Castelo de Linhares / Castelo e cerca urbana de Linhares

IPA.00001402
Portugal, Guarda, Celorico da Beira, Linhares
 
Castelo de montanha, de defesa passiva, de planta irregular, adaptado à topografia, com pré-existência castreja, e com adarve descoberto; recinto da cidadela integrando torre de menagem, adossada ao troço separador do recinto urbano; torre de menagem e torre secundária de planta rectangular e três pisos; frestas em arco recto; merlões de face rectangular; seteiras cruciformes; balcões com mata-cães; portas principais em arco quebrado e secundárias em arco pleno; porta da traição. Existência de espécie de cubelo truncado a S..
Número IPA Antigo: PT020903080002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Constituído por dois recintos muralhados fechados, de traçado irregular de configuração alongada e perfil ondulante, adaptados à topografia e desnivelados, integrando afloramentos rochosos, descrevendo vários ângulos rectos e um semicírculo no ângulo NO. As muralhas assentam em maciços rochosos, desprovidas de merlões, mas conservando o adarve e escadas de acesso e não possuindo quaisquer construções adossadas. O recinto do lado O., de maior perímetro, corresponde à cidadela, enquanto o recinto do lado E. integraria a primitiva povoação *1. Apresenta duas torres: a Torre de Menagem de planta rectangular integrada no troço separador dos dois recintos e a Torre do Relógio, também de planta rectangular, no flanco E.. Observa-se uma espécie de cubelo em ressalto no pano S. da cidadela, zona que integra as fundações de duas cisternas de planta quadrada e de outras construções pertencentes à alcaidaria. Possui quatro portas: uma primeira orientada a S., abrindo para o recinto de menor perímetro, em arco de volta quebrada e coberta com abóbada de berço quebrado, conservando os gonzos em cantaria; uma outra no pano de muralha do lado oposto e em arco pleno; uma terceira no pano separador dos dois recintos, em arco de volta quebrada e coberta com abóbada de berço quebrado, conservando os gonzos em cantaria; a Porta da Traição no flanco O., em arco pleno com as impostas em ressalto. Torre de Menagem: planta rectangular e cobertura rebaixada de quatro águas. Alçado principal orientado a O. e sem embasamento. O acesso é feito ao nível do 2º piso, através de escadas metálicas e de porta em arco recto com umbrais talhados em oblíquo e encimado por arco de descarga em volta quebrada. No eixo da porta e no alçado E. observam-se dois balcões com mata-cães sustentados por mísulas. Possui nos quatro alçados frestas rectas. Coroamento com merlões de face rectangular e remate em chanfro recortado, providos de seteiras cruciformes. O interior é composto por três pisos, com pavimentos e escadas em madeira. Torre do Relógio: planta rectangular e cobertura rebaixada de quatro águas. Alçado principal orientado a O., mostrando ao nível do primeiro piso, mas acima do nível do solo, uma porta em arco recto encimado por arco de descarga em volta quebrada. Possui frestas rectas em todos os alçados e duas gárgulas de secção semicircular no lado N.. Coroamento com merlões de face rectangular, observando-se pequena estrutura em betão no ângulo NO. e uma sineta no lado E.. Interior com três pisos com estrutura em madeira.

Acessos

Largo da Igreja

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto, nº 8201, DG, 1.ª série, n.º 120 de 17 junho 1922 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 141 de 17 junho 1971

Enquadramento

Cabeço fortificado situado num contraforte a NO. da Serra da Estrela, a cerca de 800 m. de altitude, sobranceiro à povoação que se desenvolve a O. e rodeado por penedos graníticos escarpados, dominando o vale do Mondego.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCCentro, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 12 / 14 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Origem imprecisa, talvez um castro pré-romano; c. 580 a.c. - hipotética fundação do castelos pelos túrdulos, denominando-se Lenio ou Lenióbriga; época visigótica - sede episcopal ( RODRIGUES, 1979 ); época romana - reedificação do recinto defensivo; séc. 8 - destruição pelos mouros; 900 - reconquista por D. Afonso III de Leão, que ordenou a reparação do castelo; reinado de D. Sancho I - sendo alcaides de Celorico e Linhares, respectivamente, os irmãos Gonçalo e Rodrigo Mendes, e sendo Celorico atacada pelo exército leonês, Linhares saiu em seu socorro; a memória da vitória sobrevive na romaria anual de Celorico à Capela de Nossa Senhora dos Açores, levantada no local da batalha; 1186 - doação de foral à povoação, seguindo o modelo de Salamanca / Numão; reinado de D. Dinis - reedificação do castelo; doação da vila a Fernão Sanches, filho natural do monarca, que construiu um paço junto à Igreja de Santa Maria, destruído em finais do séc. 14 ( RODRIGUES, 1979 ); 1258 - consta das Inquirições, que referem o facto dos homens de Satão serem obrigados à anúduva (trabalhos de reparação nos castelos) da Guarda e de Linhares; 1373 - conquistada por Henrique II de Castela; 1383 - o alcaide Martim Afonso de Melo tomou o partido legalista; 1385 - doação da vila a Egas Coelho por D. João I de Portugal, sendo então alcaide Martim Vasques da Cunha, que se distinguiu na Batalha de Trancoso; 1422 - no Rol dos Besteiros, é referida a existência de 6390 habitantes; 1496 - na Inquirição, é referida a existência de 608 habitantes; 1527 - no Numeramento, é referida a existência de 1006 habitantes; séc. 17 - instalação do relógio na torre; 1942, 30 Dezembro - cedido à Junta de Freguesia de Linhares, o que foi revogado pela afectação ao IPPAR, em 1992; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Granito, cantaria, aparelho isódomo; madeira; ferro; telha de aba e canudo.

Bibliografia

BRANDÃO, Frei Francisco, Monarchia Lusitana, Lisboa, 1632; COSTA, António Carvalho da, Corographia Portugueza, Lisboa, 1708; OLIVEIRA, Manuel Ramos de, Celorico da Beira e o seu Concelho, Celorico da Beira, 1939; FRANCO, José, Linhares, Terra Beiroa, Esboço Monográfico, Lisboa, 1944; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1945; DGEMN, Castelo de Linhares, (Boletim de Restauro nº 98), Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; PERES, Damião, A Gloriosa História dos Mais Belos Castelos de Portugal, Porto, 1969; RODRIGUES, Adriano Vasco, Celorico da Beira e Linhares, Celorico da Beira, 1979; MOREIRA, Maria da Conceição, Linhares, Aspectos Históricos, Lisboa, 1980; NEVES, Vítor Pereira, Três Jóias Esquecidas, Marialva, Linhares e Castelo Mendo, Castelo Branco, 1993; ABRANTES, Leonel, Linhares Antiga e Nobre Vila da Beira, Folgosinho, 1995; GONÇALVES, Luís Jorge Rodrigues, Os castelos da Beira interior na defesa de Portugal (séc. XII - XVI), [dissertação de mestrado], Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 1995.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; Direcção de Serviços de Fortificações e Obras Militares: Divisão de Arqueologia ( 7119-5-76-74 )

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1936 e 1937 - diversas obras de restauro; 1941 / 1942 - diversas obras de restauro: construção de muralha com silhares de cantaria e cheios de alvenaria argamassada, escavação de terras; 1943 - diversas obras de restauro: construção de muralha com silhares de cantaria e cheios de alvenaria argamassada; escavação de terras; 1944 - diversas obras de restauro: construção de muralha com silhares de cantaria, assentamento de cantaria em degraus, vigamento de madeira e soalho para pavimentos; 1945 - obras de restauro: recalçamento das muralhas com aproveitamento de silhares, construção de muralha, limpeza e tomada de juntas, assentamento de portas em madeira, escavação de terras; 1958 - obras de beneficiação: reconstrução de troço de muralha com silhares de cantaria e cheios de alvenaria argamassada, tomada de juntas e respaldo dos passadiços nas muralhas N. e S., desentulhamento do piso térreo da Torre de Menagem e consolidação dos seus paramentos interiores; 1959 - obras de restauro: trabalhos complementares de beneficiação das torres, reparação do piso em madeira ao nível da porta da Torre do Relógio, incluindo escoramento e remate no vão da passagem dos pesos do relógio, construção de pavimentos em madeira no piso intermédio da Torre do Relógio e na Torre de Menagem, construção de escadas e portas em madeira nas referidas torres, substituição das vergas das frestas no primeiro piso da Torre do Relógio, refechamento das juntas dos paramentos interiores do primeiro piso da Torre do Relógio, construção de escadas em ferro, limpeza do telhado e tomada de juntas no parapeito ameado de ambas as torres, consolidação da muralha e cunhal da Torre de Menagem, consolidação dos passadiços da muralha O., arranjo e limpeza das ruínas das construções existentes no recinto do castelo, demolição de casas e arranjo do terreno; 1960 - obras de arranjo e limpeza do terreno envolvente, consolidação dos apoios das muralhas, incluindo refechamento de juntas e assentamento de alguns silhares em cantaria, escavações e terraplanagens no interior do recinto; 1979 - obras de restauro: substituição do telhado da Torre de Menagem, incluindo a sua armação, reparação dos adarves com reposição de pedras nas falhas e refechamento de juntas até ao limite de 15 m2; 1984 - obras de beneficiação: reconstrução da porta S. em madeira, reparação das duas restantes portas, beneficiação de um paramento de muralha, pintura de grade. IPPAR / Parque Natural da Serra da Estrela: 1994 / 1997 - obras de requalificação, reconstrução da estrutura interna das torres, arranjo dos recintos internos (colocação de novas escadas metálicas, pavimentação e ajardinamento), colocação de grade metálica em todo o perímetro do adarve.

Observações

*1 - A muralha N. deste recinto foi reconstruída pela DGEMN e não corresponde à planta executada por João de Almeida, onde se verifica que este troço avança mais para N., o que é também observável in situ, através das fundações de uma estrutura murária quase paralela ao pano actual. Portanto, poder-se-á deduzir que este recinto possuía uma área maior. A Torre do Relógio conserva ainda os maquinismos do relógio de pêndulos.

Autor e Data

Margarida Conceição 1992 / 1997

Actualização

 
 
 
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