Estação Ferroviária de Cabeço de Vide - Vaiamonte / Estalagem Rainha D. Leonor

IPA.00014401
Portugal, Portalegre, Fronteira, Cabeço de Vide
 
Estação ferroviária da Linha de Évora, construída no séc. 20, conservando o edifício de passageiros, a casa de pessoal e as instalações sanitárias, adossados sucessivamente à esquerda e com implantação lateral, paralela às linhas férreas, as antigas plataformas de embarque, cais coberto, dois cais descobertos e curraleta, depósito de água, poço, um forno e outros elementos característicos da paisagem ferroviária. A tipologia, arquitetónica e decorativa, com o edifício de passageiros de um piso e a casa de pessoal, de dois, de volumes articulados e interiormente interligados, com recurso a colunata toscana no edifício de passageiros, bem como certos pormenores decorativos, como o silhar de azulejos, as meias pilastras a definir os panos das fachadas, remate alteado ao centro e pináculos e vãos retilíneos de molduras decoradas, e, na casa de pessoal, as bow-window e janelas com sobrejanelas e aventais de azulejos, surge noutras estações. É o caso das Estações de Fronteira, também de Ernesto Korrodi e Leopoldo Battistini, datada de 1930, de Sines, de Santiago do Cacém, ambas com revestimento azulejar da autoria de Gilberto Renda e realizado entre 1931-1935, e a de Santo Amaro - Veiros, também da autoria de Ernesto Korrodi. O silhar de azulejos tem painéis figurativos, azuis e brancos, de pendor historicista, com temas tipo "bilhetes postais" regionais, representando monumentos, paisagens e motivos etnográficos, e molduras policromas, pintados por Leopoldo Battistini e executados na Fábrica Constância. As instalações sanitárias possuíam dois cubículos adossados, o das senhoras virado à linha e a dos homens com acesso lateral, precedido por zona de urinóis, protegido por anteparo, revestido a painéis de azulejos com albarradas.
Número IPA Antigo: PT041208010015
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

Conjunto composto por edifício de passageiros (EP), casa de pessoal e instalações sanitárias (WC), adossados sucessivamente à esquerda, dispostos paralelamente à linha férrea e do seu lado esquerdo (sentido ascendente da antiga linha), as antigas plataformas de embarque, cais coberto (armazém) (CC), implantado a sudoeste do edifício de passageiros, e cais descoberto, curraleta, casas de habitação, um depósito de água, poço, forno e outros elementos característicos da paisagem ferroviária, como vedações metálicas de delimitação da estação. EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS de planta retangular, com massa disposta na horizontal e cobertura em telhado de quatro águas, rematadas em beirada simples. Tem fachadas de um piso, rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de cantaria e por silhar de azulejos, com painéis figurativos azuis e brancos, de moldura recortada, policroma, terminadas em friso e cornija de cantaria, com pináculos piramidais, nos cunhais. Também nos cunhais e definindo um pano central na fachada principal e posterior, existem meias pilastras e, sob o remate, falsas mísulas, de massa, com métopas, tríglifos e volutados, pintadas de branco e azul. As fachadas são rasgadas por vãos de verga reta, com moldura integrando quartelões e terminada em cornija, de chave relevada, encimados por painéis a imitar cantaria. A fachada principal, virada a noroeste, possui o remate alteado ao centro, terminando em cornija contracurva, sobreposta por pináculos piramidais e sob a qual surge painel de azulejos, recortado, com as armas nacionais e inscrição; é rasgada por porta central e quatro janelas laterais, duas de cada lado. A fachada lateral direita é rasgada por porta central e a posterior é semelhante à principal, mas possui apenas portas e, frontalmente, alpendre telhado, avançado sobre a plataforma de passageiros, com telhado de quatro águas, assente em colunas toscanas. CASA DE PESSOAL OU DO CHEFE DA ESTAÇÃO, recuada relativamente ao edifício de passageiros, possui planta retangular e cobertura em telhado de quatro águas, sobrepostas por duas chaminés, e rematadas em beirada simples. Tem as fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria, e remate em friso decorado e cornija, também de cantaria. A fachada principal, virada a noroeste, é marcada ao centro, por duas bow-window retilíneas sobrepostas, com vãos de diferentes tamanhos, também retilíneos, protegidos por portadas de madeira, a do segundo piso contendo na guarda painéis de azulejos figurativos, azuis e brancos, de molduras policromas; à esquerda, abre-se vão sobrelevado, em arco, com escada de cantaria e guarda plena, de alvenaria rebocada e pintada de branco, formando patamar intermédio, com porta de acesso ao segundo piso, e, à direita, em cada um dos pisos, uma janela de peitoril, com molduras semelhantes às do edifício de passageiros, com sobrejanela e avental em painéis de azulejos policromos. Na fachada lateral esquerda, abrem-se duas portas, ao nível do piso térreo, e, no superior, tem uma bow-window retilínea e janela semelhante às da frontaria. Na fachada posterior, virada à linha, a cornija do remate é alteada ao centro, formando pequeno frontão curvo, e rasgam-se três eixos de janelas de peitoril, igualmente com sobrejanela e avental em painéis de azulejos. Interiormente, o edifício de passageiros e a casa de pessoal são interligadas ao nível do piso térreo. As INSTALAÇÕES SANITÁRIAS, adossadas ao edifício do chefe da estação e no alinhamento da sua fachada posterior, tem planta retangular e cobertura em telhados de quatro águas, rematadas em beirada simples. Apresenta fachadas de um piso, rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de cantaria e terminadas em cornija. Organiza-se interiormente em dois cubículos sanitários, o das senhoras, acedido pela plataforma, e o dos homens, precedido por área de urinóis, com acesso a nordeste, sendo protegido por anteparo frontal, revestido a painéis de azulejos policromos, com albarradas inseridas em molduras recortadas de concheados e volutados. CAIS COBERTO: planta retangular simples, com massa disposta na horizontal e cobertura em telhado de duas águas, com estrutura de madeira, prolongadas em abas corridas. Tem fachadas de um piso, rasgadas por portas de correr, de grandes dimensões. É ladeado em dois dos lados por cais descobertos, sobre muretes em alvenaria de pedra rústica, acedidos por escadas. Próximo de um dos cais descobertos situa-se uma curraleta. DEPÓSITO DE ÁGUA com estrutura de betão sobre poço. CASAS DE HABITAÇÃO em banda, com massa disposta na horizontal e cobertura corrida em telhados de duas águas. Constituem seis habitações, de acesso independente, com planta retangular simples e fachadas de um piso, cada uma delas composta por três quartos, cozinha e casa de banho. ARRANJOS EXTERIORES: Áreas ajardinadas pontuadas por vários elementos, como o forno e o depósito de água e o poço.

Acessos

Cabeço de Vide, Sítio da Estação, n.º 7; EN 369; Linha de Évora - Ponto quilométrico 134,294 (PK). WGS84 (graus decimais) lat.: 39,135836, long.: -7,576702

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, isolado. Implanta-se fora da povoação, nas imediações das Termas de Sulfurea e do seu parque, possuindo frontalmente amplo largo.

Descrição Complementar

O edifício de passageiros possui na fachada principal painel de azulejos com as armas nacionais e a inscrição "CAMINHOS DE FERRO DO ESTADO"; nas fachadas laterais tem painel de azulejos com a toponímia "CABEÇO DE VIDE / VAIAMONTE", brancos com as letras a azul. Numa das antigas plataformas de passageiros, o pavimento integra toponímia.

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Comercial e turística: estalagem

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Infraestruturas de Portugal (conforme do artigo 6º, nº 2 e 5, e artigo 11º, n.º 1, ambos do DL 91/2015, e com a regras definidas pelo regime jurídico do Domínio Público Ferroviário que constam do DL 276/2003)

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Ernesto Korrodi (séc. 20). FÁBRICA DE CERÂMICA: Fábrica Constância (1933). PINTORES DE AZULEJO: João Rodrigues (1933), Leopoldo Battistini (1933).

Cronologia

Séc. 20 - construção dos edifícios principais da estação, com projeto de Ernesto Korrodi; 1933 - colocação do silhar de azulejos do edifício de passageiros, com os painéis assinados por Leopoldo Battistini, mas feitos em colaboração com Viriato Silva, executados na Fábrica Constância, de Lisboa; 1933 - construção do cais coberto, descoberto e curraleta; 1937, 06 janeiro - o Ministro das Obras Públicas ordena a formação de uma comissão para averiguar se o troço entre Sousel e Cabeço de Vide podia entrar ao serviço; o edifício da estação de Cabeço de Vide já estava concluído; 20 janeiro - inauguração do troço entre Sousel e Cabeço de Vide, com cerimónia realizada nesta última estação; 04 novembro - publicação de despacho da Direção-Geral de Caminhos de Ferro, em DG, 2.ª série, n.º 258, a aprovar o auto de receção definitiva da empreitada n.º 15 da Linha de Portalegre, correspondendo à construção do lanço entre Fronteira e Cabeço de Vide; a empreitada desta última estação incluía a construção, entre os perfis 0 e 481, de um cais coberto e um descoberto, plataforma, pátio de mercadorias, curraleta, curral, vedações, plantações, edifício de passageiros, recinto de acesso à estação, alpendre sobre a plataforma, casa de pessoal anexa ao edifício de passageiros, retretes para passageiros, pavilhão de casas para pessoal (seis moradias), casa de guarda e partido ao perfil 420, fossa da casa do pessoal anexa e das retretes de passageiros, fossa de pavilhão de casas para pessoal, poço, reservatório de cimento armado para 30 m³, uma casa para abrigar o motor, canalização de água para as retretes, e um cinzeiro para as máquinas; 2011, 15 setembro - o edifício de passageiros, o cais coberto e as habitações da Estação de Cabeço de Vide são subconcessionados ao Município de Fronteira, para atividades socioculturais, até 14 de setembro de 2026; 2014, dezembro - colocação da placa SOS Azulejo.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; soco, meias pilastras, pináculos, colunas e molduras dos vãos em cantaria calcária; portas, caixilharia e reixas de madeira pintadas; vidros simples; silhares e painéis de azulejos em azul e branco ou policromos; cobertura de telha.

Bibliografia

CALADO, Rafael Salinas, ALMEIDA, Pedro Vieira de - Aspectos Azulejares na Arquitectura Ferroviária Portuguesa. [Lisboa]: Caminhos de Ferro Portugueses, EP, 2001; FINO, Gaspar Correia - Legislação e disposições regulamentares sobre caminhos de ferro. Lisboa: Imprensa Nacional, 1903; 1908; FRAILE, Eduardo Gonzalez - Las primeras estaciones de ferrocarril: su tipologia; Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano XLIX, 16 novembro 1937, n.º 1198, p. 545; GOMES, Gilberto, Gomes, Rosa - Os caminhos de Ferro em Portugal 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A, 2006; HUMBERT, Georges-Charles - Traité Complet des Chemins de Fer. Paris: Baudry, 1891; LOPEZ GARCIA, Mercedes Lopez, MZA - Historia de sus estaciones. Coleccion de ciências, humanis y enginieria, nº 2. Madrid: Ediciones Turner, S.A., 1986; LOURENÇO, Tiago Borges - Postais Azulejados. Decoração Azulejar Figurativa das Estações Ferroviárias Portuguesas. Dissertação de Mestrado em História da Arte Contemporânea apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Lisboa: texto policopiado, 2014, vol. I e II; PEREIRA, Hugo Silveira - As viagens ferroviárias em Portugal (1845-1896); PEVSNER, Nicolaus - Historia de las tipologias arquitectónicas; PIMENTEL, Frederico Augusto - Apontamentos para a historia dos caminhos de ferro portuguezes. Lisboa: Tipografia Universal, 1892.

Documentação Gráfica

Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt)

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA; Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt)

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID (DGEMN/DSID-001/012-1804/8); Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt)

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Paula Azevedo e Ana Sousa 2020 (no âmbito do Protocolo de colaboração DGPC / Infraestruturas de Portugal)

Actualização

 
 
 
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