Colégio de São Fiel / Reformatório de São Fiel
| IPA.00013945 |
| Portugal, Castelo Branco, Castelo Branco, Louriçal do Campo |
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| Conjunto de edifícios e estruturas construídas, com fases de construção balizadas entre a segunda metade do séc. 19 e a década de 70 do séc. 20, e que se construiu para instalar um seminário de órfãos (1853-1863) e depois um colégio da Companhia de Jesus (1863-1910), tendo vindo a receber, posteriormente, adaptações diversas e novas construções para acomodar um estabelecimento judicial de internamento para menores (1920-2003). Complexo implantado em extensa propriedade rural, dividida em várias parcelas, conjugando solos de aptidão florestal com terrenos de cultivo. Na parcela designada Casal da Pelota aglomeram-se as construções constituintes da sua parte "urbana", murada e circundada por vias de circulação. O conjunto é polarizado por um edifício principal, à volta do qual se distribuem outras construções, funcionalmente complementares. Apesar das adaptações e ampliações, por prolongamento de corpos ou acréscimo de pisos, das construções de raiz pontuais e das reutilizações de espaços para outras funções, decorrentes da ocupação durante o séc. XX, o actual complexo de São Fiel mantém, no essencial, a estrutura do Colégio Jesuíta. COLÈGIO DE SÃO FIEL - Do conjunto sobressai o edifício principal, de grande escala, singular dentro das características dominantes do tecido edificado da região; junto a este, construções diversas, associadas às actividades de exploração agrícola e pecuária da propriedade e a serviços diversos necessários ao funcionamento do instituição, como vacaria, palheiro, cocheiras e cavalariças, adega, várias oficinas, garagem, depósitos e central eléctrica; junto ao edifício principal, os espaços de recreio, murados e dotados de alpendres; em zona mais afastada, fora do espaço de circulação controlada dos alunos, o edifício da lavandaria, com oficinas de costura; junto à frontaria do Colégio, na face E. da propriedade, localizava-se uma estação de correios, com acesso pelo exterior e, já fora do recinto vedado, situava-se o Hotel, para receber alunos externos e visitantes do Colégio. EDIFÍCIO PINCIPAL - construção heteróclita, inacabada, composta pela articulação de diversos corpos de planta rectangular, com n.º pisos / pé direito e fachadas diferenciados, resultantes do processo gradual de crescimento das instalações do Colégio. Tem uma fachada principal de 136 m, correspondente ao corpo que unifica o conjunto. Perpendicularmente, dispõem-se dois corpos, também de planta rectangular, que criam dois pátios descobertos. Entre a Igreja, no topo, e um destes corpos, situa-se o claustro, de planta quadrangular. Esta a parte mais antiga, sobrevivente do antigo seminário, de inspiração franciscana, e que deverá ter sofrido ampliações em altura, nomeadamente em torno do claustro: apresenta composição simples, baseada em fachadas rebocadas onde se rasgam vãos rectangulares a ritmo regular, emoldurados a cantaria, de desenho mais elaborado na fachada principal. A parte mais recente, articulada com um corpo intermédio de três pisos, de cércea inferior e comunicante com ala do claustro/ Igreja, corresponde ao corpo novo e foi construído para a função colegial, dentro do modelo afeiçoado pela Companhia de Jesus: planta em "L", três pisos, de amplo pé-direito, com dependências espaçosas para salas de aula, de estudo e laboratórios concentradas de um dos lados do edifício, corredor longitudinal voltado ao pátio a tardoz, instalações sanitárias em corpo saliente e dormitório dos alunos no último piso; quanto à composição, fachadas simples e depuradas, de extensos panos rebocados e pintados, cadenciados por fenestração regular emoldurada a cantaria, em arco de volta inteira na fachada principal e rectangulares nas demais fachadas, com excepção dos dois primeiros pisos das fachadas voltadas ao pátio a tardoz, com vãos mais amplos e também em arco de volta inteira, para iluminação dos corredores; acesso principal centralizado e marcado a eixo pelas janelas de sacada dos pisos 1 e 2, geminadas e de desenho mais elaborado. IGREJA de planta longitudinal simples, com nave única, coro-alto e capelas laterais e colaterais à face. Confessionários e púlpitos com acesso por corredor lateral. Cobertura em abóbada de lunetas. Capela-mor profunda, com retábulo de talha dourada do período joanino, iluminada pelos vãos da fachada lateral. |
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| Número IPA Antigo: PT020502120093 |
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| Registo visualizado 1568 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Educativo Colégio religioso Colégio religioso Companhia de Jesus - Jesuítas
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Descrição
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| Conjunto composto por: edifício principal, de planta composta por vários corpos, integrando, numa das alas, a estrutura conventual primitiva (claustro e igreja); construções anexas, de distintas fases, contemplando - armazéns, oficinas, instalações pecuárias, habitações para o pessoal, casa do guarda, ginásio e mais outros dois edifícios designados " Edifício da Tapada da Renda " e "Edifício Labirinto ". |
Acessos
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| Rua Presidente Craveiro Lopes, Rua Dr. José Ramos Preto, Avenida Dr. Manuel Rodrigues. WGS84 (graus decimais) lat.: 40,043145; long.: -7,502726 |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Rural, implantado em zona de planalto, junto à vertente S. da Serra da Gardunha. Insere-se numa propriedade de contornos irregulares, formada por várias parcelas. No planalto, para S., abrangendo a freguesia do Louriçal, localiza-se a barragem de Santa Águeda, dispondo de albufeira de água pública protegida *1.Insere-se no perímetro florestal de Louriçal do Campo *2. |
Descrição Complementar
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| AZULEJO - edifício principal: corredor do piso térreo com revestimento de azulejos; igreja: nave - revestimento de azulejos. PINTURA MURAL - vestíbulo do edifício principal: dois painéis de pintura figurativa alusivos ao trabalho, ilustrando, respectivamente, as actividades industrial e agrícola (anos 30, do século 20). TALHA - Igreja: capela-mor: retábulo em talha dourada do período joanino (séc. 18). ESTATUÁRIA - jardim fronteiro ao edifício principal: escultura figurando São Fiel; |
Utilização Inicial
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| Educativa: colégio religioso |
Utilização Actual
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| Devoluto |
Propriedade
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| Pública: estatal |
Afectação
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| Instituto de Reinserção Social |
Época Construção
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| Séc. 19 / 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| ARQUITETO: João Ribeiro Fráguas (séc. 20) |
Cronologia
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| O SEMINÁRIO DE MENINOS ÓRFÃOS DO LOURIÇAL DO CAMPO / Séc. 19, meados do - Frei Agostinho da Anunciação, natural do Louriçal do Campo, franciscano e figura próxima da Infanta Isabel, obtém autorização régia para criar na sua aldeia um seminário destinado a órfãos, instituição colocada sob a invocação de São Fiel e que conhece por primeira instalação uma casa na Rua da Capela (*3); 1852 - mediante subscrições, doações e esmolas recolhidas no distrito de Castelo Branco, Frei Agostinho obtém fontes de rendimento que permitem sustentar a sua instituição de assistência e a construção de edifício próprio, tendo-se a obra iniciado neste ano, em um terreno localizado no sítio do Casal da Pelota (*4); 1853, Março - publicação da Portaria que autoriza Frei Agostinho a "governar interinamente o Seminário de S. Fiel, pelos mesmos estatutos pelos quais se regulava o Seminário dos Órfãos de S. Caetano de Braga" (PRETO, 1911, 10); 1858, Agosto - um incêndio destruiu o edifício, cuja estrutura assentava em dois corpos, um para o sexo feminino e outro para o sexo masculino, separados pela igreja (*5), albergando à data 80 órfãos; 1858 - durante a reconstrução do Seminário, auxiliada pela Infanta Isabel (GRAINHA: 1893, p. 479), um grupo de 12 órfãos é recolhido no Colégio de Campolide (GRAINHA, 1913, 13), então designado Instituto da Caridade, instituição fundada pelo do padre Rademaker e que assinala o início do restabelecimento da comunidade jesuíta em Portugal; 1860, Setembro - já em funcionamento, e depois de ter estado sob a orientação de Francisco Grainha, Frei Agostinho entrega a educação dos órfãos do Seminário aos Padres Lazaristas e às Irmãs da Caridade: a instituição passa a admitir também pensionistas e alunos externos; 1862 - expulsão destes religiosos de Portugal. O COLÉGIO DE SÃO FIEL, DA COMPANHIA DE JESUS -1862 / 1863, ano lectivo de - na História do Colégio de Campolide, escrita pelos padres da Companhia, anota-se que a "missão foi aumentada com uma nova casa, o Colégio dos Órfãos de São Fiel", procedendo-se às primeiras diligências para organizar a administração do estabelecimento, cuja direcção os padres tomam em Setembro (GRAINHA, 1913, XXXIV e 39); 1868 - data apontada por Ramos Preto (1911, 13) para a chegada dos Jesuítas a São Fiel: a escolha da congregação para gerir o estabelecimento ocorrera, segundo aquele autor, por indicação do Papa Pio IX, aquando da visita a Roma de Frei Agostinho da Anunciação; 1873, 6 de Novembro - o Seminário, que fora perdendo o seu carácter assistencial, com a admissão progressiva de alunos pensionistas, numa evolução semelhante à do Colégio de Campolide, é adquirido a Frei Agostinho de Anunciação por 2.000$000 réis. Para contornar as dificuldades impostas pela legislação anticongreganista, em vigor desde 1834, a escritura realiza-se em nome de uns padres estrangeiros, residentes em Londres (Georges Lambert, Ignacius Cory Scoles e Henry Foley), representados pelo Padre Bernardino Pereira Monteiro (REFOIOS, 1883, 19); 1874 - a partir deste ano o Colégio vai conhecer melhoramentos progressivos, de acordo com a finalidade explícita de o transformar num estabelecimento educativo para as elites, dentro do programa jesuíta de educação integral; 1876 - a Infanta Isabel Maria deixa, em testamento, ao Colégio de São Fiel objectos sacros no valor de 8.000$000 réis (GRAINHA: 1913, p. XXXIV); 1880 - a entrada e fixação progressivas de congregações religiosas em Portugal, muitas de origem estrangeira e com acção no domínio educativo, conduz o Governo liberal, por portaria do Ministério do Reino de 17 Novembro, a solicitar aos governadores civis informações sobre estabelecimentos mantidos por aquelas congregações; 1880, 2 Dez. - o Governador Civil de Castelo Branco nomeia uma comissão de inquérito, composta por Joaquim Sousa de Refoios, Hermano Neves (ambos médicos) e Joaquim Robalo Guedes (funcionário do Governo Civil de Castelo Branco) para proceder a uma inspecção aos estabelecimentos do Distrito; 1880, 13 Dez. - apresentação do Relatório, especialmente incidente sobre os colégios de São Fiel e de Nossa Senhora da Conceição, na Covilhã. O Relatório, no que respeita a São Fiel, é contundente relativamente à situação de excepção vivida no estabelecimento: ensino religioso, à margem dos programas públicos; corpo docente sem habilitações creditadas no sistema de ensino nacional e radicado numa congregação estrangeira; fontes de rendimento provenientes de bens legados para fins assistenciais, acrescidos de outros resultantes da acção confessional não permitida pelo Estado fora do âmbito das igrejas paroquiais, rendimentos líquidos expressivos, com origem em congregações e irmandades sediadas no Colégio, "sem compromisso e sem orçamentos" (REFOIOS, 1883, 33). À data da inspecção o estabelecimento de ensino albergava uma comunidade composta por 138 alunos internos, além dos 5 semi-internos e dos 6 externos, por 22 pessoas responsáveis pela educação ministrada (entre corpo directivo, professores, prefeitos, capelães), e por 24 "criados" que asseguravam o funcionamento da instituição. As instalações tinham crescido: a igreja era nova, estava em construção um novo dormitório e tinha-se aberto um ramal de estrada para tornar mais fácil o acesso ao Colégio. Além dos dormitórios, considerados acanhados, é referida a existência de um pequeno laboratório de química, de uma única sala de estudo e de dois refeitórios, um para alunos e outro para padres; 1883 - perante a tolerância do Governo face à situação vivida em São Fiel, Sousa Refoios publica o Relatório, expressivamente intitulado "Apontamentos sobre o jesuitismo no distrito de Castelo Branco"; 1895 - a freguesia do Louriçal do Campo deixa de pertencer ao concelho de São Vicente da Beira, ficando integrada na de Castelo Branco; 1900 - na passagem do século, o Colégio de São Fiel crescera e dotara-se de estruturas capazes de responder às exigências da educação jesuíta, onde a componente científica do ensino, associada às ciências naturais e experimentais, sobressaía, a par da investigação conduzida por alguns religiosos que integravam o corpo docente: as obras de ampliação realizadas sobre o edifício do primitivo Seminário, permitiram obter novos espaços para instalação, nomeadamente, do Museu de História Natural, dos laboratórios de física e química, dos gabinetes de geologia, zoologia e botânica, e da biblioteca. Aqui se guardavam e desenvolviam colecções científicas que viriam a ter renome, entre as mais expressivas contando-se a de Cecídias, do Padre Silva Tavares (com espécies do Brasil, África e Europa), a de Criptogâmicas (parte recolhida nos arredores de São Fiel), do Padre Zimmerman, e a de Lepidópteros (mais de 2000 espécies da Península Ibérica e África), do Padre Cândido Mendes; 1901 - recrudescimento do movimento anticlerical: o ministro Hintze Ribeiro ordena uma inspecção ao Colégio; 1901, 18 Abr. - diploma que visa regularizar a situação das congregações entradas em Portugal durante a segunda metade do séc. 19, desde que secularizadas e organizadas em associações com estatutos aprovados pelo Governo e mantendo actividade na assistência, ensino e missionação; 1901, Out. - a Companhia de Jesus organiza-se na Associação Fé e Pátria; 1902 - no corpo do novo dormitório e das salas de aula, construído de raiz, e dispondo de torre a cerca de 21 m, inaugura-se o observatório meteorológico, cujas observações são enviadas diariamente para o Observatório Central Dom Luís, em Lisboa; decorrente da actividade científica desenvolvida no estabelecimento, os padres Silva Tavares e Cândido Mendes fundam a "Brotéria: revista de Ciências Naturais do Colégio de São Fiel"; 1904 - é criada a Academia Científica Maria Santíssima Imaculada; 1907 - a "Brotéria" passa a editar-se em três séries distintas: duas estritamente científicas, dedicadas à zoologia e à botânica, e uma outra de vulgarização, destinada ao grande público; 1908 - o Padre Joaquim da Silva Tavares assume a direcção do Colégio; segundo Ferrão, terá sido por esta data que as obras em curso são interrompidas (FERRÃO, 1910, 32-33); 1910 - do complexo escolar de São Fiel faziam parte: o edifício do Colégio, com capacidade para cerca de 300 alunos internos, com Igreja e claustro, dormitórios, salas de aula e de estudo, teatro para realização de saraus e representações cénicas; várias construções anexas de apoio, edificadas nos terrenos a tardoz do edifício principal, como a Central Eléctrica, oficinas, armazéns, adega e dependências agro-pecuárias; em parcela mais afastada do Colégio (a NO.), uma lavandaria, "entre laranjeiras, pinheiros e eucaliptos", com "engomadoria, padaria e oficinas de costureiras" (FERRÃO, 1910, 33); a SO., os recreios, amplos e divididos por muros, respeitando a divisão dos alunos por classes; fora do recinto vedado do colégio, junto à estrada, para nascente, ficava o edifício do Hotel, também propriedade da Companhia, destinado a acolher as famílias dos alunos quando se deslocavam em visita a São Fiel, assim como outras casas resultantes da fixação de pessoas que prestavam serviços vários ao estabelecimento; junto à entrada do Colégio, em frente ao Hotel, em edifício mandado construir pelos jesuítas, localizava-se a estação de 2.ª classe dos Correios e Telégrafos. A extensa propriedade envolvente estava submetida a exploração agrícola e florestal; 1910, 5 Outubro - implantação da República; 1910, 8 Outubro - o Governo Provisório decreta a extinção das ordens e das congregações religiosas, seguindo-se o arrolamento dos seus bens e a sua passagem para a guarda e posse do Estado; 1910, 9 Outubro - o Colégio é encerrado com recurso a forças de cavalaria, secundadas por tropas de infantaria; 1911 - inicia-se o processo relativo à distribuição dos bens móveis, onde se incluem os fundos da biblioteca, as colecções científicas e o espólio dos gabinetes (*6). ESTABELECIMENTO DE INTERNAMENTO PARA REEDUCAÇÃO DE MENORES - 1917 / 1919 - as instalações do colégio são utilizadas pelos serviços hospitalares do Exército como sanatório destinado aos militares do Corpo Expedicionário Português atingidos pela tuberculose: deste período deve datar a construção do alpendre, existente na frontaria do corpo novo do antigo Colégio, mais tarde substituído por galeria e terraço; 1919, Setembro - pelo DL n.º 6 117 é criada a Escola Industrial de Reforma de São Fiel, estabelecimento para reeducação de menores delinquentes que vem integrar a rede de instituições de internamento do Ministério da Justiça, no contexto da política republicana de protecção à infância e na sequência da criação dos tribunais de menores; 1920 - os edifícios do antigo Colégio de São Fiel, "com as propriedades rústicas anexas que foram arroladas como pertencentes à Companhia de Jesus" (DL n.º 7167 de 19 Nov.), são cedidas pela Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações Religiosas para instalar a Escola Industrial de Reforma de São Fiel, com capacidade para 50 menores do sexo masculino; 1920, 4 Setembro - entram as primeiras crianças e jovens; 1925 - a instituição passa a designar-se Reformatório de São Fiel; 1928 / 1935 - as obras de conservação e de adaptação arrastam-se por vários anos e obedecem a um programa que implica alojar uma comunidade de crianças e jovens dividida em 4 grupos etários, com dependências próprias (camarata, sala de família, instalações sanitárias, refeitório, sala de aula e recreio), bem como dispor de estruturas que assegurem cuidados de saúde, educação escolar e formação profissional (oficinas); havia ainda que providenciar ao alojamento do numeroso pessoal que servia o Reformatório e proceder à exploração agrícola da propriedade; as alterações mais sensíveis ocorrem na compartimentação interior e na reutilização dos espaços, agora com outras funções; à excepção da galeria exterior, levantada na frontaria, o conjunto arquitectónico jesuíta mantém-se praticamente inalterável; 1939 - a lotação do estabelecimento atinge os 270 menores, acrescidos de mais 30 lugares para a Secção Sanatorial do Reformatório, instalada no edifício da Tapada da Renda (v. 0502120231), junto da aldeia do Louriçal do Campo: é a maior instituição de internamento dos Serviços Jurisdicionais de Menores, dispõe de secção preparatória (menores com idades compreendidas entre os 9 e 12 anos) e de secção profissional (menores com mais de 12 anos), está preferencialmente indicado para receber educandos enviados pelos tribunais de menores do centro e sul do país e assegura ensino para as profissões de funileiro, sapataria, alfaiataria e carpintaria; 1950 - os Serviços Jurisdicionais de Menores avaliam as necessidades do sistema em termos de instalações: na elaboração do plano de obras, a ser conduzido pela Comissão das Construções Prisionais e por serviços da DGEMN, São Fiel entra no grupo de edifícios que exige um estudo prolongado; 1948/1953 - procede-se a diversas obras exigidas pela situação de carência em que vive em instituição, nomeadamente no que respeita a espaços oficinais, de alojamento de funcionários e de menores, bem como obras de conservação de fachadas e arranjos de espaços exteriores: deste período datam a construção do edifício do balneário, a ampliação das oficinas (demolições de estruturas anexas à Igreja, aumento da oficina de serralharia, edificação do pavilhão de carpintaria e arranjo exterior do largo das oficinas), a edificação das garagens no jardim (E.) e a intervenção no edifício do antigo Hotel (casas de funcionários), que é acrescido de mais um piso; 1953 - a Secção Preparatória é instalada na antiga secção sanatorial, entretanto desactivada (v. 0502120231); 1950, década de - arrancam as grandes obras nos estabelecimentos tutelares de menores, sujeitas a planos de conjunto e concretizadas em grandes complexos. O Reformatório de São Fiel permanecerá à margem destas transformações, pendente da decisão de encerramento ou de reconversão; 1962, 20 Abril - reforma na legislação de menores e nos seus serviços, com a publicação da Organização Tutelar de Menores. Os antigos reformatórios e colónias correccionais passam a designar-se institutos de reeducação; 1960, década de - retoma-se o investimento no Instituto de Reeducação de São Fiel: nos planos de obras bienais dos Serviços Jurisdicionais de Menores inscreve-se a construção de instalações desportivas e do bairro para funcionários, cujos projectos conhecem sucessivos adiamentos; 1968 - inauguração do pavilhão gimnodesportivo; 1976 - as obras previstas para as oficinas e bairro de funcionários encontram-se suspensas, dependentes da decisão de manter o Instituto no Louriçal do Campo ou de o transferir para os arredores da cidade de Castelo Branco; 1980, década de - o edifício principal recebe obras no corpo do antigo teatro / refeitórios (a SO.) para adaptação a duas unidades residenciais; 1991 - o Instituto de São Fiel entra em inactividade; 1994, Agosto - reabertura da instituição, com o encerramento da Escola Profissional de Santo António (antiga Colónia Correccional de Izeda - v. 0402200056): o internato, com uma lotação à volta de 30 educandos, ocupa essencialmente os corpos a SO., convivendo com áreas devolutas e obras interrompidas (corpos a NE., junto ao claustro); 1995 - conclusão das obras de conservação da Igreja; 2001, Janeiro - entra em vigor a Lei Tutelar Educativa, que introduz alterações na organização dos estabelecimentos para execução de medida judicial de internamento, agora designados centros educativos; 2003 - o Centro Educativo de São Fiel abandona o edifício do Casal da Pelota e instala-se na Tapada da Renda: o complexo construído e utilizado desde o séc. 19, e que chegou a albergar uma população de cerca de trezentos educandos, não se encontra ocupado e apresenta sinais de degradação; 2005, 12 Agosto - o Ministério da Justiça disponibiliza, para uso da comunidade local, a piscina e o pavilhão gimnodesportivo, em protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Castelo Branco, ficando a cargo desta entidade a gestão e manutenção daqueles espaços; 2016, 28 dezembro - o edifício integra a lista de 30 imóveis a concessionar pelo Estado Português a privados, para instalação de unidades hoteleiras; 2017, 15 agosto - um incêndio florestal no perímetro florestal de Louriçal do Campo, destrói o colégio. |
Dados Técnicos
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Materiais
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Bibliografia
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| GUSMÃO, F.A. Rodrigues de, Breve Notícia do Colégio de Meninos Órfãos, Coimbra, 1852; Distribuição de prémios / Colégio de São Fiel, Lisboa, 1874-1898; Colégio de São Fiel, Castelo Branco, Lisboa, 1885; Mais um folheto acerca do Colégio de S. Fiel propriedade dos jesuítas na Beira Baixa, [Évora], 1888; GRAINHA, M. Borges, O Portugal Jesuíta, Lisboa, 1893; Regulamento dos alunos do Colégio de S. Fiel, Lisboa, 1897; Distribuição dos prémios aos alunos / Colégio de São Fiel, Lisboa, 1901; REFOIOS, Joaquim Augusto de Sousa, O Colégio de São Fiel no Louriçal do Campo e o de Nossa Senhora da Conceição na Covilhã: apontamentos sobre o jesuitismo no distrito de Castelo Branco, 2.ª ed., Coimbra, 1901; ASSUNÇÃO, T. Lino, História Geral dos Jesuítas desde a sua fundação até aos nossos dias, Lisboa, 1901; ZIMMERMAMM, Carlos, Observatório meteorológico de S. Fiel, Brotéria, v.1, 1902, pp. 185-187; Distribuição de prémios no dia 31 de Julho de 1909 / Colégio de São Fiel, Braga, 1909; FERRÃO, Pedro, A Educação Jesuítica: o Colégio de São Fiel, Lisboa, 1910; PRETO, José Ramos, Relatório sobre o Extinto Colégio de São Fiel da Companhia de Jesus, s.l., 1911; AZEVEDO, Padre Cândido Mendes de, O Colégio de São Fiel: resposta ao relatório do advogado Sr. José Ramos Preto, Madrid, 1911; AZEVEDO, Luís Gonzaga de, Proscritos: notícias circunstanciadas do que passaram os religiosos da Companhia de Jesus na Revolução de Portugal de 1910, Valladolid, 1911-1914; GRAINHA, M. Borges, História do Colégio de Campolide da Companhia de Jesus, escrita em Latim pelos Padres do mesmo Colégio onde foi encontrado o manuscrito, Lisboa, 1913; BARRETO, Manuel F. de Lima, Relatório de uma Missão dos Serviços de Protecção a Menores: algumas notas sobre a assistência e menores delinquentes, s.l. [Lisboa], 1921; OLIVEIRA, Augusto de, Novos Conceitos de Justiça Social, s.l., 1935; SERRA, Eurico, Direcção-Geral dos Serviços Jurisdicionais de Menores: Relatório, Lisboa, 1940; LOPES, José Guardado, Relatório e Conclusões do Inquérito Estatístico à Actividade dos Serviços Jurisdicionais de Menores, s.l., 1950; Nótula Comemorativa Colégio de São Fiel, Castelo Branco, 1958; Instituto de Reinserção Social: Relatório especial do Provedor e Justiça à Assembleia da República - 1997, Lisboa, 1997; SALVADO, M. Adelaide, O Colégio de São Fiel: centro difusor da ciência no interior da Beira, Castelo Branco, 2001; TOMÁS, Maria Gabriela e PEREIRA, Adelino José B., Centro Educativo de São Fiel: três séculos de desafios, Em Comunicação: boletim interno do Instituto de Reinserção Social, nova série, n.º 4, 4.º trimestre, 2003, pp. 5-6; ROSA, J. Mendes, Colégio de São Fiel (1852-1910): ecos de memória, Coimbra, 2004; |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DREL, DGEMN/DREMC |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMNDREMC/DM; Instituto de Reinserção Social: DCIT |
Documentação Administrativa
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| IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/REE, DGEMN/DSC; Instituto de Reinserção Social - Arquivo da Direcção Geral dos Serviços Tutelares de Menores: Inquérito do Congresso da República, Relação das Casas Religiosas; Direcção Geral dos Serviços Tutelares de Menores, Relatório sobre as obras dos Serviços Tutelares de Menores, cuja realização foi prevista para o biénio 1963/64, 11 Fev. 1965, 18 p. (IVF, Sector de Obras, proc. A.07 /1963/64); IHRU: DGEMN/Delegação nas Obras de Edifícios e Cadeias, Ofício n.º 750, de 8 Mar.1965, respeitante a "Obras a executar nos estabelecimentos tutelares de menores durante os anos de 1965 e 1966" dirigido ao Director Geral dos Serviços Tutelares de Menores pelo eng. Director delegado, Rui Mário de Almeida, 16 p. (IVF, Sector de Obras, proc. A.07 /1965/66); |
Intervenção Realizada
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| AGOEN: 1928 / 1935 - reparação nas coberturas e caixilharias do edifício principal e oficinas; obras de adaptação no corpo dos refeitórios e cozinha; DGEMN: 1935 - construção da galeria na frontaria do edifício principal; 1994 - obras de conservação na Igreja; |
Observações
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| *1 As albufeiras de Santa Águeda e do Pisco, respectivamente a S. e SO. da Serra da Gardunha, têm um Plano de Ordenamento conjunto (Resolução do Conselho de Ministros n.º 107 / 2005, DR 122, Série I-B, 28-06-2005) que, nos termos da legislação em vigor, constitui um plano especial de ordenamento do território. Naquele plano altera-se também a delimitação da Reserva Ecológica Nacional dos municípios de Castelo Branco e Fundão. *2 - No âmbito do Sistema Nacional de Prevenção e Protecção da Floresta contra Incêndios, este perímetro encontra-se abrangido pela "Zona crítica de Castelo Novo e de Castelo Branco", zona considerada pela portaria n.º 1056/2004, 19 Agosto (DR 195, Série I-B, 19-08-2004), como de grande probabilidade de ocorrência de incêndios florestais, reconhecendo-se assim neste diploma "ser prioritária a aplicação de medidas mais rigorosas de defesa da floresta face ao risco de incêndio que apresentam e em função do seu valor económico, social e ecológico". *3 - A primitiva instalação do Seminário surge referenciada na obra de Pedro Ferrão sobre o Colégio de São Fiel, como tendo estado numa "casa da família de Fr. Agostinho, no Louriçal", onde em 1909/1910 funcionava "o colégio para meninas da Associação de Jesus, Maria, José" (FERRÃO, 1910, 25): trata-se, muito provavelmente, do edifício da Tapada da Renda (v. 05021200......). *4 - Sobre as questões referentes à escolha do terreno para a localização do Seminário, veja-se GUSMÃO, 1852. *5 Segundo Grainha, que foi aluno do Colégio de São Fiel na década de 70 do séc. 19, este o plano primitivo do Colégio dos Órfãos, acrescentando que o viu "estampado em algumas litografias" existentes naquele estabelecimento jesuíta de ensino (O Portugal Jesuíta, 1893, 479). *6 Uma parte destes bens viria a constituir os meios e materiais de ensino das ciências do Liceu de Castelo Branco, actual Escola Secundária, onde ainda permanecem. |
Autor e Data
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| Filomena Bandeira 2003 (projecto "Arquitectura Judicial e Prisional Portuguesa")
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Actualização
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