Igreja e Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Chaves

IPA.00014056
Portugal, Vila Real, Chaves, Santa Maria Maior
 
Arquitectura religiosa, barroca. Igreja da Misericórdia de planta longitudinal e nave única, com fachada principal em cantaria, organizada em 3 panos, separados por pilastras tendo fronteiro colunas torsas sobrepostas, e em 2 registos, separados por cornijas, e terminado em frontão com nicho integrando painel com Mater Omnium; três portais acedendo à galilé encimados por janelas de sacada. Interior revestido por painéis de azulejos figurativos, organizados em 2 níveis, coro-alto sobre a galilé, retábulo barroco de talha dourada e tecto de madeira pintada. Provedoria adossada à fachada lateral direita, de planta rectangular com pátio interior possuindo galeria com colunata e tectos de masseira. Na fachada principal realça-se o contraste entre a rica decoração da igreja, de linhas sinuosas, com tríplice pórtico, colunas salomónicas, enrolamentos de volutas e remates em coruchéu, e a linearidade e singeleza da fachada da Provedoria, apenas animada pela balaustrada da janela de sacada. Interior da igreja caracterizado pela exuberância decorativa resultante da combinação do retábulo e sanefas de talha dourada com o revestimento integral das paredes por valiosos painéis de azulejos figurativos e o amplo tecto de madeira pintada. A fachada posterior do edifício apresenta a particularidade de assentar e aproveitar o paramento externo da cerca urbana medieval.
Número IPA Antigo: PT011703500067
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de Confraria / Irmandade  Misericórdia

Descrição

Planta longitudinal simples, rectangular, de nave única com provedoria, com pátio interior, disposta a O. Disposição horizontal das massas com coberturas diferenciadas em telhados de 2 e 3 águas, sem coincidência com os espaços interiores. Fachada principal virada a N., em granito aparente, com igreja de 2 registos e 3 panos marcados por pilastras laterais com moldura e capitel, coroadas por elegantes coruchéus lisos, tendo frontalmente colunas salomónicas sobrepostas, com capitéis compósitos, coroadas por coruchéus em torçal. As do piso inferior são suportadas por elegantes consolas volutadas com acantos, assentando as do segundo piso em plintos ornamentados com mascarões. No entablamento que sublinha a separação dos dois pisos e no do coroamento da fachada, plintos ornamentados com florões. No registo inferior abrem-se para a galilé três vãos, de arco pleno e o central abatido, apoiados em pilastras. No piso superior abrem-se, ao nível do coro-alto, 3 janelas de sacada, com vão rectangular moldurado possuindo balcão resguardado por balaustradas de madeira. Fachada coroada por frontão com nicho, albergando escultura da Mater Omnium, com manto aberto protegendo desventurados. Nicho cingido de volumosas aletas com ornamentação vegetalista, terminado em frontão de volutas interrompido por cruz latina, entre coruchéus. Fachada da provedoria mais singela, possuindo no primeiro piso porta de verga recta encimada por cornija e no segundo janela de sacada, com balcão guarnecido por balaustrada, encimada por frontão triangular, elevado acima da cornija de coroamento da fachada. Lateralmente, uma robusta pilastra em ligeiro avanço do cunhal, é sobrepujada por sineira de remate em empena coroada por cruz latina de reduzidas dimensões. Fachada E. com silhares de granito e remate em cornija moldurada, abrindo-se em plano elevado uma janela rectangular em rampa, idêntica à que se abre para o pátio da provedoria. Fachada O. rebocada e pintada de branco, possuindo lambril cinzento, janela de sacada com balcão gradeado e 5 vãos de forma e distribuição irregular que se abrem para a sacristia e salas da provedoria. Fachada posterior irregular com remate em cornija de betão. Combina granito aparente com reboco pintado de branco, janelas distribuidas desordenadamente, sendo 3 de tipo rústico e 2 em forma de fresta com vãos em rampa. Uma, ao nível do segundo piso, ilumina a sala da provedoria e as restantes abrem-se para o espaço fundeiro da igreja, por detrás do retábulo-mor. INTERIOR: Galilé, sob o coro-alto, de pavimento lajeado, cobertura em falsa abóbada de aresta de 3 tramos, e 3 portais, de verga recta de acesso ao interior, o central protegido por guarda-vento de madeira. Nave de espaço único, com pavimento em taburnos, alçados laterais integralmente revestidos com painéis de azulejos, azuis e brancos, figurando temas bíblicos com legendas latinas, e tecto de madeira, tipo gamela, com pintura policroma, apoiado em figuras de braços abertos assentes em mísulas de ornamento floral e tendo ao centro representação da Visita da Virgem a sua prima Isabel; numa das extremidades, a esfera armilar coroada e na outra o escudo nacional coroado entre querubins segurando palmas, tendo em cartelas laterais inscritos os bustos de São José e São Joaquim. Em redor um enquadramento constituído por uma balaustrada com querubins sobre plintos segurando grinaldas e cartelas com legenda identificativa da autoria e data da construção 2*. Coro-alto de pavimento em soalho e balaustrada granítica, tendo acesso por porta lateral que se abre para o piso superior do pátio da Provedoria. Do lado da Epístola, um púlpito com pintura vegetalista dourada e policroma, possuindo base granítica quadrangular moldurada, assente em robusta consola volutada com acanto e balaustrada de madeira. Supedâneo lajeado, separado do corpo da nave por balaustrada de madeira. Retábulo-mor em talha dourada e policroma ornamentado com querubins, cachos, folhagens e volutas, apresentando planta côncava de três eixos verticais. Ao centro uma ampla tribuna, cingida por colunas torsas assentes em plintos estando as duas mais avançadas assentes em consolas volutadas e tendo coroamento por anjos de vulto que enquadram as arquivoltas do remate. Alberga um trono volumoso sob cobertura em caixotões. Sacrário saliente coroado por crucifixo com imagem escultórica de Cristo com cabeleira. Os eixos laterais, enquadrados por colunas com remate de arquivolta idêntico ao da tribuna, apresentam painel ornamentado no registo inferior e nicho com imagem escultórica no superior, onde se venera a Senhora das Lágrimas *3. Frontais dos altares revestidos com azulejos do mesmo tipo dos que forram as paredes. Em posição simétrica, de ambos os lados da nave, vãos rectangulares coroados por sanefas de talha dourada ligam ao edifício do antigo Hospital, do lado do Evangelho, e à sacristia, do lado da Epístola. Sacristia de pavimento em soalho, paredes e tecto branco, possuindo lavabo de pia rectangular com mascarão entre pilastras molduradas e remate em cornija. Do lado S. abrem-se duas portas rectangulares de acesso a uma arrecadação e a um WC. INTERIOR DA PROVEDORIA: Um vestíbulo conduz ao pátio interior, ambos de pavimento lajeado, articulados por amplo arco abatido apoiado em pares de colunas embebidas com capitéis de tipo jónico. Uma galeria superior de planta em U, com colunas de tipo toscano assentes em altos plintos e um gradeamento de ferro forjado pintado de verde cerra o pátio que se encontra coberto com estrutura metálica envidraçada. O acesso à galeria é feito por escadaria em granito, de um lanço, com guarda e corrimão moldurado. O pavimento é lajeado e as paredes rebocadas e pintadas de branco, possuindo tectos em masseira com painéis brancos, destacando-se o que cobre a ala N., formado por armação moldurada com 9 planos assente em mísulas na cor ocre. Neste espaço o pavimento é em soalho, abrindo-se a N. a janela de sacada e a E. uma porta rectangular que liga ao coro-alto da igreja. No primeiro patamar que forma a ala S. da galeria abrem-se três portas rectangulares de ligação ao púlpito e às salas da provedoria. Estas apresentam pavimento em soalho, lambril de madeira, paredes pintadas de verde e tecto com roseta central em estuque. Na parede E. da sala de entrada abre-se um nicho em arco pleno moldurado com pintura de paisagem em fundo e cartelas com anjos e motivos florais no intradorso.

Acessos

Santa Maria Maior, Largo Caetano Ferreira. WGS84: 41º44'22.06''N., 7º28'16.82''O.

Protecção

Em vias de classificação / Incluído na Zona de Protecção do Castelo de Chaves (v. PT011703510004)

Enquadramento

Urbano, no centro histórico de Chaves. A fachada principal, antecedida por ampla escadaria frontal 1*, abre-se para uma praça onde se inscrevem o edifício dos Paços do Concelho, a Igreja de Santa Maria Maior (v. PT011703500021), a Capela de Nossa Senhora do Loreto (v. PT011703500055). A torre de menagem do castelo ergue-se nas proximidades e a fachada posterior da igreja assenta directamente sobre a cortina S. da muralha medieval da vila. Recuado em relação à fachada principal da igreja, adossa-se a E. o antigo Hospital da Misericórdia. A O., em avanço sobre a praça, dispõe-se a massa volumosa do actual Museu Flaviense, no local onde outrora se ergueram os Paços dos Duques de Bragança.

Descrição Complementar

Os 22 painéis de azulejos, separados entre si por cercaduras de temática arquitectónica, consolas volutadas, acantos, cartelas e querubins, dispõem-se em dois registos sobre um lambrim de querubins segurando grinaldas. Os temas estão representados em paisagens profundas dominadas pela monumentalidade de elementos arquitectónicos de inspiração clássica. Na parede do Evangelho estão representadas: A cura do paralítico; Bodas de Canã; Ressurreição de Lázaro; Incêndio de Sodoma; Jesus profetiza a destruição de Jerusalém; Jesus e a Samaritana; A prisão de Jesus; Jesus cura a sogra de Pedro; Maria, refúgio dos pecadores; Oração por intermédio de Maria. Na parede da Epístola figuram-se: O calvário; Maria, Mãe de Misericórdia; Jesus aplaca a tempestade; Multiplicação dos pães; Maria, saúde dos enfermos; Jesus cura um hidrópico; A morte do Justo; A adúltera; A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel. Sob a balaustrada do coro-alto: A ceia do Senhor; Glorificação da Virgem; O lava-pés. Na sacristia, existe um arcaz de madeira pintado de verde verde. No vestíbulo e pátio da Provedoria encontram-se expostas 3 pedras tumulares, duas das quais armoriadas, retiradas do interior da igreja. Na mais recente lê-se: "AQVI JAZ O EXEMPLO DOS ESMOLERES DESTA SANTA CASA JOSÉ ALVES PEREIRA QVE MORREO EM 13 DE JUNHO DE 1798". Outra pertence à sepultura de um provedor do séc. 17: "Sª DE GASPAR DE QUEIROGA TEIXEIRA". A última, com epígrafe muito delida, registava-se: "S. DE ALEYXO DE MIRANDA".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR DE AZULEJOS: Oliveira Bernardes (atr.). PINTOR: Afonso Sanches Coelho (séc. 16), Jerónimo da Rocha Braga (1743), Mário Augusto Pires (1931), Teixeira Fânzeres (1932).

Cronologia

1532 - início da construção da igreja; séc. 16 - execução da tela pintada a óleo representando a Visitação; 1601 - data inscrita em coluna do átrio da Provedoria assinalando a sua provável conclusão; 1712 - Igreja e Casa do Despacho ameaçavam ruína (VIÇOSO 2000); séc. 18, fim do 1º quartel - provável execução dos painéis de azulejos, atribuídos a Oliveira Bernardes; séc 18 - execução do retábulo-mor; 1743 - execução da pintura do tecto da igreja pelo pintor Jerónimo da Rocha Braga; 1739 - execução dos nichos laterais do retábulo-mor; 1921 - arranjo do largo frontal e da escadaria actual; 1928, Outubro - João Manuel Gomes Rodrigues dos Reis, de Vilela Seco, ofereceu à Misericórdia o valioso donativo de 100.000$00; 1929, 19 Setembro - visita da Misericórdia pelo General Carmona; 1930 - colocação de portões no adro da igreja; 1932, 13 Agosto - festividade em honra de Nossa Senhora de Fátima, passando a igreja a estar aberta ao culto diário; 1934, 30 Abril - Mesa decide instalar o telefone no gabinete da provedoria; 1990 - alteração da designação da Misericórdia de Chaves para Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Granito nas paredes e estrutura do edifício, no pavimento do sub-coro, do supedâneo do altar-mor, do vestíbulo, pátio e galeria da provedoria; madeira no pavimento do coro-alto, sacristia, ala N. da galeria, salas da provedoria, nos tectos da igreja e galeria, guarda-vento, balaustrada das janelas de sacada, retábulo e sanefas; ferro nos portões do pórtico no gradeamento da galeria e na estrutura que cobre o pátio; azulejos nas paredes internas da igreja.

Bibliografia

CERIMÓNIAS, Pe. António José, Azulejos da Egreja da Misericórdia de Chaves, Braga, 1927; CARVALHO, General Ribeiro de Carvalho, Chaves Antiga, 1929, p. 117 - 119; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955, Lisboa, 1956; Fundação Calouste Gulbenkian, Guia de Portugal, Lisboa, 1987, vol. 5, Tomo I, p. 422 - 425; ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976, p. 198; VIÇOSO, Maria Isabel, Igreja da Misericórdia de Chaves, Chaves, 2000; VIÇOSO, Maria Isabel, História da Misericórdia de Chaves . 500 anos de vida, s.l., 2007; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/21960019 [consultado em 4 janeiro 2017].

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Santa Casa da Misericórdia de Chaves: 1931 - adjudicação da obra de caiação e pinturas internas no edifício da Misericórdia ao pintor Mário Augusto Pires, da cidade, por 1.090$00; 1932 - restauro da pintura do tecto da igreja pelo pintor de Braga Teixeira Fânzeres, renovação do pavimento, limpeza da talha e azulejos, deslocação do guarda-vento para o exterior; DGEMN: 1955 - Continuação de obras de conservação pelo Serviços dos Monumentos Nacionais; Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas: 1997 - substituição do pavimento de granito da igreja e remoção das pedras armoriadas das sepulturas, remoção da balaustrada junto do retábulo-mor-mor e da grande tela a óleo da boca da tribuna; 2000 - restauro e recolocação da teia que separa a nave do altar-mor.

Observações

*1 - Até ao arranjo efectuado em 1921 pela C.M. Chaves, que deu origem à escadaria actual, existia defronte do templo um adro que serviu de cemitério até 1839 (VIÇOSO 2000: 17). *2 - Na legenda, repartida por 4 cartelas, lê-se: "ESTA PINTURA FES / HERONIMO DA ROCHA BRAGA / ANNO DE 1743 / SENDO PROVEDOR IOÃO EVANG[elista] DE CARVALHO"; *3 - Segundo a tradição, a Misericódia terá sido construída no local onde primitivamente se encontrava uma capela que servia os Paços dos Duques de Bragança, no espaço do actual edifício do Museu da Região Flaviense, a qual teriam mandado edificar nos inícios do séc. 15, quando aqui estabeleceram residência. Esta primitiva capela tinha como invocação a Senhora das Lágrimas.

Autor e Data

Ricardo Teixeira 2000

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