Torre da Camoeira / Solar da Camoeira

IPA.00001158
Portugal, Évora, Évora, União das freguesias de Nossa Senhora da Tourega e Nossa Senhora de Guadalupe
 
Arquitectura residencial, tardo-medieval. Casa-torre de planta quadrangular com três pisos abobadados, composta por torre e corpo térreo. Fenestração com vãos de lintel recto e presença de gárgulas tubulares. Enquadrada no grupo de construções senhoriais que constituem símbolo de apropriação do território (domus-fortis), conjugando a função residencial temporária ou permanente com características formais associadas à arquitectura militar (torre). Afinidades tipológicas com a Torre do Carvalhal (PT040706050026) e a Torre das Águias (PT040707010002), com as quais também tem em comum remate de escada em caracol em forma de coruchéu cónico. Comparativamente à Torre de Coelheiros (PT040705130052), apresenta ao nível do remate cobertura em terraço e balcão com matacães.
Número IPA Antigo: PT040705090077
 
Registo visualizado 728 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo torre

Descrição

Edifício constituído por dois corpos: torre e corpo térreo adossado no lado S. A torre possui três registos, com terraço a nível do último, sendo rematada por friso em cordão. A fachada O., que terá sido a principal, apresenta no piso térreo um corpo saliente com a porta de entrada, com vão de lintel recto em granito flanqueado por contrafortes; mostra ainda um volume paralelepipédico, um vão recto de janela e um orifício rectangular; a nível do primeiro piso encontra-se um terraço com parapeito simples e uma porta com duplo lintel recto sobrepujada por pequena urna em médio relevo; no terceiro piso, encontra-se alinhado um vão de janela em lintel recto em mármore, encimada por friso e ladeada por um óculo. O remate desta fachada é constituído por um parapeito simples, possuindo à direita uma chaminé rectangular. A fachada N. está dividida horizontalmente em dois volumes, possuindo apenas no piso térreo um vão de janela recto gradeada. A fachada E. apresenta, ao nível térreo, uma janela recta e dois orifícios rectangulares e, ao nível do primeiro e segundo pisos, encontram-se, alinhados, dois vãos rectos de janela em lintel recto. No remate encontram-se três gárgulas tubulares torsas. A Fachada S. não apresenta rasgamentos, mas apenas alguns orifícios circulares para escoamento de águas. A cobertura é feita em terraço, apresentando parapeito com friso e remate da escada em coruchéu cónico, chaminé no lado O. e balcão no cunhal SO. suportado por cachorros ornamentados. O corpo térreo apresenta-se contrafortado e com dois vãos rectos de janela.

Acessos

EN254, seguir placa com indicação de "Camoeira" por caminho de terra. WGS84: 38°26'25"N 7°57'39"O

Protecção

Enquadramento

Rural, situada em planície de terrenos de sobral. A cerca de 1,5km da torre, no caminho de ligação entre Camoeira de Aguiar, encontra-se uma coluna romana que serviria de poldra. Está a cerca de 20km a S. da cidade de Évora e a cerca de 7km de Aguiar e a SE. do Monte do Tojal. Localiza-se na margem esquerda do rio Xamorra, a cerca de 220m de altitude, em propriedade rural da Herdade da Camoeira, próxima de edifícios de criação de gado e produção agrícola.

Descrição Complementar

No "corpo [da torre] apenas subsiste o salão nobre, com abóbada de dois tramos artesonados, de alvenaria e de aresta viva"; "a outra parte do solar (...). Compõe-se, apenas, de duas vastas salas de três tramos com abóbada de nervuras apoiadas em represas de granito, decoradas por vieiras e outros atributos artísticos. O salão de entrada (lado oeste) o mais cuidado como obra de arquitectura" (ESPANCA, 1966). A torre mede cerca de 11x11m e o salão de entrada O. mede cerca de 11x4m.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 15, início - António Vaz de Camões, tio-avô do poeta Luís Vaz de Camões, tornou-se cabeça do morgadio instituído pelo seu pai Gonçalo Vaz de Camões; provável construção da torre por António Vaz de Camões e sua esposa, D. Isabel de Castro; séc. 16, reinado de D. João III - provável construção do edifício adossado à torre do lado S.; séc. 20, início - pertencia à casa dos Noronhas Camões de Albuquerque Moniz e Sousa, condes de Angeja; 1941, Fevereiro - ciclone terá causado danos na torre, sem afectar a sua estrutura original.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Granito.

Bibliografia

AZEVEDO, Carlos de - Solares Portugueses. Lisboa: Livros Horizonte, 1969; ESPANCA, Túlio - Inventário Artístico de Portugal - Concelho de Évora. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1966, vol. I; SILVA, José Custódio Vieira da - O Tardo-Gótico em Portugal - a arquitectura no Altentejo. Lisboa: Livros Horizonte, 1989; SILVA, José Custódio Vieira da - Paços Medievais Portugueses. Lisboa: IPPAR, 1995; SILVA, José Custódio Vieira da, "A Torre ou Casa Forte Medieval". Pontevedra. Museo de Pontevedra, 1999.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: 1904 - restauro das dependências do segundo piso, que se encontravam completamente destruídas.

Observações

Pode colocar-se a hipótese de o topónimo "Camoeira" provir do nome da família Camões, já que teve uma forte ligação com a torre.

Autor e Data

Rosário Gordalina 2002 / Margarida Contreiras 2013

Actualização

 
 
 
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