Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Penha de França / Convento de Nossa Senhora da Conceição da Penha de França

IPA.00011127
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Convento feminino capucho composto por igreja de planta transversal, com nave única, capela-mor e sacristia em eixo, a que se adossa lateralmente à nave, corpo do claustro. A sobriedade da fachada da igreja é tipicamente maneirista, com portal principal de verga recta, com moldura rusticada, encimado por edicula. Claustro maneirista, com arcaria toscana. Decoração interior totalmente barroca, com paredes integralmente forradas a azulejos figurativos joaninos. Púlpito em talha barroca joanina. Retábulos de estilo barroco nacional, apresentando o retábulo-mor já alguns elementos joaninos, com é o caso do recurso a grandes anjos atlantes. Sacristia com azulejos seiscentistas de padrão reaproveitados e dispostos aleatóriamente
Número IPA Antigo: PT010303420121
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem Capucha

Descrição

Planta composta por igreja de planta transversal, com nave única, capela-mor e sacristia, rectangulares, em eixo, a que se adossa a S. claustro das antigas dependências conventuais. Volumes escalonados, de dominate horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, elevando-se na capela-mor, pequena sineira com cobertura em telhado de 4 águas coroado por catavento. IGREJA com fachada principal, a única visível, virada a N., rebocada e pintada de branco, percorrida por embasamento avançado, ritmada por pilastras coroadas por pináculos, com cruzes sobre esferas no remate das empenas transversais. Remate em cornija sob beiral. Rasga-se no pano correspondente à nave, portal principal, de verga recta, com moldura rusticada, enquadrado por pilastras toscanas coroadas por pináculos piramidais com bola, embebidos na caixa murária, entablamento, com a pedra de armas Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, encimado por edícula, cerrada por vidraça, albergando a imagem de Nossa Senhora da Penha, em arco pleno, definida por pilastras com aletas na base e remate em frontão triangular. O portal é ladeado por dois janelões, rectangulares, em capilaço. Pano da capela-mor rasgado por outros dois janelões rectangulares em capilaço e pano da sacristia com duas janelas rectangulares sobrepostas, sendo na inferior, visível a moldura que corresponderia a uma porta, posteriormente entaipada e transformada na janela. INTERIOR com paredes integralmente revestidas a azulejos figurativos, historiados, monócromos a azul. Nave coberta por abóbada de berço estucada e pintada de branco e azul, assente em cornija de pedra. Pavimento em soalho. Coro-alto estreito, assente em trave de madeira, com balaustrada de madeira, possuindo ao centro as armas do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles e uma cartela com a inscrição. Apresenta porta de acesso, do lado da Epístola, sendo encimado por tribuna, em arco pleno, com guarda em balaustrada de madeira e cerrada por cortina, com a imagem do Crucificado colocada no centro. Sub-coro com confessionário, do lado da Epístola. A nave possui quatro janelões rectangulares encimados por sanefas de talha dourada, confrontantes, estando os do lado da Epístola, entaipadas e forrados a azulejos. Do lado do Evangelho, guarda-vento de madeira a proteger a porta de acesso ao exterior, ladeado por pia de água benta. Do lado da Epístola, porta de de verga recta, com sanefa de talha dourada, de acesso ao coro-alto, e púlpito em talha dourada, com base rectangular, assente sobre mísula ricamente decorada, com atlantes e querubins, guarda plena e badaquino coroado por cúpula bolbosa encimada por estátua de São Miguel Arcanjo. Arco triunfal, pleno, sobre pilastras toscanas e entablamento, ladeado por retábulos colaterais em talha dourada, o do lado do Evangelho de invocação do Sagrado Coração de Jesus, e o do lado oposto, de Nossa Senhora da Penha. Lateralmente, encontam-se arcos plenos embebidos, entaipados e forrado a azulejos, assentes em pilastra ondulada, com porta no intradorso de acesso ao claustro, do lado da Epístola. Capela-mor sobreelevada, a que se acede por dois degraus de pedra, coberta por abóbada de berço estucada e pintada de branco e azul, com moldura e medalhão central, com coroa e a letra M. Pavimento lajeado a granito. Paredes rasgadas por quatro janelões rectangulares com sanefas de talha dourada, confrontantes, os do lado da Epístola, entaipados e forrados a azulejos, possuindo do mesmo lado porta rectangular de comunicação com corredor que conduz à sacristia. Retábulo-mor sobrelevado, com supedâneo de granito, com três degraus ao centro. De talha dourada, apresenta planta côncava, de um só eixo, com remate em três arquivoltas, que prolongam das pilastras laterais, com as armas do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, ao centro. Tribuna em arco pleno, com trono eucarístico cerrado por cortina. Pilastras laterais ricamente decoradas com motivos fitomórficos e anjos. Sacrário sobre a banqueta, ricamente decorado, elevado para lá da tribuna. Altar recto, com frontal decorado por motivos fitomórficos e ao centro as armas de D. Rodrigo de Moura Teles. Sacristia coberta por tecto de madeira, com pavimento em soalho. Paredes rebocadas e pintadas de branco, com lambril de azulejos de padrão seiscentistas, polícromos a azul, amarela e branco, dispostos aleatóriamente. Possui arcaz em madeira encimado por maquineta. CLAUSTRO quadrangular, de dois registos, o primeiro com arcaria plena, assente sobre colunas toscanas, interiormente com galeria forrada a azulejos industriais de padrão, monócromos a azul. Na galeria, lavabo com espaldar rectangular, embebido na caixa murária, com duas bicas carrancas, com depósito de água, enquadrado por pilastras e rematado por cornija encimada por frontão de volutas, ladeado por pináculos e coroado por pinha. Registo superior fechado largas janelas. Pátio do claustro ajardinado, com canteiros de camélias, delimidados por buxos e, ao centro, ergue-se chafariz de tanque circular, com taça central, também circular, assente sobre coluna bojuda e encimado por urna, com bicas nas faces, coroada por esfera armilar.

Acessos

Avenida Central

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, adossado, no lado S. a prédio de habitação, numa das principais avenidas da cidade, onde pontuam alguns exemplares de arquitectura civil seiscentistas e setecentistas, nomeadamente a Casa Rolão (v. PT010303410027). A fachada principal abre-se aos espaços ajardinados da avenida, onde sobressaiem algumas tílias centenárias e se ergue um monumento evocativo da vinda do Papa João Paulo II a Braga e um outro alusivo aos Irmãos Roby, mortos em África ao serviço de Portugal.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: Inscrição gravada em cartela colocada na trave que suporta o coro-alto; madeira; leitura: FOI SAGRADA A 4-VII-1727; HERÁLDICA: Pedra de armas do portal principal, com as armas dos Moura, apresentando sobre cartela decorativa, escudo ovalado com sete torres, encimado por chapéu eclesiástico com cordões de seis borlas pendentes a cada lado; TALHA: Retábulos colaterais idênticos, apresentando algumas diferenças apenas no remate e na tribuna. De planta recta, um só eixo, rematados em arquivolta que se prolonga das colunas pseudosalomónicas, decoradas com pâmpanos. A arquivolta e encimada por espaldar vazado com modivos fitomórficos, apresentando o do lado do Evangelho, nicho com imagem, coroado por ave, e o do lado oposto, cartela. Tribuna à face, com peanha com imagem do orago. Altar recto, com frontal decorado por três painéis entre anjos, possuindo o central as armas do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, os dos extremos, querubins.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Braga)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Carpinteiro: Manuel da Silva Pereira; Entalhador: Marceliano de Araújo (atr. púlpito); Pedreiros: Manuel Fernandes da Silva, Estêvão Moreira, Manuel Rebelo; Pintor: Policarpo de Oliveira Bernardes (azulejos da capela-mor).

Cronologia

1650, Fevereiro - É lavrado um contrato notarial, por Pedro de Aguiar e sua mulher Maria Vieira, consignando avultados bens para se levantar uma casa em que algumas mulheres beatas se pudessem recolher; 1652 - instituição do recolhimento, como casa de sete beatas capuchas, donzelas ou viúvas, que se regiam pela Terceira Regra de São Francisco; Séc. 18, inícios - o Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles, transformou o recolhimento de sete mulheres em convento, sujeito a clausura e à Regra de Nossa Senhora da Conceição; 1719 - iniciaram-se os trabalhos de reforma da igreja, sob as ordens do mestre pedreiro de Braga, Manuel Fernandes da Silva; 1720 - contrato de emadeiramento com um mestre carpinteiro de São Vicente, Manuel da Silva Pereira; 1725 - Estêvão Moreira e Manuel Rebelo, mestres pedreiros da Maia, assinam um novo contrato para prosseguimento dos trabalhos de reforma do convento; 1727, 4 Agosto - sagração da igreja; século 18, finais da década de 20 - são encomendados a Policarpo de Oliveira Bernardes, de Lisboa, os azulejos para a capela-mor; séc. 18, década de 30 - provável construção do púlpito, por Marceliano de Araújo; séc. 19 - execução do órgão; 1833 - extinção das Ordens Religiosas; 1879 - o edifício conventual foi cedido para instalar o Asilo da Infância Desvalida D. Pedro V.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura, elementos decorativos, embasamento, cunhais, cornijas de remate, molduras dos vãos, arco triunfal, pavimento da capela-mor, arcaria do claustro, lavabo e chafariz em granito; paredes da igreja forradas a azulejos tradicionais; abóbadas da nave e capela-mor estucadas; portas, janelas, pavimentos da nave e sacristia, guarda-vento, balaustrada do coro-alto e da tribuna, retábulos, púlpito, sanefas e arcaz em madeira; grades das janelas e catavento da sineira em ferro; cobertura exterior em telha de canudo.

Bibliografia

THADIM, Manoel Joze da Silva, Diario Bracarense das Epocas, Fastos e Annaes mais remarcaveis (manuscrito), Braga, 1748, pp. 91 - 92; NÓBREGA, Artur Vaz Osório, Pedras de Armas e Armas Tumulares do distrito de Braga. Cidade de Braga, vol. 1, tomo 2, Braga, 1970, pp. 528 - 531; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, Arquitectura Civil e Religiosa de Braga nos séculos XVII e XVIII. Os Homens e as Obras, Braga, 1994, pp. 140, 204; ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, Manuel Fernandes da Silva, Mestre e Arquitecto de Braga, 1693 - 1751 (Dissertação de Mestrado em História da Arte), Porto, 1995, pp. 107 - 119; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, A Paróquia de São José de São Lázaro (1747 - 1997), Braga, 1997, pp. 121 - 127; Braga. Percurso e memórias de granito e oiro, Braga, 1999, pp. 99 - 102.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: séc. 20, finais - Colocação de silhar de azulejos na galeria inferior do claustro.

Observações

Autor e Data

António Dinis 2000

Actualização

 
 
 
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