Seminário Maior / Seminário de Jesus, Maria, José

IPA.00016406
Portugal, Coimbra, Coimbra, União das freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)
 
Arquitectura religiosa educativa, barroca. Edifício cenograficamente implantado, antecedido por jardim de gosto barroco, com fachada principal onde se abre o portão de ferro e bronze da porta principal, vindo de Bolonha. "A fachada principal é elegante e tem certa grandeza, sem deixar de apresentar concepção original. Belo é o portão de ferro e bronze da porta principal, vindo de Bolonha. A mesma elegância se encontra no templozinho de planta oitavada e coberto de cúpula, sumptuosamente ornado de obras de arte. Na capela-mor destaca-se o magnífico altar de mármore com uma tela de autor italiano, representando Jesus entre os Doutores. Sobre a entrada encontra-se o órgão de talhas douradas e policromadas, feito pelo espanhol João Fontana da Maqueixa. Entre as esculturas sobressaem as do napolitano Januário Vassalo. Verdadeiras obras primas representando a Virgem e São José (o seminário foi colocado sob a invocação de Jesus-Maria-José). Pascoal Parente decorou a cúpula com pinturas a fresco, representando a Assunção da Virgem" (BORGES, 110, 1987).
Número IPA Antigo: PT020603250148
 
Registo visualizado 245 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Seminário  

Descrição

Seminário Maior de Coimbra é constituído por três edifícios, de épocas diferentes, assim designados: CASA VELHA (1748-1765); CASA NOVA (1873) e CASA NOVÍSSIMA (1880). Edifício central - Casa Velha - Planta rectangular, formada por quatro corpos de três pisos, ligados entre si, desenvolvidos à volta de um claustro interior. Cobertura diferenciada em telhados de três e quatro águas nos corpos do edifício e torres sineiras com coruchéu. Fachada principal voltada a N., de três pisos definidos por friso no primeiro e cornija no segundo, e composta por sete panos delimitados por pilastras . O pano central corresponde à entrada da igreja e dois dos laterais às torres sineiras; os panos laterais obedecem à mesma gramática decorativa, abertos ritmicamente no primeiro piso por janelas de moldura recta com frontão curvo; no segundo piso abrem-se quatro janelas com balaustradas encimadas por frontão de segmento e as restantes com frontão triangular, à excepção dos panos das torres sineiras que neste piso são abertos por duas janelas encimadas por relógio; terceiro piso com menos altura que os anteriores é aberto por janelas que têm alternadamente frontões curvos e rectilíneos; as torres sineiras elevando-se acima do nível da cobertura apresentam quatro ventanas recortadas com diferentes elementos decorativos e combalaustrada. O pano central, de dois registos, tem no primeiro portal principal em arco perfeito, de ferro e bronze, de acesso ao átrio, definido por duas colunas de fuste estriado a suportar a varanda do coro da igreja, que corresponde ao segundo registo, com ampla janela de arco abatido de verga decorada encimada com frontão ondulado, sobre o qual se encontra o brazão do Bispo fundador com as armas dos Condes de Pavolide e com o emblema do Mosteiro de Santa Cruz. INTERIOR: Átrio com tecto pintado a "fresco" com duas portas laterais que dão acesso ao rés do chão e ao primeiro e segundo andares pelas escadas laterais, e uma porta de madeira preciosa embutida de madre-pérola, enquadrada por elementos decorativos, que dá acesso ao interior da igreja. IGREJA - INTERIOR: planta octogonal irregular, cobertura em cúpula (exterior-eleva-se acima do edifício, encimada por um globo e cruz de braços duplos) com fresco representando a Assunção da Virgem acompanhada de anjos e santos. Coro-alto sobre a entrada com órgão em concheado, com tubos perpendiculares; paredes laterais com nichos onde estão as esculturas em madeira, do séc. 18, dos quatro Doutores da Igreja Latina - São Jerónimo, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Gregório; altares laterais com colunas jónicas e as imagens Nossa Senhora da Conceição e de São José, de madeira em tamanho natural; sob estes altares , em urnas de vidro, as relíquias de São Liberato e de São Fortunato; no supedâneo destes altares eram sepultados os professores e o do altar-mor destinava-se à sepultura dos reitores. Capela-mor de forma rectangular com quatro nichos moldurados em pedra, contendo relíquias; tem duas largas tribunas de madeira entalhada sobre duas portas preciosas que fazem ligação às sacristias, a da direita com tectos pintados; a da esquerda com lavavo em pedra; a pintura do tecto representa uma pomba emitindo raios dourados e as figuras dos quatro evengelistas. Altar-mor com duas colunas jónicas encimadas por quatro anjos sobre entablamento. O trono do altar, em mármore branco, está coberto com uma tela representando Jesus entre os Doutores na companhia de Nossa senhora e São José. coro alto com cadeiral onde se encontra o órgão de talhas douradas e policromadas, com acesso pelo corpo do Seminário por dois lances de escadas.

Acessos

Rua dos Combatentes da Grande Guerra; Avenida Dr. Júlio Henriques; Estrada da Beira

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado em terreno desnivelado, rodeado por muro e cerca que descia até à estrada da Beira. Encontra-se em plano mais baixo e a leste do Hospital Militar (v. PT020603250147) tendo-lhe fronteiro, numa cota superior, o Jardim-Escola João de Deus (v. PT020603250146). O acesso ao recinto do Seminário faz-se pelo portão grande, em cantaria, semelhante ao do Jardim Botânico (v. PT020603250037) que lhe fica em frente, com porta em ferro com as armas episcopais do Bispo Conde D. Manuel Correia Bastos Pina. O edifício é antecedido por jardim tendo ao centro um conjunto circular de lagos, rasgado por duas ruas perpendiculares, com balaustradas e figuras mitológicas em pedra nos quatro lagos. No topo poente da rua transversal, um retábulo de pedra com forma monumental, encimado por um pelicano. A nascente construções descaracterizadoras do local.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Educativa: seminário

Utilização Actual

Educativa: seminário

Propriedade

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Frei João da Soledad (projecto); Francesco Tamossi e Giacomo Azzolini (direcção das obras); João Fontanes de Maqueixa (organeiro). PINTOR: Pascoal Parente (1760). Januário Vassalo (escultor)

Cronologia

1748 - Mandado erguer pelo Bispo Conde de Coimbra D. Miguel da Anunciação; 1755 - morre Francesco Tamossi tendo sido substituido por Giacomo Azzolini; 1756 - data das escultoras de madeira em tamanho natural representando Nossa Senhora da Conceição e São José, feitas em Nápoles; 1758 - o seminário de Coimbra abriu as portas aos seus primeiros alunos; 1753 a 1865 - funcionou como residência universitária; 1760 - pintura da cúpula por Pascoal Parente; 1765 - conclusão das obras; séc. 18 - execução do órgão por João Fontanes de Maqueixa; 1873 / 1880 - construção da Casa Nova e da Casa Novíssima, mandadas erigir pelo Bispo Conde D. Manuel Correia Bastos Pina; séc.19 - construção do jardim; 1896 - até esta data permaneceu no Seminário o curso liceal interno para os pensionistas; 1904 - até este ano foi internato para alunos do curso liceal, que iam e vinham acompanhados por um perfeito; 2015, 07 outubro - publicação da abertura do processo de classificação, em Anúncio n.º 233/2015, DR, 2.ª série, n.º 196; 2019, 18 março - publicação do Projeto de Decisão relativo à classificação como Monumento Nacional, em Anúncio n.º 39/2019, DR, 2.ª série, n.º 54/2019.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Alvenaria de pedra, mármore italiano, pedra de Ançã, madeira preciosa, madre-pérola, ferro, bronze.

Bibliografia

BORGES, Nelson Correia, Coimbra e Região, Novos Guias de Portugal, Coimbra, 1987; REIS, Vítor Manuel Guerra dos - O Rapto do Observador: invenção, representação e percepção do espaço celestial na pintura de tectos em Portugal no século XVIII. Lisboa: s.n., 2006. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2 vols.; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/21099845 [consultado em 16 agosto 2016].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Seminário: 1990 - obras gerais de reparação e conservação nos três edifícios (substituição dos telhados, do reboco exterior, da caixilharia e da instalação eléctrica; 2003 - restauro do órgão (em curso)

Observações

Capela-mor com relicários; Sacristias - lado direito mau estado das pinturas do tecto; lado esquerdo mantém o chão original; pinturas de Parente - estudos do tecto da nave.

Autor e Data

Cecília Matias 2003

Actualização

 
 
 
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