Igreja Paroquial / Ermida de São Pedro de Pomares / Ermida de São Luís

IPA.00014245
Portugal, Beja, Beja, Baleizão
 
Arquitectura religiosa, gótica, mudejar, maneirista, rococó. Pequeno igreja rural de construção austera, segundo os modelos populares medievais, enriquecida com pormenores eruditos de feição gótica, no portal em arco ogival chanfrado, onde são visíveis arcos ultrapassados de gosto mudejar característicos de algumas obras do reinado de D. Dinis, bem patentes igualmente na torre de menagem do Castelo de Beja (v. PT020205130003); o nártex apresenta um carácter mais arcaico, com arcos de volta perfeita assentes em colunas com capitéis troncocónicos decorados com máscaras invertidas. Uma profunda remodelação quinhentista do templo, incidiu principalmente na capela-mor que ganha um carácter maneirista, coberta por cúpula e com retábulo de talha com colunas jónicas e painéis representando passos da vida de São Pedro povoados de pormenores do maneirismo romano. A construção dos dois retábulos colaterais de animada composição rococó vem alterar significativamente o carácter do interior da ermida, que ganha um ar mais festivo, devido à movimentação dos intrincados recortes dos remates e à proliferação de grinaldas e outros elementos entalhados e dourados sobre fundos fortemente policromados.
Número IPA Antigo: PT040205020066
 
Registo visualizado 494 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal escalonada, irregular, orientada, composta por nártex, nave rectangular e capela-mor mais estreita, quadrada, a que se adossam à esquerda da nave o baptistério, o antigo cemitério murado e junto à capela-mor a sacristia; volumes articulados com coberturas diferenciadas em terraço, no nártex, em telhado de duas águas, na nave, de uma água no baptistério e três águas na capela-mor e na sacristia. Fachada principal de um só pano definido por cunhais caiados a ocre, com soco de argamassa e remate superior em frontão triangular, em cujo tímpano se destaca a inscrição "ANNO 1936 / RESTAURATUM EST / HOC TEMPLUM DOMINI", ladeado por pináculos piramidais assentes em plintos; inferiormente é rasgado por dois arcos de volta perfeita, chanfrados, assentes numa coluna central e meias colunas laterais de cantaria, com capitéis troncocónicos decorados com máscaras humanas invertidas, colocadas na direcção dos ângulos do ábaco e folhagens geometrizadas; em segundo plano eleva-se o topo da nave, rematado por empena triangular encimada por cruz de cantaria; no ângulo direito adossa-se o campanário disposto na transversal. Fachada S. de 3 corpos correspondentes ao nartex, nave e cabeceira; o1º delimitado a O. por contraforte, com arco de volta perfeita entaipado sobre o qual assenta o campanário com sineira em arco de volta perfeita e remate em frontão triangular; o 2º de pano único delimitado inferiormente por bases de argamassa, remate em cornija moldurada e beirado; porta lateral com moldura de cantaria chanfrada e verga recta decorada com baixo-relevo de composição geométrica; o 3º, recuado, de um só pano, rematado superiormente por cornija e beirado e dividido em dois registos por moldura de argamassa, no registo inferior abre-se uma fresta reentrante. Fachada N. de 3 corpos correspondentes ao nártex, nave e cabeceira; o 1º rasgado por arco de volta perfeita, rematado por platibanda onde se destaca gárgula de cantaria; o 2º de pano único, rematado por entablamento e beirado, a que se adossa a O. o baptistério, mais baixo, de um só pano cego rematado por beirado, e a E. o muro arruinado do cemitério; o 3º de pano único, cego, tendo adossado a sacristia, mais baixa, de pano único, cego, rematado por beirado; no seu ângulo NO. pináculo. Fachada E. com a capela-mor, de um só pano, rematado por beirado e dividido em dois registos por moldura de argamassa; à direita a sacristia, recuada, de um pano rematado por beirado e rasgado por óculo circular. INTERIOR: nártex coberto por abóbada de berço; portal principal de cantaria caiada, em arco ogival, com moldura chanfrada assente em impostas apoiadas por três colunelos de cada lado, articulados superiormente e inferiormente por arcos ultrapassados, remate superior com cruz latina de argamassa; no topo da parede destacam-se dois cachorros de cantaria. Nave coberta por abóbada de berço assente em entablamento e pavimentada com tijoleiras quadradas; na parede da entrada rasga-se uma fresta sobre o portal e destaca-se uma pia de água benta de cantaria à direita de quem entra; na parede do lado do Evangelho abre-se a porta do baptistério, de verga recta, encerrada por grade de duas folhas, em madeira, o interior é coberto por abóbada de arestas e nele se conserva a fonte baptismal de cantaria, de secção exterior octogonal, assente em pé cilíndrico, na parede O. está embutido o armário dos santos óleos, encerrado por porta com grelha de madeira; segue-se o púlpito com bacia de cantaria caiada, e grade de madeira recortada em forma de balaústres, pintada de azul, a que se acede por escada de alvenaria de seis degraus; do lado da Epístola abre-se a porta lateral seguida por pia de água benta de cantaria; Arco triunfal de volta perfeita, decorado por escaiolas marmoreadas, ladeado por capelas colaterais colocadas de escorço, de esquema idêntico, com supedâneos de cadeira, tendo a do lado do Evangelho sotobanco com mesa de altar em forma de urna, em talha dourada e policromada, com cruz grega ao centro, enquadrada por volutas, asas de morcego e palmas, banqueta com decoração vegetalista entalhada e dourada, a capela do lado da Epístola já não tem mesa de altar, ambos os retábulos apresentam planta recta com corpo de três eixos divididos por estípites, diferindo no pormenor da decoração, apresentam sotobanco com painel entalhado ao centro e duas mísulas laterais, corpo com nicho central envidraçado ladeado por espaldares decorados com volutas e concheados, ático assente em cornija polilobada coroada por grinalda de flores, volutas e concheados, no retábulo do lado do Evangelho não está claramente definido o banco. Capela-mor coberta por cúpula assente em cornija, retábulo de talha pintada e dourada, de planta recta de um só eixo, com nicho central em arco de volta perfeita, ladeado por dois painéis, representando o da esquerda a libertação de São Pedro por um anjo e o da direita o martírio de São Pedro, encima o nicho um pequeno painel representando a "Pesca milagrosa"; ladeiam o conjunto duas colunas jónicas assentes em pedestais, que suportam o entablamento sobrepujado por ático com um painel representando o sonho de São Pedro, enquadrado por volutas e rematado por frontão curvo assente em pilastras; o retábulo é ladeado por dois painéis decorados com estuques relevados polícromos de remate semicircular, onde se destacam mísulas enquadradas por espaldares de recorte trilobado; na parede do lado da Epístola abre-se uma fresta e na do lado do Evangelho a porta de acesso à sacristia; ao centro do pavimento destaca-se um carneiro sepulcral encerrado por laje de mármore com brasão enquadrado por volutas e a inscrição "S. DOS THOMAZ / ES. O MANDOV / REFORMAR. ME L / NVNES THOMAS / ANNO D 1718". Sacristia coberta por cúpula assente em trompas, com fresta na parede E. e pia de água benta de cantaria, assente em coluna, junto da porta.

Acessos

No limite N. da freguesia, no Monte de São Luís, a c. de 15Km de Baleizão por caminho de terra batida chamado da Rabadôa que passa pelo Monte de São Pedro

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, isolado, em plena planície de campos agrícolas, pontuados por raras árvores; a S. o Monte de São Luís, actualmente utilizado como palheiro e a ribeira de São Pedro; a N. um caminho de terra batida.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 14 - construção da igreja, como filial da igreja matriz de Beja, passando posteriormente a sede de paróquia rural independente e comenda da Casa do Infantado; segundo a tradição assinala o local da milagrosa salvação do rei D. Dinis do ataque de um urso; 1534 - Visitação episcopal do cardeal-infante D. Afonso, na pessoa do beneficiado Luís Martins; séc. 16, Segunda metade - retábulo da capela-mor; séc. 17 - construção do campanário; 1755, 01 de Novembro - danos causados pelo terramoto; 1758 - memória paroquial, sendo prior Manuel Rodrigues Varela, que promove a recuperação do imóvel; séc. 18, meados - retábulos colaterais; 1936 - recuperação geral que incluiu a alteração da fachada, acrescento do retábulo da capela-mor com dois panos laterais de estuques relevados e o revestimento da ousia e arco triunfal com escaiolas marmoreadas; 2001 - desmantelamento do retábulo da capela-mor e sua remoção temporária para a igreja matriz de Baleizão, na sequência de uma série de assaltos em que foi roubada grande parte do espólio móvel.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Paredes de alvenaria de pedra e cal, rebocadas e caiadas, portal, colunas, pias de água benta e elementos secundários de cantaria, pavimentos de tijoleira, telhados em telha de aba e canudo de fabrico industrial, portas de madeira e ferro, caixilharias de madeira, vidros, gradeamentos de madeira pintada, retábulos de talha dourada e policromada com nichos envidraçados, pinturas sobre madeira, escaiolas e estuques polícromos, sino de bronze.

Bibliografia

ALMEIDA, D. Fernando de, A Capela de São Luís em São Pedro de Pomares, Arquivo de Beja, volume XX-XXI, Beja, 1964; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Beja, Lisboa, 1992.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1936 - obras de recuperação geral

Observações

No interior da igreja encontram-se fragmentos de um desmantelado cruzeiro de cantaria e junto da entrada um capitel inacabado.

Autor e Data

Ricardo Pereira 2001

Actualização

 
 
 
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