Castelo do Redondo / Cerca urbana do Redondo

IPA.00001164
Portugal, Évora, Redondo, Redondo
 
Arquitectura militar medieval, gótica e manuelina. Cerca urbana de planta elíptica, integrando duas portas flanqueadas por cubelos, uma delas com torre sineira. Apresenta duas torres de grandes de dimensões, inseridas no perímetro muralhado e com planta ultra-semicircular, ambas com função de torre de menagem, mas construídas em época diferente. Muralha identificável mas em grande parte camuflada pelo adossamento do casario e devido à falta de obras de conservação. Presença de duas torres de menagem com planta ultra-semicircular ou em U, mas de diferente época. Acesso à torre da Alcaidaria (antiga torre de menagem) feito através de uma residência privada, mostrando a torre um número bastante elevado de vãos, em comparação com as suas contemporâneas, o mesmo se passando com a actual torre de menagem. Ambas as torres possuem uma planta e um corpo de grandes dimensões, incomuns na época, apresentando contudo fenestração gótica. Na Porta da Ravesa encontram-se gravados os padrões das medidas lineares da vara e do côvado. Para além das torres, não conserva estruturas identificáveis claramente como paço senhorial.
Número IPA Antigo: PT040710020005
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Cintura de muralhas de planta de forma ovalada orientada no sentido SO.-NE., com o paramento S. um pouco mais rectilíneo do que os restantes. Seis torres, distribuídas de forma regular e organizando-se em dois grupos diferentes: quatro semicirculares flanqueantes das duas portas a SO. e a NE. e duas de planta ultrasemicircular e de maiores dimensões. As duas portas localizam-se nas extremidades do eixo longitudinal SO.-NE., entre as quais se traçou a rua principal rectilínea, designada de Rua do Castelo. A NE. situa-se a Porta da Ravessa e para SO. encontra-se a Porta do Postigo. A Porta do Postigo é constituída por um conjunto edificado com trânsito de dois tramos, um em abóbada de nervuras de volta perfeita e outra em arco abatido. Apresenta dois cubelos flanqueantes, o corpo do relógio e a torre sineira, vão de acesso ao exterior em arco de volta perfeita, encimado por um relevo em argamassa caiada formando um arco trilobado lanceolado em cujo tímpano se insere o brasão de armas da família Coutinho com cinco estrelas de cinco pontas ladeado por colunas; decorado com dois cordões separados que pendem um para cada lado, formando nós. Acima da pedra de armas, encontra-se uma grelha de ventilação de secção rectangular, em losangos, encastrada na parede. Os cubelos que flanqueiam a porta têm uma altura aproximadamente igual à da cerca e estão desprovidos de ameias. No topo do conjunto da porta, acima e à direita da grelha, eleva-se um corpo rebocado que enquadra um relógio circular com numeração romana. Por trás desse corpo, sobre o adarve, surge uma torre sineira de planta quadrada, coberta por abóbada hemisférica, caiada de branco, com coruchéu piramidal quadrangular e cata-vento, circundados por quatro pináculos em forma de urna. Encontram-se aqui três sinos do séc. 19, que se podem ver através de olhais em arco de volta perfeita nas faces S. E. e O. da torre. A passagem das portas é coberta por abóbada de aresta de perfil largo. Portal no lado intra-muros em arco rebaixado precedido, ainda no interior do túnel, por arco quebrado em alvenaria. O acesso ao topo é feito por uma porta junto à torre cilíndrica N., do lado intramuros, subindo-se um duplo lance de escadas paralelo ao muro, com degraus cobertos por lajes de xisto. Um pouco mais elevado está o acesso à parte superior da torre sineira e da torre circular S., no parapeito da qual se encontra um relógio de sol em mármore. É possível, a partir desta área, aceder também ao topo da torre N., onde se encontram dois pequenos terraços de onde se avistam bastante próximos o telhado do antigo celeiro comum (actual Enoteca), adossado à torre e, na zona extramuros, a igreja matriz. O corpo que une as duas torres sobre a porta é constituído por uma dependência de planta rectangular coberta por três tramos de abóbada de aresta com perfil em arco de volta perfeita, incluindo uma porta na face E. e o postigo (que dá o nome a esta porta da muralha) na face O.; na área S. da sala, encontra-se uma abertura no tecto e outra no chão, por onde passam os fios do mecanismo dos sinos. A Porta da Ravessa é constituída por vão em arco quebrado assente em mísulas simples sobrepujado pelo brasão de armas de Portugal original, do reinado de D. Dinis, em mármore, inserido em moldura rectangular de duas golas. Na pilastra que sustenta o arco à direita, encontra-se gravado o padrão das medidas lineares da vara e do côvado. No lado interior da muralha, a porta possui uma configuração em arco rebaixado. A Torre de Menagem, que possui planta ultrasemicircular ou em U, encontra-se inserida na cerca no lado NO., mas a maior parte do corpo projecta-se para o exterior e está divido em três registos verticais, contando com o terraço. A zona térrea da torre não possui aberturas até agora conhecidas. Todos os rasgamentos de janelas e portas possuem vãos em arco quebrado. O acesso é feito através de uma escadaria de pedra de 14 degraus virada a SE., através de um vão em arco quebrado que dá acesso ao primeiro registo; na mesma face, encontra-se, ao nível do segundo registo, uma janela centrada. A fachada SO. apresenta duas portas próximas uma da outra a nível do segundo piso e uma janela a nível do terceiro piso. A fachada SE. tem também uma janela no segundo piso e uma porta no primeiro com ligação ao adarve. Por fim, a face NO, de recorte semi-circular, apresenta uma porta no primeiro piso centrada e uma janela desalinhada no segundo. O interior do primeiro registo apresenta uma lareira simples a O., uma escadaria a NO. de acesso ao segundo piso e várias portas em redor; o segundo piso apresenta uma escadaria em posição idêntica e acesso a janelas com dois degraus; ao terraço acede-se através de uma escada em caracol que parte do segundo piso a E., terminada por uma estrutura cilíndrica em forma de guarita ornamentada no remate. A N. encontra-se uma antena e a O. os vestígios da chaminé que foi fechada. O adarve a N. da Torre de Menagem constitui um caminho com muro de ambos os lados de acesso ao Hospital da Misericórdia e a um compartimento aberto com latrinas. A Torre de Alcaidaria, de menores dimensões do que a Torre de Menagem, encontra-se orientada a SE., sendo a sua planta também de forma ultrasemicircular, mas apenas com um registo. Apresenta rasgamentos apenas ao nível do primeiro piso, sendo o térreo provavelmente maciço: na parede NO. abre-se um vão de porta em arco quebrado que seria, provavelmente, a entrada principal, com escadaria exterior em pedra; na parede SO. encontra-se um vão de porta em arco quebrado e dois vãos de janela do mesmo tipo; na parede NE encontram-se vestígios de três vãos de janela.

Acessos

Rua do Castelo VWGS84: 38.649456 -7.5434022

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 35 443, DG, 1.ª série, n.º 1 de 02 janeiro 1946 *1 / ZEP / "Zona non aedificandi", Portaria, DG, 2.ª série, n.º 72 de 26 março 1962

Enquadramento

Urbano, posicionado na vertente sul da Serra d'Ossa, a 24km a SO. da margem direita do rio Guadiana. Localização na vila do Redondo, sobre uma colina a 300m de altitude, com desenvolvimento de pequeno núcleo urbano no interior da cerca e dos arrabaldes na encosta. Do topo da Torre de Menagem é possível ver o Castelo de Evoramonte (v. PT040704040002) e a Serra d'Ossa, na orientação NO. Faz parte da rede de castelos norte-alentejanos reestruturados pelo rei D. Dinis e doados à nobreza durante a época tardo-medieval, e apresenta alterações significativas do período manuelino. No interior das muralhas, o casario apresenta características da arquitectura vernacular alentejana, como as chaminés rectangulares de grandes dimensões, as casas térreas e de caiação branca com apontamentos em ocre ou azul. Inclui também no recinto intramuros, perto da torre de menagem, a Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Redondo (v. PT040710020007) e, perto da zona O. da cerca, extramuros, encontra-se a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Anunciação (v. PT040710020022). Situa-se na linha defensiva de Évora do período medieval em conjunto com os castelos de Estremoz (v. PT040704030001), Monsaraz (v. PT040711030048) e Portel (v. PT040709050001).

Descrição Complementar

A reconstrução manuelina é particularmente clara na Porta do Postigo em que se distingue claramente a porta original, nos vãos em arco quebrado e abatido, e nos acrescentos quinhentistas, como a torre sineira e a cobertura em abóbada de aresta com os bocetes ornamentados com nós. A escadaria de acesso à torre de menagem não existia na época medieval; o acesso seria feito, provavelmente, através de uma escada de madeira retráctil. Os três sinos da torre sineira apresentam inscrições e baixos-relevos com representações religiosas; no que está orientado a sul pode-se ler a data de 1806. A Torre da Alcaidaria foi uma anterior torre de menagem que, a dada altura, por petição do povo, foi substituída pela actual Torre de Menagem, sendo que um dos aspectos apontados pelo povo para a necessidade de substituição foi o facto de a torre primitiva ser muito baixa; é possível depreender que esta não teria mais andares do que aqueles que apresenta. O piso térreo da Torre de Menagem será, provavelmente, maciço, como o provam a ausência de acessos exteriores ou interiores a um hipotético andar. Provavelmente, terá existido uma escada em caracol, partindo do primeiro piso até ao terraço, ligando à que existe ainda hoje no segundo piso de acesso ao terraço. Sendo que existem relatos de vestígios de um paço dos Condes do Redondo junto à Torre de Menagem, é possível que a abertura que existe na muralha a SE. da mesma tenha sido o espaço ocupado por esta habitação, tendo estado, assim, adossado à torre, como era bastante comum. A quantidade de aberturas na Torre de Menagem e o facto das mesmas constituírem vãos de portas vêm corroborar esta possibilidade. Ao longo do topo das torres cilíndricas e continuando pelas muralhas na direcção S., corre um adarve, no final do qual se ergue, na muralha, uma empena de campanário sem sinos, em granito, de topo triangular. INSCRIÇÕES: sobre a Porta da Ravessa, encontra-se a seguinte inscrição sobrepujada pelas armas reais portuguesas: E(RA) DE | MIL CCCL | VII AN / OS | FOI COMECADO | ESTE / CASTELO; nos três espaços entre os escudetes, encontra-se outra inscrição: V CLO | P FASTEL | I; do lado direito da escadaria de acesso à Torre de Menagem encontra-se uma lápide com a seguinte inscrição: A HISTORIA DESTE CASTELO | FOI RECORDADA COM | GRATIDÃO PELOS | PORTUGUESES DE 1940

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Câmara Municipal de Redondo ( parte S. ), auto de cessão de 26 Setembro 1941 / Santa Casa da Misericórdia ( parte N. ), auto de cessão de 26 Setembro 1941

Época Construção

Séc. 14

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1250 - atribuição de carta de foral ao Redondo por D. Afonso III e ordem do mesmo monarca para construção de um castelo sobre as ruínas da antiga fortaleza romana (Almeida, 1948); 1312 - ordem de D. Dinis para reedificação do castelo, época em que se construiu a antiga torre de menagem e a cerca da vila com várias torres; 1318, 27 de Abril - confirmação da carta de foral pelo rei D. Dinis; 1418 - concessão de privilégios por D. João I e estabelecimento da obrigação de passagem pela povoação a quem caminhasse entre o Alandroal e Vila Viçosa, com vista ao desenvolvimento comercial da vila; séc. 15 / 16 - perda de função da Torre da Alcaidaria e petição do povo para a construção de uma nova torre; séc. 15, fins - início da construção da actual Torre de Menagem terminada, provavelmente, em inícios do séc. 16, fazendo parte da doação a Vasco Coutinho por D. Manuel I; 1500, 2 Junho - nomeação de Vasco Coutinho, capitão de Arzila, como primeiro conde do Redondo; 1516, 20 Outubro - outorgamento de novo foral por D. Manuel I; séc. 18 - relatos de vestígios do Paço dos Condes do Redondo na zona periférica à Torre de Menagem (Espanca, 1975); séc. 20, décadas 40 / 50 - utilização da Torre de Menagem como edifício de apoio ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia, funcionando como área de isolamento para tuberculosos; 1961 - as muralhas contíguas à residência paroquial encontravam-se em perigo de derrocada.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria de pedra de xisto e granito, lajes de xisto (escadaria da Porta do Postigo), cal, madeira, mármore (brasão da Porta da Ravessa e relógio de sol).

Bibliografia

ALMEIDA, João - Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses. Lisboa: Edição de Autor, 1948; ESPANCA, Túlio - Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, Lisboa: SNBA, 1978, VIII; SANTOS, Victor - Terras do Alentejo - Redondo. Edição do Autor, [s. l.], 1926.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1920 - Restauro da torre de Menagem; 1943 - reparo geral das muralhas; 1962, de 23 de Abril a 27 de Maio - obras de conservação e consolidação das muralhas e início do restauro das Portas da Ravessa; 1976 - obras de reparação das muralhas; 1986 - obras de reparação das muralhas e de um torreão; DGEMN ou CMR: séc. 20, anos 30 - remodelação quase total do interior da torre de menagem com construção de dois lances de escada no primeiro e no segundo piso e reparação de paramentos; CMR: séc. 21 - aplicação de madeiras em portas e janelas da Torre de Menagem; fechamento da chaminé da lareira da Torre de Menagem; 2012 - reforço das juntas das torres da Porta da Ravessa.

Observações

Autor e Data

Margarida Contreiras 2012

Actualização

 
 
 
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