Paço dos Comendadores de Redinha

IPA.00001430
Portugal, Leiria, Pombal, Redinha
 
Paço dos comendadores da Ordem de Cristo, construído no séc. 18 / 19, sobre as estruturas de um anterior, no local onde a Ordem do Templo erguera um castelo, no séc. 12. Redinha inseria-se no termo de Soure, importante zona de fronteira entre o território cristão e muçulmano, que contribuiu para a defesa da cidade de Coimbra, doado à Ordem do Templo, em 1128. É possível que nessa data já ali existisse uma fortificação, visto ser referida por crónicas árabes mas, segundo as Inquirições de finais do século, o território da Redinha estaria inculto na época, tendo recebido, em 1159, foral como incentivo e fixação de população, o primeiro a ser atribuído pela Ordem. Os Templários ali constroem ou reconstroem um castelo, formado por recinto muralhado simples que, com a perda de importância estratégica, rapidamente fica em ruínas e desaparece, já não subsistindo vestígios materiais aquando da visitação de 1508. Contudo, a morfologia do núcleo habitacional entre o paço e a Igreja Paroquial, de perfil arredondado, poderá apontar para a planimetria inicial do castelo medieval, que persistiria no cerrado da Ordem de Cristo, referido na visitação, e que só seria ocupado por habitações em época mais recente. O paço dos comendadores, atualmente em ruínas, data provavelmente do séc. 18 / 19, apresenta planta retangular, com fachadas evoluindo em dois pisos, de grande simplicidade, sendo a principal rasgada, por portas retilíneas sobrepostas, no piso superior, por janelas de peitoril, em arco abatido e moldura formando cornija, enquadrando óculo central. No interior possui as dependências do piso térreo abobadadas. Tem adossado lateralmente corpo da adega, de construção posterior ao paço, com fachada ainda mais sóbria, rasgada nos dois pisos por vãos retilíneos. É notório a persistência do paço dos comendadores com adega associada, pelo menos, desde o início do séc. 16.
Número IPA Antigo: PT021015100016
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa de função  Casa do comendador  Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo

Descrição

Planta retangular irregular, tendo adossado à fachada lateral direita o corpo da adega, retangular, mais baixo. Volumes escalonados, com coberturas em telhados de quatro águas, sobreposta na fachada posterior por chaminé, e de duas águas na adega, rematadas em beirada dupla. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, de dois pisos, a principal virada a poente. O corpo principal é percorrido parcialmente por faixa de cimento e no piso térreo é rasgado por quatro portas, de verga reta e molduras simples, três no mesmo alinhamento, mas a mais à direita transformada em janela de peitoril, com pano de peito rebocado e pintado, e a do topo direito numa cota inferior. No segundo piso abrem-se regularmente, quatro janelas de peitoril, de verga abatida e molduras a formar ligeiro recorte lateral e inferior, e terminadas em cornija contracurva; ao centro, abre-se pequeno óculo circular. O edifício da adega é rasgado, no piso térreo por portal central, de verga reta com moldura terminada em cornija, e, no andar superior, por duas janelas de peitoril, de verga abatida e moldura a formar brincos retilíneos. A fachada lateral direita da adega termina em empena, é revestida a cimento e é rasgado por porta e janela retilíneas. A fachada posterior do corpo principal apresenta dois panos, o da esquerda com pilastra de ângulo no cunhal, tendo o piso térreo em ruína, permitindo ver as coberturas interiores do mesmo em abóbada, de duas naves, sobre a qual se desenvolvia terraço; no segundo piso e em plano mais recuado, abrem-se três janelas de peitoril e porta de verga reta para o terraço. O pano direito possui corpo alteado, à esquerda, rematado em aba corrida, de madeira sobre mísulas, rasgado por amplo vão em arco e, no segundo piso, por janela retangular. À direita, surge a cozinha, encimada por ampla chaminé, e rasgada por janela retangular. A fachada posterior da adega é rasgada, no andar superior, por janela retangular, sem moldura.

Acessos

Redinha, Rua de São Francisco; Rua Doutor João Serra da Gama. WGS84 (graus decimais) lat.: 40.005199; long.: -8.584804

Protecção

Parcialmente incluído na Zona de Proteção do Pelourinho de Redinha (v. IPA.00001849)

Enquadramento

Urbano, adossado, no interior da povoação, sobranceiro ao rio Anços, com margens de abundante vegetação, na base da Serra de Sicó, num vale bastante fértil, devido principalmente à abundância de água. Implanta-se adaptado ao declive do terreno, formando frente de rua, tendo junto à fachada lateral direita e posterior logradouro, vedado por alto muro, em algumas zonas parcialmente derrubado. Na fachada posterior, o logradouro estreito e em cota sobrelevada, é dividido em três secções, por muros, mas comunicando entre si por portais de verga reta. Num dos logradouros existe coluna. A noroeste, ergue-se a Igreja Paroquial de Redinha (v. IPA.00001757) e, a sul, a Igreja de São Francisco (v. IPA.00026397), o Pelourinho de Redinha (v. IPA.00001849) e o edifício dos antigos Paços do Concelho.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa do comendador

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18 / 19 (conjetural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 10, finais - época apontada por crónicas árabes para a construção do castelo de Redinha, por Ibn Al-Kader, a partir de antigas estruturas romanas situadas sobre uma curva rochosa do rio Anços; 1128 - D. Teresa, viúva do conde de Borgonha, doa à Ordem do Templo o castelo de Soure e os territórios circundantes de Ega, Redinha e Pombal, com a condição de neles construírem fortificações e igrejas; após esta data ter-se-á construído uma torre sobre a antiga cisterna; 1159 - D. Frei Gualdim Paes outorga foral a Redinha, o primeiro a ser concedido pela Ordem do Templo, onde se estipula que os foros devem ser pagos mediante o disposto no foro de Pombal; 1183 - 1185 - na Inquirição realizada na cidade de Coimbra, o presbítero Cipriano revela que se recordava do povoamento de Ega, Redinha e Pombal e que essas terras teriam sido ganhas oito anos depois da reconquista de Santarém e Lisboa (1147), que elas haviam sido tiradas aos mouros pelos Templários e que, quando os Templários as obtiveram, já uma quarta parte de Ega era cultivada, mas as demais estavam incultas ainda que nos seus confins trabalhassem alguns homens de Soure algumas leiras; 1302, 02 setembro - constituição da comenda de Redinha da Ordem do Templo; 1307, 12 agosto - o papa Clemente V, pela bula "Regnans in ecclesis triumphans", dirigida a D. Dinis, solicita ao rei que acompanhe os prelados de Portugal ao Concílio de Viena, para se determinar o que se havia de fazer da Ordem do Templo e dos seus bens, por causa dos erros e excessos que os seus cavaleiros e comendadores haviam cometido; 18 agosto - sentença atribui a posse das vilas e castelos de Soure, Ega e Redinha a D. Dinis; 1308, 23 junho - D. Dinis toma posse das vilas e castelos de Ega, Redinha e Soure; 30 junho - carta de posse pela qual D. Dinis tomara as vilas e castelos de Ega, Redinha e Soure, que lhe foram julgadas por sentença; 1309, 27 novembro - sentença definitiva em que são julgados pertencer ao rei as vilas e castelos de Ega, Redinha e Soure, bem como Pombal; 1312, 22 março - extinção da Ordem do Tempo, pela bula "Vox clamantis"; 02 maio - bula "Ad Provirem" concede aos soberanos a posse interina dos bens da Ordem do Templo, até o conselho decidir o que fazer com eles; 1319, 14 março - bula "Ad ea ex quibus" de João XXII institui a Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo, ou a Ordem de Cristo, para quem passam todos os bens e pertenças da Ordem do Templo: "outorgamos e doamos e ajuntamos e encorporamos e anexamos para todo o sempre, à dita Ordem de Jesus Cristo (...), Castelo Branco, Longroiva, Tomar, Almourol e todos os outros castelos, fortalezas e todos os outros bens, móveis e de raiz"; 1321, 11 junho - divisão em 38 comendas da Ordem de Cristo dos antigos bens pertencentes aos Templários; a comenda de Redinha deveria dar 200 libras dos seus rendimentos para a comenda de Proença; 1503 - a Perceptoria de Redinha, a comenda de Montalvão e 100.000 reis anuais dos rendimentos da Casa da Nisa são incorporados em conjunto na Mesa Mestral da Ordem de Cristo; 1508, 15 março - elaboração do Tombo dos bens pertencentes à comenda da Redinha, da Ordem de Cristo, não se fazendo qualquer alusão à existência, nem que seja da memória, do castelo; junto à igreja e confrontando com o seu adro existe apenas o paço dos comendadores, velho e derrubado, mas "de tempo antigo", com uma adega, bem como um cerrado *1; 1513, 16 dezembro - D. Manuel concede foral novo a Redinha; 1532, 26 outubro - segundo informação na margem do livro do Tombo de 1508, já não existe a adega do paço dos comendadores, mas apenas o chão onde ela se erguia, havendo notícia de ter estado derruída muitos anos; 1653, 22 agosto - mercê régia atribui 200$000 de renda na comenda de Redinha; 1654, 24 fevereiro - carta atribui a André de Albuquerque Ribafria a comenda de Redinha, da Ordem de Cristo; 1737, 02 abril - mercê da comenda de Nossa Senhora de Redinha da Ordem de Cristo a José Caminha de Vasconcelos e Sousa Taveira Faro e Veiga, 1º marquês de Castelo Melhor; séc. 18 - 19 - época provável da construção do atual paço dos comendadores; 1811, 12 março - durante a 3.ª Invasão Francesa, as tropas anglo-lusas, sob o comando do general Wellesley (Duque de Wellington), entram na vila, enquanto o marechal Ney toma posição de defesa de modo a impedir a passagem do exército libertador, que marchava em perseguição do marechal Massena e das suas tropas porque, não conseguindo ultrapassar as linhas de Torres, batia em retirada; o marechal Ney, comandante do 6.º corpo do exército francês, manda incendiar a maioria das casas da Redinha, dando-se violenta batalha entre o marechal Ney e o Duque de Wellington, denominada "Combate da Redinha"; 1837 - extinção das comendas; 1988, 30 junho - os proprietários solicitam a classificação da casa da comenda da Redinha; 2008, 23 junho - proposta de encerramento da DRCCentro; 2009, 03 março - parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.; 16 março - despacho de encerramento da proposta de classificação do Diretor do IGESPAR, I.P..

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada e pintada; paredes rebocadas e faixa a cimento aparente; molduras dos vãos e coluna em cantaria calcária; portas, caixilharia e aba corrida de madeira; vidros simples; cobertura e beirada de telha.

Bibliografia

FERNANDES, Maria Cristina Ribeiro de Sousa - A Ordem do Templo em Portugal (das origens à extinção). Dissertação de Doutoramento apresentada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto: texto policopiado, 2009; GOMES, Saul António - «A presença das Ordens Militares na região de Leiria (séculos XII-XV)». In As Ordens Militares em Portugal e no Sul da França. Lisboa: Edições Colibri; Câmara Municipal de Palmela, 1997, pp. 143-204; GONÇALVES, Iria (organização) - Tombos da Ordem de Cristo. Comendas do Vale do Mondego. Lisboa: Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2006, vol. 3; LINO, Mário - De Pombal à Redinha, Na Rota do Mito Napoleónico. 195 Anos Depois 1811 - 2006. Caldas da Rainha: Câmara Municipal de Pombal, 2006; LINO, Mário - Redinha, Notas da História em 34 páginas. S.l.: Junta de Freguesia de Redinha, 2009; «O Castelo de Redinha». (http://templariosportugueses.blogspot.pt/2014_01_01_archive.html), [consultado em 25 outubro 2016]; «Redinha» (http://templariosportugueses.blogspot.pt/2009_10_01_archive.html), [consultado em 25 outubro 2016].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA

Documentação Administrativa

DGLAB/TT: Gavetas: Gav. 12, mç 1, n.º 7 e n.º 19, Registo Geral de Mercês de D. João V, liv. 26, fl. 350v

Intervenção Realizada

Observações

*1 - Tem junto da dicta egreja. Huus paaços uelhos derribados de tempo antijgo honde ajnda tem huua adega que leua de longo xxviij colados e xij de largo. o qual assentamento de paaços e adega parte com a dita egreja e com o adro e com çarrado da hordem. Tem hi mais o dito çarrado junto (na margem esquerda do fólio pode ler-se "jaa nom hy esta adega se não o chão della e haa muyntos anos que he deRibada segundo a jnformação que se ouue oje xxbj d outubro de 1532) do dicto assentamento em que estão 31 oliveiras e 4 nogueiras e duas moos de figeuiras com outras arvores de fruto. e parte de huu cabo com o dito adro e do outro com o caminho que vay pera soure e pelo Ribeiro daguilha atee o rio".

Autor e Data

Paula Noé 2016

Actualização

 
 
 
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