Igreja Paroquial de Ribeira de Pena / Igreja de São Salvador
| IPA.00012159 |
| Portugal, Vila Real, Ribeira de Pena, União das freguesias de Ribeira de Pena (Salvador) e Santo Aleixo de Além-Tâmega |
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| Arquitectura religiosa, rococó. Igreja Matriz setecentista, de planta longitudinal cruciforme, composta de nave, transepto e capela-mor, mais baixa e estreita, interiormente com abóbadas polinervadas e amplamente iluminada. Fachada principal harmónica, de três panos definidos por contrapilastras coríntias, com nave terminada em espaldar rematado em cornija angular, com aletas laterais, e torres, de dois registos separados por múltiplos frisos e cornija, com relógio circular de cantaria encimado por sineira, e cobertura em coruchéu bolboso. É rasgada por portal de planta convexa, com verga abatida, enquadrado por pilastras compósitas postas de ângulo, sobre plintos galbados, suportando fragmentos de frontão, encimados por anjos tenentes, e ampla cartela recortada central, sobrepujado por nicho, em arco recortado, envolvida por molduras recortadas, concheadas e com elementos fitomórficos, albergando imagem do orago; este é ladeado por janelões, recortados, com motivo fitomórfico na base e remate em cornija angular. Fachadas rebocadas e pintadas, com pilastras nos cunhais coroados por pináculos na nave e capela-mor, terminadas em friso e cornija, rasgadas por portas de verga recta e janelas rectilíneas na nave e capela-mor. No interior coro-alto sobre arcos abatidos, com balaustrada de talha com concheados vazados, tendo no sub-coro baptistério e capela confrontante, portas ladeadas por pias de água benta gomeadas, dois retábulos laterais rococós, em talha policroma de planta recta e um eixo, e dois púlpitos facetados com guarda plena em talha, protegidos por teia em pau-preto de concheados vazados, fechando ao zona do presbitério, transepto com dois retábulos rococós, em talha policroma de planta côncava e um eixo, e retábulo-mor igualmente rococó, em talha policromada, de planta côncava e um eixo. Sacristia com lavabo e arcaz, rococó. |
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| Número IPA Antigo: PT011709050013 |
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| Registo visualizado 1694 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Religioso Templo Igreja paroquial
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Descrição
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| Planta longitudinal em cruz latina com transepto saliente, composta por nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, rectangulares, com torres sineiras, quadrangulares flanqueando a fachada principal, e tendo adossado a N. e S. da capela-mor sacristias, rectangulares. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com excepção da principal, percorridas por enbasamento avançado e rematadas em friso e cornija, com pilastras toscanas nos cunhais coroadas por urnas sobre plintos paralelepipédicos e cruzes sobre acrotério, no remate das empenas da nave e capela-mor. Fachada principal voltada a E., harmónica, revestida a azulejos monocromos azuis sobre fundo branco, formando padrão, e estruturada por contrapilastras, assentes em plintos e de capitéis compósitos, suportando o entablamento. Sobre este, a nave é terminada em espaldar rematado em cornija angular, com contrapilastras laterais, coroadas por fogaréus sobre plintos e cruz latina de cantaria, com terminais das hastes trilobados, sobre acrotério, ao centro, apresentando aletas laterais formando fragmentos de frontão no alinhamento das contrapilstras da nave. Portal principal de planta convexa, com verga abatida, de moldura sobreposta por ampla cartela recortada, inscrita, e envolvida por concheados e acantos, enquadrado por três pares de pilastras postas de ângulo, sobre plintos galbados e de capitéis compósitos, suportando fragmentos de frontão, encimados por anjos tenentes. O portal é sobrepujado por nicho, em arco recortado, de moldura côncava, com elementos fitomórficos e pedra de fecho, envolvida por uma outra moldura, recortada, com aletas e concheados laterais, que se interliga à cornija do remate; o nicho alberga imagem do Divino Salvador, em pedra, policroma, e é ladeado por dois janelões, de perfil recortado, com motivo fitomórfico na base e remate em cornija angular. Torres sineiras de dois registos, tendo o segundo contrapilastras de capitel compósito assentes em plintos, coroadas sobre o remate de múltiplos frisos e cornija, por urnas esguias e cobertura em coruchéu bolboso, coroado por esfera e cruz de ferro; nas faces frontais possui relógio de pedra, circular, encimado por cornija adaptada ao perfil sobreposta por elemento fitomórfico e, em cada uma das faces, rasga-se sineira, em arco de volta perfeita sobre pilastras, com fecho fitomórfico, albergando sino. Fachadas laterais semelhantes, rasgadas, na nave, por porta de verga recta e duas janelas rectilíneas, de molduras com ângulos recortados, e, na capela-mor, por quatro janelas idênticas, e, na sacristia, por porta de verga recta e duas janelas, rectangulares. Fachada posterior da capela-mor cega e terminada em empena, de friso e cornija, as sacristias rasgadas por duas frestas, molduradas e as torres por portal, de verga recta inserido em moldura recortada, terminada em cornija contracurvada e de fecho saliente, e por duas frestas sobrepostas, na torre direita voltadas a N.. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, com silhar de granito, pavimento em taburnos com tampas de madeira e molduras de granito, amplamente iluminado por janelas de capialço, com molduradas que se prolongam verticalmente, em perfil curvo, e se interligam aos frisos múltiplos e à cornija que remata a nave e onde assenta a cobertura, em abóbada polinervada, com bocetes, cartelas e colchetes em talha dourada. Coro-alto sobre dois arcos abatidos, assentes em pilastras de capitéis fitomórficos, com cornija saliente e guarda de talha vazada, policroma a verde, beije e vermelho, recortada, sendo acedido de ambos os lados por portas de verga recta moldurada; no sub-coro, com guarda-vento de madeira, o portal é ladeado por duas pias de água benta, gomeadas e formando florão inferior, dispostas junto aos vãos que se abrem lateralmente, confrontantes, em arco abatido, com a pedra de fecho saliente; o do lado do Evangelho, corresponde ao baptistério, com pia de água benta, de pé prismático e taça, monolítica, gomeada, encimada por resplendor dourado sobreposto pelo delta luminoso e pomba do Espírito Santo, abrindo-se lateralmente nicho de alfaias, em arco de volta perfeita e porta de madeira; no do lado da Epístola, surge mesa de altar, tipo urna, com frontal pintado a branco e azul e apontamentos dourados, sustentando imagem de vulto. Lateralmente, dispõem-se, confrontantes, quatro cadeiras confessionários, entalhadas, e as portas travessas, de verga recta encimadas por moldura de ângulos recortados, são ladeadas por pias de água benta gomeadas e com florão inferior. Seguem-se dois retábulos de talha policroma e dourada, de planta côncava e um eixo, e dois púlpitos, de bacia facetada sobre mísula formando pingente igualmente facetada, com guarda plena de talha policroma e dourada, decorada por elementos fitomórficos, acedidos por porta de verga recortada, chave saliente, e moldura ladeada de aletas e enrolamentos laterais; ambos são protegidos por teia de pau-preto, decorada por concheados vazados, assente em degrau de cantaria, a qual se prolonga fechando o cruzeiro. Transepto definindo duas capelas, sobrelevadas, em arco de volta perfeita sobre pilastras, com pedra de fecho vegetalista, e cobertura em abóbada polinervada, decorada com bocete central e colchetes laterais em talha; lateralmente, possuem duas portas de verga recta, confrontantes, uma de acesso ao púlpito e outra à sacristia, abrindo-se num dos lados, vão em arco de volta perfeita, sobre pilastras, albergando imaginária sobre plinto prismático; no topo do transepto, surge retábulo de talha policroma e dourada, de planta côncava e um eixo. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas, boleadas. Capela-mor-sobrelevada, com silhar de azulejos industriais, de padrão azul, amarelo e branco, rasgada lateralmente por quatro portas confrontantes, de verga abatida com moldura terminada em pequena cornija, encimadas por espaldar, terminado em cornija com chave saliente, sobrepujadas pelas janelas. Sobre o supedâneo de granito, moldurado, com três degraus centrais, surge o retábulo-mor, de talha policroma a marmoreados fingidos a verde, beije, rosa e dourado, de planta côncava e um eixo, definido por quatro colunas, de terço inferior marcado por anel e decorado com falsa espira fitomórfica, e duas pilastras, marmoreadas a rosa, igualmente de terço inferior marcado por anel, sobreposta por plinto galbado com imaginária e concheados, todas de capitéis coríntios e assentes em plintos galbados decorados com cartelas e concheados, sustentados por soco; ao centro, abre-se tribuna, de perfil curvo, com moldura sobreposta por elementos vegetalistas, interiormente formando apainelados e com falsa abóbada em quarto de esfera, albergando trono expositivo, de cinco degraus, recortados, decorados com cartelas e concheados, sustentando resplendor; ático em entablamento de onde arranca espaldar de perfil curvo, ornado por cartela com delta luminoso, elementos fitomórficos e dois anjos de vulto segurando cruzes, terminada em cornija contracurvada de inspiração borromínica. Mesa de altar paralelepipédica individualizada, com frontal marcado por sanefa e sebastos, decorado com elementos fitomórficos, tendo cartela recortada com coração inflamado, e tendo nos costados dois quarteirões que sustentam a mesa propriamente dita; sobre esta surge o sacrário, tipo templete, de perfil recortado decorado com concheados vazados e terminado em cornija, tendo custódia na porta. Pavimento de cantaria e cobertura em abóbada semelhante à da nave, de dois tramos. Sacristia rebocada e pintada de branco com pavimento em lajes de granito e tecto de madeira, com imponente arcaz de castanho, com apontamentos de talha dourada, e lavabo em cantaria, com espaldar recortado, formando aletas laterais e terminado em cornija interrompida por cartela com concheados, tendo duas bicas em delfins e bacia rectangular, de perfil recortado e cantos arredondados, sobre mísula gomeada. |
Acessos
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| Praça do Município |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, isolado, na praça central da vila, adaptado ao declive suave do terreno. Lateral e posteriormente desenvolve-se pequeno adro, murado, empedrado a cubo granítico, com acesso principal de O., por escadaria de pedra, com portal definido por pilares coroados por pináculos; frontalmente, o adro é bastante amplo e tem pavimento em calçada à portuguesa, formando motivos geométricos, no princípio do qual se ergue um cruzeiro dos Centenários (v. PT011709050067). Nas proximidades, implantam-se o Palácio da Justiça, a Escola Primária de São Salvador (v. PT011709050009) e algumas casas de habitação oitocentistas. |
Descrição Complementar
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| INSCRIÇÕES: Numa cartela sobre o portal principal figura a inscrição MANOEL JOZE DE CARVALHO DORIBAL A MANDOV FAZER 1793. RETÁBULOS laterais semelhantes, de talha policroma a marmoreados fingidos a verde, beije, rosa e dourado, inscritos em vãos de arco de volta perfeita, revestido a talha, estruturados por duas pilastras de fuste almofadado decorado com elementos vegetalistas e capitéis compósitos, assentes em plintos galbados, com remate em friso, cornija e falso frontão recortado e rematado por cornija contracurvada, ornado por motivos vegetalistas, resplendor e friso ziguezagueante; o retábulo propriamente dito tem planta recta e um eixo definido por duas colunas de fuste decorado com motivos vegetalistas, formando falsa espira, e capitéis coríntios, assentes em plintos galbados ornados de motivos vegetalistas, tendo ao centro nicho de perfil recortado, com moldura decorada com motivos vegetalistas, interiormente com fundo pintado de azul e elementos vegetalistas, albergando imagem do orago; o nicho é ladeado por duas mísulas sustentando imaginária; ático em espaldar recortado e rematado em cornija contracurvada de inspiração borromínica. Altar com mesa em forma de urna, com frontal pintado em marmoreado fingido, decorado com elementos fitomórficos em talha, enquadrados por moldura. RETÁBULOS das capelas do transepto de estrutura semelhante, de talha policroma a marmoreados fingidos a verde, beije, rosa e dourado, de planta côncava e um eixo, definido por quatro colunas, as exteriores de terço inferior marcado e canelado, e as interiores decoradas por falsa espira fitomórfica, e por quatro pilastras, as interiores sobrepostas por mísula com imaginária, todas assentes em duas ordens de plintos, decorados com elementos fitomórficos inseridos em cartelas, e de capitéis coríntios; ao centro, abre-se nicho de perfil recortado, com moldura sobreposta por motivos vegetalistas, terminada em cornija contracurvada com acanto no fecho, interiormente pintado de azul claro com ramos de flores e albergando imaginária sobre plinto vegetalista; ático em falso tímpano adaptado à cobertura, seccionado por quarteirões e ornado por fragmentos de cornija, motivos fitomórficos e cartela central. Altar com mesa em forma de urna, de frontal moldurado, decorado ao centro com cartela e motivos fitomórficos. Arcaz da sacristia, em madeira de castanho, de três módulos, cada um deles com três gavetas, de corpo contracurvado fazendo barriga superiormente, interceptadas por pernas galbadas com pés em voluta, sendo estas decoradas com concheados, elementos fitomórficos e festões que se prolongam no remate inferior do arcaz, o qual é recortado e vazado ao centro. |
Utilização Inicial
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| Religiosa: igreja paroquial |
Utilização Actual
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| Religiosa: igreja paroquial |
Propriedade
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| Privada: Igreja Católica (Diocese de Vila Real) |
Afectação
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| Sem afectação |
Época Construção
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| Séc. 18 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| ARQUITECTO: André Soares (séc. 18) (atri.). |
Cronologia
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| 1331 - D. Afonso IV concede foral à terra de Pena; séc. 15 - o domínio da terra de Pena aparece na Casa dos Azevedos, senhores de São João de Rei; 1517, 16 maio - D. Manuel I atribui novo foral a Pena, fazendo reverter para a coroa as rendas, foros e pensões que até aí eram pagas ao senhorio de Pena; 1758 - o reitor da Igreja paroquial, reverendo João Marques e Araújo, refere que a igreja, com orago de São Salvador, estava ao pé do monte, no meio da freguesia, tendo lugares atrás da serra, que davam para a dita igreja; tinha o retábulo-mor, onde estava a imagem do Salvador e o Sacramento, o retábulo de Nossa Senhora do Rosário, ao pé do arco cruzeiro, e que tinha Irmandade, e, do lado oposto, o retábulo de São Sebastião e São Brás; tinha ainda "huma capella do Cristo Crusificado na costam da igreja da parte Esquerda e baixo desta outra de abobeda antigua que tem duzentos e trinta e sete annos que hé da Casa do Buxeiro e tem legado de missas, mandada fazer pello ultimo abbade que teve esta freguesia"; 1771 - Manuel José de Carvalho, natural de Ruival e emigrado no Brasil, então com 53 anos, escreveu ao capitão-mor Francisco Xavier Pacheco de Andrade e Almeida relatando-lhe que, quando deixara Portugal, fizera a promessa de construir uma igreja "como outra não houvesse de Caves para cima e do Alvão para baixo"; para cumprir a promessa, estava pois disposto a enviar donativos, desde que localmente se encarregassem da construção e do carreto da pedra*1; pouco tempo depois iniciou-se a reforma da antiga igreja Matriz; quando o benemérito morreu, a obra ainda não havia sido concluída; confrontada a viúva com a necessidade dela continuar a obra, parece que enviou apenas um donativo e terá respondido ironicamente que, "ao dinheiro que tinha ido para Portugal, até os ferrolhos e os pregos já deviam ser de ouro"; 1793 - data na cartela sobre o portal axial, assinalando a consagração da igreja, sendo pároco o Pe. José Martins de Carvalho; 1841, 18 agosto - casamento de Camilo Castelo Branco, com 16 anos de idade, com Joaquina Pereira de França, a "Quininha", filha de Sebastião Martins dos Santos, comerciante de Friúme, na paroquial do Salvador; 1993 - comemoração dos 200 anos da sagração da Igreja Matriz de Ribeira de Pena, com festejos que se desenrolaram por cerca de 3 meses. |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural de paredes portantes. |
Materiais
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| Estrutura, pia baptismal, pias de água benta, lavabo da sacristia, base dos púlpitos, molduras dos taburnos, supedâneo e pavimentos da capela-mor e sacristia em cantaria de granito; portas, guarda-vento e tampas dos taburnos do pavimento de madeira; confessionários e grades de comunhão em pau-preto; retábulos e balaustrada do coro-alto e dos púlpitos em talha policroma; grades das janelas e esfera e cruzes do remate das torres sineiras em ferro; cobertura exterior de telha. |
Bibliografia
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| AAVV., Dicionário Enciclopédico das Freguesias, vol. 2, Matosinhos, 2000, p. 535, 541; CAPELA, José Viriato; BOTELHO, Francisco, Ribeira de Pena e o Brasil, Revista Aquae Flaviae, Chaves, nº 5, Junho 1991, pp. 176 - 188; BORRALHEIRO, Rogério; MATOS, Henrique, As Freguesias do distrito de Vila Real nas memorias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património, Braga, 2006, pp. 412 - 414; CRUZ, Maria do Carmo, MAGALHÃES, José Edmundo, Ribeira de Pena - Monografia do Concelho, Ribeira de Pena, 1995, pp. 61, 329 - 336. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Administrativa
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Intervenção Realizada
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Observações
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| *1 - Manuel José de Carvalho, filho de Francisco Dias e de Luíza de Carvalho, nasceu no lugar de Ruival a 28 de Novembro de 1718, emigrando posteriormente para o Brasil onde fez fortuna. Manuel José Carvalho foi também responsável pela construção das igrejas paroquiais de Afonsim e de Bilhó, em concelhos vizinhos, e enviou valiosas doações em alfaias às igrejas de Santa Marinha, Nossa Senhora da Guia e Santo Aleixo do Além Tâmega. |
Autor e Data
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| António Dinis 2005 |
Actualização
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