Povoado do Castelo de Faria / Ruínas do Castelo de Faria e estação arqueológica subjacente

IPA.00001104
Portugal, Braga, Barcelos, Gilmonde
 
Aglomerado proto-urbano. Povoada da Idade do Ferro com ocupação romana e medieval. Povoado fortificado / castro. Integra castelo medieval cabeça da Terra de Faria com torre de menagem no centro de pátio delimitado por cerca de contorno irregular que reaproveita muralha antiga. O sítio possui uma sequência de ocupação humana muito longa que se inicia no 3 / 2 milénios a.C., tem vestígios do Bronze Final, prolongando-se depois até um periodo adiantado da época romana. Posteriormente, na Idade Média, as construções situadas na coroa do outeiro foram adaptadas às necessidades do castelo cabeça da Terra de Faria, local de episódios bélicos e simbólicos notáveis na Baixa Idade Média.
Número IPA Antigo: PT010302590013
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoado  Povoado da Época do Ferro  Povoado fortificado  

Descrição

Tem três linhas de muralha que envolvem todo o povoado e que parecem de feitura castreja (Época do Ferro). A muralha mais exterior, pelo lado nascente e antes da abertura do caminho que liga a estrada da Franqueira à freguesia de Milhazes, tinha a reforça-la um largo fosso. Entre esta muralha e a seguinte, mais interior, existem, do lado O, os alicerces de cerca de 10 casas castrejas, algumas circulares e outras de planta oval. Algumas possuem vestíbulo e lareira. A E, de ambos os lados da segunda muralha, existem também vestígios de casas circulares e rectangulares. No interior do recinto superior, localiza-se a torre de menagem do castelo medieval, de planta quadrangular, bem como vestígios de muros adossados à muralha, que poderão ser restos dos paços do alcaide. Entre esta muralha e a seguinte, mais abaixo, levanta-se um talude que sustenta as terras do socalco superior.

Acessos

EN 205, EM de acesso ao Carvalhal, continuando, à saida da povoação, no acesso ao castelo e Ermida de N.ª S.ª da Franqueira no cimo do monte; Fl. 69

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 40 684, DG, 1ª Série, nº 146, de 13 julho 1956

Enquadramento

Rural. Localiza-se num outeiro íngreme e rochoso na encosta NO do monte da Franqueira, revestido de densos pinhais. Domina toda a foz do rio Cávado.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Idade do Ferro / Séc. 12

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Idade do Ferro - ocupação do povoado; séc. 12 - primeiras referências documentais ao castelo de Faria; 1128 - em conjunto com o castelo de Neiva foram os primeiros a ser tomados pelo infante D. Afonso Henriques na revolta contra a sua mãe D, Teresa; 1373 - foi palco do episódio de Nuno Gonçalves, nas lutas contra Castela; 1400 - D. João I doou-o a D. Gonçalo Telles de Meneses que mandou pôr no Castelo as suas armas de 3 flores-de-lis; séc. 16 - já em ruinas as suas pedras são aproveitadas para a construção do convento do Bom Jesus do Monte da Franqueira; 1992, 01 Junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes

Materiais

Granito

Bibliografia

Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, 1993, vol. II, Distrito de Braga, p. 18; FONSECA, Teotónio da, O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado, Barcelos, 1987, vol. II, p. 184 - 186; ALMEIDA, Carlos Alberto Brochado de, Barcelos. Castelo de Faria 1982 - 83, Informação Arqueológica, 5, Lisboa, 1985, pp. 50 - 52 e Castelo de Faria. Campanha de escavações de 1981, Barcellos - Revista, vol. I, nº 1, Barcelos, 1982, pp. 79 - 88; COSTA, A.G.; FARIA, A. M.; CARVALHO, J. S., Sondagens arqueológicas no concelho de Barcelos: Abade de Neiva, Faria, Roriz, Seminário de Arqueologia do Noroeste Peninsular (Guimarães, 1978), Guimarães, 1980, 2, pp. 15 - 22; ALMEIDA, C. A. Ferreira de, Castelogia Medieval de Entre-Douro-e-Minho, Porto, 1978, p. 36 e EST. IX; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976, p. 259; Boletim do Grupo dos Alcaides de Faria, Barcelos, 1948, nº 1 e 2;

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

DGEMN: DSID

Intervenção Realizada

1929 - escavações realizadas pelo grupo Alcaides de Faria; 1936 - 40 - novas escavações e reconstrução de troços de muralha e da torre de menagem relizadas pelo grupo Alcaides de Faria; 1939 - trabalhos de reconstrução da muralha, refechamento das juntas e limpeza de cantarias, remoção e transporte de entulhos resultantes; 1978 - trabalhos de limpeza orientados pelo Campo Arqueológico da Universidade de Braga; 1981-85 - escavações arqueológicas realizadas por Brochado de Almeida e Teresa Soeiro da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Observações

Foi cenário do heróico episódio do alcaide-mor Nuno Gonçalves que feito prisioneiro pelos castelhanos em 1373, foi levado à frente do Castelo para forçar a rendição do filho que amaldiçoou se não resistisse aos invasores. Retalhado de golpes, pereceu diante do Castelo que não se rendeu. As armas de 3 flores-de-lis pertenciam ao Conde de Faria. O grupo Alcaides de Faria detém o espólio das escavações realizadas na década de 30.

Autor e Data

Isabel Sereno / Paulo Dordio 1994

Actualização

 
 
 
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