Cine-Teatro São João

IPA.00010590
Portugal, Setúbal, Palmela, Palmela
 
Arquitectura cultural e recreativa, do século 20, combinando elementos da arquitectura modernista com um programa decorativo de raiz historicista e regionalista estilizado. Planta rectangular, proporcionalmente equilibrada, volumetria simples, que assume uma concepção racionalista baseada na ortogonalidade: cobertura mista, linhas rectas, volume regular, verticalidade assumida tanto nas fenestrações como na torre de gaveto, contraste com a horizontalidade ténue dos lintéis que encimam os vãos e definem os pisos no exterior. Dentro dos edifícios construídos para cine-teatro, insere-se no grupo de auditórios de planta rectangular, de cena contraposta, com auditório comportando plateia, um balcão e camarotes laterais para as autoridades e de lotação entre 500 a 1000 lugares. Dispõe de palco com pendente, sub-palco e camarins, estes localizados atrás do palco. Cabina de projecção em espaço independente, ladeada por cabina dos bombeiros e cabina de enrolamento. Volumetria compacta, sóbria, equilibrada pela torre que enfatiza e confere um maior significado ao gaveto. No interior, os espaços de circulação são particulares nas suas dimensões amplas. A sala de espectáculos também se reveste de características muito especiais, que vão desde a decoração simples mas requintada à volumetria equilibrada e algo ousada para a altura. O sistema de projecção, um conjunto de máquinas da Zeiss Ikon, era um dos mais modernos em Portugal na década de 50 e ainda hoje opera nas actividades exercidas neste espaço. O papel social, cultural e simbólico que este cine-teatro representa para a dinâmica da vila é muito forte. Destaque para a vista única sobre a Serra da Arrábida, e sobre o Rio Tejo e sua envolvente.
Número IPA Antigo: PT031508020015
 
Registo visualizado 522 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Cultural e recreativo  Casa de espetáculos  Cine-teatro  

Descrição

Planta de configuração trapezoidal, acentuada pelo traçado ligeiramente oblíquo dos lados SO. e NE., de desenvolvimento longitudinal (de SO. e NE.), evoluindo em dois pisos, à excepção da torre, com mais um pavimento, a quebrar a horizontalidade volumétrica do edifício. A cobertura é mista, conjugando telhado de quatro águas (cobertura do auditório e da caixa de palco), de uma água (cobertura da cabina de projecção) e terraço protegido por platibanda alta de alvenaria, rematada por rendilhados em massa e concluída por parapeito de perfil pronunciado. Esta platibanda acompanha as quatro fachadas do edifício, inclusivamente as da torre. O acesso principal localiza-se no ângulo O., aproveitando o gaveto e sendo destacado pelo volume da torre, recuado em relação às fachadas: duas portas rasgadas sobre paramentos revestidos a cantaria, com caixilharia em ferro de desenho elaborado, e protegidas pelo balcão do piso superior, de recorte boleado, permitem a entrada para um átrio de transição entre o exterior e o interior do edifício, encontrando-se aqui a bilheteira. A localização da entrada no gaveto e as características idênticas das fachadas NO. e SO. criam uma ampla frontaria, recorrendo-se a elementos de composição e à aplicação de materiais mais elaborados, sendo mais depojadas as fachadas NE. e SE. O simetrismo e a regularidade da composição geral ressalta de alguns elementos comuns, como: panos únicos, rebocados e pintados, todos eles rasgados no piso superior por vãos rectangulares emoldurados a cantaria e encimados por moldura saliente (7 + 7 + 4 + 4), de acentuada verticalidade, e que abrem para balcão único com guarda em gradeamento de ferro (à excepção da fachada NE., desprovida de balcão); remate superior marcado por rendilhados em massa da platibanda; demarcação do piso térro do superior, por friso contínuo saliente (fachadas secundárias) ou por colunata (fachadas principais). Na frontaria, destaca-se a parte inferior das fachadas, interrompida por colunata austera forrada com cantarias, zona vazada no piso térreo que é delimitada por portões de pequenas dimensões em ferro forjado e que, seguindo os degraus da Rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral, dá acesso ao átrio principal. A fachada tardoz, na continuidade das restantes, apresenta para além de um vão de sacada idêntico aos dos outros alçados, vãos mais contidos nas dimensões e nos contornos em pedra, ausentes sob o lintel, sob a forma de pequenos apontamentos rítmicos. O vão que daria acesso ao átrio da Avenida Doutor Juiz Godinho de Matos, previsto no projecto final do cine-teatro, é cego. Pormenores decorativos requintados, que vão desde as falsas colunatas nervuradas nas paredes do edifício, aos portais em ferro, aos gradeamentos das sacadas e arcadas. INTERIOR - A distribuição dos espaços funcionais encontra-se organizada do seguinte modo: os espaços do auditório (sala), cénico (palco) e técnico (caixa de palco) concentram-se numa planta rectangular, à volta da qual se dispõem os demais espaços para o público, quer de estar (foyers e bar), quer de apoio (instalações sanitárias, bilheteira e bengaleiro). Os espaços de apoio à cena (camarins e gabinetes) localizam-se atrás do palco. O átrio principal comunica com os corredores laterais que acompanham a sala de espectáculos em toda a sua extensão. O corredor do lado direito alarga-se para um grande "foyer", onde se localiza o bar de dimensões relevantes no contexto volumétrico e comunica no seu extremo com um segundo átrio. Instalações sanitárias, contíguas ao bar, espaçosas, bem iluminadas e ventiladas. Aqui uma porta de ferro dá para os camarins. O corredor esquerdo, subdividido por um vão de porta, é visualmente alargado por duas sacadas e uma galeria aberta, garantindo uma boa ventilação para a sala. Este corredor também apresenta no seu extremo uma porta de ferro, saída dos camarins. Na torre do edifício existe uma escada em caracol destinada ao uso privativo do bombeiro que detém o controlo do reservatório de água, que se encontra 6,00m acima da boca de incêndio do balcão. Ao nível deste, esta torre delimita uma sala, sob o depósito de água. No cimo, uma plataforma com vista panorâmica remata esta torre. A escada principal, que dá acesso ao balcão, recebe no seu vão o bengaleiro e apresenta um "promenoir" alargado por uma sacada no lado da Rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral e outro nos lados do Largo S. João e do logradouro. Dois vãos comunicam entre o "promenoir" e os lugares do balcão. Extensas zonas de estar e de circulação adaptáveis a espaço de exposições e a acções de formação em diversas áreas artísticas. Pormenores decorativos estendem-se desde as falsas colunatas nervuradas nas paredes, aos gradeamentos da ribalta e do balcão, aos apliques e lustres ornamentados no tecto com trabalhos minuciosos em estuque (presentes em todo o edifício), com destaque especial para o enorme lustre da sala de espectáculos executado habilmente à mão em ferro forjado. Espaço do AUDITÓRIO: espaço independente, ligado ao palco pela boca de cena, de planta rectangular, e contando com uma lotação de 634 lugares distribuídos por plateia (464) e balcão (170). Plateia com pendente (cerca de 3%), de coxias longitudinais, central e laterais, e transversais, de boca e central, equipada de cadeiras fixas, em madeira, cor castanho escuro. Pavimento de madeira, apresentando na zona das coxias passadeiras de alcatifa verde (tom médio). Paredes estucadas e pintadas de cor beje, acima do lambril de madeira. Balcão com cadeiras semelhantes à da plateia, pavimento igualmente em madeira, e contando com dois camarotes abertos laterais (inicialmente reservados aos representantes das autoridades). Guardas dos balcões em alvenaria e madeira, com apliques em ferro forjado à mão. A sala dispõe de climatização (aquecimento) e tem no total 7 entradas (1 no átrio e 3 em cada corredor lateral). Tecto de estuque branco, com iluminação incandescente não regulável. Amplos "promenoirs" em volta da plateia e do balcão, sendo o do piso térreo que estabelece uma ligação entre os dois átrios contíguos. A sala de espectáculos apresenta um revestimento em cortiça sob a forma de lambris, em todo o perímetro, atingindo toda a altura na parede que delimita este espaço ao fundo (na entrada do público). Espaços cénicos - o PALCO, ligado à sala pela boca de cena, com uma largura máxima de cerca de 18m e uma profundidade máxima de 5 m, pendente de 2%, paredes beges, soalho de madeira, cor preto, disposto paralelamente à boca de cena e acesso de carga através da entrada lateral na sala de espectáculos. Boca de cena rectangular, de alvenaria, com trabalho em estuque, com 14, 83 m de largura x 8, 42 m de altura. Espaços técnicos - a CAIXA de PALCO tem teia com piso em madeira assente em barrotes e estrutura metálica. Dispõe de sub-palco. A cabina de projecção localiza-se no piso superior, ao fundo da sala. Integra: o gabinete de projecção (ao centro) e quadro geral (sob a cabina de projecção), ladeados à esquerda pela cabina de enrolamento, pela cabina de comando dos bombeiros e pelo respectivo posto de observação, que possui uma escada até ao nível da cabina central. Cabina das máquinas encontra-se a uma altura de 2 m acima do pavimento do "promenoir" devido ao desnível das filas do balcão. Cabina de projecção servida por uma chaminé e por um único vão fechado por porta de ferro, abrindo para fora. Cabina de enrolamento nas mesmas condições, excepto a chaminé e sem qualquer vigia para a sala. O acesso à cabina de projecção é feito por uma escada que parte de uma ante-câmara, na qual se encontra uma porta para a cabina de enrolamento, totalmente separada da cabina das máquinas. Todas as portas das cabinas e respectivas guarnições são de ferro. Espaços de apoio à cena: CAMARINS - O corpo dos camarins integra no total 8 camarins com ventilação e luz directas e 4 camarins de recurso com ventilação e luz de clarabóia. Sala de produção localizada no primeiro piso.

Acessos

Rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral, nº 1

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 740-BR/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 de 24 dezembro 2012

Enquadramento

Urbano, isolado no remate do quarteirão em que se insere, confinante com três vias públicas e virado a um logradouro cercado por um muro a SO. Localiza-se no limite Norte do centro histórico da vila, com uma frente urbana para a Avenida Doutor Juiz Godinho de Matos (via recente), outra para a Rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral, eixo forte no contexto urbano da vila, e uma terceira para a o Largo São João Baptista. Este espaço - para onde se volta a frontaria do cine-teatro - é marcado pela presença da Igreja de S. João Baptista (v. PT031508020005), um coreto (v. PT031508020020), uma Fonte Luminosa, a Casa - Mãe da Rota dos Vinhos, a antiga Escola Primária Nº 1, actual Biblioteca Municipal de Palmela (v. PT031508020019), e ainda o edifício da Escola C+S.

Descrição Complementar

MECÂNICA DE CENA: sistema de suspensão - 3 três varas manuais simples de madeira e 2 varas motorizadas simples de alumínio, com sistema de comando de botoneiras. ILUMINAÇÃO CÉNICA: equipamento de apoio à iluminação - 3 calhas electrificadas para varas. AUDIOVISUAIS - cinema: sistema de projecção para 35 mm e ecrã de cinema fixado numa estrutura metálica montada no palco. EQUIPAMENTO CÉNICO - cortina de boca de abrir para os lados, em veludo amarelo, com mecanismo de abertura motorizado; cena preta em flanela composta por 3 pernas, 3 bambolinas e 1 fundo; 3 praticáveis; escadas de trabalho - 3 escadotes pequenos, 2 escadotes grandes e 1 escada tipo "tallescope"; mobiliário e instrumentos para orquestra - 60 cadeiras de cor preta; linóleo preto para dança.

Utilização Inicial

Cultural e recreativa: cine-teatro

Utilização Actual

Cultural e recreativa: cine-teatro

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Willy Braun (1948). ENGENHEIRO: Cavalleri Martinho (1948). CONSTRUTOR: António Ventura (1949-1951). ESTUQUES: Manuel Marques Dias; DECORADOR: Malheiro Dias.

Cronologia

1948 - data do primeiro projecto de construção, da autoria do Arquitecto Rodrigues Lima, que não foi aceite pelo promotor, Humberto da Silva Cardoso, dado o seu carácter dispendioso e por não contemplar uma esplanada ao ar livre; a área total deste espaço de lazer seria de 1315m2, dos quais 66 m2 seriam cobertos e os restantes 1250 m2 ao ar livre; 1949, 15 Março - apresentação de novo projecto pelo Consultório Artístico Lda, para a construção da Cine-Esplanada Palmelense, pertencendo o risco do projecto ao arquitecto Willy Braun, de nacionalidade alemã, apoiado pelo engenheiro Pedro Cavalleri Rodrigues Martinho: este projecto, sóbrio e harmonioso, contemplava uma esplanada para 1178 lugares e nele se propunha a construção de uma sala de cinema com "(...) capacidade para 1006 lugares e as confrontações a Poente com 23m, a Norte 20m e a Nascente 9m. (...)" in "Memória Descritiva e Justificativa do projecto do Cine-Teatro Palmelense a construir na Vila de Palmela no Distrito de Setúbal, 1948"; 1952, 19 Julho - data prevista para a inauguração do Cine-Teatro, com o filme "A Garça e a Serpente" com Rogério Paulo e Cármen Dolores; 26 Julho - inauguração oficial com o filme "As Aventuras de D. Juan" com Errol Flynn; na altura da sua inauguração, o conjunto de máquinas de projectar da Zeiss Ikon, instalado neste Cine-Teatro, era um dos mais modernos em Portugal (equipamento que actualmente ainda se encontra em funcionamento); 1961 - instalação do aquecimento central, com fornalha no exterior do edifício; 1963, 5 Janeiro - parecer da Inspecção dos Espectáculos que fixa a lotação do Cine-Teatro em 893 lugares, distribuídos pelo balcão com 189, pela 1ª plateia com 274 e pela 2ª plateia com 330 lugares; 1965, 5 Maio - Declaração da nova lotação do Cine-Teatro, igual a 908 lugares totais: 202 no balcão, 376 na plateia e 330 na 2ª plateia; 1981 - encerramento ao público; 1989 - aquisição do Cine-Teatro pela Câmara Municipal de Palmela; 1991, Outubro - reabertura ao público com programação regular de teatro, cinema, música, dança, exposições, encontros e seminários, a nível nacional e internacional, devolvendo o papel de centro cultural a este edifício; 1993 - com o sentido de aumentar as capacidades cénicas da sala, o palco recebe obras, datando deste ano a sua ampliação: uma solução próxima de um "avant-scéne" é então encontrada, implicando a anulação do espaço do primitivo fosso de orquestra; 1996 - o outro sector do edifício a receber reajustamentos susceptíveis de sustentarem a organização de eventos culturais foi nos camarins; 1996 - um protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal de Palmela e a Associação Passos e Compassos possibilita a residência da Companhia Dançarte no Cine-Teatro S. João, registando-se a partir desta situação um aumento de programação e consequentemente do público-alvo. 2003 - actualmente é palco de eventos variados, desde cinema, teatro, dança, música, ópera, canto, sapateado, revista, variedades e animações associadas a efemérides, além de promover a organização de exposições, encontros, conferências, congressos e seminários; 2005, 24 maio - deliberação da Assembleia Municipal de Palmela para a classificação do imóvel como de Interesse Municipal; 2008, 18 julho - proposta de abertura de processo para uma classificação de âmbito nacional da DRCLVTejo; 04 setembro - despacho de abertura do processo de classificação da Subdiretora do IGESPAR; 14 novembro - Edital da Câmara Municipal de Palmela determinando a classificação do imóvel como Interesse Municipal; 2011, 19 outubro - proposta da DRCLVTejo para a classificação como Monumento de Interesse Público e fixação de Zona Especial de Proteção; 23 novembro - parecer favorável da SPAA do Conselho Nacional de Cultura relativo à classificação e fixação de Zona Especial de Proteção; 2012, 14 fevereiro - Anúncio n.º 3176/2012, DR, 2.ª série, n.º 32, do projeto de decisão relativo à classificação do imóvel e fixação de Zona Especial de Proteção como Monumento de Interesse Público.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes

Materiais

Alvenaria, blocos de cimento, cimento armado, fibrocimento, ferro, madeira, mosaicos cerâmicos, azulejos, betão, estuque pintado e trabalhado, alcatifa, pedra. Sistema construtivo: paredes exteriores em alvenaria, paredes divisórias em blocos de cimento, divisórias de segunda ordem em alvenaria de tijolo furado. Sala de espectáculos construída com estrutura de cimento armado preenchida com panos de alvenaria e cujo telhado é de fibrocimento assente sobre construção metálica. Telhado da torre coberto com tijolo assente sobre madeiramento. Pavimentos em mosaicos. Paredes revestidas em parte com azulejos brancos e verdes e o restante estucado, tal como acontece com os tectos. Cobertura em lajes de betão armado, com telha lusa nas quatro águas e plana impermeabilizada no seu contorno

Bibliografia

Cine-Teatro S. João, Palmela, C.M.P. (Câmara Municipal de Palmela), 1997; Património Histórico Edificado in À Descoberta do Património do Concelho - Museu Municipal de Palmela, Palmela, Maio 2000; Cine-Teatro S. João, Meio Século de Magia, Palmela - C.M.P., 2002; BIBLIOTECA DE PALMELA, www.bib-palmela.rcts.pt/cri/infcom7.htm,11 Julho 2003

Documentação Gráfica

Câmara Municipal de Palmela: Divisão Cultural

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Câmara Municipal de Palmela: Divisão Cultural

Intervenção Realizada

CMP: 1993 - Reparação de duas máquinas de projecção; ampliação e remodelação do palco e consequente redução da lotação da sala de espectáculos. O local para a orquestra tinha anteriormente capacidade para 12 músicos com entrada pelo sub-palco; 1996 - remodelação dos camarins, contemplando a sua divisão com paredes de alvenaria; renovação do sistema de funcionamento da teia; instalação da nova mecânica de cena.

Observações

Autor e Data

Eunice Torres 2004

Actualização

 
 
 
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