Palácio da Vedoria / Edifício do Arquivo Distrital de Viana do Castelo

IPA.00015721
Portugal, Viana do Castelo, Viana do Castelo, União das freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela
 
Arquitectura civil residencial, maneirista. Casa nobre de planta rectangular composta, seguindo as características comuns das casas contemporâneas de Viana, projectadas por engenheiros militares e de linhas clássicas com influência de tratadística. Fachada principal organizada em dois pisos, separados por cornija e terminados em friso e cornija sobreposta por beirado, com panos e cunhais definidos por pilastradas em silharia fendida, percorrida por embasamento e rasgada, no piso térreo, por portas e janelas de peitoril e, no segundo, por janelas de sacada assentes em mísulas ou de peitoril, encimadas por frontões triangulares, tendo todos os vãos molduras em silharia fendida e aduelas em cunha. Fachada lateral com janelas rectangulares jacentes de capialço e janelas de peitoril. No interior, possui vestíbulo descentrado com escada de acesso ao andar nobre.
Número IPA Antigo: PT011609190181
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo central  Vedoria    

Descrição

Planta rectangular composta por dois corpos dispostos em eixo, o primeiro mais pequeno e o segundo bastante prolongado, de volumes escalonados e coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco com embasamento de cantaria e terminada em triplo friso e cornija, bastante avançada, moldurada e sobreposta por beirado simples. Fachada principal virada a S., de dois pisos separados por cornija rectilínea bastante avançada, frontalmente marcada por dois filetes; possui pilastras nos cunhais e a definir dois panos, desiguais, com fuste em silharia fendida, tendo no seu enfiamento, cachorros em forma de modilhão sobrepostos à cornija do remate da fachada. No pano da direita, mais largo, abre-se, ao centro, portal de verga recta, ladeado por pilastras em silharia fendida e aduelas em cunha, sendo ao centro sobreposta por brasão de família, de formato irregular, com as armas de D. João de Sousa, envolto em enrolamentos e com coronel. O portal é ladeado por duas janelas de peitoril, com moldura e pano de peitoril em silharia fendida, encimadas por aduelas em cunha, cornija e friso. O portal é encimado, ao nível do segundo piso, por lápide rectangular, inscrita, sobre friso saliente em silharia fendida e ladeada por volutas, encimada por frontão interrompido por volutas, e elemento fitomórfico, sobrepujado pelas armas de Portugal, inseridas em cartela com enrolamentos, onde se sentam dois anjos que seguram coroa fechada rematada por cruz latina. Ladeia o brasão duas janelas de sacada, assentes em mísulas volutadas, que se sobrepõem ao friso e cornija das janelas do piso térreo, com o mesmo tipo de moldura, mas com capitel jónico, encimadas por friso e frontão triangular, de tímpano em cantaria e tendo a sobrepor o friso e cornija inferior do frontão aduelas em cunha; possuem guarda em ferro, com motivos tipo balaústres. O pano da esquerda, mais estreito, é rasgado por portal de verga recta com moldura em silharia fendida e aduelas em cunha, encimado, ao nível do segundo piso, por janela de peitoril, iguais às do outro pano e com pano de peito igualmente em silharia fendida. Fachada lateral direita de dois panos, o esquerdo mais antigo e o da direita de construção posterior. O primeiro tem pilastras nos cunhais, com fuste em silharia fendida, rasgada no topo do primeiro piso por janela de peitoril, moldurada e interligada a janela de sacada do segundo piso, assente em duas mísulas decoradas, encimada por friso e cornija; é ladeada no piso térreo por janela rectangular jacente, de moldura simples, e, no segundo piso, por duas janelas rectangulares jacentes, com moldura de capialço. Corpo adossado, mais baixo, de dois pisos, terminado em friso e cornija rematado por beirado simples e rasgado por cinco eixos de vãos rectilíneos, composto por duas janelas de peitoril, de molduras simples, sobrepostas. INTERIOR: vestíbulo rectangular, com paredes rebocadas e pintadas de branco, com azulejos de padrão fitomórfico formando silhar, pavimento em lajes de cantaria e tecto em placa; à direita desenvolve-se escada de pedra de acesso ao andar nobre, com guarda em cantaria formando voluta no arranque do corrimão; sob o vão da escada, desenvolve-se arco aviajado, de aduelas em cunha, assente em pilares toscanos, encimado por friso horizontal, definidor da altura do antigo tecto, sobreposto por mísulas volutadas; ao fundo, abre-se porta de verga recta, de moldura simples.

Acessos

Rua Manuel Espregueira n.º 140. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,691930; long.: -8,832350

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, de gaveto, formando frente de rua. Ergue-se adossado lateral e posteriormente a construções com a mesma cércea, numa rua paralela ao rio e perpendicular à Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, vedada ao trânsito. Junto à fachada lateral direita corre via estreita. Nas imediações, erguem-se casas com características semelhantes, nomeadamente a dos Barbosa Maciel, actual Museu Municipal (v. PT011609190182), e a dos Alpuim ou dos Agorretas (v. PT011609190066).

Descrição Complementar

Sobre o portal principal surge brasão com as armas de D. João de Sousa; com escudo pleno, dos Sousa (do Prado): tendo no I e IV quartéis de prata, com 5 escudetes de azul postos em cruz, cada um carregado de cinco besantes do campo; II e III, de prata, com leão de púrpura; coronel de conde. Ao nível do segundo piso, tem lápide com a inscrição: NO ANNO DE XRISTO DE 1691 IMPERANDO NESTE REINO D. PEDRO II NOSSO SENHOR. GOVERNANDO AS ARMAS DESTA PROVINCIA D. JOÃO DE SOUZA SE FES ESTA OBRA. Ladeia o portal principal, placa de mármore com duas inscrições em bronze, lendo-se na inferior ARQUIVO DISTRITAL VIANA DO CASTELO e na superior MC MINISTÉRIO DA CULTURA.

Utilização Inicial

Política e administrativa: vedoria

Utilização Actual

Cultural e recreativa: arquivo

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGLAB, Decreto-Lei n.º 103/2012, DR, 1.ª série, n.º 95 de 16 maio 2012

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Manuel Pinto de Vilalobos (1691).

Cronologia

1643, 26 Agosto - Alvará de D. João IV, dado em Évora, para reforma e regulamento das Vedorias Gerais e manutenções de víveres paras as tropas portuguesas; 4 Outubro - despacho nomeando como 1º Vedor Geral da Província do Minho Martim Velho Barreto, da família dos Rego Barretos; 1651, 1 Maio / 1659, Julho, entre - foi Vedor Geral da Província António Salinas; 1688, 30 Agosto / 1696, Novembro - foi Vedor Geral da Província Sebastião Roiz Roquelho; construção da casa durante o seu mandato na então R. de São Sebastião, com projecto e direcção do Engenheiro Manuel Pinto de Vilalobos, e sendo então Governador das Armas da Província do Minho D. João de Sousa, da Casa dos Marqueses de Minas; o edifício estendia-se pela R. da Esperança com os seus armazéns de armas, até à R. das Rosas; em frente ficava a Aula Militar, onde funcionava a Escola de Geometria e Trigonometria (criada em Viana em 1688); 1691 - conclusão da casa; 1697, 11 Outubro / 1705, entre - foi Vedor Geral Rafael Abreu de Passos; 1698 - atribuição de uma tença de 30$000 rs a D. Antónia Maria de Vilalobos referindo a autoria do traçado da Casa da Vedoria do Minho, quartéis de cavalaria e armazéns das armas e munições da praça de Viana pelo engenheiro Manuel Vilalobos; 1701, 20 Julho - criação da Escola de Engenharia em Viana que iria funcionar juntamente com a de Geometria e Trigonometria; 1705, 11 Julho / 1714, 5 Abril, entre - sucedeu-lhe como Vedor António Brandão; 1714, 21 Julho - toma posse no cargo Sebastião Barbosa Ribeiro; 1763, 21 Julho - decreto extinguindo as Vedorias de Portugal; era então Vedor Geral da Província do Minho António José Pinto Brochado; 1777 - fundação do Colégio do Senhor das Chagas pelo Senado da Câmara, que o entregou às religiosas Ursulinas; 1793 - incorporação da Aula Militar no Quartel de Infantaria; séc. 19 - durante a guerra Miguelista esteve no edifício um esquadrão de cavalaria; séc. 19, finais - após a morte da última freira, o Convento tornou-se propriedade privada e na Casa da Vedoria funcionou a Escola Domingos José de Morais; 1860 / 1862, entre -o edifício estava a cargo do Arsenal do Exército, ali habitando militares reformados; 1872 - as casas estavam alugadas a vários militares reformados; 20 Janeiro - Câmara de Viana do Castelo propõe localizar algumas repartições no edifício, mas os militares achavam que era necessária autorização do Ministério de Guerra; data de desenho representando o corpo adossado, mais baixo, com os mesmos cinco eixos de vãos, mas sendo os dos topos compostos por porta e janela de peitoril; 1873 - pedido para se arranjarem os telhados da Vedoria; 1874, 2 Agosto - referência que a Vedoria tinha boas cavalariças, podendo alojar sessenta ou mais cavalos; caso não quisessem o edifício, ele poderia ser alienado em haste pública; 1878, cerca - a casa era propriedade da Companhia de Veteranos; 1912 - projecto de melhoramentos e modificações nas Casas da Vedoria de Viana do Castelo - dependências do D.R. nº 3 e instalações do R.I.R. nº 3; 1922 - D. Moisés Alves de Pinho, posteriormente Bispo de Angola e do Congo, comprou a casa para ali instalar o Seminário das Missões do Espírito Santo; posteriormente, a casa foi vendida pelo seu último administrador José de Barros Lima d'Azevedo do Rego Barreto; 1939 - ali estava instalada a sede do Distrito de Recrutamento e Reserva nº 3, que tinha em funcionamento aulas, parque de viaturas e lojas para arrecadação de sapadores e materiais, sendo necessário instalar mais uma aula, a sala de transmissões e de observadores (estas a sair do edifício da Padaria); 1940, 4 Março - autorização para que o Centro de Mobilização de Artilharia nº 5 se instale nas dependências nº. 2, 3 e 4 do 1º andar da casa da vedoria, onde esteve o DRM nº 3, e as restantes ficassem na posse do comando do Batalhão de Caçadores, nº 9; 13 Março - entrega da casa ao Centro de Mobilização de Artilharia nº. 5, que ocupava três divisões no primeiro piso, e ao Batalhão de Caçadores nº. 9; 1941 - o edifício foi avaliado em 140.000$00; 1955, Abril - saída do Batalhão Caçadores 9; 18 Maio - ali ainda estava instalado o CMA. nº 5; pensou-se utilizar o edifício para messe de oficiais, mas com a existência do Castelo da Barra, achava-se que se devia poupar o imóvel e cedê-lo à Legião Portuguesa; 1956, 27 Julho - auto de cedência a título precário à Legião Portuguesa e com a condição se não serem feitas alterações no prédio; 21 Agosto - entrega de seis dependências do piso térreo, segundo e terceiro piso ao Comando Distrital da Legião Portuguesa de Viana do Castelo; 1957, 9 Maio - novo auto entregando aos mesmos o átrio do piso térreo e cinco dependências do segundo piso, ficando assim todo o edifício para a Legião; 1958, 27 Agosto - Comando Distrital da Legião Portuguesa pede informações sobre algum inconveniente em alterar a estrutura interna do imóvel; 1959 - data de um projecto de obra; 1961 - continuava na posse do Ministério do Exército; 30 Janeiro - Legião Portuguesa pede a cedência de um edifício, tendo conhecimento que o Batalhão de Caçadores nº 9 iria ser desactivado; 15 Novembro - devolvido ao Ministério das Finanças para ser cedido à Legião Portuguesa; 1965 - o edifício, com a área coberta de 235 m2, a área de pisos 522 m2 e com 12 divisões, foi avaliação em 567.820$00; 1975, 03 Outubro - entrega do edifício à DGFP/MF, pedindo a Legião ao Governo Civil parecer sobre futura utilização; o Governo Civil cedeu parte do edifício, ainda não acabado, voltado para a R. da Vedoria, a Sofia da Conceição Meira Gomes, retornada das ex-colónias; 1980, década - ali habitavam refugiados de África; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2007, 29 março - afetação do Arquivo à Direção-Geral de Arquivos, Decreto-Lei n.º 93/2007, DR, 1.ª série, n.º 63.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; placa de betão; elementos estruturais, molduras dos vãos, frisos e cornijas, escada e outros elementos em cantaria de granito; portas e caixilharia de madeira; janelas de vidro simples; silhar de azulejos; mastro da bandeira e guardas das janelas de sacada em ferro; cobertura de telha.

Bibliografia

GUERRA, Luiz de Figueiredo da, Esboço Histórico, Vianna do Castello, Coimbra, 1878; ALPUIM, Maria Augusta d', VASCONCELOS, Maria Emília de, Casas de Viana Antiga, Viana do Castelo, 1983; FERNANDES, Francisco José Carneiro, Viana Monumental e Artística. Espaço Urbano e Património de Viana do Castelo, Viana do Castelo, 1990; SOROMENHO, Miguel Conceição Silva, Manuel Pinto de Vilalobos da engenharia militar à arquitectura (dissertação de Mestrado em História da Arte Moderna), UNL, Lisboa, 1991; CALDAS, João Vieira, Casas nobres de Viana, in Monumentos, nº 22, Lisboa, 2005, pp. 172-181.

Documentação Gráfica

D.I.E.: Arquivo de Tombo da Secção de Património, Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar; Arquivo Histórico Militar

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

D.I.E.: Arquivo de Tombo da Secção de Património, Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar

Intervenção Realizada

1912 - projecto de melhoramentos e modificações nas Casas da Vedoria de Viana do Castelo - dependências do D.R. nº 3 e instalações do R.I.R. nº 3; 1959 / 1960 / 1961 - obras no quartel da Vedoria, anexo à casa da vedoria, para adaptação à obra social da Legião Portuguesa, as quais estavam orçadas em 1250 contos *1; o projecto constava da demolição de todos os tabiques, nivelamento dos pavimentos, que se encontravam em níveis diferentes, com uma placa de betão armado e, sobre esta, tacos de madeira ou mosaico conforme os compartimentos; remodelação dos telhados, então em mau estado; substituição da caixilharia exterior e esquadrias interiores; aumento das paredes laterais e posterior, aproveitando-se todas as cantarias; novos rebocos; ampliação do edifício com construção de um anexo, em tijolo, para instalação dos serviços de cozinha, sanitários e camarata do pessoal; colocação de novos esgotos e instalação eléctrica; 1961 - depois de dispendidos 105 contos, as obras pararam; tinha apenas as paredes exteriores (de alvenaria de granito), elevadas e onde se rasgaram novos vãos e o telhado; 1975 - construção da primeira casa de banho e substituição do contador do prédio, para permitir que várias famílias de retornados das ex-colónias ali residissem; 1991, 23 Setembro - a rua passou a ter apenas circulação pedonal; 1992 / 1993 - obras de remodelação do pavimento da rua, com lajes de granito na faixa central e laterais e restantes com mini-cubos de granito; 1993, 16 Abril - inauguração da pavimentação.

Observações

*1 - Segundo o projecto, o edifício ficaria a compor-se de piso térreo, segundo piso e anexo. No piso térreo ficaria: o vestíbulo com a escadaria de pedra, já existente, a secretaria, a sala de aula, a arrecadação de géneros, arrecadação de material, arquivo, a entrada privativa do serviço da cozinha, a escada de acesso ao segundo piso, a entrada para o posto de socorros e consultório médico, serviços sanitários, queimadores a óleo, para alimentar as caldeiras da cozinha, rouparia, tanques de lavar e secador. No segundo piso ficariam instalados: sala de espera, gabinete da directora, roupeiros e sanitários, para homens e senhoras, a sala de jantar de primeira e segunda classe, a copa para a mesma, a cozinha geral, a copa e sala de jantar dos pobres, com guarda-roupa e sanitários privativos; a sala, quarto e quarto de banho da directora, completamente independentes; a camarata do pessoal feminino com sanitários privativos, serviço da cozinha, dispensa e sanitários do pessoal.

Autor e Data

Paula Noé 2007

Actualização

 
 
 
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