâminas horizontais, nas fachadas voltadas aos quadrantes sul e nascente; e palas verticais em alumínio, tipo "brise-soleil", nas fachadas viradas a poente. As lajes de pavimento e cobertura são maciças em betão armado. O ISOLAMENTO TÈRMICO das coberturas é feito mediante uma camada de argila expandida, comportando caixa-de-ar ventilada, formada por caneletes de fibrocimento, sendo a IMPERMEABILIZAÇÃO das mesmas feita através de uma membrana butílica, com 1mm de espessura, sobre a qual é aplicada uma camada de cascalho fino, onde se integram os tubos para drenagem e escoamento das águas pluviais. O revestimento final dos terraços é feito com tijoleira [30x30] assente com argamassa. A PROTECÇÃO ACÚSTICA, ao nível dos pavimentos dos pisos, é garantida pela aplicação de um enchimento de betão com granulado de cortiça ou argila expandida, sobre a laje. INSTALAÇÕES MECÂNICAS: o edifício dispõe de uma Central Térmica, constituída por três geradores de vapor com uma produção média de 3000 kg/h cada.

Materiais

ALUMÍNIO ANODIZADO: caixilharia dos vãos exteriores; BETÃO: estrutura, sapatas, lajes de pavimento e coberturas, e revestimento das fachadas com aplicação de painéis pré-moldados; MADEIRA PRENSADA: face interior dos paramentos verticais; ARGAMASSA de cimento com CORTIÇA incorporada: pavimentos; TINTA de ÁGUA: aplicada sobre a generalidade das paredes interiores, integrando resinas epoxy nas zonas de maior movimento; MÁRMORE: no revestimento das paredes das salas de cirurgia do Bloco Operatório e da Urgência; LADRILHO VINÍLICO: na generalidade dos pavimentos, excepto nas instalações sanitárias e serviços, revestidos a LADRILHO HIDRÁULICO, e nos átrios, revestidos a PEDRA BRUNIDA. O revestimento dos tectos nas áreas dos compartimentos é em REBOCO PINTADO, sendo, nos corredores e átrios em PLACAS METÁLICAS PERFURADAS E PINTADAS [amovíveis para visita das instalações técnicas]; TERMOLAMINADO: revestimento da generalidade das portas, com aros metálicos pintados em estufa

Bibliografia

"Les Hopitaux", L'Architecture d'Aujourd'hui, 9º ano, nº 5 Mai 1938; Ministério da Habitação e Obras Públicas/Direcção-Geral das Construções Hospitalares, Hospitais de Portugal, 1978; Hospital Distrital de Viana do Castelo, in Arquitectura, Lisboa, ano V (4ª série), nº 151, 1983; Department of Health and Social Security, Londres: Hmso Books, Fevereiro 1986; AAVV, Percursos de Carreira, Lisboa, Associação dos Arquitectos Portugueses, 1991; PEDREIRINHO, José Manuel, Dicionário de arquitectos activos em Portugal do Séc. I à actualidade, Porto, Edições Afrontamento, 1994; AAVV, Catálogo da Exposição "Raul Chorão Ramalho Arquitecto", Almada, Casa da Cerca / Câmara Municipal de Almada, 1997; JULIÃO, Paulo, Viana do Castelo. IPPAR classifica hospital sem dar conhecimento, Diário de Notícias, 11 Fevereiro 2007.

Documentação Gráfica

DGEMN: Arquivo Pessoal Chorão Ramalho

Documentação Fotográfica

DGEMN: Arquivo Pessoal Chorão Ramalho

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - A Comissão das Construções Hospitalares foi criada pelo decreto nº 35.621, de 30 de Abril de 1947; (2) A programação anterior estabelecida para o Hospital Distrital de Viana do Castelo não previa a instalação de Serviços Psiquiátricos. O Centro de Saúde Mental mais próximo estava instalado no Hospital de Gelfa, situado a 14 km de Viana do Castelo, que era um antigo Sanatório Marítimo do IANT ocupado por 60 pacientes femininos, manifestando, nesta data, deficientes condições de ordem funcional, cujas obras de beneficiação seriam muito onerosas, dada a sua localização junto ao mar. Os doentes masculinos, em situações clínicas agudas, eram internados numa casa de saúde privada, da Ordem de S. João de Deus, situada em Barcelos. *3 - de acordo com o censo de 1970, o Hospital destinava-se a servir uma população de 250.000 habitantes.

Autor e Data

Rute Figueiredo 2006

Actualização

 
 
 
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