Igreja Paroquial de Penedono / Igreja de São Pedro

IPA.00013009
Portugal, Viseu, Penedono, União das freguesias de Penedono e Granja
 
Arquitectura religiosa, barroca. Igreja matriz de reconstrução setecentista, de planta longitudinal composta por nave, capela-mor mais estreita, com capelas laterais particulares adossadas, sacristia no lado esquerdo e torre sineira no direito, com coberturas interiores diferenciadas, de feitura recente, em madeira na nave e capelas laterais, e, na capela-mor, em caixotões de talha dourada e pintados com cenas hagiográficas, de feitura barroca. Fachada principal em empena recortada em cortina com os vãos rasgados em eixo composto por portal em arco abatido e janelão do coro-alto com os extremos curvos. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos, rematadas em cornija e beirada simples, as laterais rasgadas por janelas em capialço e a lateral direita por porta travessa de verga recta. Cada uma das capelas laterais possui uma janela de iluminação directa. Interior com coro-alto em arco abatido, embebido nas paredes laterais e suportado por pequenas pilastras de alvenaria, com acesso através da torre sineira. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilares, flanqueados por retábulos de talha policroma do barroco joanino, dispostas em ângulo. A capela-mor possui, sobre supedâneo de degraus centrais, o retábulo-mor, de talha dourada em branco, do estilo joanino, com alguns marmoreados fingidos, de planta recta e três eixos, com remate em baldaquino central e possuindo váriso drapeados a abrir em boca de cena.
Número IPA Antigo: PT011812060018
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave, capela-mor ligeiramente mais estreita, com sacristia adossada no lado esquerdo, possuindo duas capelas laterais profundas, em cada um dos lados e, no lado direito, uma torre sineira, de volumes articulados e escalonados, possuindo coberturas diferenciadas, homogéna com telhado de duas águas na nave e capela-mor, de uma na sacristia, de três nas capelas laterais e de quatro na torre sineira. Fachadas em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, em algumas zonas com embasamento saliente, de cunhais apilastrados, firmados por pináculos bolbosos, rematados por bola, e rematadas em cornija e beirada simples. Fachada principal virada a O., rematada em empena recortada em cortina, sobrepujada por friso e cornija e por cruz latina no vértice; possui os vãos rasgados em eixo, composto por portal em arco abatido com moldura saliente em cantaria, de arestas biseladas, encimado por janelão do coro-alto, ovalado e também emoldurado, encimado por cartela com as insígneas do orago, São Pedro, sobre o qual surge uma pequena pala que o protege. No lado direito, torre sineira quadrangular, de dois registos, o inferior rasgado por pequenas frestas de iluminação das escadas e o superior com quatro sineiras em arco de volta perfeita. Adossado a esta, um púlpito exterior, em cantaria, composto por alto embasamento, rematado por cornija, onde assentam quatro pilares toscanos, um friso e cornija, que sustentam a cobertura de cantaria, a quatro águas, com cruz latina do mesmo material, no vértice; possui guarda metálica vazada, aberta no lado direiro, mas já sem as escadas de acesso ao mesmo, encontrando-se desactivado. Fachada lateral esquerda, virada a N., marcada por vários orifícios no corpo da nave, revelando o adossamento de uma estrutura lateral, sendo rasgada por porta travessa de verga recta, de dupla moldura, a exterior saliente, rematada por friso e cornija. A capela lateral possui janelas em capialço nas fachadas laterais, à qual se adossa um pequeno anexo de arrumos e o corpo cego da sacristia. Fachada lateral direita, virada a S., marcada pelo corpo da capela adossada, em alvenaria de granito aparente, rasgada por janelas rectilíneas laterais, surgindo uma janela na nave e duas no corpo da capela-mor, todas em capialço e protegidas por grade metálica; entre as duas últimas, uma enorme cruz latina, gravada na cantaria. Fachada posterior cega, rematada por frontão triangular, em cuja tímpano integra a primitiva empena, de menores dimensões, possuindo cruz no vértice, tendo adossado o corpo da sacristia, em meia-empena e revelando, também, um alteamento, porta de verga recta dintelada e janela em capialço, protegida por rede metálica. INTERIOR com as paredes da nave rebocadas e pintadas de branco, com cobertura de madeira em masseira, possuindo tirantes metálicos, e pavimento em lajeado de granito. O portal axial encontra-se protegido por guarda-vento de madeira encerada e vidro, flanqueado por dois confessionários de madeira. Coro-alto em arco abatido, que descarrega directamente nos muros e em pequenas pilastras de alvenaria adossadas ao mesmo, com guarda de madeira torneada e acesso por pequena porta a partir da torre sineira. No lado do Evangelho, a Capela do Espírito Santo, com as paredes rebocadas e pintadas de branco, possuindo azulejos de padrão em monocromia, azul sobre fundo branco, formando silhar, com cobertura de madeira a quatro águas e pavimento em lajeado de granito, forrado a alcatifa vermelha. Possui sobre supedâneo de cantaria, com um degrau, uma mesa de altar, assente em duas colunas, a que se adossa a base do retábulo primitivo em alvenaria de granito, onde surge a imagem do orago. Fronteiro ao altar, a pia baptismal, com coluna galbada e taça hemisférica, estriada. No lado oposto, surge a Capela de Nossa Senhora de Fátima, com as paredes rebocadas e pintadas de branco, possuindo tecto e pavimento semelhantes aos anteriores. No topo, uma estrutura retabular de madeira em branco. Ambas as capelas são iluminadas por coroas de luzes. Arco triunfal composto por três arquivoltas plenas, assentes em pilar toscano. É ladeado por dois retábulos colaterais, dedicados ao Coração de Jesus e a Nossa Senhora das Dores. A capela-mor tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em lajeado de granito e tecto com 35 caixotões, com molduras de talha em branco, com florões nos ângulos e assentes em mísulas equidistantes, representando os Apóstolos, Santa Apolónia, Santa Luzia, Santa Eufémia, Santa Bárbara, Santa Quitéria, São Brás, São Félix, São Francisco, Santo Apolinário, Santa Ana e Santa Teresa de Ávila. Sobre supedâneo de três degraus de cantaria, forrados a alcatifa vermelha, o retábulo-mor de talha em branco e policroma, de planta recta e três eixos definidos por quarteirões de atlantes, com capitéis coríntios e encimados por friso e cornija, e por pilastras com os fustes decorados por acantos e "putti", assentes em consolas; ao centro, nicho em arco abatido e com a boca da tribuna rendilhada, com o fundo preenchido por elementos fitomórficos entalhados, contendo trono expositivo de três degraus, com o fundo formado por amplo resplendor e protegido por baldaquino. Os eixos laterais formam dois falsos nichos, compostos por mísulas, protegidas por sanefa com fasos drapeados a abrir em boca de cena, onde se integra imaginária. A estrutura remata em cornijas, a central alteada e interrompida em volutas e elemento vegetalista volumoso, flanqueado por dois anjinhos de vulto, sobre os quais surge um baldaquino rendilhado e com falsos drapeados a abrir em boca de cena; os remates laterais são preenchidos com elmentos de talha fitomórfica e enrolamentos. No lado do Evangelho, porta em madeira de castanho, de acesso à sacristia.

Acessos

Rua Primeiro de Maio

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Periurbano, isolado e destacado, implantado numa zona periférica da povoação, não muito longe do Castelo de Penedono e junto à Pousada de Penedono, a qual está adossada à Residência Paroquial. Surge numa zona de pendor levemente inclinado, rodeada por um amplo adro, fechado por muros de alvenaria e cantaria na zona frontal e lateral, aberto para a via pública nas demais, estando parcialmente pavimentado a calçada de paralelepípedos de granito, rodeado por zonas de terra batida. Um pequeno passeio de calçada envolve todo o edifício. Na zona envolvente, surgem várias casas de habitação unifamiliares incaracterísticas. No adro, surgem espalhadas várias peças provenientes do interior e de outros templos, nomeadamente uma pia baptismal quinhentista ou seiscentista, hemisférica, de bordos boleados, assente em pequena coluna, surgindo a taça de uma segunda, com características semelhantes, duas lápides de sepultura, uma delas com inscrição delida,

Descrição Complementar

O retábulo da Capela de Nossa Senhora de Fátima é de talha em branco, de planta recta e três eixos definidos por colunelos finos, pilastras no exterior, estas rematadas por pináculos rendilhados e orelhas recortadas; a zona central possui nicho em arco apontado, com cogulhos internos que decoram elementos lobulados, encimado por cornija e empena aguda, vazada por falso óculo circular com decoração fitomórfica; na basem surge sacrário embutido, flanqueado por colunas, que rematam por pináculos rendilhados, sobre uma porta de decoração Eucarística, rematada por frontão triangular, inferiormente lobulado, e com cruz no vértice. Os eixos laterais são compostos por mísulas, envolvidas por fina moldura, que remata em arco apontado, com cogulhos internos, onde se enquadra imaginária. Altar paralelepipédico, flanqueado por colunas. Junto à Capela, na parede do lado da Epístola, uma lápide com a inscrição: "CARVALHOS CERQUEIRAS ERA 1633". Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha policroma, com azuis, vermelhos e dourados, de planta recta e três eixos definidos por colunas torsas, percorridas por espira fitomórfica, assentes em consolas com pequenos "putti" atlantes; ao centro, nicho rectilíneo, com o fundo pintado de azul e moldura fitomórfica dourada, encimado por bandeira envidraçada, de perfil em arco de volta perfeita, enquadrado por dois quarteirões de atlantes, que sustentam drapeados a abrir em boca de cena e cornija contracurva, sobre a qual surge uma cartela com alusão ao orago da estrutura retabular; nos eixos laterais, duas mísulas, protegidas por baldaquinos, de onde pendem drapeados a abrir em boca de cena, surgindo, sobre a coluna exterior, anjos de vulto.; altar paralelepipédico com o frontal pintado por três elementos repetidos, envolvidos por moldura de talha, ornada por concheados e enrolamentos. Na base do nicho do retábulo da Epístola, surgem uma série de Santos em relevo, representando Nossa Senhora da Conceição, São Sebastião, Santo António e São Francisco, ladeados por florões de grandes dimensões.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lamego)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1148 - a administração religiosa da povoação pela diocese de Braga é confirmada pelo Papa Eugénio II; época medieval - construção do imóvel; 1321 - a igreja é taxada em 50 libras; séc. 16, 2.º quartel - a igreja rende 64$000, constituindo uma abadia da Casa de Marialva; com o falecimento do último Conde, passa para D. Luís, sendo herdade pelo filho, D. António, prior do Crato; séc. 17 / 18 - reconstrução da igreja; 1633 - data numa lápide junto à Capela de Nossa Senhora de Fátima, que assinala a data de sepultura dos Carvalhos Cerqueira, da Casa da Praça; 1679, 25 Abril - instituição da Capela de Nossa Senhora da Conceição, actual Senhora de Fátima, por testamento de D. Leonor Coutinho, para efeitos de enterramento; 1697, 26 Julho - enterrramento do capitão-mor Luís Pereira Coutinho, na Capela de Nossa Senhora da Conceição; séc. 18 - o actual baptistério é ocupado pela Capela da Santíssima Trindade, propriedade, nesta data, do Padre Félix Caldeira; 1703, 3 Dezembro - sepultamento de D. Leonor Coutinho, na Capela de Nossa Senhora da Conceição; 1708 - Penedono tinha duas paróquias - São Pedro e São Salvador -, ambas abadias do Padroado Real; 1758 - nas Memórias Paroquiais, refere-se que pertence ao rei, tendo 50 fogos; a igreja fica fora da vila, a pouca distância, junto a um penhasco; tem cinco altares, três da Igreja, com o Santíssimo na capela-mor, e os colaterais com Nossa Senhora do Rosário (Evangelho) e Nosso Senhor Crucificado (Epístola), estando todos os retábulos por dourar; a capela-mor foi feita recentemente, com pedraria e fez-se um novo retábulo para os oragos, tendo São Pedro e São Paulo em imagens de vulto; está tudo por dourar, porque quando se pretendia fazê-lo o dinheiro foi desviado para o Colégio Patriarcal, só estando estofadas as imagens de Santo António e São Silvestre; tem duas capelas particulares, a de Nossa Senhora da Conceição, no lado da Epístola, com altar dourado e imagem perfeita, administrada por João Bernardo Coutinho de Vilhena, onde a família tem o seu jazigo; no lado oposto, a Capela do Divino Espírito Santo, administrada por Pedro de Aguiar Caldeira, sendo muito pobre; na igreja funcionava a Irmandade das Almas, com protecção do Senhor dos Passos, sendo muito pobre; o pároco é abade, apresentado pelo rei, e colado pelo ordinário do bispado, com 250$000, que reparte com o abade da freguesia de São Salvador; séc. 20, início - execução do retábulo da Capela de Nossa Senhora de Fátima; 1989 - no púlpito exterior, tinha uma imagem de Nossa Senhora, em mármore branco.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria de granito aparente, rebocada e pintada no interior; modinaturas, pináculos, cunhais, cornijas, púlpito, torres sineira, cruzes, pavimentos interiores, pia de água benta, pia baptismal em cantaria de granito; guarda-vento, portas, tectos, confessionários de madeira; cobertura da nave de madeira entalhada e pintada; retábulos de madeira entalhada; janelas com vidro simples ou colorido e protegidas por rede; guarda-vento com vidraças simples; cobertura em telha.

Bibliografia

ALVES, Alexandre, Penedono - apontamentos de História e de Arte. Os Coutinhos, Penedono, 1989; Foz Côa Inventário e Memóra, [coord. de SOALHEIRO, João], Porto, 2000; CD Portugal Séc. XXI - Distrito de Viseu, CD 1, Matosinhos, 2001.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: séc. 20, década de 80 - restauro dos retábulos colaterais, por douradores de Braga; limpeza e remodelação do pavimento da Capela de Nossa Senhora da Conceição, com remoção das lajes sepulcrais, depositadas no exterior da igreja, no antigo cemitério.

Observações

Autor e Data

Paula Figueiredo 2008

Actualização

 
 
 
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