Edifício na Rua da Escola Politécnica n.º 80

IPA.00016211
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santo António
 
Edifício residencial multifamiliar e comercial contemporâneo. Edifício de acompanhamento, de média dimensão, inserido em frente de rua, para habitação de rendimento
Número IPA Antigo: PT031106460750
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial multifamiliar  Edifício  Edifício residencial e comercial  

Descrição

Acessos

Rua da Escola Politécnica, n.º 80

Protecção

Incluído na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) e na do Edifício da Imprensa Nacional (v. IPA.00019891) / Incluído na Zona Especial de Proteção do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências (v. IPA.00007006) e na Zona Especial de Protecção Conjunta aos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente

Enquadramento

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: edifício residencial e comercial

Utilização Actual

Residencial: edifício residencial e comercial

Propriedade

Privada

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTURA: Arq. Manuel Maria Cristóvão Laginha (1919-1985). ESTABILIDADE: Eng. Silvério Martins da Silva. INTERIORES: Arq. Artur Pires Martins (loja)

Cronologia

1956, 20 Julho - data da memória descritiva que, assinada pelo Arq. Manuel Laginha, acompanha o "Projecto para um prédio de rendimento na Rua da Escola Politécnica números 64 a 72", da autoria do mesmo e apresentado a licenciamento na Câmara Municipal de Lisboa por António Rodrigues Vieira (AML.Arquivo Intermédio Proc. 36.538/56). No requerimento, é sugerida a "consulta aos serviços do Gabinete de Estudos [de Urbanização, GEU] a propósito do novo alinhamento preconizado" (ML NP384.DGEMN), uma vez que o projecto prevê o recuo de toda a frente NE. da Rua da Escola Politécnica, que passa a dispôr de uma largura mínima de 15m (contra os anteriores 12m). Tal operação, mediante o corte do terreno em causa e dos adjacentes a SE (considerados na "eminência de reconstrução"), é justificada com vantagens para o trânsito, o desafrontamento, a renovação da artéria, a actualização das condições de habitabilidade e o alteamento e uniformização da cércea. Este argumento, e uma vez que a altura adoptada - piso térreo e cinco andares, com o último recuado - excede a regulamentar, ganha especial relevância dado o interesse económico do excesso (maior área de aluguer), o qual é defendido por Laginha, no entanto, por "princípios de ordem estética, tanto aplicados à uniformização de alturas com outros pontos do mesmo arruamento, como na composição das fachadas, para escolha da mais harmónica disposição de volumes e de proporções gerais, como ainda no aproveitamento das vistas daí disfrutadas sobre o Tejo". Dada a proximidade do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências (em cuja Zona de Protecção o imóvel se insere), o autor do projecto anuncia especiais cuidados com a composição da fachada posterior, "onde se evitou a presença de escadas de serviço e outros elementos perturbadores da compostura, e onde as zonas fronteiras das cozinhas foram dotadas de grelhagem cuja disposição obsta eficientemente à vista do estendal tomada do exterior" (ML NP384.DGEMN). O programa é, nesta primeira versão do projecto, composto por duas lojas e habitação da porteira em rés-do-chão (ocupando toda a área de implantação do lote) e dois fogos em cada um dos cinco andares, completados no andar recuado por um "pequeno atelier tipo-desenho" e servidos por escada e dois ascensores. As tipologias são de dois quartos de dormir (um dos quais com varanda sobre a rua, subtraída ao volume geral elevado) com quarto de serviço, escritório e instalações sanitárias duplicadas, para além de sala de jantar, cozinha, despensa e estendal em varanda posterior. A distinção, pretendida pelo autor, das zonas social e íntima de tão modestas tipologias, é vincada pela criação de dois vestíbulos separados que ocupam grande parte da área interior dos fogos; 1956, Agosto - o pedido é arquivado logo pela análise da Direcção dos Serviços de Urbanização e Obras (DSUO) / 1ª Repartição, por não existir plano pormenorizado para o local, em estudo pelo GEU (AML.Arquivo Intermédio Proc. 36.538/56, fl. 23); 1957, 25 Fev. - nota manuscrita de Manuel Laginha relatando reunião com os arquitectos Sommer Ribeiro e Ressano Garcia, do GEU: "O estudo para este local, está ainda em elaboração, e estará, possivelmente, concluído dentro do prazo dum mês +/-. Há ainda que admitir a hipótese do arruamento vir a alargar mais do que o que foi proposto (18,0m), à custa desta propriedade e confinantes" (ML NP384.DGEMN); 1958, Fevereiro - o GEU fornece as características genéricas (índice de ocupação do solo, área coberta / habitante e densidade líquida máxima) a que o projecto deverá obedecer, previstas no Estudo-base de Urbanização de S. Mamede, Mercês, Bairro Alto e Sta. Catarina, mas afirma que o assunto "deverá ser pormenorizado em estudo local" (AML.Arquivo Intermédio Proc. 36.538/56, fl. 25); 1958, Setembro - a DSUO/ 1ª Repartição prevê 5 pisos para construções novas naquele local, no Estudo de Pormenor para a Zona do Jardim Botânico (AML.Arquivo Intermédio Proc. Privativo 136/1ª/O/S/58); 1959, Março - a mesma repartição desvincula a apreciação do projecto do andamento daquele estudo de pormenor e estabelece 5 pisos, fachadas paralelas e profundidade de 12m para a empena do imóvel (AML.Arquivo Intermédio Proc. 36.538/56, fl. 32); 1959, Agosto - a DGEMN, consultada quanto ao volume pretendido por este se encontrar abrangido pela Zona de Protecção ao Jardim Botânico *, pronuncia-se favoravelmente; s.d. - parecer da Comissão Permanente de Vistorias, solicitado em virtude da ocupação com construção prevista para o logradouro. Considerando que a ocupação projectada é "obtida quase completamente por escavação de terrenos interiores ainda livres, resultando de tais circunstâncias que da obra projectada resultarão benefícios além do bom aspecto local, às condições de salubridade e segurança de todos os edifícios, directa ou indirectamente afectados", a Comissão é de parecer favorável, desde que: fossem introduzidos acessos do 1.º andar à cobertura do piso térreo, transformando-a em logradouro para usufruto daquele andar; fossem previstos sistemas de iluminação e ventilação naturais do aproveitamento projectado; e o processo fosse completado com cortes transversal e longitudinal, ilustrando o cumprimento de tais condições (ML NP384.DGEMN); 1959, Outubro - o requerente apresenta exposição ao Presidente da CML queixando-se da ausência de uma decisão camarária sobre a sua pretensão, apresentada 3 anos antes. Após os mais de 2 anos em que o processo esteve retido entre o GEU e a 1.ª Repartição, o motivo para reclamação é agora a demora do pedido no gabinete do Director dos Serviços de Urbanização e Obras, Eng. Jaime Pereira, desde Agosto, considerado injustificável tendo em conta os pareceres favoráveis entretanto recolhidos de todas as entidades consultadas (ML NP384.DGEMN); s.d. - documento manuscrito de Manuel Laginha elencando as "Alterações a introduzir" (supressão de um andar, modificação do sistema de ventilação nos banhos e introdução de um aproveitamento em cave com 2,5m de pé-direito livre) e os "Cuidados a atender" na revisão a que então procede no projecto, em obediência às diversas imposições resultantes das apreciações camarárias (ML NP384.DGEMN); 1960, 15 Mar. - o requerente apresenta novo processo em substituição do anterior, constituído por novas peças desenhadas e por um aditamento à memória descritiva assinado pelo arquitecto. Neste documento, Laginha explica como, ao fim "de longa e morosa 'digressão' deste processo pelos respectivos Serviços Camarários" e de terem sido finalmente dados a conhecer os "termos a que o projecto deveria passar a obedecer", aproveitou a oportunidade de redesenhar totalmente a proposta para inserir "o aproveitamento de um piso em cave (...) como extensão do comércio estabelecido no rés-do-chão". Tal novidade visa "atenuar um pouco os prejuízos já sofridos pelo interessado neste empreendimento, originados, tanto pela demora em que tem decorrido a sua apreciação, como pela supressão do 4.º andar de habitação, imposta pela Câmara e que tanto afecta as bases económicas em que foi feita a transacção do prédio existente". Por outro lado, e porque a "a orientação da fachada posterior não era propícia à criação de zonas de estendal, com o desejado desenvolvimento, ao nível de cada habitação", os estendais individuais são reduzidos e complementados por um colectivo no terraço sobre o último andar, compartimentado. O mesmo terraço é ainda dotado de "duas zonas de disfruto panorâmico" para os habitantes, dadas as vistas proporcionadas e a proximidade do Jardim Botânico, o que justifica a extensão do elevador até este piso. Quanto à iluminação e à ventilação do piso térreo, a primeira é assegurada pelo "betão translúcido" utilizado em parte da laje de cobertura (cuja utilização pelos inquilinos do 1.º andar fica possibilitada pelas escadas adicionadas às varandas deste), e a segunda por chaminé servindo aquele piso e a cave (ML NP384.DGEMN); 1960, Julho - consultada sobre a segunda versão do projecto, a DGEMN considera que a Câmara deve elaborar "um estudo de conjunto local que focará não apenas o problema das cérceas mas também e sobretudo o lado plástico e estético das edificações interessadas". Dado o "interesse citadino" e a "invulgar beleza" do percurso correspondente à Sétima Colina, pode encarar-se decididamente a remodelação desta e de outras zonas da cidade, aceitando-se em locais antigos o aparecimento de "prédios de espírito e concepções actuais, mas importa que a transformação inevitável não seja feita apenas pela iniciativa particular e o maior ou menor critério dos projectistas" (AML.Arquivo Intermédio Proc. 36.538/56, fls. 79-81). Este projecto específico, não obstante tais considerações - que colocam em causa a competência e critério municipais na elaboração de estudos de conjunto em zonas antigas de Lisboa -, merece a aprovação daquela entidade; 1961, Fevereiro - de acordo com a sugestão da 3.ª Repartição (Arquitectura) da Direcção de Serviços de Salubridade e Edificações Urbanas, a DSUO / 1.ª Repartição aceita fazer avançar a apreciação do processo independentemente da prossecução do estudo sugerido pela DGEMN; 1961, Novembro - 5 anos após a entrada do pedido de licenciamento, é emitida a licença de construção; 1962, 14 Agosto - António Fernandes Vieira e António Rodrigues Vieira apresentam cópia da fachada principal com indicação dos principais materiais e cores a aplicar, solicitando à CML a sua aprovação. Prevê-se a pintura nas cores cinzento (chaminé e torre dos ascensores), camurça (pérgula no terraço superior, guardas das varandas laterais e tecto falso sob a consola do 1.º andar) e azul esverdeado (lados das varandas laterais); o forro com cantaria branca (topos das lajes das varandas, pilares extremos laterais), com mosaico "Evinel" creme claro (platibanda), com azulejo azul esverdeado (cortinas do corpo avançado central), com mármore cinzento polido (topos das divisórias daquele corpo) e com granito cinzento polido (pilares do piso térreo); o emprego de caixilharias em madeira exótica (habitações) e alumínio anodizado natural (lojas), de persianas "Roplasto" branco e de aros de ferro a branco com vidro aramado (cortinas das varandas laterais) (ML NP384.DGEMN). Estes revestimentos, aprovados, foram em geral aplicados e são ainda hoje (2006) parcialmente existentes; 1962, 26 Outubro - apresentados projectos de Alterações (com memória descritiva assinada por Manuel Laginha, ML NP384.DGEMN e AML.Arquivo Intermédio Proc. 52.450/62) e Telas Finais (ML NP384.DGEMN e AML.Arquivo Intermédio Proc. 54.998/62). As alterações decorrem de acertos ao levantamento topográfico inicial e do novo alinhamento estabelecido pelos serviços camarários, e traduzem-se, no interior das habitações, na junção dos dois vestíbulos (social e íntimo) num só (de proporção desmesurada), e em ajustes no contorno das instalações sanitárias; 1963, Abril - conclusão da construção. O projecto de interiores do estabelecimento comercial "Armazéns Poli", do Arq. Pires Martins, é da mesma data.

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

AGAREZ, Ricardo Costa - O Moderno Revisitado: Habitação Multifamiliar em Lisboa nos Anos de 1950. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2009.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/Arquivo Pessoal Manuel Laginha ML NP 384, NP 930

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/Arquivo Pessoal Manuel Laginha ML NP 384. CML / Arquivo Intermédio (Bairro da Liberdade), Obra n.º 37.695

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO *1 - a zona de protecção em questão é relativa ao jardim enquanto parte integrante da Faculdade de Ciências, edifício público, e não enquanto imóvel classificado como património, cujo processo se encontra ainda em curso (Imóvel em Vias de Classificação, decretos de 6 Agosto 1970 e 2 Novembro 1999)

Autor e Data

Ricardo Agarez 2006

Actualização

 
 
 
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