Igreja do Bom Jesus / Basílica e Casa Professa do Bom Jesus

IPA.00011435
Índia, Goa, Goa Norte, Goa Norte
 
Arquitectura educativa. Igreja e Casa Professa da Companhia de Jesus.
Número IPA Antigo: IN931101000005
 
Registo visualizado 130 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Casa professa  Companhia de Jesus - Jesuítas

Descrição

Edifício de planta cruciforme, de uma só nave; nos extremos do transepto abrem-se duas capelas, à esquerda a do Santíssimo Sacramento, e à direita a de São Francisco Xavier. SACRISTIA tem uma pequenina capela no topo, de planta quadrangular com um retábulo dedicado ao Calvário; o frontal é de azulejos. Capela de São Francisco Xavier

Acessos

Velha Goa

Protecção

Incluído no Conjunto de Goa *2

Enquadramento

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: 1. Inscrição funerária cinzelada numa placa de metal em campo epigráfico enquadrado, superior e inferiormente, por faixas de ornatos de "ferroneries" e lateralmente por relevos figurativos emoldurados por cartelas que ilustram, provavelmente, episódios da vida do sepultado. A placa assenta sobre dois leões e é encimada por brasão de armas com paquife e elmo. Descrição heráldica: escudo de ponta sobre cartela: três faixas de... (Mascarenhas). Esta placa de metal apresenta uma composição idêntica à de uma arca tumular. Tipo de letra: capital quadrada com inicial inserida num quadrado e ornada com motivos vegetalistas, a lembrar uma letra iluminada de um códice. Leitura modernizada: SEPULTURA DE DOM JERÓNIMO MASCARENHAS CAPITÃO QUE FOI DE COCHIM E ORMUZ ETC. A CUJA CUSTA SE FEZ ESTA IGREJA EM GRATIFICAÇÃO A COMPANHIA DE JESU(=JESUS) LHE DEDICOU ESTE LUGAR FALECEU NO ANO DE 1593.

Utilização Inicial

Educativa: casa professa

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Afectação

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Alexandre Valignano / Domingos Fernandes (atrib.fachada) / Mestre Simão / Giovanni Battista Foggini (pedestal onde assenta o sarcófago de São Francisco Xavier, 1697)

Cronologia

1567 - apesar da Companhia já ter no território goês um colégio e uma igreja, a necessidade de possuirem também uma casa professa era ideia consentânea entre os membros da Companhia. Neste ano, o geral da Companhia, padre Francesco Borgia, deu um parecer favorável a esta intenção, mas a construção de um edifício novo, em local mais saudável da cidade teria que ficar para momento mais oportuno, na medida em que ainda decorriam as obras de ampliação do colégio de São Paulo; 1584 - foi finalmente fundada a casa professa no colégio de São Paulo, por ordem do geral Cláudio Acquaviva. A Casa ocupava o piso térreo do edifício do colégio, ficando este nos pisos superiores; 1585 - tornava-se cada vez mais evidente a impossibilidade de manter as duas instituições num só edifício, e o próprio Visitador Valignano toma a iniciativa de procurar um local para a Casa Professa; para além disto, o complexo situado na Carreira dos Cavalos mostrava-se cada vez mais insalubre e inóspito. Foram compradas para o efeito umas casas no Terreiro dos Galos, acto que não ficou isento de protestos por parte das outras ordens religiosas, que se insurgiram contra a construção de um terceiro edifício da Companhia no território. Ainda nesse ano, no início de Setembro, Valignano e outros companheiros mudaram-se paras as casas do Terreiro, mas sem autorização superior, quer das autoridades eclesiásticas quer das civis, dando o facto como consumado; 1586 - Valignano envia para Roma, em carta para o geral Acquaviva, as plantas esquemáticas do edifício da Casa Professa, em 3 pisos, a construir no Terreiro (Pereira, 2005); 1587 - é enviada de Roma uma planta para a igreja, revista pelo arquitecto da Companhia Giovanni de Rosis, mas que Valignano não segue, porque por esta altura a casa já se encontrava em construção e não podia ser parada; 1593 - o padre Gomes Vaz comunicava ao geral Acquaviva que a área habitacional e as oficinas do edifícios estavam terminadas, mas aguardava-se ainda o início das obras de construção da igreja do Bom Jesus. Estas receberam um importante incentivo com o legado deixado pelo antigo capitão de Ormuz, D. Jerónimo de Mascarenhas, por sua morte a 4 de Março de 1593, tal como se encontra registado numa lápide da igreja; 1594 - segundo a mesma inscrição, as obras de construção da igreja teriam começado a 24 de Novembro; 1597 - o padre Nicolau Pimenta, Visitador, em carta para a Europa referia que as obras da Casa Professa se encontravam quase concluídas, faltando apenas a cerca da horta e o forro de um dos corredores do último piso (Pereira, 2005, 221): Desta mesma carta sabemos ainda que a fachada da igreja foi construída com pedra vinda do norte (provavelmente granito de Baçaim) sendo o restante em laterite, o material em que eram construídas todos os edifícios do território (Pereira, 2005, 222); 1598 - carta ânua regista a presença de 60 trabalhadores; 1605 - igreja foi consagrada pelo aracebispo D. Frei Aleixo de Meneses; 1617 - o Rei de Portugal autorizava os padres a abandonarem o Colégio de São Paulo e ocuparem definitivamente a Casa Professa; 1624 - o corpo de São Francisco Xavier foi transladado da igreja de São Paulo, onde tinha sido deposto quando veio de Malaca, para a igreja do Bom Jesus, em cerimónia solene; 1652, 29 Fev. - começaram as obras de construção da nova sacristia, que foi erguida com donativos da Baltasar de Veiga, segundo lápide existente (Pereira, 2005, 222); 1655 - mausoléu *1 de São Francisco foi colocado na capela; 1659 - com a capela de São Francisco Xavier terminada, o corpo do Santo encontrou a sua morada defintiva. O sarcógago prateado teria sido feito em Goa em 1637 e o grande pedestal em que está assente foi uma oferta do Grão-Duque da Toscânia e terá sido feito por Giovanni Battista Foggini em 1697 (Pereira, 2005, 223); 1663 - um incêndio destruiu grande parte do edifício; 1665 - a Companhia recorreu a um empréstimo para as obras de reconstrução; 1759 - o édito de expulsão da Companhia de Jesus chegou ao território do Estado da Índia, com aplicação efectiva pelo seu governo, e que resultou na prisão imediata de 127 padres jesuítas que foram reenviados para Portugal. Consequentemente o complexo do Bom Jesus passou para administração directa do vice-rei e do arcebispo; 1774 - decreto real que ordenava a trasnferência da igreja e residência arquiepiscopal para o Bom Jesus (Pereira, 2005, 224); 1781 - um incêndio destruiu a igreja; 1782 - data da primeira exposição pública com carácter oficial do corpo de São Francisco Xavier; 1890 - últimas grandes obras de engrandecimento por altura das festas xaverianas; 1840 - das 12 lâmpadas de prata que havia na capela de São Francisco, 8 delas e alguns objectos em ouro foram derretidos para cunhagem de moeda; 1835 - após a extinção das ordens religiosas, o cadeiral do coro da igreja de Nossa Senhora da Graça foi levado para a capela-mor do Bom Jesus onde permaneceu até 1964 (Pereira, 2005, 225); 1862 - foram construídos três grandes contrafortes para consolidação da parede exterior norte da igreja, a par da substituição da cobertura da igreja (Pereira, 2005, 225); 1900, c. - as janelas de cascas de ostra terão sido subsituídas pelo por janelas de vidro; 1931 - tecto da igreja foi novamente reconstruído por ocasião de uma exposição do corpo de São Francisco Xavier (Pereira, 2005, 225); 1932 - a igreja foi classificada como Monumento Nacional, pelo decreto n.º 1360 de 31 de Março; 1946 - a igreja foi elevada a Basílica Menor pelo Breve do Papa Pio XII; 1961 - com a anexação do território de Goa pela União Indiana, a igreja passou para a alçada do Archaelogical Survey of India, mantendo a Igreja Católica o direito de utilização (Pereira, 2005, 226)

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

TELLES, Ricardo Micael, Igrejas, capelas e Palácios na Velha Cidade de Goa, Nova Goa, 1931; Velha Goa. Guia Histórico, Goa, 1952; CHICÓ, Mário Tavares, A escultura decorativa e a talha dourada nas igrejas da Índia Portuguesa, Lisboa, 1954; BAZIN, Germain, "Plan d`etablissements jésuites du XVI siécle au Brésil et à Goa" in Actas III Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, II vol., Lisboa, 1960; FONSECA, José Nicolau da, An Historical and Archaelogical Sketch of the City of Goa, (ed. original 1878), Bombaim, 1994; T. P. ISSAR, Goa Dourada. The Indo-Portuguese Bouquet, Bangalore, 1997; DIAS, Pedro, História da Arte Portuguesa no Mundo. O Espaço do Índico, Lisboa, 1998; PEREIRA, António Nunes, A Arquitectura Religiosa de Velha Goa. Segunda metade do século XVI - primeiras décadas do século XVII, Lisboa, Fundação Oriente, 2005; AAVV, São Francisco Xavier, a sua vida e o seu tempo (1506-1552), Lisboa, 2006; MATTOSO, José (dir.), Ásia, Oceania, Património de origem portuguesa no mundo, arquitectura e urbanismo, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2010, pp. 254-256

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU. DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Comissão de Arquelogia :1931- renovação do tecto; 1948/1952 - reboco das parades exteriores foi retirado

Observações

*1 - o mausoléu foi mandado fazer pelo Grão-duque da Toscânia em agradecimento da oferta do coxim que serviu de almofada ao Santo, pelo Procurador Geral da Província de Goa, Padre Francisco Sarmento. Teria sido inicialmente de maiores dimensões, mas o espaço disponível não permitiu que fosse colocado na totalidade. Desde 1779 que a cerimónia de tomada de posse dos vice-reis se fazia nesta igreja. *2 - Património Mundial - UNESCO, 1986

Autor e Data

Sofia Diniz 2002 / Filipa Avellar 2006

Actualização

 
 
 
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