Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Algodres

IPA.00001462
Portugal, Guarda, Fornos de Algodres, Algodres
 
Igreja da Misericórdia barroca, de planta retangular composta nave e capela-mor, ligeiramente mais estreita, com coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço abatido, de madeira, iluminada por janelas rectilíneas rasgadas na fachada lateral direita e por óculo sobre o poral axial. Implantada sobre afloramento granítico que ocupa parte da sacristia. Fachada principal em empena, com os vãos rasgados em eixo composto por portal de verga recta, rematado por frontão interrompido, e por óculo quadrilobado. O campanário, de dois registos, apresenta remate elaborado, em cornija, pináculo central e duas aletas com fragmentos de cornija. No lado esquerdo, a Casa do Despacho, de dois pisos, rasgados uniformemente por vãos rectilíneos. No lado esquerdo, rasga-se a "Varanda de Pilatos", típica das Igrejas da Misericórdia. Fachadas flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em cornija, a lateral direita da igreja rasgada por porta travessa de verga recta. Interior com coro-alto assente em colunas que integram pias de água benta e guarda de madeira, com acesso pela tribuna da Sala das Sessões, que abre no lado do Evangelho por pilares de cantaria. Possui púlpito quadrangular no lado da Epístola, com acesso por escadas no lado esquerdo. Arco triunfal de volta perfeita, flanqueado por retábulos colaterais dispostos em ângulo, de talha policroma rococó. Capela-mor possui retábulo de talha dourada do estilo joanino, de planta recta e três eixos, com tribuna de perfil ovalado, rematada por sanefa e com sacrário embutido, mas de perfil convexo, com a porta decorada por árvore da vida e anjos, encimado por baldaquino com muita decoração fitomórfica. No lado do Evangelho, possui tríptico pintado, que constituía o primitivo retábulo, datado do início do séc. 17.
Número IPA Antigo: PT020905010012
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de Confraria / Irmandade  Misericórdia

Descrição

Planta retangular, composta por nave e capela-mor, ligeiramente mais estreita, com o corpo da Casa do Despacho adossado ao lado esquerdo e campanário ao lado direito, de volumes articulados, com massas horizontalistas, e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave e capela-mor e a quatro águas na Casa anexa. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com os cunhais apilastrados, encimados por pináculos piramidais com bola, e rematadas em cornija na igreja e em beiral na casa. Fachada principal voltada a N., com embasamento proeminente em cantaria de granito, tendo o corpo da igreja em empena, alteada relativamente à cornija e com cruz latina no vértice. É rasgada por portal de verga recta e moldura recortada, encimado por friso e frontão curvo interrompido com motivo concheado no tímpano, rebocado e pintado de branco; está encimado por óculo quadrilobado, com cruzeta metálica. No lado esquerdo e em cota elevada, existe uma porta em arco abatido e moldura simples em cantaria, protegido por alpendre sustentado por suportes de madeira pintada de verde e com telhado a três águas, situado sobre um nicho de cantaria, que constitui um Passo da Via Sacra, funcionando como "Varanda de Pilatos". No lado direito, campanário de dois registos definidos por friso e cornija, o primeiro cego e o segundo com duas sineiras em arco de volta perfeita, com fecho saliente e assente em impostas, também salientes, rematado por friso, cornija e pináculo central, ladeado por aletas recortadas e fragmentos de cornija. A Casa do Despacho está adossada ao lado esquerdo, evoluindo em dois pisos, rasgados por vãos rectilíneos com molduras de cantaria, os inferiores correspondendo a duas portas, a da direita com moldura de perfil boleado, e os superiores a duas janelas de peitoril, protegidas por caixilharia de madeira. Fachada lateral esquerda virada a E., em alvenaria de granito aparente, marcada por escadas adossadas, em cantaria, que acedem a porta de verga recta dintelada, que liga à Sala das Sessões. Fachada lateral direita, virada a O., tendo o corpo da nave em cantaria aparente, de aparelho isódomo, rasgado por porta de verga recta e janelão em arco abatido, sublinhado por pequena cornija, surgindo um janelão idêntico no corpo da capela-mor. No lado esquerdo, é visível o volume posterior do campanário, que encerra o mecanismo do relógio. Fachada posterior com o corpo da capela-mor, em empena cega; no corpo da Casa, porta de verga recta. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com pavimento em lajeado de granito, tendo estrados de madeira laterais, e cobertura em falsa abóbada de berço abatido de madeira, com tirantes metálicos e assente em cornija do mesmo material, na nave. Coro-alto de madeira, assente em duas colunas de granito, sobre plintos paralelepipédicos com as faces em ponta de diamante, integrando pias de água benta hemisféricas, com guarda de madeira e acesso através da Sala das Sessões; esta abre para a igreja através de tribuna assente em três pilares de cantaria, de arestas biseladas, com guarda de madeira balaustrada assente em cornija de cantaria, no lado do Evangelho. Sob esta, porta de verga recta e moldura de cantaria boleada, de acesso ao edifício anexo. No lado da Epístola, porta travessa ladeada por pia de água benta hemisférica e púlpito quadrangular assente em bacia de cantaria, com guarda de madeira torneada e acesso por escadas no lado esquerdo, com guarda também de madeira. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas e flanqueado por retábulos de talha dourada e policroma, dispostos em ângulo, o do Evangelho dedicado a Nossa Senhora das Dores e o oposto ao Senhor da Cana Verde. Capela-mor com pavimento e cobertura semelhantes aos da nave, esta pintada de azul. Retábulo-mor de talha pintada de branco e dourada, de corpo reto e três eixos definidos por quatro quarteirões com anjos e concheados e duas pilastras, assentes em consolas e dois quarteirões; o eixo central possui tribuna de perfil ovalado, com dois anjos no topo e armas de Portugal no fecho, tendo o fundo simples, as ilhargas apaineladas e cobertura em falsa abóbada de berço de caixotõe, contendo plinto com a imagem do orago. Os eixos laterais formam nichos rectilíneos, com os fundos pintados de azul e protegidos por baldaquinos com falsos drapeados, a abrir em boca de cena; possuem plinto e, sob estes, portas em arco abatido de acesso à tribuna. Remata em apainelados de acantos e, ao centro, sanefa de lambrequins. Sob a tribuna, sacrário embutido, de perfil convexo, tendo, na porta, a árvore da vida, ladeado por dois anjos que abrem dois drapeados em boca de cena, que pendem de baldaquino concheado e ornado por acantos. Altar paralelepipédico. No lado do Evangelho, porta de verga recta, de acesso à sacristia, com planta rectangular irregular, adaptando-se ao afloramento rochoso, com forro de madeira e pavimento lajeado. Lanço de escadas dá acesso ao coro-alto e tribuna.

Acessos

Largo da Misericórdia

Protecção

Em vias de classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público, Despacho de 5 julho 1990)

Enquadramento

Urbano com implantação harmónica na malha do povoado. Situado em largo delimitado pela Igreja Matriz medieval (v. PT020905010013) e marcado ao centro por cruzeiro granítico, assente em plataforma de três degraus, onde assenta a cruz latina, com hastes florenciadas. Encontra-se em terreno desnivelado, parcialmente assente sobre afloramento granítico, com muro de suporte de terras a funcionar como miradouro, de onde se avistam Seia, Gouveia, Linhares e Celorico da Beira. A fachada lateral direita abre para pequeno adro ajardinado, protegido por muro de cantaria e com acesso por portão metálico. Nas imediações e adossado, situam-se alguns Passos da Via Sacra (v. PT020905010103).

Descrição Complementar

Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha pintada de branco e dourado, de corpo reto e um eixo, definido por duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios, assentes em consolas, e por duas pilastras; ao centro, nicho de perfil contracurvado com moldura simples e rematada superiormente por elementos fitomórficos, sublinhado por cornija de pefil curvo, de inspiração borromínica; remata em frontão interrompido e espaldar curvo; o banco é ornado por "ferronerie" e acantos, assente sobre altar em forma de urna. Na capela-mor, no lado do Evangelho, existe um tríptico com pintura sobre madeira, representando, ao centro, Nossa Senhora da Misericórdia e nos volantes a Visitação e a Anunciação, com caixilhos de madeira, surgindo, na predela, uma "Última Ceia"; o conjunto é rematado por tabela com a representação de Deus Pai, flanqueado por colunas jónicas e aletas, rematado por cornija e por um Crucificado.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

RELOJOEIRO: Mestre Luís.

Cronologia

1621 - fundação da Santa Casa da Misericórdia de Algodres, instituída canonicamente em 1622; foram seus instituidores João Fernandes da Cunha, Brás Nunes (abade de Ínfias), Francisco Tavares de Figueiredo (vigário de Algodres), Bernardo Botto Machado, Padre António Rodrigues, Padre Manuel de Figueiredo, Padre Matias Pacheco de Albuquerque, Padre José Álvares, Padre Miguel Cabral, Manuel de Frias, António da Costa, Lopo Homem Mendes, João Rosa, José de Azevedo, Manuel Soares e Gaspar Dias; construção do primitivo templo e feitura do retábulo; séc. 18, início - hipotética reedificação da igreja a expensas dos moradores, utilizando, segundo a tradição, a pedra do antigo castelo; execução do retábulo-mor; 1758, 19 Maio - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo vigário António Pires Pereira, é referido que a Irmandade foi criada em 1615; tinha 70$000 de rendas, todos gastos em missas; séc. 18, final - reforma da decoração dos vãos e feitura dos retábulos colaterais; séc. 19 - provável feitura do mecanismo do relógio pelo Mestre Luís, de São Gião; 1902 - rendimento anual da Misericórdia de Algodres: 334$311; provável feitura da Varanda de Pilatos; 1938 - renda anual de 800$000; 1956 - as janelas da Casa do Despacho tinham caixilharia em guilhotina; 1958 - reforma do alpendre da "Varanda de Pilatos", com telha do tipo marselha; 1977 - elaboração de um orçamento para restauro do imóvel, compreendendo paredes, rebocos, coberturas exteriores e interiores e recuperação dos retábulos

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em cantaria e alvenaria de granito, rebocadas; colunas, pilares, cornijas, modinaturas, pavimentos, púlpito e escadas do mesmo em cantaria de granito; guardas, coberturas, estrados do pavimento, retábulos, guarda do púlpito em madeira; janelas com vidro simples; cobertura exterior em telha do tipo marselha.

Bibliografia

CASTRO, José Osório da Gama e, Diocese e Distrito da Guarda, Porto, 1902; DIONISIO, Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1924; MARQUES, Mons. Pinheiro, Terras de Algodres ( Concelho de Fornos ), Fornos de Algodres, 1938; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; DGA/TT: Dicionário Geográfico - Memórias Paroquiais (vol. 2, n.º 61, fl. 501)

Intervenção Realizada

IJF: 1992 - restauro do tríptico; Proprietário: séc. 20, finais - tratamento das coberturas; reboco e pintura do exterior e interior; reforma das caixilharias da Casa do Despacho; restauro do retábulo-mor.

Observações

Autor e Data

Margarida Conceição 1992 / Paula Figueiredo 2006

Actualização

 
 
 
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