Convento de Santo António / Igreja de Santo António

IPA.00010878
Portugal, Coimbra, Arganil, União das freguesias de Vila Cova de Alva e Anseriz
 
Convento franciscano capucho construído no séc. 18, mas denotando um estilo bastante sóbrio, remetendo para as primeiras soluções da Real Província da Conceição, ainda arreigadas aos esquemas privilegiados pela Província de Santo António, de que descende. É de planta rectangular composta por igreja e zona regral desenvolvida no lado direito, com uma das alas a prolongar-se perpendicularmente. A igreja é de estrutura chã, antecedida por galilé, e capela-mor mais estreita, com coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço de madeira assentes em cornijas, iluminada por janelas retilíneas rasgadas na fachada lateral direita, e pelos vãos da fachada principal. Esta remata em frontão sem retorno, um dos raros exemplares com este tipo de solução na Província da Conceição, e é marcada pelo vão da galilé, em silharia almofadada, o janelão do coro-alto e óculo circular, todos com molduras de cantaria. Para a galilé abrem as portas de verga recta do portal axial, encimado por nicho, as da portaria e da Capela do Senhor dos Passos. Torre sineira na fachada posterior, uma solução anacrónica, semelhante à utilizada nos edifícios medievais de São Francisco de Viana e Orgen. Tem remate em friso e cornija e cobertura em coruchéu piramidal. Interior com amplo coro-alto, tendo órgão no lado do Evangelho e vestígios do cadeiral primitivo, encimado por espaldar de madeira apainelada. No lado da Epístola, o púlpito quadrangular de talha maneirista, com acesso por porta de verga recta, surgindo, ainda, confessionários embutidos no muro; no lado oposto, capela profunda, fronteira à antiga porta de acesso ao claustro. O presbitério é seccionado por grades-confessionários, com madeiras embutidos e composta por balaústres, com afinidades às existentes em Viana do Castelo, Ponte de Lima, Pinhel e Orgens. Arco triunfal de volta perfeita, encimado por Calvário; encontra-se ladeado por retábulos colaterais de talha dourada do estilo barroco nacional, sendo o único Convento onde se mantêm as estruturas primitivas dos retábulos colaterais, normalmente substituídos por estruturas tardo-barrocas. Forma um conjunto com a restante talha do templo, de excelente qualidade, revelando uma forte unidade decorativa, integrável no estilo Barroco Nacional, sendo todas da mesma oficina, infelizmente, até ao momento, desconhecida. Capela-mor com retábulo de talha do barroco nacional, de planta recta e três eixos, possuindo sacrário embutido na estrutura. O convento desenvolve-se em torno de claustro quadrangular. No lado da Epístola, o acesso à Via Sacra e sacristia, com o seu armário e espaldar pintado sobre o arcaz, apesar de muitos arruinados, tendo, na ala oposta à igreja, o refeitório, cozinha e despensa, surgindo, virado à fachada posterior, a Casa do Capítulo. No piso superior, subsistem vestígios das celas com corredores centrais, iluminados por janelas regrais. Da Via Sacra partem as Escadas das Matinas, de acesso ao corredor do coro-alto. claustro do tipo arquitravado nos dois pisos, assentes em colunas toscanas, possui o refeitório íntegro, mantendo o púlpito de leitura, com atril e assento em cantaria. A zona conventual possui uma interessante construção revivalista, com ressaltos nos ângulos, com coberturas em coruchéus piramidais e vãos em arco de volta perfeita com molduras comuns. A cerca seria de grandes dimensões, pontuada por fontes, que faziam parte integrante do sistema hidráulico.
Número IPA Antigo: PT020601180012
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos (Real Província da Conceição)

Descrição

Conjunto conventual composto por igreja, convento e ampla cerca, que evolui na fachada posterior, pela encosta. IGREJA de planta longitudinal composta por nave, antecedida por galilé, e capela-mor mais estreita, de volumes articulados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco ou em alvenaria de calcário aparente, percorridas por embasamento e soco de cantaria, flanqueadas por cunhais em cantaria e rematadas por frisos, cornijas e beiradas simples. Fachada principal virada a S., rematada em frontão triangular sem retorno, truncado por cruz latina sobre plinto paralelepipédico, rasgado por óculo circular com moldura simples, flanqueada por cunhais em cantaria rusticada, encimados por pináculos piramidais. É rasgada pelo vão da galilé, em arco abatido e moldura em silharia almofadada, encimado pelo janelão do coro, rectilíneo e rematado por cornija, ladeado por pequena fresta no lado esquerdo. A galilé tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em abóbada e pavimento em lajeado de calcário, onde surge uma sepultura epigrafada, marcado pelo portal axial de verga recta, encimado por nicho vazio de volta perfeita e ladeado por enrolamentos, denotando vestígios de pintura em marmoreados fingidos. No lado esquerdo, um nicho rectilíneo correspondente à Capela do Senhor dos Passos, tendo, no lado oposto, a porta de verga recta de acesso à portaria. Fachada lateral esquerda rasgada por duas janelas rectilíneas no corpo da nave e duas na capela-mor, tendo adossado, ao primeiro, um corpo de dois pisos, com acesso por escada perpendicular e balcão, junto à qual surge uma zona de arrumos com dois portões rectangulares. Fachada lateral direita adossada ao convento. Fachada posterior em empena cega, com torre sineira adossada, com ventanas em arco de volta perfeita e remate em friso, cornija, pináculos nos ângulos e cobertura em coruchéu piramidal. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixa pintada de amarelo, com coberturas em falsas abóbadas de berço, rebocadas e pintadas de branco, assentes em cornija de cantaria, e pavimentos em soalho, com os vãos protegidos por sanefas de talha com lambrequins. Coro-alto sobre arco em asa de cesto assente em pilastras toscanas, sem guarda e com acesso por portas de verga recta confrontantes, a do lado do Evangelho a partir de uma porta rasgada no sub-coro. Neste, surge o cadeiral com duas ordens de cadeiras, num total de 24, com braços volutados e assentos amovíveis, a exterior com espaldar de madeira dividido em apainelados. No lado do Evangelho, um órgão sobre ampla mísula e a respectiva consola. No lado da Epístola, três confessionários embutidos no muro, com vãos rectilíneos e molduras simples e um púlpito quadrangular sobre mísula volutada, com guarda torneada e acesso por porta de verga recta e guarda-voz de madeira em branco. O presbitério encontra-se protegido por grades compostas por colunelos de torneados esféricos, entrecortados por pilaretes, com a forma de balaústre fingido, sugestionado por embutidos de jacarandá, num esquema mais simplificado. Os confessionários formam dois apainelados, o inferior flanqueado por pilaretes e em forma de almofada rectilínea, sendo os superiores circunscritos por balaústres, com painel almofadado em ponta de diamante e ralo perfurado, criando uma superfície rectilínea, envolvida por pequenos motivos fitomórficos e contendo cruz latina com resplendor. Após estas grades, no lado do Evangelho, uma capela saliente, com acesso por arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas, com cobertura em abóbada de berço assente em cornijas pintadas com marmoreados fingidos, dedicada a Nossa Senhora das Dores; no lado do Evangelho, armário embutido com portas de madeira. No lado oposto, a antiga porta de acesso ao claustro, junto à qual surgem as escadas de acesso ao púlpito. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, tudo pintado com motivos vegetalistas, encimado por um Calvário e ladeado por retábulos colaterais dedicados a Santo António (Evangelho) e São Francisco (Epístola). Capela-mor marcada por supedâneo de madeira, sobre a qual surge o retábulo-mor de talha dourada, de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas torsas, sustentadas por consolas, e com os fustes ornados por pâmpanos e meninos de vulto, e por duas pilastras, que se prolongam em quatro arquivoltas unidas por aduelas no sentido do raio, possuindo uma ampla cartela no fecho com as armas seráficas; ao centro, a tribuna com trono expositivo de três degraus. Nos eixos laterais, sobre mísulas, surge imaginária. Na base da tribuna, o sacrário embutido, flanqueado por anjos tenentes e querubins, com a porta ornada por um raro Jesus Bom Pastor, encarnado e estofado. No lado da Epístola, a porta de verga recta de acesso à sacristia. CONVENTO de planta rectangular, com uma das alas, a principal, a prolongar-se, desenvolvido em torno de um claustro quadrangular, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e uma água. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de cantaria, com cunhais apilastrados e rematadas em cornija e beirada simples. Fachada principal virada a S., com dois pisos, definidos por cornija, o inferior rasgado por duas portas, um de verga recta e outra com lintel em cortina, ambas com molduras simples de cantaria, surgindo uma terceira, protegida por alpendre com acesso por arco de volta perfeita assente em colunelos, flanqueados por pilares de cantaria, que sustentam uma varanda no segundo piso, com guarda plena, encimada por elementos vazados, para onde abre porta janela de verga recta e moldura simples. Possui, ainda, cinco janelas de peitoril, duas rectilíneas e três em arco de volta perfeita, as primeiras com molduras simples e as segundas com a moldura a prolongar-se em friso pela fachada; surgem também duas janelas jacentes com molduras simples; no segundo piso, oito janelas de peitoril, cinco com molduras simples e três com moldura comum semelhante à do piso inferior; surge, ainda, um pequeno vão rectilíneo sobre cornija. No ângulo, um ressalto ultrasemicircular, sobre mísula de cantaria e com cobertura em coruchéu cónico, rasgada por janela de verga recta e moldura simples. Fachada lateral esquerda adossada à igreja, tendo, na oposta, o braço do prolongamento, rasgado por duas janelas de peitoril em cada piso, as inferiores em arcos de volta perfeita e as superiores rectilíneas, com molduras comuns. No lado direito, um ressalto semelhante ao da fachada principal. Fachada posterior com três panos, os extremos reentrantes, dando origem a um ângulo recto, com uma face virada a E. rasgada por três portas rectilíneas e uma janela jacente, surgindo, no piso superior, cinco janelas de peitoril rectilíneas. No pano do lado esquerdo, surge uma porta central ladeada por quatro janelas em arco de volta perfeita, com moldura comum, encimadas por sacada assente em duas mísulas e com guarda vazada, para onde abrem duas portas janelas em arco de volta perfeita, flanqueadas por quatro janelas de peitoril rectilíneas, com molduras comuns. No lado direito, porta de verga recta, encimada por varanda fechada, com amplo arco de volta perfeita e guarda plena almofadada. O pano central é marcado pela chaminé e rasgado por dois vãos jacentes, um de menores dimensões. O pano do lado direito, reentrante, possui escadaria de cantaria e guarda plena de acesso ao segundo piso, por porta de verga recta e moldura simples; no piso inferior, três janelas, uma delas jancente, encimadas por três janelas de peitoril e uma de varandim com guarda metálica vazada, todas com molduras simples de cantaria. O INTERIOR desenvolve-se em torno de claustro com cinco vãos, arquitravados em ambos os pisos, os inferiores com colunas toscanas assentes em murete, aberto na zona central, dando acesso à quadra, encimado por vãos parcialmente entaipados, ladeados por colunas toscanas e rasgados por janelas rectilíneas. Na ala O., a porta da antiga portaria e os vãos dos confessionários, surgindo, na oposta à principal, a Via Sacra, de onde evoluem as escadas das Matinas, com coluna de arranque volutada, a sacristia e casa do lavabo. A primeira possui um arcaz de madeira de castanho, sobre o qual surge o espaldar de talha dourada, composto por oratório central, flanqueado por dois painéis e duas ilhargas, tudo dividido por pilastras decoradas por acantos e rematado por friso e cornija. Ao centro, um nicho em arco de volta perfeita, rematado por dossel com drapeados falsos, a abrir em boca de cena, contendo um Crucificado, tendo, na base, um nicho jacente, actualmente vazio, onde estariam, certamente, as relíquias da comunidade, entre as quais se contava um Santo Lenho; lateralmente, os painéis pintados, a representar, no lado esquerdo, São Francisco e uma Pietà, aparecendo, no lado oposto, uma Sagrada Família, no Regresso do Egipto e Santo António com o Menino. Existe, ainda, um armário bastante deteriorado. A casa do lavabo com um exemplar em cantaria, com espaldar recto e bicas em forma de losango que vertem para taça rectilínea. Junto a estes, a antiga Casa do Capítulo, com acesso por arco abatido, assente em pilsastras toscanas e com vestígios de policromia. No lado oposto, mantém-se o espaço do refeitório, a actual sala de estar, com tecto em quatro caixotões de madeira, tendo o púlpito de leitura, com assento e atril em cantaria. A CERCA mantém o seu perímetro, com várias árvores frondosas, onde surge o sistema hidráulico intacto, vindo pela vertente do monte, por via subterrânea, desembocando na Fonte de Nossa Senhora da Graça, composta por uma caixa de água. Fonte com face principal de dois registos, separados por friso, rematando em empena com friso e cornija, flanqueada por cunhais apilastrados toscanos, firmados por pináculos em forma de urna; possui um painel de azulejo alusivo ao orago; tanque rectangular, ornado por losangos almofadados; no segundo registo, um nicho protegido por vidraça com a imagem contemporânea de Nossa Senhora da Graça.

Acessos

EN 342, no centro de Vila Cova de Alva

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria, n.º 885/2013, DR, 2.ª série, n.º 240, de 11 dezembro 2013

Enquadramento

Urbano, a meio encosta, localizado a E. da localidade, debruçado sobre o aglomerado e os campos do vale do Alva, de implantação harmónica denotando forte sentido paisagístico, vence desnível do terreno frente à igreja por escadaria composta por nove lanços, convergentes e divergentes, sustentado por muros de suporte de terras, em alvenaria de calcário, com as juntas preenchidas com argamassa de cimento, com dois patins, onde se encontra um cruzeiro, datado de 1870, com plinto cúbico, encimado por base troncopiramidal, que sustenta uma simples cruz latina. No topo das escadas, um terreiro, definido por muros laterais, pavimentado a calhau rolado.

Descrição Complementar

Na galilé, a sepultura tem a seguinte inscrição: "AQVI JAZ DEPOSITADO IOAO COELHO COLVNA NATVRAL DE VIANA D'ALVITO 1756", Capela do Senhor dos Passos com o intradorso das portadas pintadas com cenas da Paixão de Cristo, surgindo, na do lado direito e de cima para baixo, a coroa de espinhos a envolver os três cravos, o Sudário de Verónica, o Sudário a envolver a cruz; no lado oposto, a columa com a corda atada, a bolsa do dinheiro, uma mãom um galo com uma face, figurando o arrependimento de São Pedro, um Ecce Homo e a escada e lança. Órgão no lado do Evangelho, junto ao coro-alto, sobre mísula facetada, com as faces pintadas por marmoreados fingidos, sobre a qual surge o suporte, ornado por painéis almofadados e molduras douradas, decorados por elementos fitomórficos entrelaçados; sobre este, um castelo central, mais elevado e rematado por dois anjos músicas, que flanqueiam um florão; são ladeados por nichos, divididos por estípides com o fuste ornado por motivos florais, rematando em cornija e, exteriormente, em vasos floridos. As flautas estão em disposição cormática em tecto, no castelo, e diatónica nos nichos, ambos com gelosias vazadas em talha dourada, reproduzindo elementos fitomórficos, as centrais em cortina e as laterais em harpa, tendo, na base, as palhetas. Possui a caixa instrumental, compsota por elemento trapezoidal, com a zona superior vazada e a consola em janela, flanqueado pelos botões dos 14 registos, surgindo, no lado esquerdo, a Cimbala, Clarão, Composto de Dozena, Dezenovena, Quinzena, Oitava Real e flauta de 12 Aberta; no lado oposto, a Cimbala, Quinzenovena, Corneta, Oitava Real, Flauta Travessa, Voz Humana e Flautado de 12 Aberto. Capela lateral com retábulo de planta recta e três eixos, definidos por quatro colunas torsas, decoradas por pâmpanos, anjos encarnados e aves, e por duas pilastras exteriores, que se prolongam em quatro arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio, com o fecho ornado por uma estrela, um dos símbolos marianos (Stella Maris), ladeado por anjos-tenentes e querubim; ao centro, pequena tribuna e o fundo marcado por uma cruz e pelo Santo Sudário, na base do qual se integra um nicho jacente envidraçado e um sacrário embutido. Nos eixos laterais, duas mísulas, encimadas por acantos simétricos dispostos a imitar drapeados a abrir em boca de cena. Os retábulos colaterais são semelhantes ao anterior, de talha dourada e planta convexa com um eixo definido por duas colunas assentes em consolas e que se prolongam em duas arquivoltas, tudo torso e ornado por acantos, pâmpanos e meninos de vulto encarnados, no centro do qual surgem plintos com imaginária, na base dos quais surgem sacrários embutidos; são encimados por frisos pintados e têm altares em forma de urnas com cartelas assimétricas compostas por acantos e concheados.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Residencial unifamiliar: casa abastada

Propriedade

Privada: Misericórdia (igreja) / Privada: pessoa singular (convento e antiga cerca)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João Coelho Coluna (atr., 1713-1733). ORGANEIRO: António Xavier Machado e Cerveira (séc. 18).

Cronologia

1705, 24 Abril - nascimento da Real Província da Conceição, por Breve de Clemente XI *1; 1712, final - chegada dos primeiros frades ao local, instalando-se em casa de Bento Figueiredo Brandão e numas casas alugadas aos herdeiros de Luís de Abranches Távora, permitindo a chegada de 9 elementos; 1713 - fundação do Convento, pelo padroeiro Luís da Costa Faria (desembargador da Casa da Suplicação, procurador fiscal da Junta dos Três Estados e juiz da Chancelaria e Contos do Reino); este doou todo os terrenos, 40$000 para a alimentação da comunidade e construiu o imóvel, para o que deixava várias casas na vila e 3 mil cruzados de dinheiro a juro, em troca de sepultura junto à Capela de Nossa Senhora da Conceição, no retábulo colateral da Epístola, cuja imagem mandou executar numa oficina do Porto; doação de vários bens para a construção pelo bispo de Coimbra, António de Vasconcelos e Sousa, nomeadamente a madeira da Mata da Margaraça, que lhe pertencia, 239$200 e 10 moedas; 21 Setembro - lançamento da primeira pedra pelo bispo-conde D. António de Vasconcelos e Sousa; provável projecto do arquitecto João Coelho Coluna, sepultado no local *; 1723 - 1724 - as obras estavam atrasadas, só existindo a capela-mor e nave, estando a ser feito o coro-alto; 1723-1725 - execução do cadeiral; feitura do retábulo colateral do Evangelho e das imagens que o integram, feitas por frades da Província; feitura da imagem de São Pedro de Alcântara, paga pelo síndico do Convento, Bento de Figueiredo Brandão; 1728 - estofo das imagens da igreja, por ordem do guardião frei Manuel de São Macário; 1731 - feitura da escadaria de acesso ao imóvel, por iniciativa do guardião Frei João de Santa Isabel, com dinheiro deixado pelo padroeiro, no valor de 200$000; o mesmo guardião mandou colocar sobre o arco triunfal um Calvário; construção do armário e arcaz da sacristia; início da construção do muro da cerca, para o que o fundador deixou a quantia de 900$000; 1732-1733 - início da construção da canalização de água, paga pelo fundador, custando 200$000; 1733 - início da construção do claustro, por iniciativa do guardião, Sebastião da Esperança; doação da Capela do Capítulo, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, a Maria de Brito Fróis, de Oliveira do Hospital, que doou 40$000 anuais; 1734-1735 - estão a ser feitas 70 braças no muro da cerca; D. Maria Xavier de La Penha doa ao convento uma custódia de prata que importara em 2:000$000; 1736 - provável conclusão do claustro, com a construção da enfermaria por ordem de Frei Francisco da Conceição; execução do retábulo para a escada regral, dedicado a Nossa Senhora Conceição, por ordem do mesmo guardião; Manuel de Moura, da Várzea de Meruge, deixa ao convento por testamento sete painéis que foram colocados no claustro e que representariam os Passos da Via Sacra; séc. 18, meados - feitura das grades-confessionários para a igreja; 1756 - sepultura no local de João Coelho Coluna; séc. 18, final - feitura do órgão por António Xavier Machado e Cerveira; séc. 19 - pintura das portadas da Capela do Senhor dos Passos; feitura das sanefas da igreja; 1811 - numa relação pormenorizada efectuada pelo Padre Manuel Lopes Graça sobre os efeitos da passagem das tropas francesas, é referido que as tropas atacaram barbaramente o convento e particularmente a sacristia, estragando os arcazes e respectivas gavetas, queimando a roupa branca e mais ornamentos que acharão nas gavetas, roubando o Santo Lenho e várias relíquias, tendo, ainda, profanado as pedras de ara dos altares da igreja e, entre outros estragos já referidos, rasgaram o psaltério e antifonário, a imagem do Senhor dos Passos foi profanada, tendo-lhe sido arrancado um braço e o órgão ficou afectado pela remoção de alguns tubos, causando danos no valor de 1:197$600; 1834 - extinção das Ordens Religiosas ficando o edifício abandonado, sendo o convento avaliado em 1:600$000 e a cerca em 6$400; procedimento ao inventário dos bens da comunidade *2; 24 Junho - aforamento da cerca a Joaquim Fragozo, de Galizes, por 8$000; 1835 - distribuição das alfaias da igreja pelas igrejas da região; 1841, 10 Dezembro - venda do convento e cerca a João Lopes de Calheiro e Meneses por 1:241$000; 1849, 23 Junho - o vigário-geral da Diocese de Coimbra pede ao pároco local para fazer o inventário dos bens da igreja, respondendo-se que parte deles tinham sido distribuídos pelas igrejas do arciprestado; sobre o arco triunfal já não se encontrava a imagem de Cristo; foi nomeado zelador da igreja o proprietário da zona conventual, José Cupertino da Fonseca e Brito; séc. 19, meados - troca do convento por terrenos, passando este a estar na posse de José Cupertino da Fonseca e Brito; desenho da fachada principal *3, anterior à alteração da zona conventual, adaptando-a a residência, com gosto neorevivalista, pelos filhos do proprietário anterior, especialmente por Alexandre Cupertino de Castelo Branco; os vãos superiores do claustro são fechados por janelas de peitoril, permitindo um maior conforto; 1862, 21 Abril - a Misericórdia está instalada na igreja por acordo com o administrador, levando a cabo obras e pedindo a doação do imóvel; 1870 - execução do cruzeiro da escadaria pela Misericórdia; 1888, 23 Setembro - construção de uma escada de acesso ao coro-alto, por ordem da Misericórdia, que importou em 145$000; séc. 20, meados - a documentação do convento foi queimada, subsistindo alguns livros da livraria; 1952 - Virgilío Correia refere a existência de rótulas ladeadas de querubins, a decorar o espaldar do cadeiral, o que desapareceu; 1959, 21 Abril - a Repartição das Finanças de Arganil referem que a igreja pertence à Paróquia local, tendo que ser abandonado pela Misericórdia; 1993, 01 setembro - proposta de classificação do edifício pela proprietária do convento; 1994, 07 junho - proposta de classificação como Imóvel de Interesse Público, como DRCoimbra; 2012, 3 outubro - publicação do projeto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público e fixação da respetiva Zona Especial de Proteção do edifício, em Anúncio n.º 13513/2012, DR, 2.ª série, n.º 192.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de cantaria e alvenaria de calcário, parcialmente rebocada e pintada; elementos estruturais, modinaturas, sineira, pilastras, colunas, urna, lavabo, cunhais, frisos, cornijas, pia de água benta, pavimentos, lareira em cantaria de calcário; retábulos, coberturas, caixilharia, portas, pavimentos e forros de madeira; grades da igreja em ferro; janelas com vidros simples e grades metálicas; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

CRUZ, Alfredo Alves da, Elementos para a história de Vila Cova de Alva, Arganil, Gráfica Moderna, 1930; CORREIA, Vergílio; GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra, Lisboa, 1952; ANACLETO, Regina, Concelho de Arganil - História e Arte, Arganil, 1983; ANACELTO, Regina, Arganil, Lisboa, 1996; ARAÚJO, António de Sousa (Frei), Antoninhos da Conceição - dicionário de capuchos franciscanos, Braga, Editorial Franciscana, 1996; ANACLETO, Regina, História e memória: Vila Cova do Alva, A Comarca de Arganil, 03.04.1997 e 08.04.1997; CARDOSO, Victor Manuel Moutinho, O Convento de Santo António de Vila Cova de Alva, in Itinerarium, ano XLII, n.º 152, Braga, Editorial Franciscana, Janeiro-Abril 1997, pp. 71-138; ANACLETO, Regina, Convento de Santo António de Vila Cova do Alva, in A Comarca de Arganil, Arganil, ano XCVIII, n.º 10779 - 10780, 29 Setembro e 1 Outubro 1998; MATA, Nuno, Vila Cova de Alva vista à lupa, Arganil, Empresa a Comarca de Arganil, Lda., 2003; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155604 [consultado em 11 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: AHMF, Conventos extintos, Convento de Vila Cova de Sub-Avô, cx. 2263; BPMP: Crónica da Provincia da Conceição, 1737, FA - 69; AUC: Colégios e Conventos vários, Cota provisória - D-V

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: séc. 19 - arranjo do órgão; SCMVCA: 1858 - afinação do órgão por ordem da Misericórdia; 1861, Maio - reforma do supedâneo de madeira da capela-mor; 1875 - arranjo da cobertura da igreja; 1882 - arranjo dos sinos no Porto; 1889 - colocação de uma chave na tampa do teclado do órgão; séc. 20 - consolidação dos muros da escadaria com argamassa de cimento; pintura das portadas da Capela do Senhor dos Passos.

Observações

*1 - fazem parte da Província os seguintes Conventos: Santa Maria de Mosteiró (v. PT011608030013), Santa Maria da Ínsua (v. PT011602120133), São Francisco de Viana (v. PT011609310047), Santo António de Ponte de Lima (v. PT011607350252), Santo António de Caminha (v. PT011602070044), São Bento de Arcos de Valdevez (v. PT011601340059), São Bento e Nossa Senhora da Glória de Monção (v. PT011604170011), Nossa Senhora da Conceição de Melgaço (PT011603180044), Santo António do Porto (v. PT011312120035), São Francisco de Lamego (v. PT011805010074), São Francisco de Orgens (v. PT021823190031), São Francisco de Moncorvo (v. PT010409160053), São Francisco de Vila Real (v. PT011714240091), Santo António de Serém (v. PT020101120131), Santo António de Viseu (v. PT021823240358), Santo António de Viana (v. PT011609310048), Santo António de Vila Cova de Alva, Santo António de Pinhel (v. PT020910170012), São José de São Pedro do Sul (v. PT021816140005), Convento do Senhor da Fraga (v. PT021817040031), Colégio de Santo António de Coimbra (v. PT020603020036 e PT020603020163) e o desaparecido Hospício de Lisboa. *2 - segundo o inventário de 1834, a Capela do Senhor dos Passos era encerrada por quatro cortinados e é referenciada a existência de uma maquineta sobre a guarda do coro-alto; no armário da sacristia estavam arrecadados três cálices, com a copa de prata e com as competentes patenas, e colherinhas, surgindo dois vasos do sacrário, também em prata; o refeitório era iluminado por candeeiros de latão e, na cozinha, existia uma pia para o azeite, que tinha capacidade para 28 alqueires; a enfermaria tinha um altar dedicado a Nossa Senhora da Conceição, onde surgia um Crucificado de madeira e seis tocheiros de madeira prateada; tinha duas mesas de madeira de castanho, onde se guardavam as alfaias da capela; nos três cubículos existiam painéis pintados com a figura de Cristo; nesta dependência, surgia uma mesa de pinho e dez cadeiras de madeira; na sineira existiam dois sinos, surgindo, ainda, três campainhas (Doc. 220), certamente as do refeitório, sacristia e portaria, como era comum. *3 - conforme desenho do séc. 19, é-nos permitido conjecturar a existência de nove celas no dormitório virado à fachada principal e de sete à fachada lateral direita; entre o refeitório e a cozinha, situava-se o "De Profundis", anexo às escadas regrais, situando-se no extremo da ala, a despensa e a adega.

Autor e Data

Francisco Jesus 2000 / Paula Figueiredo 2009

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