Capela de Santa Catarina de Alexandria / Igreja de Santa Catarina de Alexandria

IPA.00011432
Índia, Goa, Goa Norte, Goa Norte
 
Capela reconstruída provavelmente no séc. 17, pelos portugueses, sobre uma igreja quinhentista, de três naves, que chegou a servir de Sé, tendo sido reconstruída no séc. 20. O primitivo templo foi construído no local onde anteriormente existia a porta da muralha muçulmana por onde entraram os portugueses na cidade, conservando-se na fachada lateral esquerda vestígios de antigo vão. Atualmente a capela apresenta planta composta por nave e capela-mor, interiormente com coberturas de madeira e abóbada de berço, formando caixotões, respetivamente, e iluminação axial e bilateral. A fachada principal, harmónica, é dividida em três panos, rematando o central em espaldar volutado e com nicho.
Número IPA Antigo: IN931101000003
 
Registo visualizado 160 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta retangular composta por nave única, flanqueada por torres sineiras quadrangulares, e capela-mor quadrangular. Volumes articulados com coberturas em telhados de duas águas na igreja e de quatro nas torres. Fachadas da nave e das torres rebocadas e pintadas de branco e as da capela-mor em cantaria aparente. A fachada principal, harmónica, tem três panos, separados por duas ordens de pilastras, correspondendo os laterais às torres sineiras. O pano central é rasgada por portal de verga reta, entre pilastras almofadadas, sustentando frontão interrompido por lápide inscrita, e por janela retilínea superior. É rematado por espaldar recortado e ornado de volutas, em cantaria aparente, contendo nicho desnudo e terminando em frontão curvo, coroado por cruz latina sobre plinto paralelepipédico entre pináculos, o esquerdo inexistente. As torres possuem dois registos, o superior rasgado, frontal e posteriormente, por ventanas em arco, terminando em frisos e cornijas. No INTERIOR, com pavimento em lajes de cantaria, a nave tem teto de madeira, em masseira, sobre travejamento e a capela-mor abóbada de berço, formando caixotões *2.

Acessos

Goa Norte, Tiswadi, Velha Goa (Ella), Old Goa Road, Goa 403110

Protecção

Monumento de Importância Nacional / Incluído na Zona de Proteção das Igrejas e Conventos de Goa *1

Enquadramento

Peri-urbano, fluvial, isolado e destacado, na margem esquerda do Rio Mandovi, inserido no conjunto monumental das Igrejas e Conventos de Goa, envolvido por arvoredo de grande porte e palmares. Confronta a nascente com a cerca do Museu Arqueológico de Goa e da Igreja e Convento de São Francisco (v. IPA.00011434). Nas proximidades localizam-se a Catedral de Goa (v. IPA.00011431), a cerca de 200 m para nascente, a Igreja do Bom Jesus (v. IPA.00011435), a cerca de 280 m para sudeste, o Convento de Santa Mónica (v. IPA.00011448) e a Igreja de São João de Deus, a cerca de 400 m para sudoeste.

Descrição Complementar

No exterior, na fachada lateral esquerda, existe lápide com a inscrição: "AQUI NESTE LVGAR / ESTAVA A PORTA POR / QUE ENTROV O GOV / ERNADOR AFO DALBO / QVERQVE E TOMOV / ESTA CIDADE AOS MOU / ROS EM DIA DE SANTA / CATIRINA ANO DE 1510 / EN CVJO LOUVOR E ME / MORIA O GOVERNADOR D / JORGE CABRAL MANDOV / FAZER ESTA CASA / ANO DE 1550 A / CVSTA DE S A" *3. No interior, na capela-mor, do lado da Epístola, uma lápide encimada por baixo-relevo, representando São Martinho de Tours, montado a cavalo, a cortar a sua capa para dar a um mendigo, tendo a inscrição "POR ESTA PORTA / ENTROV DOM JOAO / DE CASTRO DEFENSO / R DA INDIA QVAND / TRIVNFOV DE CA / MBAYA E TODO EST / E MVRO LHE FOI DER / VBADO ERA DE 1547 A" *4.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Baltazar de Castro (1952).

Cronologia

1510, 17 fevereiro - Afonso de Albuquerque conquista Goa; 30 maio - os portugueses, sitiados por numerosas forças muçulmanas, abandonam Goa; 24 novembro - Afonso de Albuquerque, comandando forças portuguesas mais poderosas atacam de novo Goa; 10 dezembro - reconquista de Goa por Afonso de Albuquerque; este manda edificar a capela no local onde anteriormente existia a porta da muralha muçulmana pela qual os portugueses entraram aquando da tomada de Goa; teria sido inicialmente feita em taipa e coberta de folhas, mas Afonso de Albuquerque deixa ordens a Diogo Fernandes para que se construísse de forma mais condigna; para isso, foi dotada dos bens que tinham pertencido à principal mesquita de Goa; 1515 - o vigário de Goa teria já o dinheiro necessário e um esboço do projeto de uma igreja com três naves com cruzeiro, três capelas de cabeceira abobadadas, com coro-alto sobre a porta principal e com uma forte e pomposa torre sineira na frontaria (Dias, 2008, p. 68); 1521 - o feitor de Cochim entrega ao vigário Afonso Velho um extenso rol de alfaias, paramentos e retábulos para o templo; 1522 - bispo de Dume escreve ao rei a contar que chovia no interior da igreja, onde caberiam seiscentas pessoas; 1529 - em informação do escrivão da câmara ao rei, lê-se que o edifício está coberto, fazia-se o coro e faltava-lhe apenas a sacristia, estando em vias de conclusão, sobre a porta axial na fachada, uma torre que não ficara tão alta quanto desejavam porque os frades de São Francisco argumentavam que lhes devassava o mosteiro; 1532 - a igreja é colegiada com seis beneficiados; 1533, 31 janeiro - o papa Clemente VII eleva Goa a sede de bispado e retira à Ordem de Cristo a administração apostólica sobre o território; 1534 - reconstrução e ampliação da igreja; 03 novembro - a igreja foi elevada à qualidade de Catedral pela bula Æquum Reputamus do Papa Paulo III; 1539 - é sagrada como Catedral pelo primeiro Bispo de Goa, D. João Afonso de Albuquerque; 1550 - o governador Jorge Cabral paga obras de reforma incluindo um novo altar para a celebração da missa na festa anual de Santa Carina; 1558 - é elevada a Sé Arquiepiscopal Metropolitana pela bula Etsi Sancta do Papa Paulo IV; 1572, 13 março - a igreja é reconhecida primacial (patriarcal) pelo breve Pastoralis offici de Gregório XIII; 1610 - teria existido ainda uma outra construção, porque o Padre Sebastião Gonçalves afirma que a igreja tinha três naves, com o altar-mor da invocação de Santa Catarina, e altares de São Pedro, São Jorge, São Sebastião, dos fiéis de Deus e de Nossa Senhora, sendo que a Capela do Santíssimo Sacramento era fisicamente independente e separada do corpo da igreja por uma grade de ferro; 1619, 25 novembro - celebra-se a primeira missa na nova Sé de Goa; 1620 - o cabido da Sé começa a reunir-se no novo templo; a igreja perde a anterior relevância sendo ali reduzida a prática religiosa; 1804 - a capelania é confiada aos frades franciscanos, voltando pouco depois aos padres seculares; 1898 - apenas ali é celebrada a missa na festa anual de Santa Catarina, 25 de novembro; 1952 - reconstrução do templo *5.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em pedra da região (laterite), rebocada e pintada ou aparente; mármore cinzento; argamassas à base de cal e areia; pavimento em lajes de cantaria; portas de madeira pintada; cobertura de madeira ou em cantaria; cobertura exterior em telha cerâmica.

Bibliografia

CATÃO, Francisco Xavier Gomes - «Sé catedral de Goa. Alguns Documentos do Século XVI». In Studia. Lisboa: janeiro / julho 1964, n.º 13-14, pp. 487-545; DIAS, Pedro - História da Arte Portuguesa no Mundo. O Espaço do Índico. Lisboa: Círculo de Leitores, 1998; FONSECA, José Nicolau da - An Historical and Archaeological Sketch of the City of Goa. Bombaim: Thacker & C.o, Limited, 1878, pp. 226-227; ISSAR, T. P. Goa Dourada - The Indo-Portuguese Bouquet. Bangalore: 1997; JESUS, Roger Lee Pessoa de - O segundo cerco de Diu (1546) - Estudo de História Política e Militar. Dissertação de Mestrado apresentada na Universidade de Coimbra. Coimbra: 2012; MATTOSO, José (dir.) - Ásia, Oceania, Património de origem portuguesa no mundo, arquitectura e urbanismo. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010, pp. 246-247; PEREIRA, António Nunes - «Capela de Santa Catarina» in (http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=613), [consultado em 15 março 2018]; SALDANHA, Pe. Manuel J. Gabriel de - História de Goa (Política e arqueológica). Segunda Edição. Nova Goa: Casa Editora Livraria Coelho, 1926, vol. II - História Arqueológica, pp. 3-6, 23-26; SERRÃO, Vitor - «A pintura na antiga Índia Portuguesa nos séculos XVI e XVII». In Oceanos. Lisboa: setembro / dezembro 1994, n.º 19 / 20, pp. 102-112; TELLES, Ricardo Micael - Igrejas, Capelas e Palácios na Velha Cidade de Goa. Nova Goa: 1931; Velha Goa. Guia Histórico. Goa: 1952; «List of Ancient Monuments and Archaeological Sites and Remains of Goa - Archaeological Survey of India» in (http://asi.nic.in/), [consultado em 15 março 2018].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1952 - reconstrução da igreja sob a direção do Inspetor Superior das Obras Públicas, arquiteto Baltazar de Castro.

Observações

EM ESTUDO. *1 - Conjunto "Churches and Convents of Goa", declarado pela UNESCO, em 1986, como Património da Humanidade (Relatório da 10ª Sessão do Comité - CONF 003 VIII). A Capela de Santa Catarina consta da Lista de National Importance Monuments do Archaeological Survey of India com o identificador N-GA-5. *2 - As peças que constituíram o primitivo retábulo-mor desta capela encontram-se, segundo Vítor Serrão (1994) na sacristia da Sé, por cima do arcaz; são sete grandes pinturas sobre madeira, alusivas a passos da vVida e martírio de Santa Catarina. Porém, segundo Pedro Dias (2008, p.68) não concorda e defende que os retábulos existentes na sacristia da Sé são de Garcia Fernandes, havendo por isso "duas séries catarinianas, uma manuelina, desaparecida, e outra joanina, conservada". *3 - Originalmente esta lápide estaria colocada sobre o portal da fachada principal (Fonseca, 1878, pp. 226-227). *4 - A lápide existente na capela-mor refere-se à campanha militar associada ao segundo cerco de Diu, possessão sob o controlo português na costa de Cambaia, sultanato de Guzarate. Esta lápide foi transferida da extinta capela de São Martinho, onde estaria colocada na porta principal, por ordem de D. João de Castro em comemoração da vitória de Diu. *5 - "A acreditarmos na descrição de Francisco Xavier Costa, Baltasar de Castro (...) procedeu da maneira habitual daquela instituição pública [DGEMN] e pouca da substância histórica da capela terá ficado intocada: abóbada e parede sul da capela-mor, varanda a poente e escadaria, assim como a sacristia, foram apeadas e reconstruídas com os materiais originais (...) a parede do corpo da capela do lado do evangelho foi também ela apeada, com exceção de um troço em volta da porta da muralha muçulmana, por onde terão entrado as tropas de Albuquerque. Também a fachada sofreu alterações, tendo sido a destruição do entablamento entre os seus dois pisos exteriores a mais gravosa. Hoje, as duas ordens de pilastras sobrepõem-se através de absurdos troços de entablamento entre elas, evidenciando um desrespeito pelas regras clássicas que nunca existiu na composição de articulações arquitetónicas das igrejas goesas" (Pereira).

Autor e Data

Hugo Sérgio Fernandes (Contribuinte externo) e João Almeida (Contribuinte externo) 2018

Actualização

 
 
 
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