Castelo de Sortelha e muralhas da vila / Castelo e cerca urbana de Sortelha

IPA.00001593
Portugal, Guarda, Sabugal, Sortelha
 
Castelo roqueiro medieval, integrado na perifería do antigo núcleo urbano, este circundado por um perímetro muralhado de traçado ovalado irregular acompanhando as curvas de nível e os afloramentos rochosos onde assenta directamente. O castelo prolonga-se para o exterior da cerca, com barbacã elíptica, estreita, e torre de menagem de planta rectangular, sobre os penhascos; a porta é protegida por balcão com matacães. Medidas medievais da vara e do côvado em uso no extinto Concelho gravados na Porta Nova.
Número IPA Antigo: PT020911330002
 
Registo visualizado 1639 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

MURALHAS: A cortina de muralhas que cerca o núcleo urbano mais antigo é de traçado elíptico irregular e está parcialmente apoiada em afloramentos rochosos, que predominam a E. e a S.. É aberta por quatro portas: a Porta da Vila ou Porta do Concelho, orientada a E., em arco quebrado na frente e rebaixado no tardoz, coberta com abóbada de berço abatido; no lado oposto, a Porta Nova ou Porta Nova da Vila, em arco pleno e coberta com uma abóbada de berço, tendo insculpidas no pé-direito as medidas padrão da vara e do côvado em uso no antigo Concelho; a NO. abre-se a Porta Falsa, em arco quebrado, havendo outra de igual denominação a S., junto ao Castelo, em arco ultrapassado do lado exterior e arco pleno do lado interior. A NO. junto da primeira Porta Falsa, eleva-se a Torre do Facho, de planta quadrangular, com embasamento escalonado e desprovida de vãos. No cunhal SE., junto à Porta da Vila, um pequeno torreão ou vigia sobre o adarve, de planta circular e coroamento cónico; a muralha está truncada, existindo do lado E. somente o arranque da mesma, reconstruído, e do remate apenas subsiste parte do caminho de ronda que a circundava. CASTELO: a SE., interrompendo a muralha da vila e desenvolvendo-se para o exterior na direcção NE., com traçado elíptico, estreito, muito irregular, salientando-se no ângulo SO. o corpo de um cubelo trapezoidal; a barbacã é aberta por duas portas: a O. a Porta do Castelo, em arco pleno, encimada por balcão rectangular com matacães e troneiras (denominado "varanda do juíz"), ladeado por pedra de armas com brasão real e esferas armilares, e a S. a Porta Falsa, com lintel recto e pés-direitos oblíquos. O remate está truncado subsistindo apenas do lado N. parte do adarve com remate biselado parcialmente provido de seteiras cruciformes. No interior do recinto, com pavimento de terra batida onde são visíveis alguns restos de estruturas, abre-se uma cisterna de parapeito rectangular e eleva-se a Torre de Menagem sobre um penhasco que preenche quase metade do terreiro, adossada à muralha do lado NO.; tem planta rectangular e é de piso único, com um embasamento escalonado, uma porta a SE., de lintel recto com pés-direitos oblíquos, encimada por arco de descarga de volta perfeita, e 3 seteiras distribuidas pelas restantes fachadas; remate em merlões rectangulares com coroamento piramidal; o acesso à "varanda do juiz" faz-se pelo adarve, abrindo para a mesma um arco pleno ladeado por seteiras, seguindo-se no extremo o cubelo com passagem por arco recto.

Acessos

Largo do Pelourinho

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 julho 1910

Enquadramento

Urbano, implantado num cabeço entre as Serras da Malcata e da Pena, à cota de 786 m., isolado; sobranceiro ao arrabalde da vila e ao vale; inacessível pela vertente S., escarpada. Integrado no núcleo urbano, totalmente cercado por cintura de muralhas; estando o castelo destacado, no local mais elevado, a SE.. A paisagem envolvente é muito acidentada, dominada por grandes afloramentos graníticos, por entre os quais surgem plantas rasteiras típicas de meia-altura. Para S., avista-se a Cova da Beira, para O., a Serra da Estrela e o Castelo de Belmonte (v. PT020501010003), surgindo, a E., uma mplo planalto, correspondendo ao Vale do Côa e ao Sabugal (v. PT020911300001). Defronte da porta do castelo o Pelourinho da vila, manuelino (v. PT020911330005).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Câmara Municipal do Sabugal, auto de cessão de 03 Setembro 1940

Época Construção

Séc. 13 (conjectural) / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Época pré-romana - Provável existência de castro, depois romanizado; séc. 12 - Repovoamento no reinado de D. Sancho I; 1228 - Concessão de carta de foral por D. Sancho II, seguindo o modelo de Ávila / Évora, e provável edificação do castelo; séc. 13 - Beneficiação ou reconstrução do castelo e da cerca da vilapor D. Dinis; séc. 14 - intervenção nas estruturas defensivas por iniciativa de D. Fernando, com construção da nova cerca; séc. 15 - Era alcaide do castelo Manuel Sardinha, sucedendo-lhe Pêro Zuzarte; 1422 - no Rol dos Besteiros, surge a referência a 2130 habitantes; 1496 - na Inquirição, surge a referência de 144 habitantes; 1510 - Renovação da carta de foral por D. Manuel e campanha de obras no castelo, com aposição de emblemática manuelina sobre a porta do mesmo; 1522 - Concessão da alcaidaria-mor a Garcia Zuzarte, guarda-mor de D. Manuel; 1527 - Elevação da vila a cabeça de condado por D. João III, a favor de Luís da Silveira, guarda-mor do rei; no Numeramento, surge a referência a 383 habitantes; 1640 - Notícia da adaptação parcial das estruturas defensivas às novas técnicas militares; entaipamento da denominada Porta Falsa NO.; reconstrução do adarve e do remate dos muros da cerca; dentro do castelo existiu uma prisão, de que era carcereiro o lugar-tenente do alcaide-mor.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes.

Materiais

Cantarias e alvenarias de granito, de aparelho isódomo.

Bibliografia

HENRIQUES, João Baptista, Corografia Lusitana e República Portuguesa, Lisboa, 1691 (BNP: Ms. 38); COSTA, António Carvalho da, Corographia Portugueza, Lisboa, 1708; SANTOS, Vigário João dos Santos, Dicionário Geographico de Portugal, Memórias Paroquiais), 1758, nº 220, pp. 1513 - 1526; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1945; CORREIA, Joaquim Manuel, Terras de Riba-Côa, Memórias sobre o Concelho do Sabugal, Lisboa, 1946; PERES, Damião, A Gloriosa História dos Mais Belos Castelos de Portugal, Porto, 1969; NEVES, Vítor Manuel Leal Pereira, A Antiga Vila de Sortelha, Castelo Branco, 1979; PEREIRA, Mário, dir., Castelos da Raia da Beira, Distrito da Guarda, Catálogo da Exposição, Guarda, 1988; VAZ, Francisco, Alfaiates na órbita de Sacaparte, Lisboa, 1989 - 1991; GONÇALVES, Luís Jorge Rodrigues, Os castelos da Beira interior na defesa de Portugal (séc. XII - XVI), [dissertação de mestrado], Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 1995; GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Beira, vol. I, Lisboa, 1997.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 - Reconstrução de troços de muralha da cidadela e na cintura exterior; construção e assentamento de merlões segundo o existente; cintagem de betão armado nas torres e cunhais das muralhas; consolidação das portas; construção e assentamento de portas em madeira; 1941 - obras de reconstrução: reconstrução de troços de muralha; construção de merlões segundo o existente; 1942 - obras de reconstrução: reconstrução de troço de muralha; lajeamento do pavimento da cisterna; construção de portas em madeira; 1943 - obras de reconstrução: reconstrução de troço de muralha; assentamento de merlões segundo o existente; 1944 - obras de reconstrução: reconstrução de troço de muralha; 1945 - obras de reconstrução: reconstrução de troço de muralha, construção de portas em madeira; 1951 - obras de reconstrução: reconstrução de troço de muralha; 1952 - Obras de reconstrução: reconstrução de troços de muralha, refechamento das juntas; 1984 - Obras de reconstrução: reconstrução de dois troços de muralha em falta junto à Porta da Vila; 2000 / 2001 - no âmbito do programa de recuperação de Aldeias Históricas, reconstrução do rombos e pavimentação do adarve em todo o perímetro.

Observações

Autor e Data

Margarida Conceição 1992 / Lina Oliveira 2005

Actualização

Lúcia Pessoa 2001
 
 
 
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