Central Elétrica e Edifícios da Fábrica de Fiação e Tecidos de Alcobaça
| IPA.00016214 |
| Portugal, Leiria, Alcobaça, Maiorga |
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| Arquitectura industrial, oitocentista e do séc. 20. O complexo fabril, fundado em 1874, foi sendo alvo de várias ampliações ao longo da sua extensa existência. Construções como a Central Eléctrica e o Posto de Transformação, atestam a enorme dimensão desta empresa. Mas esta companhia também tinha preocupações Sociais, o que é comprovado pela construção da Assistência Araújo Guimarães, pela existência de uma Banda de Música, Cantina etc. |
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| Número IPA Antigo: PT031001010070 |
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| Registo visualizado 213 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Conjunto arquitetónico Edifício e estrutura Extração, produção e transformação Fábrica Fábrica têxtil
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Descrição
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| Conjunto constituído pelos edifícios fabris, posto de tranformação, Assistência Araújo Guimarães e pela Central Eléctrica e respectivo açude. O conjunto de edifícios tem a sua implantação ao longo das margens do rio Alcobaça (Alcôa). FÁBRICA: conjunto constituído por 13 edifícios de implantação longitudinal, alguns adossados entre si. Os vários volumes são articulados horizontalmente. Os edifícios possuem coberturas diferenciadas de uma e de duas águas, de telha cerâmica e telha metálica. Apresenta armazém, de pintura verde, com embasamento em aparelho rusticado, fenestração regular em dois registos, e fachada principal (Este) marcada por portão de carga. Encontra-se adossado, perpendicularmente, a conjunto de cinco edifícios e, paralelamente, a conjunto a dois edifícios. Estes possuem empenas triangulares, janelas e portas rectilíneas e quadrilobadas e portas de verga arqueada (fábrica velha). Outro conjunto de edifícios é composto por armazém, de pintado a roxo, com embasamento em aparelho rusticado, fenestração regular num e fachada principal (Oeste) marcada por portão de carga. Este encontra-se adossado e ligado com escritório e a conjunto de três edifícios, cada um de fachada distinta a Oeste e mais regular a Este, mas ambas contínuas. Na fachada Oeste o primeiro edifício, pintado a creme, é dominado por três portões de carga, o segundo, correspondente à Fábrica Nova, possui dois registos, fenestração regular de vãos de verga rectilínea e duas portas de lintel arqueado. Esta fachada é marcada por fonte azulejar. O último edifício possui pano rasgado por pequenas janelas rectilíneas. Os dois primeiros edifícios constituem, no seu interior, um espaço amplo e contínuo, enquanto que no último existe a correspondência entre o espaço da fachada e o interior. Na margem oposta (as margens estão ligados por ponte) encontram-se localizados ligados por ponte o POSTO DE TRANSFORMAÇÃO: planta rectangular, irregular, com disposição horizontalizante e simples de volumes. Apresenta coberturas planas e cornija rectilínea. Correspondência entre vãos e pisos. O 1º andar, de planta em L, possui zona rectangular de terraço. As fachadas de panos únicos, apresentam fenestração regular, sendo os vãos do 1º andar mais altos que os restantes, com excepção das janelas da fachada Este. A fachada Principal é voltada a Oeste. INTERIOR: espaços amplos, chão rasgado por canais largo e escadas (a sul) que permitem a ligação entre os pisos. ASSISTÊNCIA ARAÚJO GUIMARÃES: planta composta. Desenvolve-se em dois pisos, com disposição horizontal de volumes e coberturas diferenciadas em telhados de quatro e três águas e planas nas estruturas semicirculares. O edifício possui embasamento liso, friso, contínuo nos corpos rectilíneos, que marca no exterior a divisão dos pisos, cornija dominada por linhas rectas e platibanda lisa e contínua nas estruturas rectilíneas. Esta é mais elevada, escalonada e encontra-se inscrita na fachada principal, voltada a Norte. Esta fachada, de pano único, possui no rés-do-chão dez pequenas janelas, dispostas aos pares, junto a duas delas foi colocada escada de betão que serve entrada do piso superior, e duas mais largas e altas, em cada extremidade. Piso superior com sete vãos, três deles com ligação à varanda semicircular, de quatro colunas e guarda de betão, com três vãos de gradeamento metálico. O pavimento da varanda corresponde à cobertura o alpendre, com a mesma morfologia e suportado por quatro colunas. A fachada lateral (Este) de dois panos possui fenestração regular e chaminé saliente no ângulo. As fachadas posterior (Sul) e lateral (Oeste) apresentam dois corpos rectilíneos, de fenestração regular, unidos por estrutura semicircular, ritmada por largas janelas nos dois pisos. Duas escadas de betão, uma em cada fachada, permitem o acesso ao andar superior. INTERIOR: correspondência entre os espaço interior e exterior, com espaços amplos na estrutura semicircular e divisórias de dimensão mais reduzida que se desenvolvem a partir de corredores. CENTRAL ELÉCTRICA: planta rectangular, simples e com volumes articulados horizontalmente. Cobertura com telhado de quatro águas. Fachada principal voltada a O., com porta larga, de ombreiras e lintel curvo, ambos líticos, e portão de metal e vidro. Fachadas com cornija, pilastras caneladas nos cunhais. Edifício anexo (fachada norte), de planta rectangular, e maquinaria no exterior. Portaria de acesso em edifício próprio, de planta quadrangular simples, cobertura em telhado de quatro águas, dois vãos em fachadas diferentes. AÇUDE: as comportas no leito de Alcoa com fachada (oeste) constituída por estrutura com dois panos, de friso côncavo e estrutura metálica, que ligam três pilares. O açude serve a Central Eléctrica. |
Acessos
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| Avenida Humberto Delgado. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,562995, long.: -8,984000 |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Periurbano, a norte da vila de Alcobaça, na margem esquerda do rio com o mesmo nome (embora muitas vezes seja designado por Alcôa). Ainda são visíveis a comportas que alimentavam a central. Na margem direita estão implantados os edifícios fabris e na margem esquerda, em terrenos anexos, encontram-se os edifícios de apoio (Assitsência), posto de transformação e outros edifícios actualmente em ruínas, mas que pertenceram à fábrica. |
Descrição Complementar
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| FONTE: espaldar azulejar escalonado, com nicho central, para a bica, ladeado por duas edículas. Atualmente encontra-se desactivada |
Utilização Inicial
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| Extração, produção e transformação: fábrica |
Utilização Actual
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| Armazenamento e logística: armazém / Devoluto |
Propriedade
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| Privada |
Afectação
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| Sem afetação |
Época Construção
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| Séc. 19 / 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Desconhecido. |
Cronologia
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| Séc. 16 - o açude que alimentava a Central Eléctrica terá sido construído nesta data, alimentando, ao longo dos séculos e em diversas cronologias, um engenho de fabrico de papel, três moinhos de cereal e um lagar de azeite; 1874 - fundação da Fábrica de Fiação e Tecidos de Algodão de Alcobaça graças ao esforço de Joaquim Ferreira de Araújo Guimarães e Sr. Grilo e alguns alcobacenses; 1878, 2 fevereiro - inauguração da fábrica; 1883 a Fábrica de Fiação e Tecidos de Alcobaça celebrou um contrato com a Companhia Real dos Caminhos de Ferros Portugueses para a construção do caminho-de-ferro de Torres à Figueira (progresso Urbano); 1885 - a fábrica possuía dois motores a vapor com a força de 100 cavalos e um motor hidráulico com uma força entre os 34 e os 70 cavalos; 1894 - encontrava-se em construção a nova fábrica; 1897 - foi inaugurada um edifício novo, denominado de Fábrica Nova; 1899 - inauguração do busto de Araújo Guimarães, no átrio da fábrica; 1907 - encontrava-se instalada em dois edifícios, a variada maquinaria que era accionada por duas máquinas a vapor com uma força global de 400 cavalos e por uma turbina hidráulica com uma força entre os 16 e os 140 cavalos; 1926 - electrificação da Fábrica Nova; 1936, 1 julho - inauguração da Assistência Araújo Guimarães, anexa ao estabelecimento fabril, com creche para 30 crianças, lactário, consultório médico, enfermaria, balneário e sala de recreio; 1945 - a Companhia de Fiação e Tecidos de Alcobaça, com sede no Porto, solicita autorização para aproveitar as águas do rio Alcôa na Fervença, nas proximidades da Fábrica. No projecto constava um açude no rio, canal de derivação na margem direita, dois edifícios que serviriam como centrais hidroléctricas e três grupos de geradores com as respectivas potências de 300 C.V., 150 C.V. e de 33 C.V; 1951 - tinha cerca de 800 trabalhadores, 500 teares e 14 000 fusos, corporação de Bombeiros, Banda de Música, cooperativa de consumo, cantina, cozinha e refeitório; 1998 - falência da COFTA, designação comercia da Companhia de Fiação e Tecidos de Alcobaça; 1999 - 2000 - adquirido por uma entidade empresarial, ficando a central eléctrica na posse de um particular. |
Dados Técnicos
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| Estrutura autónoma; paredes autoportantes |
Materiais
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| Ferro; Betão armado; argamassa; vidro; pedra; madeira; metal; azulejo; telha metálica e cerâmica |
Bibliografia
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| ALDEMIRA, Luís Varela, Alcobaça Ilustrada. Um Estudo Crítico, Programa Relatório, Catálogo e Estampas, Lisboa, 1940; Companhia de Fiação e Tecidos de Alcobaça, O Século. Número Extraordinário Comemorativo do Duplo Centenário da Fundação e Restauração de Portugal, Lisboa, 1940; FIGUEIREDO, Maria Olímpia Lameiras de, BRANCO, António Sanches, MENDONÇA, Carlos, MONTEIRO, João Oliva, Continuar Cister. Conhecer, memorizar, compartilhar os valores patrimoniais dos coutos cistercienses in Espaços ADEPA, Alcobaça, 1996; LAMEIRAS - CAMPAGNOLO, Maria Olímpia, CAMPAGNOLO, Henri, BRANCO, António Sanches, MONTEIRO, João Oliva, Marcas e Sinais de Cister in Actas Cister Espaços, Territórios, Paisagens, vol. II, Lisboa, Dezembro de 2000, p. 593; LARCHER, Tito Benevenuto de Lima e Sousa, Diccionario Biographico Chorographico e Histórico do Districto de Leiria e Concelho de Villa Nova D'Ourem, Leiria, 1907, p. 167; MARQUES, Maria Zulmira Albuquerque Furtado, Toponímia Alcobacense, Alcobaça, 2000, p. 30; MARQUES, Maria Zulmira Furtado, Um Século de História de Alcobaça 1810-1910. Chalets e Palacetes do Romantismo Tardio, Alcobaça, 2003; RIBEIRO, Armando, Terras Fradêscas, Lisboa, 1933; TAVARES, José Pedro Duarte, Hidráulica. Linhas gerais do sistema hidráulico cisterciense em Alcobaça in "Roteiro Cultural da Região de Alcobaça. A Oeste da serra dos Candeeiros", Alcobaça, 2001, p. 50; VILLA NOVA, Bernardo, Alcobaça, Semana Alcobacense, Alcobaça, 19 de Abril de 1923; VILLA NOVA, Bernardo, Guia de Alcobaça, Alcobaça, 1926; VILLA NOVA, Bernardo, O Progresso Urbano da Vila de Alcobaça. Algumas Outras Notas, Alcobaça, 1941; VILLA NOVA, Bernardo, Novo Guia de Alcobaça, Alcobaça, 1951; VILLA NOVA, Bernardo, Subsídios para a História de Alcobaça, Alcobaça, 1956; VILLA NOVA, Bernardo, Notas Etimológicas e outras sobre Alcobaça e Sua Região, Alcobaça, 1958; Relatório da Actividade e das Contas da Câmara Municipal de Alcobaça Relativamente Aos Anos de 1953 a 1960, Alcobaça, 1961;VILLA NOVA, Bernardo, VILLA NOVA, Silvino, Breve História de Alcobaça, Alcobaça, 1995. |
Documentação Gráfica
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| CMAlcobaça: Sector de Plantas de Localização |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Administrativa
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Intervenção Realizada
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Observações
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| *1 - as comportas existentes no rio Alcobaça, que alimentavam a central eléctrica, foram construídas através de uma concessão do Governo, por um período de 50 anos, com a responsabilidade de fornecer a àgua para a irrigação dos campos da Maiorga. *2 - Araújo Guimarães, primeiro Director da Fábrica de Fiação e Tecidos de Alcobaça, foi casado com D. Luísa Lopes de Oliveira, irmã de Bernardino Lopes de Oliveira. *3 - a empresa tinha a sua sede social no Porto. Este conjunto patrimonial corre o risco de ruína se nada for feito com urgência para a sua salvaguarda. |
Autor e Data
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| Sónia Vazão 2004 |
Actualização
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