Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia

IPA.00011005
Portugal, Lisboa, Lourinhã, Moita dos Ferreiros
 
Arquitectura religiosa, quinhentista, seiscentista, rococó. Igreja de planta longitudinal, com nave única, precedida por alpendre, e capela-mor mais estreita e baixa. Adossados à nave, dependências de círios e habitação, e à capela-mor sacristia. Alpendre de fachadas abertas, ao centro, por arco de volta perfeita. Fachada principal com pequena janela gradeada a ladear o portal. Na fachada N., por debaixo da escada da casa de habitação, acesso ao interior da igreja. Nave decorada por silhar de azulejos de albarradas do séc. 18 e de padrão do séc. 17; cobertura em tecto de masseira de madeira. Do lado do Evangelho, base de púlpito, em cantaria, usada como altar. Coro-alto de madeira. Arco triunfal de cantaria, em arco de volta perfeita. Capela-mor, mais elevada, coberta por abóbada de berço, decorada por silhar de azulejos de padrão pombalinos. Parede testeira totalmente revestida por retábulo de talha dourada e policromada, de estrutura rococó, mas já com alguns elementos decorativos tardios, de gosto neoclássico.
Número IPA Antigo: PT031108030032
 
Registo visualizado 474 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de peregrinação  

Descrição

Planta longitudinal, composta por nave única, precedida por alpendre, e capela-mor mais estreita. Adossados à nave, corpo de habitação, a S., e corpo de anexos e dependências para círios *2, a N. Adossado à capela-mor, também a N., sacristia de planta rectangular. Volumes articulados, de dominante horizontal, com cobertura diferenciada em telhado de duas águas, nos corpos da nave e corpo de habitação e corpos da capela-mor e sacristia, três águas no alpendre e uma água no corpo de anexos e em parte do corpo da habitação. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento aparente, pintado a vermelho, rematadas por beiral, na fachada principal e laterais. Fachada principal virada a E., com alpendre de fachadas abertas, ao centro, por arco de volta perfeita, com bailéus, interiormente, nos ângulos das paredes; pavimento cerâmico e tecto de madeira com o travejamento à vista. Fachada da igreja em empena, com cruz latina de braços trilobados no vértice, com sineira em arco de volta perfeita, na extremidade N. da empena. Ao centro, portal de verga recta, ladeado por janela gradeada, do lado direito, e painel de azulejos recente, com representação de Nossa Senhora de Fátima, do lado oposto, encimado por janela de verga recta. Corpo de habitação limitado inferiormente, do lado esquerdo, por cunhais perpianhos, rasgado por porta de verga recta encimado por janela. Fachada lateral N. rasgada por portas e janelas. Fachada lateral S. com corpo de habitação, com porta e janelas, de acesso por dupla escadaria, que acompanha toda a fachada, com acesso à igreja, através de porta rasgada no vão da escada. Fachada posterior, com óculo gradeado no corpo da cabeceira. INTERIOR: Paredes rebocadas e pintadas de branco. Nave decorada por silhar de azulejos de albarradas e de padrão. Cobertura em tecto de masseira de madeira policromada, a azul, amarelo e branco, assente sobre cornija; pavimento em mosaico cerâmico. Do lado do Evangelho, base de púlpito, em cantaria, usada como altar, com acesso por portal de verga recta. Do lado da Epístola, vão entaipado, coberto por azulejos, também usado como altar. Coro-alto de madeira, com balaustrada policromada. No sub-coro, do lado o Evangelho, acesso ao coro-alto por escadaria de cantaria. A ladear o portal, do lado da Epístola, pia de água benta. Arco triunfal de cantaria, em arco de volta perfeita, com demarcação na chave. Capela-mor, mais elevada, com pavimento em mármore e tecto em abóbada de berço. Paredes revestidas por azulejos de padrão, rasgadas lateralmente por duas janelas, estando a do lado da Epístola entaipada. Parede testeira totalmente revestida por retábulo em talha dourada, policromada e marmoreada a verde e rosa. De planta convexa, com um só eixo, rematado por frontão interrompido, encimado por pequenos festões, com espaldar, ao centro, enquadrado por volutas, com coroa real fechada sobre resplendor, no eixo. Camarim enquadrado por colunas coríntias estriadas, entre pilastras, com trono sobrepujado por maquineta, com imagem do orago. Lateralmente peanhas com imaginária. Na banqueta, sacrário encimado pelo Sagrado Coração de Jesus e pelo Crucificado. Altar paralelepipédico, com decoração nas extremidades do frontal, sugerindo a forma de urna. Do lado da Epístola, sacristia com lavabo de cantaria.

Acessos

Lugar do Casal da Misericórdia. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,251663; long.: -9,197722

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, isolado, em terreno de assentuado declive, rodeado por campos de cultivo e mata de carvalhos, plátanos e eucaliptos. A N. encontra-se corpo rectangular, correspondente à casa dos círios (Círio da Labrujeira e Círio de Aldeia Grande), a O. recinto para festas, e mais deslocado, a Fonte do Rastinho *1, em cota mais baixa, junto a pequeno ribeiro. Encontra-se coberta por telheiro, suportado por estrutura em betão, fechada a O. e a N., com pequeno ressalto no interior, até ao meio da parede, e pavimento calcetado. Na parede N., duas bicas e lage de cantaria rectangular semi-enterrada e desnivelada, para escoamento de águas. Na parede O., inferiormente, nicho com painel de azulejos recente, com a representação de Nossa Senhora da Misericórdia, encimado pela mesma imagem, só que policromada e em baixo relevo.

Descrição Complementar

AZULEJO: NAVE: silhar de azulejos de composição ornamental seriada, monócromos a azul cobalto, de albarradas, compostas por taças de flores, com figuras femininas com cauda e asas de volutas a ladear o bojo, ligadas por composições florais. Barra de enrolamentos vegetalistas; SUB-CORO: silhar de azulejos de padrão, monócromos a azul cobalto, 4 x 4, de módulo P-489. Apresenta, do lado do Evangelho, na zona superior, azulejos da zona central do padrão (com variantes idênticas ao P-488), e inferiormente, azulejos do mesmo padrão, só que azulejos de canto, também com algumas variantes. Do lado da Epístola, azulejos das laterais do padrão. Barra de enrolamentos vegetalistas. Vão entaipado, do lado da Epístola, com azulejos do mesmo padrão, só que misturados, segundo tipologia de Santos Simões e Emílio Guerra de Oliveira. CAPELA-MOR: silhar de azulejos de padrão pombalinos, policromados a azul, amarelo, verde e rosa. Barra de azulejos pombalinos, monócromos a azul cobalto. Rodapé com azulejos esponjados a roxo manganês.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de peregrinação

Utilização Actual

Religiosa: igreja de peregrinação

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 16 / 17 - construção da igreja, em antigo local de culto pagão, posteriormente convertido em cristão; Séc. 17, finais - colocação de azulejos de padrão; Séc. 18 - colocação de silhar de azulejos de albarradas na nave; Séc. 18, finais - colocação de azulejos de padrão na capela-mor; construção do retábulo-mor; 1854 - é instituída uma feira, que se passou a realizar nos dias 7 e 8 de Setembro, dias das festas em honra de Nossa Senhora da Misericórdia; 1871, 6 Setembro - o Administrador do Concelho pede à Câmara, e ao Governo ajuda para a extinção da feira e proibição dos círios, devido aos constantes distúrbios ocorridos naquelas ocasiões, entre as freguesias de Moita dos Ferreiros e Reguengo Grande; 1880 - é pedida a presença da tropa aquando da demarcação do Casal da Misericórdia, propriedade de Rafael Gorjão Henriques; 1885, 13 Outubro - em sessão camarária é deliberado que a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia seja transferida para a Igreja de Moita dos Ferreiros ( v. PT031108030031 ), e que os círios passem a ir visitar a imagem em dias alternados, para evitar distúrbios; Séc. 20, anos 60 - destruição das casas dos círios*3; Séc. 20, anos 70 - construção do recinto para as festas; Séc. 20, anos 80 - reconstrução das actuais casas dos círios *4; 1997 - restauro do retábulo-mor; 2002 - projecto de arranjo paisagístico do santuário e recuperação das casas dos círios, para acolhimento de peregrinos, estando previsto a instalação do primeiro Centro de Santiago em Portugal.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura de calcário rebocado, interior e exteriormente; molduras, cruz, sineira, arcos do alpendre, pia de água benta, escada de acesso ao coro-alto, base do púlpito, arco triunfal e lavabo da sacristia em cantaria de calcário; pavimento da capela-mor em mármore; estrutura alpendrada da fonte em betão; grades das janelas em ferro forjado; cobertura em telha cerâmica; azulejo tradicional, no interior, e recente, no exterior; pavimento cerâmico no alpendre, escadas da habitação e nave; portas, janelas, pavimento da nave, coro-alto e retábulo em madeira.

Bibliografia

Dicionário Enciclopédico das Freguesias, 4º vol., p. 554, 1997; Centro de Formação da União de Escolas da Lourinhã, Roteiro do Património local, 1º caderno - Contributo para o conhecimento do património do concelho da Lourinhã, Lourinhã, 25 Maio 1999; CIPRIANO, Rui Marques, SOUSA, Teresa Maria Farto Faria de, Património Religioso Edificado do Concelho da Lourinhã, Lourinhã, 2001; CIPRIANO, Rui Marques, Vamos falar da Lourinhã, Lourinhã, 2001; WWW. santiagoportugal.com.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: séc. 20, anos 70 - construção do recinto de festas e construções anexas; Séc. 20, anos 80 - reconstrução das casas dos círios; 1997 - restauro do retábulo-mor.

Observações

*1 - teria sido junto à Fonte do Rastinho, que no séc. 13, apareceu a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, numa árvore. Segundo o povo, teria deixado pegadas ou "rastinhos" numa pedra, que ainda existe junto da fonte. A água da fonte é considerada curativa para as doenças de olhos, sendo esta deitada sobre as pegadas e depois utilizada na lavagem dos olhos dos doentes; *2 - círios de Vila Verde e Vila Chã; *3 - as antigas casas dos círios eram semelhastes às da Santuário do Senhor da Pedra de Óbidos (v. PT031012040037); *4 - por baixo das Casas dos Círios existem vestígios de construções, provávelmente de uma antiga igreja.

Autor e Data

Joaquim Gonçalves 2002

Actualização

 
 
 
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