Igreja Paroquial de Águas / Igreja de Nossa Senhora de Fátima / Igreja Nova

IPA.00016688
Portugal, Castelo Branco, Penamacor, União das freguesias de Aldeia do Bispo, Águas e Aldeia de João Pires
 
: Igreja paroquial construída na década de 50, do séc. 20, em linguagem modernista, com projeto do arquiteto Nuno Teotónio dos Santos, inspirada nas suas congéneres suíças, divulgadas pela revista Werk. Construída para substituição da antiga paroquial, de pequenas dimensões e insuficiente para albergar os fiéis durante o culto, sobretudo o dominical, com o patrocínio da importante família local, de apelido Megre, que também cedeu o terreno e serviu de interlocutor com o arquiteto, teve um processo inicial conturbado, em parte devido ao caráter inovador do projeto e, especialmente, por prever a demolição da igreja velha, gerando uma onda de oposição pela população. De facto, decorreria uma década desde o primeiro anteprojeto de Teotónio Pereira, datado de 1942, com a construção da nova igreja sobre a velha, que seria demolida, até ao início das obras, em janeiro de 1952, tendo havido, entre 1949 e 1950, vários avanços e recuos na decisão de se ampliar a igreja velha, construir uma nova e demolir a velha até, finalmente, se decidir mantê-la, precisamente devido à "(...) ofensiva contra a nova egreja, ou melhor uma campanha a favor da conservação da velha (...) "PT NTP-TXT 00124 (1/2)). Contudo, com o decorrer da construção, foi-se "(...) dando uma viragem na opinião pública a favor da (...) igreja (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)). O programa construtivo contempla uma planta trapezoidal composta por duas naves, tipologia pouco usual, tendo uma grande nave, de paredes convergentes para a capela-mor e onde se disporia a assembleia em leque, e uma nave lateral secundária, estreita e mais baixa, integrando o batistério e três capelas laterais individualizadas, permitindo a circulação não direcionada para a nave principal, onde se garantia condições de recolhimento. No exterior, procurou-se obter uma "certa nobreza e dignidade, sem cair na monumentalidade", com a fachada principal da nave principal a dominar a composição, terminada em empena truncada e de três panos, os laterais cegos e o central com nártex, acedido por três vãos abatidos, e ampla quadrícula retilínea de cantaria envidraçada. Em contraste, a fachada lateral esquerda, correspondendo à nave secundária, "é intencionalmente modesta" e harmoniza-se com o casario envolvente. A disposição dos vãos "foi estudada no sentido de permitir uma iluminação natural de intensidade regular e relativamente fraca (...), orientada de cima para baixo e de trás para diante", na nave principal, enquanto a capela-mor seria fortemente iluminada por meio de lumes verticais deixando penetrar os raios solares diretos da manhã, mas sem incidir nos olhos da assistência (PT NTP - TXT 00123). O interior apresenta grande despojamento decorativo, com o objetivo de evitar a distração dos fiéis. Possui coro-alto na disposição clássica, parcialmente assente sobre o nártex, e as linhas estruturais convergem para a capela-mor, protegida por teia, de pavimento sobrelevado, onde se dispõe, no lado do Evangelho, o púlpito de cantaria, posição pouco comum; a parede testeira, onde se pensou inicialmente fazer uma pintura mural ou incisa, foi revestida a placas cerâmicas e sobreposta por imagem do Cruxificado, da autoria de Jorge Vieira. As capelas laterais, inseridas em espaços delimitados na nave secundária, para não interferir com os atos litúrgicos da nave principal, possuem o altar com a mesma orientação do altar-mor, mas este fica propositadamente fora do ângulo de visão. O batistério, junto à entrada e exteriormente indiferenciado, tem a parede do lado do Evangelho revestida a placas cerâmicas e tesselas criando motivo encanastrado, ritmado por símbolos Cristológicos, da autoria de António Lino, junto à qual se dispõe a pia batismal, um afloramento rochoso com duas cavidades naturais, extraída do rio. A torre sineira de linhas verticalizantes, que no anteprojeto surgia junto à fachada principal e ligada ao coro por passadiço, foi transferida e isolada junto ao ângulo nordeste do templo, e construída com uma estrutura mais simples, vazada e rasgada por portas, em níveis desencontrados, de acesso aos patamares da escada, disposta em ambas as faces.
Número IPA Antigo: PT020507010082
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta trapezoidal composta por duas naves e capela-mor, mais baixa e estreita, tendo adossado à fachada lateral esquerda sacristia, cartório e arrecadação, retangular e, junto à mesma, campanário isolado. Volumes articulados, com coberturas diferenciadas em telhados de três águas na nave principal, de duas na capela-mor e de uma na nave secundária e anexos, as da igreja rematadas em beirada simples. Fachadas em alvenaria de pedra aparente ou rebocada e pintada, terminadas em cornija de cantaria. A fachada principal surge virada a noroeste, terminada em empena truncada e de três panos, os laterais, rebocados e pintados, com soco de alvenaria de pedra aparente e alhetas nos cunhais, e o central em cantaria, terminado em empena reta, com cornija retilínea, rasgada por três amplos vãos, de verga abatida, de acesso ao nártex, encimados por vãos seccionados por quadrícula retangular de cantaria, formando pequenas frestas, com vidro tipo catedral. O nártex tem as paredes de cantaria, pavimento de lajes, três portas de verga reta, duas laterais estreitas e uma central larga, sendo fechado por portões em ferro forjado. Sobre a cumeeira do telhado dispõe-se, em plano recuado, cruz latina, em ferro. A fachada lateral esquerda têm a nave principal rasgada, superiormente, por janelas jacentes, em grupos de três, separadas por nembos de cantaria, e nave secundária, com o batistério rasgado por três vãos retangulares e, cada uma das capelas laterais, por janela quadrangular, moldurada e gradeada. O anexo, terminado em meia empena, de pendente oposta à nave secundária, é rasgada a noroeste por porta de verga reta e dois vãos quadrangulares. A fachada lateral direita tem a nave cega e a capela-mor rasgada, quase de alto a baixo, por dez lumes estreitos e longilíneos, separados por cantaria. A fachada posterior termina em empena e é coroada por cruz latina, de cantaria. INTERIOR: com as duas naves separadas por pilares de cantaria, a principal bastante ampla, pavimentada a tacos de madeira, e a secundária, disposta no lado do Evangelho, estreita e mais baixa, pavimentada a cantaria, com espaço de circulação precedendo o batistério e três capelas laterais, individualizadas, e num nível sensivelmente mais alto. As paredes das naves são pintadas de bege, tendo na nave principal silhar de alvenaria de pedra aparente, no lado da Epístola, e, no lado oposto, sob os vãos jacentes que a iluminam, a zona entre os pilares revestida por painéis de madeira envernizada. Coro-alto a toda a largura da nave principal, em betão, com guarda em ferro e elementos de madeira, acedido no lado da Epístola, por escada de cantaria, com guarda em ferro, no segundo lanço. Na nave secundária, o batistério tem a parede noroeste revestida a placas cerâmicas, intercaladas por tesselas, criando encanastrado, e integrando painéis de tesselas com motivos Cristológicos e armário embutido. No pavimento dispõe-se pia batismal, formada por rocha natural, irregular, com duas cavidades, a mais pequena integrando taça circular, em bronze, com tampa facetada. As capelas laterais possuem na parede frontal lambril de madeira e na parede separadora, a nordeste, que é parcialmente interrompida no topo, dispõem-se os altares, com mesa tipo urna, em cantaria, encimada lateralmente com mísula sustentando imaginária. Arco triunfal amplo, em empena suave, assente nos pés direitos com silhares perpianhos nos cunhais. A capela-mor, sobrelevada, tem pavimento em cantaria e paredes em alvenaria de pedra aparente, protegida por teia, em ferro e madeira, surgindo, no lado do Evangelho, púlpito quadrangular em cantaria, com guarda plena do mesmo material e ferro. No lado do Evangelho abre-se porta de acesso à sacristia e, no lado oposto, frestas longilíneas. A parede testeira é revestida a painéis cerâmicos, sobrepostos por imagem do Cruxificado. Sobre supedâneo, dispõe-se mesa de altar, paralelepipédica e vazada, em cantaria. O teto das naves e da capela-mor é em fibra de madeira prensada. CAMPANÁRIO de planta retangular e estrutura revestida a cantaria de granito, vazada, com parede central rebocada e pintada de branco, rasgada, a diferentes níveis, por portais retilíneos, moldurados a cantaria, que permitem o acesso aos sinos, por meio de quatro lanços de escadas dispostas em ambas as faces, com guarda em ferro. No topo, possui virado a noroeste tem sacada, com guarda plena, integrando caixa do relógio.

Acessos

Águas, Largo das Igrejas; Rua Governador Luís da C. Barreto. WGS84 (graus decimais) lat.: 40,112711; long.: -7,205148

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Urbano, isolado, no interior da povoação. Ergue-se paralelo à estrada que atravessa o núcleo, possuindo adro frontal, pavimentado a paralelepípedos, com guias em granito, dispostas de forma oblíqua tendo, no limite noroeste, um cruzeiro, em cantaria de granito, composto por plinto tronco-piramidal truncado, onde se insere a cruz latina, de braços quadrangulares. A sul desenvolvem-se campos de cultivo. A menos de 50m para poente, implanta-se a antiga Igreja Paroquial de Águas ou Igreja Velha (v. IPA.00016685) e, nas imediações, a casa da família Megre.

Descrição Complementar

Na parede da sacristia, inscrição "IDE EM PAZ / O SENHOR / OLHA PELO / VOSSO CA / MINHO".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese da Guarda)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Frederico Henrique George (1957), Nuno Teotónio Pereira (1942-1957). Artista: António Luís de Paiva (1957). CANTEIRO: João Salvado Cartola (1949-1957). ELETRICISTA: Manuel Pedro Gomes (1963). ENGENHEIRO: Leal de Faria (1953). ESCULTOR: Euclides Vaz (1957), Jorge Vieira (1957). FIRMA: Covina (1955), Metalurgia do Crato (1953), A Boa Construtora, de Manuel Francisco Cousinha (1955-1956), Matos Soares & Irmão, Ld.ª (1957). PINTOR: António Lino (1957). SERRALHARIA: Vítor Hugo de Carvalho (1957-1959). SERRALHEIRO: Joaquim dos Santos Martins (1958).

Cronologia

1942 - considera-se a Igreja Paroquial de Águas de reduzidas dimensões e insuficiente para comportar todos os fiéis na prática do culto, especialmente ao domingo, dia em que realizam duas missas seguidas; novembro - data da Memória Descritiva apresentada com o anteprojeto, elaborado pelo arquiteto Nuno Teotónio Pereira, encomendado pela família Megre, que oferecia o terreno para a construção e subsidiaria a obra; o anteprojeto prevê a construção de uma nova igreja sobre a velha, que seria demolida, "sendo certo que não apresenta nenhum valor artístico digno de ser conservado", sendo o orçamento estimativo de 400.000$00 (PT NTP - TXT 00123); 1948, 22 março - define-se que o programa construtivo da igreja a construir deve compreender as seguintes partes e dependências: grande nave da assembleia, podendo conter 400 ou 500 pessoas sentadas, nave ou naves laterais para circulação, onde ficarão situados os altares secundários e os confessionários, capela-mor, coro, pórtico de entrada, adro, torre sineira, batistério, sacristia, salão paroquial, cartório, instalações sanitárias e arrecadação; 1949, abril - data dos desenhos do novo anteprojeto do arquiteto Nuno Teotónio Pereira; 20 julho - Memória Descritiva da nova Igreja Paroquial de Águas, após decidir-se que ficaria implantada junto à antiga, "em local que oferece algumas condições, em terreno (...) ocupado por alguns prédios que serão cedidos (...), mas que com "a demolição ulterior da igreja existente e de alguns muros das casas vizinhas, ficará o local com certo desafogo, permitindo a construção de um adro, ainda que pequeno (...)" (PT NTP - TXT 00123) *1; 1950, 07 fevereiro - memória do projeto de ampliação da Igreja depois de "ter sido posta de parte a hipótese de uma construção inteiramente nova" *2; 10 setembro - data dos desenhos relativos ao projeto de ampliação da igreja; 18 março - Domingos Megre informa o arquiteto que "O nosso Prelado aprovou os dois projectos, preferindo o da Egreja Nova (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)), tal como os "magnatas da terra", que havia reunido, e ele próprio, devido à demora das obras de remodelação da igreja velha, que os obrigaria a assistir às cerimónias religiosas num barracão, "sem o mínimo de comodidade", enquanto que, construindo-se "(...) a egreja nova, continua a velha ao culto atá à conclusão final e sem pressão e a resta-se é que sempre é uma Egreja mais ampla, que é o que se pretende (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 06 junho - arquiteto acusa a receção de 3.800$00 referente às despesas com o anteprojeto, bem como as resoluções tomadas acerca da construção da igreja, indo então começar a organizar e completar o projeto definitivo; 02 julho - Megre informa o arquiteto que aguarda uma vinda sua demorada, em setembro, para "(...) então tomarmos uma resolução definitiva sobre o caso, mas as duas egrejas contiguas é que não podem ficar (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 18 julho - Megre diz ao arquiteto que "Voltamos a pensar em não deitar abaixo a velha egreja, antes de aumenta-la um pouco e sobretudo embelezá-la e enriquece-la, conservando-lhe o caracter e estilo; mas, antes, temos de ter uma larga conversa e estudarmos as possibilidades da obra. Surgiu agora uma ofensiva contra a nova egreja, ou melhor uma campanha a favor da conservação da velha. Mas o meu bom amigo comprehende que temos esta urgência em tomar uma decisão, pois tudo isto se vem arrastando de há muito. Pelo um lado, manifestei sempre a minha magua em destruir a nossa velha egreja, mas agora trata-se d'uma intensiva campanha a favor de uma conservação (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 31 outubro - arquiteto envia cópias do caderno de encargos e da planta de betão armado para se pedir preços para a execução da obra; 1951, 17 julho - alteração ao caderno de encargos - 1.ª fase; 08 setembro - observações do arquiteto às críticas apontadas ao projeto da nova igreja, nomeadamente que parece "(...) um cinema (a portaria), e um armazém de vinhos ou celeiro (as fachadas laterais) (...)" (PT NTP - TXT 00123); outubro - estimado o acabamento da igreja em 426.000$00, sendo 50.500$00 de betão armado, 56.000$00 da cobertura, 30.000$00 de pavimentos, 34.000$00 dos tetos, 42.500$00 das caixilharias, 47.500$00 de revestimentos e pinturas, 10.000$00 de águas e esgotos, 47.000$00 de diversos, 15.000$00 de mobiliário, 36.000$00 da instalação elétrica (PT NTP - TXT 00123); 1952, janeiro - início das obras de construção da nova igreja; 26 janeiro - grande parte da cantaria está cortada, indo-se começar a encher os alicerces; março - arquiteto envia os desenhos da cimalha da frontaria; 03 abril - após os arcos dos portais construídos, Megre queixa-se de serem baixos, pois "(...) medindo a altura da porta da Igreja Velha verifiquei que os da nova igreja ainda tem menos 0,30! Ora, pela porta da velha egreja, já custava a passar os andores e o palio - e esse era um dos defeitos encontrados sempre - o que vai ser agora? (...) os portões da egreja tem 2,37, no centro do arco, e a porta da egreja velha tem 2,69! (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 12 abril - envio de cópias de uma planta explicativa, com a nova planta da sacristia e anexos e os altares laterais colocados de canto, que lhe parecia a melhor solução; julho - arquiteto decide definitivamente que os arcos da entrada sejam em betão armado; 14 julho - depois de apresentar vários argumentos em favor dos arcos dos portais em cantaria e mostrar tanto empenho nisso, o arquiteto, apesar de discordar, está decidido "a transigir" (PT NTP-TXT 00124 (1/2));26 agosto - cópia do projeto da igreja; 28 agosto - arquiteto envia duas coleções de desenhos que formam o projeto de alteração, para completar a obra e esclarecer o construtor sobre aspetos que ainda não estavam definidos; ao falar dos arcos, diz "(...) que estou zangado comigo mesmo, e arrependido de ter sido tão transigente ao ponto de dar o meu assentimento à sua construção em cantaria. Acho, agora mais do que antes, que a fachada vai perder muito em beleza e harmonia. Mas foi o meu desejo de que o meu Amigo não ficasse desgostoso e pudesse continuar a obra com o mesmo entusiasmo que sempre pôs n'ela (...) se ainda pudéssemos voltar atras! Isto servir-me-á de lição para futuras ocasiões (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 09 novembro - está concluída a placa do coro (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 24 novembro - envio desenhos da cobertura, sugerindo empresa da vila do Crato, por ter experiência em estrutura metálica (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 03 dezembro - envio dos últimos desenhos do betão armado, ficando concluído todo o trabalho de engenharia do projeto da igreja; a estimativa para o custo da cobertura (só a parte metálica) é de cerca de 40 contos (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 26 dezembro - arquiteto informando ter recebido a visita do Cartola: "Deu-me gosto saber que se está dando uma viragem na opinião pública a favor da vossa igreja. Espero que isto se acentue ainda depois da obra acabada. (...) Convem que as paredes sejam lisas e calmas, sem elementos de distração, para que os fieis não se vejam solicitados na sua atenção Pinturas e baixos-relevos, que se poderão pôr, devem ser colocados tendo em atenção este objectivo (...)"(PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 1953 - obras na cobertura pela Metalurgia do Crato, Ldª (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 26 março - arquiteto envia um desenho com as três capelas laterais, pelos quais o Cartola poderá ver as dimensões das pedras para os altares secundários e da cornija que corre no corpo baixo, ao longo das capelas referidas (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 05 junho - carta à Metalurgia do Crato, Ldª com dois exemplares das alterações ao projeto da cobertura da igreja, elaboradas pelo engenheiro Leal de Faria (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 20 novembro - estão feitas as paredes em tijolo, bem como os degraus da capela-mor, faltando o reboco (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 24 dezembro - carta ao arquiteto a pedir os pormenores do altar-mor, pia batismal, púlpito e pias de água benta, a pedido do canteiro João Cartola (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 1954, 05 janeiro - envio de desenho do altar-mor (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 26 fevereiro - projeto de alterações, com a torre sineira já implantada na fachada lateral esquerda (PT NTP-TXT 00124 (2/2)); 20 março - Megre refere as obras "da Igreja paradas há tanto tempo", solicitando os desenhos e pormenores do púlpito (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); no mesmo dia o arquiteto envia os desenhos do teto e o pormenor do púlpito para o Cartola; "Quanto às pias de água-benta, tive uma ideia = convidar o Cartola a fazê-las segundo a ideia dele. O que lhe parece? São elementos isolados, muito pequenos, que não ficarão mal se não obedecerem ao conjunto com rigor. E eu gostava de dar esses gesto ao Cartola, de quem admiro muito as qualidades profissionais e de carácter, Só lhe recomendo uma coisa = que fiquem simples" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); Megre informa que o Cartola ficou completamente "babadinho" com as palavras do arquiteto; 21 março - em nome das irmãs, Megre solicita "o favor de não demorar o desenho da Pia Baptismal, para assim o Cartola poder, com mais economia, ir aproveitando pedras que lhe saíssem na pedreira, ao cortar as precisas para o Púlpito (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 24 março - o arquiteto escreve dizendo que, "quando aí estive fiquei com a esperança de que V. Excias concordassem com a ideia de transportar para a nova igreja a pia da antiga. Verifico agora que não, e tenho pena. (...); pergunta se "não haveria interesse em criar um elemento de ligação, qualquer coisa que representasse uma continuidade? Enfim, um elemento da antiga igreja que passasse para a nova? Ora esse elemento deve ser o baptistério, porque está carregado de um elevado simbolismo, e ao mesmo tempo é independente da arquitectura, do conjunto, pois é um elemento isolado (...)"; assim, pede que considerassem o pedido e sondagem a opinião das pessoas (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); junho - está colocado o telhado da igreja (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); outubro - colocação do forro da capela-mor, iniciando-se o da nave (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); novembro - Cartola começa a assentar o altar-mor (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 1955, 16 janeiro - Megre escreve a informar que as obras da igreja estão paradas, aguardando as novas plantas e a vinda do arquiteto para se decidir alguns pormenores, como os portões e as portas; "também é tempo de pensar na torre (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 26 março -o arquiteto informa que a localização da torre está fixada, "(...) a 5 metros do cunhal da sacristia e no alinhamento da parede desta, conforme esquema que junto. Mas propriamente junto ao portão da quinta e entrada para o lagar há duas hipóteses (...)" (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); carta à administração da Covina solicitando o fornecimento de vidro catedral amarelo (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 06 maio - arquiteto envia o desenho (esquemático e hipotético) da pia batismal (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 20 maio - está-se a fazer o alicerce da torre (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); julho - concluídos os rebocos interiores (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 12 setembro - proposta de A Fundição de Sinos de Braga, Serafim da Silva Jerónimo, para fornecimento de dois sinos, um relógio de torre e um para-raios, por 40.863$00 (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 16 setembro - proposta-orçamento da construção e montagem de um relógio, 2 sinos e um para-raios na torre; o preço do para-raios sem cata-ventos, inclui a construção e adaptação de um cata-ventos, que o arquiteto iria desenhar; o mesmo para-raios sem cata-vento custa apenas 2.800$00 (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 31 outubro - carta do arquiteto à firma A Boa Construtora, de Manuel Francisco Cousinha, agradecendo a adjudicação de um relógio, 2 sinos e um para-raios, a colocar na Igreja de Águas (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 1956, 01 fevereiro - desenhos dos armários e arcaz da sacristia (PT NTP-TXT 00124 (2/2)); 08 maio - desenhos do relógio, sinos e caixa para pesos do relógio da torre (PT NTP-TXT 00124 (2/2)); 1956, junho - colocação de vidros; planta detalhada do cruzeiro para o adro (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 24 julho - Megre diz concordar "com um grande Cristo, a servir de fundo ao altar-mor, mas um Cristo cruxificado clássico, que seja comprehendido por todos e que inspire devoção. Assim aguardo com ansiedade o esboço do amigo Frederico Jorge, para então nos pronunciarmos (...)"(PT NTP-TXT 00124 (1/2)); o Crucifixo acaba por ser executado pelo escultor Jorge Vieira; setembro - solicita-se o fornecimento de 12 vidros, medindo 94x42cm, iguais à amostra junta À União, Ldª PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 1957 - firma Matos Soares & Irmão, Ld.ª executa os 24 bancos da igreja encomendados pelo Dr. Megre, em madeira de tóla (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); arquiteto envia o desenho da pia batismal, com pedra escolhida no campo, que seria cavada e colocada sobre um tripé de bronze (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); a pedra para a pia batismal é extraída da ribeira de Alpreade; carta da firma IVITTA, Empresa Industrial do Vidro da Marinha, S.A.R.L., informando poder fornecer jarras em vidro verde ou fumado, segundo o "v/desenho n.º 63", para 10 peças 250$00 cada e para 20 peças 185$00 cada, com o aumento de 10% (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); instalação de sinos e relógio, por 44.607$50 (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 26 abril - desenho do sacrário (PT NTP-TXT 00124 (2/2)); 02 maio - desenho do castiçal (PT NTP-TXT 00124 (2/2)); 08 maio - desenho do conjunto do altar; 13 setembro - novo desenho da cruz para espigão do telhado (PT NTP-TXT 00124 (2/2)); 19 setembro - desenho do cruzeiro do adro (PT NTP-TXT 00124 (2/2)); setembro - pintura das serralharias (grades e portões, escada da torre, cruz do telhado e caixilharia de ferro das janelas) (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 23 setembro - proposta de Joaquim dos Santos Martins, oficina de serralharia, para construção de uma cruz com 1,62 m altura e 1,32, largura, em ferro, e um chapéu em chapa zincada para arrematar ao telhado, por 445$00 (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 14 outubro - serralharia de Vítor Hugo de Carbalho envia ao arquiteto orçamento relativo a vários trabalhos: 6 suportes para lamparinas de parede, espigão, casquilho em latão e bobeche em prata, 6 castiçais, com espigão e casquilho em latão e bobeche em prata, uma coluna para lampadário, com prato em prata e base em ferro fundido, um sacrário em chapa de ferro de 5m/m com a frente da porta em prata (em ferro forjado - 17.196$00, em bronze - 22.150$00); este orçamento anula o anterior de 17 de julho (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 14 outubro - orçamento para diversos trabalhos em ferro forjado e motivos em latão, conforme desenhos apresentados: 2 apliques de 2 lumes, 10 suportes de parede em ferro forjado para taças de vidro colorido, 14 aros em ferro forjado com suportes de cantoneira, no valor de 558$00, 995$00 e 595$00, respetivamente (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); inauguração da Igreja Paroquial; o estudo da cor é da autoria de Frederico Henrique George, a Via-Sacra colocada no lado da Epístola é concebida por António Luís de Paiva, o painel cerâmico do batistério de António Lino (Tostões, p. 34) e a estatuária de Euclides Vaz; 1958, janeiro - pagamento de 19.344$00 por elementos férreos pelas serralharias de Vítor Hugo de Carvalho (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 23 janeiro - ofício de A Boa Construtora - Fábrica Nacional de Relógios Monumentais ao arquiteto dizendo que, se ainda deseja o para-raios, ou o cata-vento, que deve ser substituído por outro mais leve, deve enviar o desenho, para orçamentar o trabalho (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); fevereiro - feitura de três cruzes em ferro forjado com colocação de imagens, por 420$00, pelas serralharias de Vítor Hugo de Carvalho (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); abril - informa-se o arquiteto que a grade do terraço e do batistério estão assentes, pelo serralheiro Joaquim dos Santos Martins (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 01 setembro - serralharia de Vítor Hugo de Carvalho orçamenta uma caixa em chapa de ferro com porta em chapa recortada e losangos em verguinha quadrada de ¼, chapa de latão cromado tosco, no fundo, fechadura e conforme desenho e medidas apresentadas por 1.050$00, catorze cruzes em latão oxidado por 510$00, num total de 1.560$00 (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 1959, 10 março - orçamento da serralharia para uma coluna com braços desmontáveis em ferro forjado conforme desenho e medidas apresentadas por 1.320.$00, um cofre para água batismal em prata por 4.800$00, um baldaquino e bobechas em prata de 0,916 por 6.500$00; o peso aproximado da coluna de ferro é 30 kg (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 30 maio - recibo de uma coluna com braços desmontáveis em ferro forjado da serralharia de Vítor Hugo de Carvalho por 1.320.00 (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 1963, 08 setembro - inauguração oficial da eletrificação da igreja, pelo eletricista Manuel Pedro Gomes (PT NTP-TXT 00124 (1/2)); 2004 - despacho do presidente do IPPAR para que se estude a eventual classificação do edifício com caráter de urgência; 27 setembro - proposta de abertura do processo de classificação pela Direção Regional de Castelo Branco; 15 dezembro - despacho de abertura pelo presidente do IPPAR; 2009, 23 outubro - o processo de classificação do edifício caduca, nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206, publicado nesta data; 2015, 05 outubro - publicação do anúncio de abertura do processo de classificação em Anúncio n.º 231/2015, DR, 2.ª série, n.º 194; 2016, 01 junho - homenagem ao arquiteto Nuno Teotónio Pereira em Penamacor, com colocação de lápide alusiva junto à Igreja Paroquial de Águas; a família aproveita a ocasião para oferecer ao Município a maqueta do Crucificado que o escultor Jorge Viana concebera para o templo.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Estrutura, vigas e lajes do pavimento do coro, da capela-mor e da sacristia em betão; paredes de alvenaria ou de pedra granítica aparelhada, rebocada e pintada ou aparente; pilares, molduras dos vãos, silhares perpianhos, púlpito e respetiva guarda em cantaria de granito; teto de fibra de madeira prensada; pavimento do nártex lajeado a cantaria de granito e no interior de tacos de madeira, tijolo rebatido ou em lajes de cantaria de granito; portas e caixilharia em madeira de castanho ou em ferro; grades e guarda do coro e teia em ferro forjado; vidraça tipo catedral nos vãos da fachada principal ou simples; bancos da igreja em madeira de tóla; revestimento em placas cerâmicas e tesselas; pia de água benta e mesas de altar em cantaria de granito; cobertura de telha assente em estrutura de ferro.

Bibliografia

AA.VV - Arquitectura Moderna Portuguesa 1920 . 1970. Lisboa: Instituto Português do Património Arquitectónico, 2004; ANNETTE, Becker, TOSTÕES, Ana, WANG, Wilfried (org.) - Portugal. Arquitectura do Século XX. Lisboa: Fundação das Descobertas, 1997; BRITO, Paula - «Nuno Teotónio Pereira homenageado em Penamacor» (http://www.rcb-radiocovadabeira.pt/pag/32771), [consultado em 14 agosto 2018]; CATANA, António Silveira - Artistas da nossa terra. Idanha-a-Nova: Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, 2003, vol. II; CUNHA, João Pedro F. Gaspar Alves da - O MRAR e os anos de ouro da Arquitetura Religiosa em Portugal no século XX. A Ação do Movimento de Renovação da Arte Religiosa nas décadas de 1950 e 1960. Dissertação de Doutoramento em Arquitetura - Teoria e História apresentada à Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Lisboa: texto policopiado, 2014, vol. 1; CUNHA, Luís - Arquitectura Religiosa Moderna. Porto: s.n., 1957; Dicionário enciclopédico das freguesias. Matosinhos: Minhaterra, 1998, p. 207; Novo roteiro do concelho de Penamacor. Penamacor: Câmara Municipal de Penamacor, 1988; PEDREIRINHO, José Manuel - Dicionário de arquitectos activos em Portugal do Séc. I à atualidade. Porto: Edições Afrontamento, 1994; TOSTÕES, Ana e GRANDE, Nuno - Nuno Teotónio Pereira. Nuno Portas. Aveleda: Verso da História, 2013.

Documentação Gráfica

DGPC: Espólio de Nuno Teotónio dos Santos

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, Espólio de Nuno Teotónio dos Santos

Documentação Administrativa

DGPC: Espólio de Nuno Teotónio dos Santos

Intervenção Realizada

Observações

*1 - A Memória Descritiva relativa ao anteprojeto de 1949, define o seu programa construtivo. Em termos de organização do espaço, "(...) 3) Criou-se uma grande nave central e uma lateral. A configuração da nave central obedece, por um lado a necessidades de acústica e visibilidade, e por outro à conveniência do melhor aproveitamento do terreno. A lotação da sala é de cerca de 900 pessoas, assim distribuídas: sentadas: 280; de pé: 350; no coro: 270. Em ocasiões excepcionais, este número poderá subir sem dificuldade a mil. 4) O estudo da circulação obedeceu aos seguintes propósitos: criar passagens amplas, especialmente para as saídas e conduzir pela nave lateral todas as linhas de circulação que não sejam de acesso à nave principal; isto para assegurar condições de recolhimento às pessoas colocadas nesta nave. As coxias alargando para as saídas e a teia que corre ao longo da nave lateral, contribuirão para satisfazer essas necessidades. 5) A entrada é feita atravez de um espaço coberto, mas aberto para o exterior - um nártex -, que faz as vezes de guarda-vento, com duas portas laterais -, proporcionando ao mesmo tempo um abrigo relativamente amplo, como convém a um local de reunião pública, e ainda a necessária transição da rua para o interior da igreja. Uma grande porta central será usada para as saídas e em ocasiões solenes. 6) O coro, colocado sobre a entrada, sobre cujas paredes em parte assenta, está na situação clássica, já hoje discutível, mas que tem a vantagem de proporcionar uma área de reserva para a assistência. 7) A capela-mor não está separada do corpo da igreja por qualquer elemento construtivo, como é tradicional, mas englobada no seu volume. A convergência das paredes laterais, a sobrelevação do pavimento, o janelão rasgado de lado, a iluminação especial e a decoração própria, torna-la-ão bem individualizada, sem a desvantagem de constituir um elemento separado. O altar, ponto de convergência das linhas estruturais do edifício, ficará perfeitamente destacado e impor-se-á como fulcro da composição. O púlpito parece colocado no local mais conveniente, do lado do Evangelho, junto da capela-mor, e dominando bem a massa dos assistentes. 8) Se bem que houvesse conveniência em colocar o baptistério numa certa independência do corpo da igreja, e com acesso directo do exterior, não foi possível faze-lo nessa conformidade, devido à estreiteza do terreno e ainda por parecer igualmente importante que ficasse aberto para a nave. 9) Com respeito aos confessionários, foi-lhes reservado um local próprio, um recanto da nave lateral, recolhido e de fácil acesso. 10) As capelas secundárias estão alojadas ao logo da nave de circulação, de tal modo que não possam interferir com os actos realizados na nave central. Ficarão recolhidas e independentes, em células próprias bem delimitadas. 11) A sacristia-cartório resultou acanhada, devido ao pouco espaço disponível nesta zona. Diligenciar-se-á no projecto definitivo alargá-la e, possivelmente, separar em locais distintos as duas funções que agora contêm, as quais, embora se relacionem, são de natureza muito diferente. 12) A entrada pela rua lateral, que também serve a sacristia-cartório, dará entrada para a sala de reuniões e da catequese, colocada por baixo da capela-mor. Um vestíbulo fará a distribuição. No piso inferior ficarão ainda instalados os serviços sanitários e arrecadações. 13) A torre sineira é ligada à igreja por um passadiço ao nível do coro, tendo acesso independente por uma porta que comunica directamente com o exterior. Tem vãos para 3 sinos e nela será colocado um relógio de duas faces (...)". No ponto III fazem-se algumas considerações importantes: "1) Como sala de assembleia, a nave deve ter condições de visibilidade e audição satisfatória. A forma trapezoidal dada à sala é um factor preponderante na obtenção dessas condições, que será completado por condições especiais. 2) Quanto à visibilidade, houve o propósito de pôr em evidência o altar-mor. A disposição dos bancos, a sobrelevação do próprio altar e a disposição da iluminação natural e artificial concorrem para a consecução desses objectivos. O altar ficará propositadamente invisível da nave lateral, para garantir sempre uma passagem livre ao longo da mesma. 3) Procurou-se, por outro lado, obter condições acústicas satisfatórias, que permitissem dispensar uma instalação de transmissão e ampliação de som (...). 4) A disposição dos vãos de janelas foi estudada no sentido de permitir uma iluminação natural de intensidade regular e relativamente fraca (apenas o suficiente para facilitar a leitura), orientada de cima para baixo e de trás para diante; no espaço destinado à assembleia, que será obtida pela grelha colocada na fachada frontal. (...). A capela-mor ficará, assim, fortemente iluminada por meio de um rasgamento vertical que permitirá a penetração de um feixe de raios solares directos durante a manhã, e de tal modo que não possa incidir directamente nos olhos da assistência. 5) Um arranjo de efeitos semelhantes se fará para a iluminação artificial. Esta será realizada à base de luz fluorescente, predominantemente indirecta (...). 6) A ventilação será assegurada pelos rasgamentos horizontais situados ao longo da fachada poente do edifício, e que serão providos de caixilhos basculantes de balanço". (...) Quanto à expressão plástica, explica-se que "(...) No exterior, houve o propósito de conseguir uma certa nobreza e dignidade, sem cair na monumentalidade, propósito que para ser atingido obrigará a fazer na fachada frontal algumas modificações que lhe dêm maior singeleza. A fachada lateral que corresponde à nave de circulação, é intencionalmente modesta, correspondendo a importância que contém, e casando-se com o cenário vizinho. 3) A forma destacada do corpo permite obter para o conjunto uma silhueta mais nítida, afirmando-se ela própria com maior vigor, sem ter uma altura muito grande, e deixando intacto o volume da igreja. 4) Uma estátua do orago, em alto relevo, será colocada junto a um dos cunhais, por forma que fique voltada para a rua principal de acesso. Na parte superior do nártex poderá inscrever-se um friso escultórico. 5) A decoração interior terá que obedecer a um plano de conjunto (...). No grande volume da nave central é indispensável uma pintura mural ao fundo da capela-mor, que ficará iluminada pelo janelão lateral, e contribuirá grandemente para a criação do ambiente necessário. Ao longo da parede do lado nascente poderão ser colocados painéis em mosaico ou baixo-relevo, se ou quando as condições económicas o permitirem. Desenhos incisos, praticados no reboco e dentro duma composição mais livre, também podem admitir-se. Na nave central não deverão ser colocados, como é corrente, imagens ou quadros em quantidade, cujo estilo ou espírito briguem com os do edifício. Sómente uma ou outra imagem poderá caber em local especial, recatado. 6) Para a decoração da nave lateral e dos locais que a ladeiam, o critério a seguir será o mesmo; embora aqui os elementos possam adquirir um carácter mais particular, aproveitando mesmo algumas das imagens existentes na actual igreja. As janelas das capelas, e especialmente a do baptistério, poderão ser dotadas de vitrais. 7) No conjunto, houve o duplo propósito de fazer arquitectura activa e de fazer arquitectura autêntica. Activa no sentido de construir ambientes propícios ao desenrolar das funções culturais e de estimular a adesão dos fieis. Autêntica como expressão de problemas funcionais resolvidos por meios adequados e correctos, servindo aspirações colectivas bem enraizadas. Como os desenhos mostram claramente, não foi considerado qualquer propósito de empregar estilos do passado, já caducos, ou elementos construtivos e decorativos ditos regionais. Tais práticas são desastrosas por estarem em contradição com as realidades vitais" (PT NTP - TXT 00123). *2 - O projeto desta data previa "um aumento sensível da área útil, à custa do espaço ocupado pelas arrecadações e sacristia, que ficará transformado em nave lateral. Com esta disposição aumenta-se a capacidade da igreja em cerca de 50%, pois a área útil passa de 80m2 para 120m2. Preferiu-se esta solução da nave lateral à do alargamento da nave única para manter o eixo interior da igreja coincidente com o eixo da frontaria, por forma a não alterar a estrutura desta. Para o efeito será demolida a parede norte da igreja, construindo-se em seu lugar uma série de arcos, de modo a proporcionar a maior visibilidade à nave lateral. Ainda para conservar coincidentes o eixo da porta e o da nave principal, haverá que demolir também as paredes laterais da capela-mor, reconstruindo-as nos mesmos planos das paredes da nave. Na planta do estado atual estão indicadas a tracejado as paredes a demolir. Por outro lado, para se obter maior desafogo e cubagem no interior da igreja, prevê-se o levantamento de todo o telhado e a sua reposição a um nível superior, como se indica a tracejado nos cortes do estado actual. Esta modificação implica o apeamento da cimalha em toda a sua extensão e de todos os capiteis, acrescentando-se as pilastras ao mesmo tempo que se levantam as paredes. Tanto quanto possivel, serão aproveitadas as cantarias apeadas, fazendo-se os acrescentamentos com pedras já usadas, para evitar o contraste desagradável que resultaria do emprego de cantarias novas. Para substituição da arrecadação eliminada pela ampliação da igreja tem que encontrar-se um local nas imediações da igreja, visto que o anexo cuja construção se prevê por detrás da capela-mor não pode comportar mais do que a sacristia para que deixe uma passagem livre entre a igreja e as casas visinhas. O interior da igreja foi arranjado por forma a obter-se um bom aproveitamento do espaço e uma disposição prática e correcta dos vários elementos: altares, confessionários, púlpito, etc. o altar-mor será inteiramente conservado com o respectivo retábulo. Os dois altares laterais mais antigos, serão colocados em nichos abertos na parede sul, sendo eliminados os que se situam nos cantos. um novo altar, de traçado simples, será colocado em nicho ao fundo da nave lateral. Um guarda-vento será construído à entrada. Na construção serão empregados principalmente materiais locais, para que a igreja mantenha em tudo o seu estilo actual" (PT NTP TXT 00125).

Autor e Data

Paula Noé 2018

Actualização

 
 
 
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