Palácio da Mitra / Quinta da Mitra / Quinta de Marvila / Quinta do Arcebispo

IPA.00010671
Portugal, Lisboa, Lisboa, Marvila
 
Arquitectura residencial, barroca. Palácio episcopal de planta rectangular simples, com capela adossada ao lado esquerdo e com acesso a partir de um amplo pátio de honra, fechado por muro e com acesso por portal em arco de volta perfeita, flanqueado por silharia fendida e rematado por cornija, ladeado por janelas e rematado por balaustrada. O edifício é sóbreo, com alto soco em silharia fendida e com vãos rectilíneos rasgados de forma regular, com janelas de peitoril no piso inferior e de sacada no superior. A fachada principal tem acesso por escadaria de dois lanços convergentes, com pequena fonte na base, e com portal de moldura recortada e rematada por cornija. O interior possui pequeno vestíbulo que abre para corredores de distribuição, que abrem para as várias dependências, a maioria intercomunicantes, sendo o acesso ao Salão a partir de escadaria de aparato, de três lanços, os inferiores divergentes, com escada em cantaria balaustrada. No centro do segundo piso, uma dependência ovalada constituía um oratório privado. As dependências apresentam tectos em gamela e estão ornadas por painéis de azulejo de produção joanina, em monocromia azul sobre fundo branco, representado caçadas, cenas galantes, cenas de género e composições seriadas ou decorativas. Capela de planta ovalada, com cobertura em cúpula, decorada a estuques, com retábulo de talha policroma do barroco joanino, profusamente decorada por azulelo. O jardim é formal, composto por canteiros de buxo que centram pequeno chafariz ornamental, do tipo centralizado. Constitui um interessante exemplar de arquitectura palaciana setecentista, apresentando, na área edificada, uma simplicidade que se reporta às soluções do século anterior, mantendo a estrutura do primitivo edifício, com alto soco em silharia fendida, as janelas rectilíneas rasgadas de forma regular, as superiores com sacadas e as portas-janelas rematadas em cornija. A mesma solução é visível no muro que fecha o pátio de honra, com portal em arco de volta perfeita, de reminiscências maneiristas, ladeado por duas janelas rectilíneas, apresentando, contudo, no interior, um passadiço suportado por elegantes mísulas volutadas, protegido por guarda balaustrada. A nota mais exuberante surge nas escadas de acesso ao portal, em dois lanços convergentes, e no portal com ampla modinatura recortada e encimado por óculo e cornija contracurva, de solução borromínica, remetendo para uma intervenção mais avançada no séc. 18. O interior possui decoração exuberante, especialmente em termos azulejares, destacando-se a escadaria, com guarda balaustrada, acompanhada por silhares de azulejo em, trompe l'oeil com azulejos balaustrados, tendo como fundo ténues paisagens e cenas de género, destacando-se o conjunto policromo e as alegorias que ladeiam o acesso ao salão nobre. O interior encontra-se bastante alterado pelas adaptações dos séculos 19 e 20, apresentando tectos em gamela, pontuados por elementos entalhados, alguns com as armas do patriarca, e fogões de sala. O jardim ostenta banco com o espaldar decorado por amplo painel de azulejo policromo com as armas de um dos Patriarcas de Lisboa.
Número IPA Antigo: PT031106210670
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Paço eclesiástico  Paço arquiepiscopal  Tipo planta quadrangular com pátio central

Descrição

Edifício de planta rectangular regular, antecedido por um pátio de honra rectangular fechado por muros e gradeamento de ferro; no lado N., o edifício articula-se, ao nível do segundo piso, com um jardim de buxo rectangular desenvolvido transversalmente à edificação. O pátio está pavimentado a calçada, formando grandes rectângulos, definido por muros em três dos seus lados, dois deles (O. e N.) encimados por gradeamentos. No lado S., o virado à via principal e formando o seu principal acesso, ergue-se o muro de alvenaria rebocada e pintada de branco, com, embasamento de cantaria, rematado por balaustrada com pináculos nos acrotérios; é rasgado por portão de aparato de elevado pé-direito inscrito em arco de volta perfeita em cantaria delimitado por pilastras e moldura em silharia fendida, as primeiras rematadas por duas consolas que suportam entablamento superiormente rematado por duas urnas decoradas por festões; no fecho, saliente, o escudo dos Lavradio e Avintes *1. É encerrado por duas folhas e bandeira em ferro forjado, contendo as armas do Patriarca D. Tomás de Almeida e as iniciais "TCP" (Tomás Cardeal Patriarca) e "PDL" (Prelado da Diocese de Lisboa). Está ladeado por duas janelas rectilíneas com molduras recortadas. No lado interno, possui estreito passadiço, assente em 13 consolas, com guarda interna metálica, tendo, no lado direito, pequena torre de acesso, com porta de verga recta e interior com cinco lanços de escadas. Os restantes lados possuem murete de alvenaria rebocada e pintada de branco, encimado por grades, o do lado N., interrompido por portão rectilíneo flanqueado por pilastras toscanas. No lado E. do pátio, o edifício, evoluindo em dois pisos, de volume único e cobertura homogénea em telhado de quatro águas, pontuado por várias chaminés. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, com os dois pisos definidos por friso e com os cunhais formados por duas ordens sobrepostas de pilastras toscanas, com remates em friso e cornija. Fachada principal virada a O., com o portal principal levemente elevado, com acesso por dois lanços de escadas convergentes, com guardas de ferro forjado e tendo na base uma fonte. O portal forma arco em cortina, com molduras múltiplas, encimado por óculo elíptico e remate em cornija contracurva. Está ladeado por duas portas rectilíneas nos extremos, encimadas por janelas de verga recta, possuindo, no lado esquerdo, uma terceira janela do mesmo tipo; está encimado por quatro janelas de sacada rectilínea e guarda em ferro forjado, com moldura simples e remate em cornija. As fachadas laterais são semelhantes, marcadas por alto embasamento, encimado por nove janelas de peitoril rectilíneas, com molduras simples e bandeiras cegas, encimadas por nove janelas de sacada, de planta semicircular, com guardas em ferro forjado e com molduras simples e remates em friso e cornija. A fachada posterior abre para o jardim por cinco porta-janelas rectilíneas e de molduras simples, com remates em friso e cornija. INTERIOR tem, no piso inferior, um estreito corredor, que liga às instalações sanitárias, tendo acesso directo a partir do pátio, pela porta do lado direito, e que acede ao intermédio por escadas, dando a porta do lado esquerdo acesso a escadaria de ligação ao segundo piso. Este é composto por escadas e um estreito vestíbulo central que se prolonga num pequeno corredor de acesso às várias dependências e, através de porta de verga recta, a duas pequenas dependências no lado direito e, por vão rectilíneo no lado esquerdo acede-se à escadaria de ligação ao piso nobre, de dois lanços divergentes e um convergente, em cantaria de calcário, com elementos arquitectónicos em cantaria e guarda balaustrada, com as paredes rebocadas e pintadas de branco, com silhares de azulejo monocromo. No patamar intermédio, porta de verga recta e moldura recortada e ornada por volutas, de acesso às antigas tribunas da capela. Fronteira à escadaria, uma porta em arco de volta perfeita e decoração volutada sustentando cornija, acede a amplo salão, a que sucede uma pequena sala, ambas com chaminé e ligadas a um estreito corredor, que acede, através de pequeno espaço ovalado, um primitivo oratório, a três dependências, a do lado esquerdo abrindo para uma quarta, as actuais cozinha e copa de apoio aos banquetas. As do lado direito e frontais abrem directamente para o jardim, sendo, actualmente, a sala de jantar e pequena saleta. Encontram-se rebocadas e pintadas de branco, com tectos de gamela, pintados de branco e bege, com pequenos elementos decorativos entalhados e dourados. As salas ostentam profusa decoração azulejar, de composição ornamental ou figurativa. O JARDIM possui oito canteiros de buxo rectilíneos, que centram um pequeno chafariz ornamental circular. A parede que fecha o jardim, bastante alta e coberta de bungavílias, possui um alto espaldar revestido a azulejo policromo, flanqueado por pilastras toscanas e remate em empena contracurva, de inspiração borromínica, que enquadra um banco de cantaria. Está pontuado por candeeiros em ferro.

Acessos

Rua do Açúcar (antiga Rua Direita do Poço do Bispo), n.º 54. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,739712, long.: -9,103167

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 455/2012, DR, 2.ª série, n.º 181 de 18 setembro 2012

Enquadramento

Urbano, implantado em orla ribeirinha, situado na antiga Rua Direita do Poço do Bispo, com frente urbana desenvolvida ao longo de eixo viário, a definir gaveto a S. e adossado a N.. Na proximidade do Convento de Santa Maria de Marvila (v. PT031106210064). Fronteiros, vários armazéns incaracterísticos.

Descrição Complementar

No muro da escadaria exterior, um chafariz adossado, composto por tanque lobulado, de bordo saliente e boleado, para onde verte uma bica em forma de carranca, colocada no muro. Praticamente todas as dependências do palácio ostentam decoração de azulejos, formando silhares, em monocromia, azul sobre fundo branco. O corredor de acesso aos sanitários (Sala 1) apresenta azulejos de composição ornamental seriada, com albarradas ligadas por festões de flores, com 8 de altura, encimado por barra de enrolamentos vegetalistas e rodapé com friso de azulejos com motivo de florão central. Na sala imediata (Sala 2), composição ornamental seriada, com açafates de flores, separados por albarradas, com 9 de altura. A barra ostenta enrolamentos vegetalistas com pequenas carrancas nos cantos e o rodapé um friso de azulejos com motivo de florão central. A sala seguinte ostenta açafates de flores, envolvidos por vasta vegetação. O corredor (Sala 3) apresenta azulejos de figura avulsa, compostos por flores, figuras masculinas, castelos, cestos de frutos, pássaros, coelhos, barcos, etc., ostentando o motivo de estrelinhas ou pintas nos cantos. Na entrada do palácio, painéis de azulejo de composição figurativa, representando cenas de caçadas, com moldura recortada superiormente por cabeça feminina e urnas nos ângulos, surgindo, nos mais extensos, caçadas ao urso e ao veado. Junto a estes e a ladear a porta, frades mendicantes, representando São Domingos e São Francisco, com molduras semelhantes aos anteriores, tendo fronteiros dois painéis semelhantes, mas de execução recente. Junto às portas de acesso à escadaria, no primeiro piso, surgem azulejos com pequenas cariátides e rematados por urnas. A escadaria encontra-se decorada com silhares de azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, com apontamentos policromos, com 15 azulejos de altura, ornados por enrolamentos de acantos nas paredes internas e com balaustradas fingidas, que enquadram cenas galantes, figuras humanas e animais, em monocromia azul sobre fundo branco, excepto os balaústres do segundo lanço, em monocromia, imitando as várias tonalidades do calcário. No patamar superior, os balaústres copiam os das escadas, com perfis alternados, surgindo, no acesso ao Salão, as figuras alegóricas dos Quatro Elementos (Fogo, Terra, Ar e Água). No primeiro patamar, composições ornamentais, com vasos centrais, envolvidos por elementos decorativos, como acantos, aves, elementos geométricos e concheados, envolvidos por moldura de acantos e óvulos. No piso nobre, o Salão possui azulejos de composição decorativa, representando vasos floridos centrais, de onde evoluem volutas, com molduras de festões. A sala imediata ao Salão, surgem painéis com decoração exuberante, composta por rochedos, estátuas, repuxos, que enquadram cenas galantes, flanqueados por quarteirões decorados por conchas e cabeças femininas, coroados por decoração volutada e cabeças femininas, unidas por festões, tendo, na base, cartelas ornadas por palmetas e concheados. O corredor ostenta azulejos de composição decorativa, semelhantes aos existentes no Salão, que se repetem, embora mais exuberantes, numa das salas que abre para o jardim, ostentando três eixos compositivos, o central com medalhão e figura de perfil, ladeado por urnas floridas sobre figuras femininas, tudo envolvido por ferronerie, acantos e palmetas. A ampla sala que abre para o jardim possui azulejo com composição figurativa, representando caçadas, tendo orla semelhante aos anteriores, mas com os festões de flores substituídos por lambrequins; numa das paredes, os painéis interrompem-se pelo fogão de sala e por painéis de preenchimento, com elementos meramente decorativos. Na actual cozinha e sala anexa, os azulejos, com 12 de altura, estão protegidos por placas de inox, aparecendo amplo painel com cenas de género, com o ermitério no lado direito e duas figuras de monges, surgindo, ainda, pequenos painéis com cena pastoril, um caminhante e um nobre, envolvidos por quarteirões de volutas e acantos, com a base formada por encanastrados e cabeças femininas, rematando por querubins e enrolamentos, tendo, na base, cartelas concheadas. Na parede do edifício que abre para o jardim, painéis com 11 de alto, de pintura monocroma, azul sobre fundo branco, com pequena moldura composta por concheados e folhagem, que envolvem cenas de caçadas, ao javali, ao leão e ao veado. O azulejo do jardim, policromo, com amplo painel rectilíneo, que envolve cartela contracurva e concheada que centra as armas de D. Fernando de Sousa e Silva, 2.º Cardeal Patriarca de Lisboa.

Utilização Inicial

Residencial: paço eclesiástico

Utilização Actual

Política e administrativa: política e administração regional e local / Política e administrativa: departamento municipal

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: António Ribeiro Martins (1942); Carlos Mardel (atr., séc. 18); Fiel Viterbo (séc. 20); Giacomo Antonio Canevari (atr., séc. 18); Henrique Taveira Soares (1942); Rodrigo Franco (atr., séc. 18).

Cronologia

1149, 8 Dezembro - D Afonso Henriques doou ao bispo de Lisboa as terras de Marvila, onde se encontravam as mesquitas dos mouros; 1150 - o bispo D. Gilberto () dividiu estas terras em 31 porções, doando-as ao Cabido; 1495 - aforamento da Quinta a D. Catarina de Albuquerque por 3$000; pela morte daquela, passou à sua sobrinha D. Helena da Costa, livre de encargos enquanto o arcebispo de Lisboa fosse o seu tio, D. Martinho da Costa; 1541 - encontrava-se ocupada por João da Costa, morgado de Pancas e de Atalaia; séc. 16, final - aforada por D. Jerónima e Helena de Noronha, filhas do anterior, pela quantia de 4$000; D. Helena de Noronha casou, em terceiras núpcias, com D. Manuel de Vasconcelos, que desaforou várias parcelas da quinta e anexou outras, tendo aumentado o seu perímetro; 1619, 26 Novembro - D. Helena de Noronha deixou a Quinta por testamento, ao filho do seu terceiro marido, Francisco de Vasconcelos; 1624 - a Quinta de Marvila surge designada na documentação como Quinta do Arcebispo; 1675 - 1702 - construção de uma casa, por iniciativa de D. Luís de Sousa; séc. 18, 1.ª metade - reconstrução da casa, com uma sumptuosa capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição; remodelação total do interior, colocação dos painéis de azulejo, realização de pinturas de composição ornamental e decorativa, conforme projecto atribuível a Giacomo Antonio Canevari (Roma, 1681 - Nápoles, 1750); é possível a participação dos arquitectos Carlos Mardel e Rodrigo Franco; construção de um cais privativo delimitado por dois obeliscos; 1744 - D. Tomás de Almeida *2 dá um banquete na quinta de Marvila em honra do Cardeal Odi, núncio apostólico; 1755, Junho - o novo embaixador de França, marquês de Baschi e de Pignan fica instalado no Palácio durante três dias como hóspede do D. José; 1755, 01 Novembro - o terramoto não afectou significativamente o palácio; 03 Novembro - recolhem-se ao edifício as freiras do Mosteiro de Santa Mónica; 1776 / 1786 - D. Fernando de Sousa e Silva, Cardeal Patriarca, manda fazer um painel de azulejos com as suas armas, para servir de espaldar a um banco do jardim superior; 1834 - o Palácio e a quinta são incorporados na Fazenda Pública, continuando no entanto a servir de residência patriarcal; 1845, 07 Maio - falecimento do bispo D. Frei Francisco de São Luís no local, sendo as suas vísceras enterradas na capela; 1864 - os bispos abandonam o imóvel, levando 13 retratos de arcebispos, que existiam nos salões do palácio; é vendido ao Marquês de Salamanca, D. José Saldanha, pelo Cardeal D. Manuel Bento Rodrigues, por 10:000$000, cujo produto serviu para financiar a compra do palácio dos Condes de Barbacena, no Campo de Santa Clara, onde os patriarcas se instalaram; 1874 - o Marquês de Salamanca vende o Palácio da Mitra por cerca de 54.000$00 a Horatio Justus Perry; séc. 19, último terço - remodelações interiores realizadas pelo Marquês de Salamanca ou por J. Perry, com a colocação dos fogões de mármore nas salas do andar nobre, transformação de um oratório elíptico, interno, numa sala com abertura de portas laterais; 1891 - morte de Justus Perry; 1908 - o interior é fotografado por José Artur Leitão Bárcia, permitindo-nos perceber a estrutura interior antes das remodelações do séc. 20; 1911 - a viúva, Carolina Coronado, passa a residir no Palácio da Mitra, conservando na capela o corpo embalsamado do marido; 1902 - a propriedade, já então hipotecada, é comprada por António Centeno, ficando estabelecido na cláusula da escritura de venda que Carolina Coronado continue a viver no Palácio; António Centeno vende o imóvel a Francisco de Moura e Sá e a Manuel Fuentes Peres; 1909-1913 - Manuel Fuertes Peres deixa de ser sócio de Francisco de Moura e funda com Ernesto Henriques Seixas a Fábrica Seixas, propriedade de Fuertes & Comandita, para metalurgia, fundição, caixotaria, tanoaria e várias indústrias; são construídos pavilhões e armazéns no prolongamento do pátio, no local das antigas cocheiras, demolidas nessa altura; 1911 - morte de Carolina Coronado *3; 1924 - 1925 - para alargamento da messe de oficiais em Lisboa, fora comprado o prédio contíguo ao Palácio da Mitra, devendo logo que fosse desocupado iniciar-se o estudo da sua adaptado; 1925, 05 fevereiro - inauguração da messe no antigo Palácio da Mitra, em Santa Clara, explorada pela Manutenção Militar, que teve como primeiro chefe o capitão Freitas e como adjunto o tenente Margarido; dispunha de 22 quartos, dos quais apenas 6 são de casal, uma sala de jantar, espaçosa casa de banho e uma sala de jogos; a diária esta estabelecida em 20 a 26 escudos, mas os hóspedes beneficiam de um desconto de 20%.; 1925 - a fábrica Seixas é encerrada; 1930, 15 Abril - a Câmara Municipal compra o palácio e anexos, por 4.000 contos, à Sociedade Fuertes & Comandita, para aí instalar um matadouro, projecto nunca concretizado; instalação no local da Estação de Limpeza Oriental; 1933, 04 Maio - inauguração do Asilo da Mitra, instalado nos barracões da extinta Fábrica Seixas; 1934 - reconstrução do piso inferior para instalação da Biblioteca Municipal do Poço do Bispo, conforme projecto do arquitecto Fiel Viterbo, com a criação de um vestíbulo, 3 salas de leitura, uma sala de reservados, 3 depósitos, vestiário, instalações sanitárias e uma casa para o guarda, voltada a N., com uma cozinha, dois quartos e instalações sanitárias; desaparecimento da antiga cozinha e demolição da capela *4, cujo recheio foi devolvido ao Patriarcado, excepto os painéis de azulejo, alguns transportados para o Palácio Galveias e hoje no Museu da Cidade; execução de dois painéis de azulejo para o vestíbulo; 1 Março - a obra é adjudicada por 89$500 e acompanhada pelo arquitecto Fil Vitervo; 17 Outubro - inauguração da Biblioteca; séc. 20, década de 40 - construção de um torreão no muro do pátio; 1941 - a Câmara Municipal instala o Museu da Cidade no palácio, transferido do Palácio Galveias; 1942 - remodelação do pátio de acesso, após a demolição de um edifício em ruínas que se achava anexo, conforme projecto dos arquitectos António Ribeiro Martins e Henrique Taveira Soares; parecer técnico sobre a vedação do pátio assinado pelo arquitecto Pardal Monteiro, sugerindo a entrada pela face poente; 24 Abril - inauguração do Museu da Cidade no local; 1973 - o Museu da Cidade deixa de ocupar o edifício, transferindo-se para o Palácio Pimenta; o andar inferior é cedido ao grupo Amigos de Lisboa para instalação da sua sede e biblioteca e o andar nobre fica destinado aos serviços de protocolo da Câmara Municipal; 2003 - os Amigos de Lisboa abandonam o edifício; 2006, 3 Agosto - por despacho do Vice-Presidente do IPPAR, foi determinada a abertura do processo de classificação do imóvel, estando em "vias de classificação" desde 6 de Setembro; 2008 - cedência de parte do primeiro piso do imóvel à ANAFRE; 2011, 02 Dezembro - publicação do projecto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público e fixação da respectiva Zona Especial do Protecção do imóvel, em Anúncio 17891/2011, DR, 2.ª série, n.º 231.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista, rebocada e pintada; soco, escadarias, balaustradas, pavimentos, modinaturas, sacadas, cornijas, frisos em cantaria de calcário; grades e guardas em ferro forjado; coberturas, portas, caixilharias e pavimentos de madeira; janelas com vidros simples; silhares de azulejo tradicional; coberturas exteriores em telha.

Bibliografia

BARBOSA, Fernando António da Costa de, Elogio Historico, Vida e Morte do Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal D. Thomás de Almeida, 1° Patriarca da Santa Igreja de Lisboa, Capelão-mor de S. Magestade Fidelissima e seu Conselheiro de Estado (.), Lisboa, Officina de Miguel Rodrigues, 1774; CASTRO, Padre João Baptista de, Mapa de Portugal Antigo e Moderno, tomo 3°, parte V, 2.ª ed., Lisboa, 1763. BARBOSA, Vilhena, Fragmentos de um roteiro de Lisboa, Arrabaldes de Lisboa, in Archivo Pittoresco, vol. VII, Lisboa, 1864; VITERBO, Sousa, A Jardinagem em Portugal, 2.ª série, Coimbra, 1909; CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga, Bairros Orientais, 2.ª ed., vol. VIII, Lisboa, 1937; SOUSA, J.M. Cordeiro de, Palácio da Mitra, in A Família, n.º 14 (artigo incorporado na Colectânea Olissiponense), vol. II, Lisboa, 1958; DELGADO, Ralph, O lugar de Marvila e a Quinta da Mitra, Olisipo, Boletim do Grupo Amigos de Lisboa, n.º 103, Lisboa, Junho 1963; MECO, José, O Palácio da Mitra em Lisboa e os seus azulejos, in Revista Municipal, n.º 12 a 14, Lisboa, 1985; ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro XV, Lisboa, 2.ª ed. 1993; MATOS, José Sarmento de, PAULO, Jorge Ferreira, Caminho do Oriente. Guia Histórico, Lisboa, 1999; PINTO, Brigadeiro Armando - História da Manutenção Militar de Lisboa. Lisboa: Gráficas da SPEME, 1967, vol. 2;SOTTOMAYOR, Appio, O Poço da Cidade. Visitando Amigos de Lisboa, in A Capital, n.º 9.762, 22 Março 1999; PARDAL, Maria João Martins, Palácio da Mitra, Lisboa, Setecaminhos, 2004.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CML: Departamento de Administração do Património Imobiliário, Proc n.º 41.556

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA; CML: Arquivo Fotográfico, Fotografias A 5871, P 5979, A 21.613

Documentação Administrativa

CML: Departamento de Administração do Património Imobiliário, Proc. n.º 41.556, Notariado da C.M.L., Livro de Notas 238A e 11 A, Arquivo de Obras, Proc. n.º 41.556

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1934 - adaptação de uma ala do palácio a casa do guarda, com remoção do azulejo, colocados nas salas da biblioteca; entaipamento da lareira e de vários vãos; abertura de vão de acesso directo à biblioteca; substituição dos pavimentos em ladrilho por novos pavimentos de madeira; colocação de um muro e gradeamento a N.; feitura de um novo gradeamento para o lado O. do pátio; 1961 - obras de conservação e beneficiação geral, por 84.320$00; 1970 - obras de conservação e beneficiação geral; séc. 20, década de 90 - obras de remodelação das salas do piso superior e construção de instalações sanitárias no superior; 2003 - remodelação do piso inferior, com criação de uma sala de reuniões e gabinetes particulares.

Observações

*1 - este portão articulava-se, primitivamente, com um cais de desembarque. *2 - no interior do Palácio, D. Tomás de Almeida expôs em duas salas os retratos de anteriores arcebispos de Lisboa, pinturas que mandou retocar por Vieira Lusitano; no 3° quartel do séc. 19 estes retratos foram para o Paço de São Vicente acabando por se dispersar em antiquários; alguns foram adquiridos pelo Conde de Monte Real que os doou ao Patriarcado, encontrando-se no Paço Patriarcal do Campo dos Mártires. *3 - na data da morte de Carolina Coronado, José Barcia tirou várias fotografias do exterior e interior do palácio, retratando jardins e lago, salas mobiladas, capela, oratório portátil em talha dourada barroca, fotografias que pertencem ao Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa. *4 - a Capela estava adossada ao lado N. do palácio, com acesso exterior, de planta elíptica, com cobertura em falsa cúpula, assente em amplo friso e cornija e decorada por elementos pétreos e estuques relevados, tendo pavimento em lajeado de calcário; fachadas revestidas a azulejo, encimadas por painéis pintados, surgindo, sobre a porta da sacristia, em arco abatido, uma tribuna rectilínea, com guarda metálica dourada; sobre supedâneo de três degraus, altar em forma de urna, com estrura retabular de talha policroma, de planta recta flanqueada por duas colunas coríntias e duas meias-pilastras da mesma ordem arquitectónica, que sustentam frontão semicircular encimado por dois anjos de vulto; ao centro, painel pintado; sobre a banqueta, pequena maquineta de talha, contendo a imagem do orago.

Autor e Data

Teresa Vale, Maria Ferreira e Paula Correia 2002 / Paula Figueiredo 2010

Actualização

Paula Figueiredo 2011
 
 
 
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