Igreja e Hospital de Nossa Senhora dos Pobres / Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Loulé

IPA.00001278
Portugal, Faro, Loulé, Loulé (São Clemente)
 
Igreja de irmandade e albergaria de fundação quatrocentista posteriormente anexos à Santa Casa da Misericórdia de Loulé. Igreja de estilo manuelino, tendo o portal arco policentrico decorado com guirlandas, torcidos e cogulhos inspirado na arquitectura efémera das festas. Cruzeiro composto por uma cruz assente sobre uma coluna simples, tendo de cada um dos lados as figuras da Virgem e de Cristo crucificado.
Número IPA Antigo: PT050808080003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

O portal é construído por um arco policêntrico com o intradorso e os capitéis lavrados com motivos vegetalistas, torcidos e cogulhos, ladeado por 2 pináculos igualmente torcidos e acogulhados. O Cruzeiro composto por uma coluna, sobre base quadrada, sobre a qual assenta a cruz, que possuiu no lado voltado para o pórtico a imagem da Virgem e no outro a de Cristo crucificado.

Acessos

Avenida Marçal Pacheco

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 9 842, DG, 1.ª série, n.º 137 de 20 de junho 1924 (Porta e cruzeiro) / ZEP, Portaria n.º 425/85, DR, 1.ª série, n.º 152 de 05 julho 1985 (Porta e cruzeiro)

Enquadramento

Urbano; o cruzeiro situa-se no adro da Misericórdia, em frente do portal da Igreja da Misericórdia anexa ao hospital, situado numa das principais avenidas de Loulé.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Privada: misericórdia

Afectação

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1400 - construção da Igreja segundo Fr. Agostinho de Santa Maria; 1471 - primeira notícia da existência de uma albergaria em Loulé à qual; durante o reinado de D. Afonso V, anexa-se à albergaria um hospital para tratamento de soldados doentes e feridos nas expedições ao Norte de África; foi nesta altura que se denominou o hospital com o nome de "Nossa Senhora dos Pobres"; séc. 16, meados - instituição da Santa Casa da Misericórdia de Loulé; 1570, 25 Fevereiro - carta régia de D. Sebastião ordenando que o hospital fosse anexo à Misericórdia; 1672, 15 Dezembro - alvará de D. Pedro II doando uma pensão de 100$000, pensão que foi paga pelo almoxarifado de Faro até 1813; 1674, 13 Julho - o hospital passa a ser administrado pelos frades Agostinhos, que ali se instalam e fazem obras, ficando o albergue e o hospício no piso térreo do edifício e o hospital nos piso(s) superiore(s); 1692, 8 Outubro - o Padre João de Aguiar passa a fazer parte da administração da Misericórdia e Hospital, deixando-lhe em doação 230$500 e 683 alqueires de trigo; 1765 - data inscrita na cartela do fecho do retábulo-mor; 1820, até - existia o hospital para os doentes pobres, um hospício para os frades agostinhos e outros religiosos doentes; 1820 - o Hospital volta a ser administrado pela Santa Casa da Misericórdia de Loulé, na época instalada na igreja anexa ao hospital e num edifício onde funcionou a Caixa Geral de Depósitos; 1833 - extinção das Ordens Religiosas, tendo os frades agostinhos sido expulsos; a igreja passou a designar-se por Igreja da Misericórdia; 1885 - transformação dos espaços e serviços no hospital, especialmente por benemerência de Marçal Pacheco; 1923 - alterações para criar condições para a realização de cirurgias de maior envergadura, sob o impulso do Dr. José Bernardo Lopes, facultativo municipal do concelho de Loulé; 1924 - oferta do aparelho de raios X ao hospital por um grupo de emigrantes louletanos nos Estados Unidos; 1930, década - obras para adaptação do primeiro andar da parte S., onde até então funcionavam residências particulares, para instalação de serviços hospitalares; 1931 - a estrutura do hospital era constituída por 2 enfermarias com 10 camas cada, 2 quartos particulares e uma sala de pensos; 1946, 20 Abril - Publicação da Lei n.º 2011, que definiu o Plano de Construções Hospitalares; 30 Abril - por Decreto n.º 35621 é criada a Comissão de Construções Hospitalares, para execução do Plano de Construções Hospitalares; 1948 - substituição do aparelho de raios X por um outro mais sofisticado; 1951 - sendo provedor José da Costa Guerreiro, inicia-se o projecto da requalificação do hospital em três fases; 1956 - conclusão da 1ª fase do projecto, correspondendo ao bloco a S. da Igreja, e ao qual se deu o nome de "Pavilhão Dr. José Bernardo Lopes"; 20 Maio - inauguração oficial do mesmo; no primeiro piso do pavilhão estavam instalados a secretaria, a sala de sessões, o gabinete de raios X, com a respectiva câmara escura, o banco, consultório para consultas externas, vestiário dos médicos e os sanitários; nos extremos do corredor situavam-se, de cada lado, o isolamento para doenças infecto-contagiosas constituído por três enfermarias com seis camas cada uma, com dependências de desinfecção de roupa e louça, distribuição de roupas e louças limpas, quarto de vigilante e instalações sanitárias; no outro extremo situava-se a cozinha, a despensa, o refeitório do pessoal, uma arrecadação e um compartimento para laboratório de análises; no segundo piso do mesmo pavilhão existiam a sala de observações, quatro enfermarias com 18 camas para o sexo feminino, sala de partos, quarto de vigilante, quatro quartos particulares, sala de distribuição de refeições e as instalações sanitárias; ficava ainda o bloco operatório, a sala de esterilização, a dependência para a desinfestação dos médicos, um gabinete de consulta, uma sala de gessos e instalação para o pessoal; 1960 - conclusão da 2ª fase de remodelação do hospital, com criação de um novo sector, denominado de "Pavilhão Dr. Manuel Cabeçadas"; gastou-se na obra 465.240$10, tendo o Estado comparticipado com 198.000; este pavilhão tinha três enfermarias e 28 camas, salas de tratamentos, um quarto para vigilantes, salas de refeições, arrecadação e sanitários; posteriormente, procedeu-se à terceira fase de remodelação, na qual se construiu a lavandaria, a casa mortuária e outros anexos, assegurando condições de acesso das ambulâncias; 1956, Setembro - nomeação do Dr. Manuel Soares Cabeçadas como Director Clínico do Hospital; todo o serviço clínico e cirúrgico era gratuito, só pagando os honorários ao médico assistente da sua escolha os doentes pensionistas; davam-se consultas externas gratuitas aos pobres; 1962 - inaugurado serviço de Maternidade, com o nome de "Eufrásia da Costa Guerreiro e José Francisco Fernandes Guerreiro", pais de José da Costa Guerreiro, antigo provedor da Misericórdia, que deixou expresso em testamento a vontade daquele espaço receber o nome dos seus pais; 1969 - estragos provocados pelo sismo; 1976, 10 Maio - o Hospital passa para a gestão Municipal e é denominado por Hospital Concelhio de Loulé, integrado no Centro de Saúde de Loulé; 1978 - a Mesa da Misericórdia mostrou interesse em criar um Lar de Terceira Idade e em utilizar verbas afectas à Caixa Geral de Depósitos que até então utilizadas no hospital concelhio; 1979 - reestruturação da Comissão Administrativa da Santa Casa; 1980, década - todas as especialidades médicas e cirúrgicas passaram a funcionar no Hospital Distrital de Faro, passando os serviços médicos de Loulé cada vez mais restri8ngidos ao atendimento das urgências e internamentos breves de situações menos graves; 1983, 31 Julho - o Dr. Batalim encerra as suas funções como responsável pela Comissão Instaladora do Hospital; 1992, finais - inicio da construção de novo Centro de Saúde de Loulé, levando ao encerramento do Hospital de Nossa Senhora dos Pobres; 2003, até - o edifício albergou pessoas idosas; 2009 - obras de restauro e conservação em curso.

Dados Técnicos

Materiais

Cantaria, granito (cruzeiro)

Bibliografia

ANÓNIMO - Hospital de Nª Sª dos Pobres de Loulé. Loulé: Câmara Municipal de Loulé, s.d. (2004); ATAIDE DE OLIVEIRA, Francisco - Monografia do Concelho de Loulé. Porto, 1905; ATANÁZIO, Manuel Cardoso Mendes - A Arte do Manuelino. Lisboa: Editorial Presença, 1984; AAVV - Guia de Portugal. Lisboa: BNL, 1927, Vol. II; Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952. Lisboa, 1953; PINTO, Maria Helena Mendes - As Misericórdias do Algarve. Lisboa, 1968.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

DGEMN: 1928, 27 Abril / 1953, 27 Abril - Obras de remodelação e ampliação, pela Comissão de Construções Hospitalares; 1954, após - obras de consolidação geral porque as peças de cantaria se encontravam desligadas.

Observações

*1 - DOF... ZEP dos restos do castelo, da Igreja matriz, da Capela de Nossa Senhora da Conceição, do portal e cruzeiro da Misericórdia e dos restos da Igreja da Graça.

Autor e Data

João Neto 1991

Actualização

Curso Inventariação KIT01 (2.ª ed.) 2009
 
 
 
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