Capela de Nossa Senhora do Incenso / Santuário de Nossa Senhora do Incenso

IPA.00016729
Portugal, Castelo Branco, Penamacor, Penamacor
 
Arquitetura religiosa, maneirista e barroca. Santuário composto por capela de estrutura maneirista, com planta retangular composta por nave e capela-mor, com coberturas interiores diferenciadas em falsas abóbadas de berço de madeira, ambas pintadas, iluminada uniformemente por janelas rasgadas nas fachadas laterais, todas em capialço, numa clara solução seiscentista. Fachada principal rematada em frontão triangular, rasgado por portal de verga reta, sobrepujado por nicho e ladeado por dois janelões com os extremos curvos, revelando uma intervenção tardo-setecentista. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados, encimados por pináculos de bola, rematadas em friso e cornija, a lateral direita com porta travessa de verga reta. Interior com coro-alto assente em duas colunas de inspiração jónica e guarda de madeira torneada, com púlpito quadrangular no lado do Evangelho, com guarda plena de talha dourada barroca, que envolve a porta de acesso ao mesmo. Arco triunfal de volta perfeita, flanqueado por dois retábulos dispostos em ângulo, de talha dourada tardo-barroca. Capela-mor tem, sobre supedâneo, retábulo-mor de talha dourada do estilo barroco nacional, surgindo, na sacristia, um lavabo maneirista. Nas imediações, surge a casa dos romeiros e o coreto, de construção recente, surgindo, mais afastado, o alpendre da feira, talvez de execução oitocentista. À entrada do recinto, cruzeiro de produção do mesmo período, composto por plataforma quadrangular, onde assenta coluna toscana, rematada por tabuleiro e cruz latina.
Número IPA Antigo: PT020507100071
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Recinto amplo, formando um Santuário, onde se implanta a capela, com uma alameda antecedida por um cruzeiro, uma zona ajardinada, um poço e casa de hospedaria, junto à fachada principal, utilizada atualmente para casamentos e batizados, estando a capela envolvida por um amplo adro pavimentado a paralelepípedos de granito na zona frontal, sendo de terra batida nas zonas posteriores. CAPELA de planta retangular composta por nave e capela-mor mais estreita, de volumes escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos de bola, assentes em plintos paralelepipédicos rematados por ampla cornija; as fachadas rematam em friso convexo e cornija. Fachada principal virada a E., sobrepujada por entablamento, de onde arranca frontão triangular com cruz latina no vértice, assente sobre plinto volutado; é rasgada por portal de verga reta com moldura simples em cantaria, flanqueado por dois postigos, parcialmente entaipados, rematados por frisos e cornijas. Sobre o portal, surgem duas mísulas que sustentam duas pilastras toscanas de fustes almofadados e flanqueadas por aletas, que circunscrevem um nicho, em arco de volta perfeita, com abóbada de concha, assente em pilastras semelhantes às anteriores, sendo rematado por friso almofadado, cornija, e dois elementos volutados, unidos por pluma. No nicho, surge a imagem do orago, em cantaria. É ladeado por dois janelões com os extremos curvos, envolvidos por molduras de cantaria, que se prolongam inferiormente, formando falsos brincos, e rematam em frisos e cornijas. Fachada lateral esquerda rasgada por três janelas em capialço, duas na nave e uma na capela-mor. Fachada lateral direita com fenestrações semelhantes à anterior, possuindo porta travessa de verga reta e moldura simples, surgindo uma semelhante no corpo da capela-mor, ligeiramente elevada e com acesso por quatro degraus. Fachada posterior rematada em empena, assente nos ângulos em fragmentos de cornija, com cruz latina no vértice, rasgada por duas janelas em eixo e em capialço, a inferior jacente. Sobre esta, vislumbra-se a empena do arco triunfal, com cruz latina no vértice. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixa pintada de cinza, com cobertura na nave em falsa abóbada de berço de madeira, assente em frisos e cornijas do mesmo material e pintados de cinza, com tirantes metálicos e possuindo pintura decorativa formada por uma tarja de acantos enrolados, tendo, ao centro, painel com a imagem do orago, envolvida por glória de anjos; pavimento em lajes de granito. Coro-alto de madeira, assente em duas colunas de inspiração dórica, com guarda torneada, interrompida por acrotérios, tudo pintado de vermelho e dourado; tem acesso por escadas de tiro no lado do Evangelho. No sub-coro, no lado oposto, confessionário de madeira encerada, marcado por uma decoração recortada. No lado do Evangelho, púlpito quadrangular, assente em bacia de cantaria e em consola, com guarda plena de talha dourada, formando apainelados de acantos, de onde evoluem duas pilastras do mesmo material, que terminam em cornija, envolvendo a porta, com acesso pela espessura do muro; esta tem moldura saliente, pintada com elementos fitomórficos. Por um degrau, acede-se ao arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas almofadadas, flanqueadas por capelas retabulares dispostas em ângulo, dedicadas a Santa Rita e São Vicente Ferrer; junto a estes, dois confessionários embutidos na parede, com acesso por vãos retilíneos e molduras simples. Capela-mor elevada por um degrau com cobertura em falsa abóbada de berço, assente em frisos e cornijas de cantaria, com tarja pintada e painel retangular, representando uma Sagrada Família. Sobre o supedâneo, retábulo-mor de talha dourada, de planta côncava e um eixo definido por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos, por seis pilastras, quatro decoradas por acantos e duas contendo mísulas com imaginária, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos, decorado com acantos e alguns deles com anjos atlantes; estas prolongam-se em cinco arquivoltas unidas por aduelas salientes, formando o remate. Ao centro, tribuna em arco de volta perfeita, com cobertura em quarto de esfera e decoração apainelada, contendo um trono expositivo de três degraus galbados, com a imagem do orago. Altar paralelepipédico tripartido, decorado por acantos. A ladear a capela-mor, pequena sacristia, sem impacto exterior, onde surge um lavabo de cantaria, com espaldar reto, rematado por cornija, com reservatório em abóbada de concha, rematando em elemento contracurvo, sobrepujado por cruz latina e contendo vieira; possui bica em forma de estrela, que verte para taça semiesférica, gomada. A HOSPEDARIA é de planta retangular simples, com cobertura homogénea em telhado de duas águas, evoluindo em dois pisos. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixa cinza, rematada em beirada simples. Fachada principal virada a E., com porta de verga reta no primeiro piso e marcada por escada com guarda metálica e, no patamar, em cantaria de granito, com acesso por porta de verga reta, ladeada por quatro janelas de peitoril; todos os vãos têm molduras de cantaria de granito, portas de madeira pintada de verde e portadas em alumínio lacado, da mesma cor. Fachada lateral esquerda virada a S., rematada em empena, com porta de verga reta ladeada por dois postigos, encimada por janela de peitoril. A fachada lateral direita também remata em empena, rasgada por pequena fresta, sendo a posterior marcada por um ressalto no lado esquerdo, assente em pilares de betão, sendo rasgada, no primeiro piso por três portas de verga reta e, no segundo, por porta e três janelas de peitoril. INTERIOR com pavimento cerâmico no primeiro piso e cobertura a duas águas com traves de betão; conserva duas janelas conversadeiras; tem cozinha, duas instalações sanitárias, forno e sala de receções. Junto a esta, o POÇO, tapado com porta de ferro e com cartela ostentando a data "1926". No lado esquerdo, junto à capela, um CORETO de planta octogonal, com base em alvenaria de granito aparente, com as juntas pintadas de branco, algumas rasgadas por portas de verga reta, rematando em cornija; tem cobertura metálica octogonal, que assenta em dez colunelos pintados de verde, unidos por elementos metálicos rendilhados e pintados de branco, que decoram a base da cobertura; possui guarda de ferro. No lado direito, um ALPENDRE de planta retangular simples e cobertura a quatro águas, com as fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais apilastrados e possuindo, na fachada principal, virada a O., alpendre com treze vãos, assentes em pilares de cantaria de arestas biseladas. Junto a este, as instalações sanitárias, de planta retangular simples e cobertura a duas águas, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, com fachada virada a O., rasgada por duas portas. CRUZEIRO com plataforma quadrangular, de três degraus, onde assenta uma base paralelepipédica, reentrante na zona superior, que suporta uma coluna toscana, com base toreada, sobrepujada por tabuleiro e cruz latina; apresenta a data "1845".

Acessos

A 3 Km a SO. da povoação, na estrada que liga ao Fundão

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, isolado e destacado, num dos lados da principal via pública que liga Penamacor ao Fundão, formando um amplo recinto arborizado, com acesso a alameda pavimentada a calçada de paralelepípedos de granito, no centro da qual se ergue um cruzeiro. O recinto encontra-se, em duas das suas faces protegido por muro em alvenaria, rebocada e pintada, com aberturas simples. Fronteiras, terras de cultivo e, nas imediações, a Escola Primária de Penamacor (v. IPA.00011660).

Descrição Complementar

Na base do painel da cobertura da nave, a inscrição "NOSSA SENHORA DO INCENSO PENAMACOR". Os retábulos colaterais são semelhantes, cada um deles de talha pintada de bege e marmoreados fingidos, de planta reta e um eixo definido por duas colunas de fuste liso, com marmoreados negros, pontuadas por elementos fitomórficos dourados, com capitéis coríntios e assentes em consolas. Ao centro, nicho de perfil contracurvo, contendo a imagem do orago, na base do qual surge sacrário embutido, ornado, superiormente, por elementos vegetalistas vazados. A estrutura remata em fragmentos de frontão, que centram espaldar curvo, rematado em cornija e ornado por amplo resplendor, tudo encimado por elementos fitomórficos vazados. Altar em forma de urna, decorado por elementos fitomórficos enrolados e lineares.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: igreja de peregrinação

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese da Guarda)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

CANTEIRO: Bernardo da Silva Leitão (1923). CARPINTEIRO: Fortunado de Sá (1887). MESTRE DE OBRAS: José Ferreira da Cunha (1908). PINTOR-DOURADOR: Joaqum Manuel da Fonseca (1901).

Cronologia

Séc. 16 - provável instituição da capela por D. Jorge de Meneses, falecido em 1537, como agradecimento pela Virgem o ter salvo de uma tempestade durante uma das suas viagens à Índia; 1707 - encontra-se anexa à Igreja Paroquial de São Pedro de Penamacor, sendo nesta data reconstruída a primitiva ermida, que inicialmente tivera como orago Nossa Senhora do Prado, a qual tinha três naves; execução do retábulo-mor; séc. 18 - a Câmara de Penamacor faz um voto de romaria anual ao Santuário com procissão desde a vila de Penamacor até ao edifício; 1734 - no Santuário Mariano, a imagem é referida como sendo de pedra, com roupas pintadas matizadas de ouro, de três palmos, segurando o Menino, em madeira, que havia sido também de pedra, mas fora roubado; a imagem tem na cabeça uma coroa de prata; a capela tem de obrigação duas missas quotidianas, mandadas celebrar por Fernão de Sousa Coutinho, administrador do morgado da Casa do Redondo, anexo à Capela *1; este tem ofertado muitos ornatos das quatro cores que usa a Capela, de damasco, alvas, corporais, cálice; por esta data, é feito o púlpito; séc. 18, 2.ª metade - intervenção na fachada, rasgando-se os dois janelões laterais; 1758 - surge referida nas Memórias Paroquiais; séc. 19, início - execução dos retábulos colaterais; 1845 - data no cruzeiro existente no acesso à capela; 1865, 14 maio - data do compromisso da Confraria; 1887 - execução da urna do altar-mor, por Fortunato de Sá, pela quantia de 1$900; séc. 20 - pintura dos painéis das coberturas interiores; 1901, janeiro - douramento dos retábulos de Santa Rita e São Vicente Ferrer, por Joaquim Manuel da Fonseca; 1908 - construção de alpendres e telheiros no recinto, por José Ferreira da Cunha, com madeiras dadas pela Câmara; o mesmo fez o jardim e muro; 1923 - oferta da cruz em lios para a fachada pelo canteiro de Penamacor, Bernardo da Silva Leitão; 1940 - tem três altares, o mor, com as imagens de Nossa Senhora do Incenso, São Francisco de Sales, São Joaquim, São José e Nossa Senhora de Fátima, e os laterais de Santa Rita e São Vicente Ferrer; séc. 20, década 40 - proibição da romaria pela Diocese da Guarda; 1943 - confrontos entre os populares que pretendiam retomar a tradição da romaria e a GNR; extinção da confraria, passando as competências da festa e manutenção do edifício para o pároco de Penamacor; 1992 - 1993 - reconversão do edifício da hospedaria, com construção das instalações sanitárias e do salão para festas (casamentos e batizados), com capacidade para 150 pessoas; 2002 - 2003 - roubo da Via Sacra, querubins antigos e da aparelhagem de som.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

CAPELA com estrutura em alvenaria e cantaria de granito, rebocada; embasamento, cunhais, pináculos, frisos, cornijas, modinaturas, imagem da fachada principal, pavimento, colunas do coro-alto, bacia do púlpito em cantaria de granito; portas, coberturas, retábulos, confessionário guarda do púlpito e do coro-alto de madeira; janelas com vidro simples e caixilharia metálica; cobertura com telha. CRUZEIRO com estrutura em cantaria de granito; CASA DOS ROMEIROS E INSTALAÇÕES SANITÁRIAS com estrutura em alvenaria de tijolo, rebocada; modinaturas em cantaria de granito; portas de madeira; caixilharias e portadas em alumínio lacado; vigas de betão; pavimento cerâmico. CORETO com estrutura em ferro forjado e pintado.

Bibliografia

Dicionário enciclopédico das freguesias. Matosinhos: Minhaterra, 1998, p. 214; LANDEIRO, José Manuel - O arciprestado de Penamacor. Vila Nova de Famalicão: s.n., 1940; LANDEIRO, Carlota Maria Gonçalves Borges - A vila de Penamacor no primeiro quartel do século XVIII. Lisboa: Centro de Estudos Demográficos, 1965; VASCONCELOS, João - Romarias - 1 inventário dos Santuários de Portugal. Lisboa: Olhapim Editores, 1996, vol. I.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGLAB/TT: Memórias Paroquiais, vol. 28, n.º 127b, fls. 929-949

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 2003 - execução das instalações sanitárias no recinto; 2004 - obras de conservação de rebocos e pinturas.

Observações

*1 - segundo a lenda, o Conde de Redondo, vindo a Penamacor, em ação de graças por a Virgem o ter salvo de um naufrágio, quando chegou ao templo, não havia incenso, pelo que o Conde mandou ir buscá-lo a Penamacor e, nesse momento, encheu-se a capela de um odor a incenso, passando a Virgem a ser conhecida como Nossa Senhora do Incenso e substituindo o primitivo orago de Nossa Senhora do Prado.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2008

Actualização

 
 
 
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