Igreja Paroquial de Sambade / Igreja de Nossa Senhora da Assunção / Igreja de Nossa Senhora das Neves

IPA.00001055
Portugal, Bragança, Alfândega da Fé, Sambade
 
Arquitectura religiosa, barroca, rococó e neoclássica. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave com coro-alto, capela-mor mais estreita e baixa, torre sineira e sacristia no lado esquerdo e anexo no direito. Fachada principal em empena de lanços, com portal em arco abatido com colunas e frontão interrompido, encimado por janela. Fachadas laterais com portas travessas confrontantes e várias fenestrações, com modinaturas ricamente decoradas com cantaria de granito. Coberturas interiores com falsas abóbadas de berço de madeira e retábulos laterais e colaterais de talha policromada rococó e retábulo-mor de talha pintada neoclássica. Púlpitos confrontantes, baptistério na base da torre sineira e confessionários embutidos nas paredes.
Número IPA Antigo: PT010401110001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por cinco corpos de diferentes alturas e de volumes articulados, numa disposição horizontalista, constituindo a nave, capela-mor mais estreita e baixa, torre sineira e sacristia no lado esquerdo, e um anexo, designado Casa das Almas, no lado direito. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, com cunhais apilastrados, rematados por pináculos, e remates em friso e cornija. Coberturas diferenciadas, em telha de abva e canudo, de duas águas no corpo da igreja e na cabeceira, de três águas no anexo e quatro na sacristia. Fachada principal virada a O., com portal em arco abatido, moldurado e ladeado por duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios e remate em frontão semicircular interrompido, com uma vieira no centro do tímpano e de onde irrompe uma janela gradeada, de contornos curvos, igualmente rematada por cornija saliente. Um friso e cornija, encurvados na zona central, marcam o arranque da empena de lanços, por seu turno, com cornija e cruz latina na zona central. No lado esquerdo, em plano ligeiramente recuado, a torre sineira com 22 m. *1 de três registos, divididos por friso e cornija, o inferior com fenestração rectangular moldurada, gradeada no exterior, um relógio no intermédio e, superiormente, as sineiras, uma em cada face, de arco de volta perfeita. Cobertura em coruchéu bolboso e pináculos em pinha nos ângulos. Fachada N. rasgada, na nave, por porta em arco abatido com moldura recortada, antecedida por degraus, e janela gradeada de perfil semelhante à da fachada principal e outra, em arco abatido, também moldurada e gradeada, com brincos. O corpo da sacristia é rasgado por um porta em arco abatido moldurado com degraus de acesso na face O. e duas janelas com o mesmo perfil, gradeadas e com avental liso, uma a N. e outra a E.. Fachada S. rasgada, na cabeceira, por fenestrações rectangulares molduradas; porta no anexo com moldura recortada e, na nave, porta travessa semelhante à oposta; surge, ainda, janela rectangular moldurada, com brincos. Fachada posterior em empena, tendo, ao centro do pano murário, um nicho concheado, de modinatura profusamente decorada, com avental, o qual alberga a imagem de Nossa Senhora da Assunção, assente numa peanha embebida e com inscrição; remate em frontão de lanços semicircular, interrompido no centro do friso inferior para albergar uma vieira. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com lambril pintado de vermelho e cobertura em falsa abóbada de berço abatido de madeira de castanho com tirantes, assente em friso e com tirantes, e pavimento de madeira com corredor central em lajeado de granito. Coro-alto em madeira, com guarda balaustrada, sustentado por duas colunas toscanas, assentes em altos plintos, e duas mísulas laterais, com acesso por escada em caracol, na base da torre sineira; sob esta, o baptistério, com acesso por arco de volta perfeita, e com pia em pedra, com pé liso e taça gomeada. Pias de água-benta a flanquear o portal axial e os laterais. Os púlpitos são confrontantes, quadrangulares com bacias assentes em volumosas volutas, e com escada de acesso. O do lado da Epítola está adaptado a mísula, onde repousa uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, e o oposto mantém a guarda de madeira torneada. Cinco confessionários, três no Evangelho e dois na Epístola, rasgam-se na caixa murária. Confrontantes, dois retábulos laterais de talha policromada e dedicados a São Miguel e Almas e ao Calvário. Um degrau recortado marca o presbitério, com arco triunfal de volta perfeita e pinturas murais com motivos fitomórficos no intradorso. É ladeado por dois retábulos colaterais semelhantes, de talha policromada, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Dores. Junto a estes, nicho para alfaias, assentes em mísulas concheadas. A capela, a um nível mais elevado, tem paredes rebocadas e lambril pintado de verde, tendo, no lado do Evangelho, duas janelas fingidas, molduradas e gradeadas e porta de acesso à sacristia, em arco abatido, moldura recortada e cornija. Cobertura em falsa abóbada de berço abatido, de madeira, com a figura de Cristo no centro, emoldurada por motivos florais entrelaçados, e as figuras dos quatro Evangelistas, dois de cada lado, assentes em balaustrada, numa representação em "trompe l'oeil". Sobre supedâneo de dois degraus, retábulo em talha pintada de branco, com apontamentos dourados, que preenche totalmente a parede testeira, de planta recta e três eixos, o central com tribuna de volta perfeita, flanqueada por pares de colunas e pilastras, entre as quais duas mísulas; lateralmente, enquadradas por apainelado, mísulas com imaginária e, sob estas, portas de acesso à tribuna. Remate em espaldar curvo central e urnas sobre as colunas. Banco e sotobanco altos, decorados com festões, flanqueiam altar paralelepipédico. A sacristia com pavimento em granito e cobertura de madeira de castanho, em esquife. Os vãos são todos moldurados em pedra e lavabo com espaldar circunscrito por pilastras almofadadas, com nicho concheado e remate em frontão interrompido.

Acessos

Largo da Igreja

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 25 336, DG, 1.ª série, n.º 110 de 15 maio 1935

Enquadramento

Urbano, isolado e destacado, ergue-se num largo junto à artéria principal da povoação, em amplo adro, com pavimento de calçada portuguesa, lajeada e quadriculada, dividida por lajes, ajardinado, com relvado, árvores de médio porte, bancos e, no lado esquerdo, um coreto.

Descrição Complementar

Igreja barroca com portal de estrutura rococó, de estrutura convexa, ladeadas por colunas de fuste liso, e encimado por janela de perfil encurvado, solução que se repete sobre as portas travessas. As restantes fenestrações são do mesmo período, em arco abatido, com molduras recortadas, com cornija, avental e brincos. Na fachada posterior, nicho com a imagem da Virgem, com avental e remate em frontão. Interior com dois púlpitos confrontantes, cinco confessionários embutidos nas paredes da nave e existência de estruturas retabulares laterais e colaterais similares, de produção rococó tardia, embora alguns manifestem intervenções posteriores, nomeadamente na estrutura dos sacrários, nichos e decoração dos frontais. O retábulo-mor é mais tardia neoclássico, ao qual foram acrescentadas mísulas laterais, de forma a preencher toda a parede testeira. O acesso ao coro-alto processa-se por escadas em caracol a partir do baptistério, situado na base da torre sineira. A capela-mor possui janelas fingidas, que criam simetria com as rasgadas no lado da Epístola e possui cobertura de madeira com pintura decorativa, constituindo um "trompe l'oeil" simples de balaustrada, que enquadra a imagem de Cristo em reserva central. O arco triunfal mantém vestígios de pinturas murais decorativas, de carácter geométrico e elementos vegetais estilizados. Retábulos laterais e colaterais são semelhantes, de talha policromada com apontamentos dourados, planta recta e um eixo circunscrito por colunas com fuste liso decorado com concheados e capitéis coríntios, assentes sobre duplos plintos galbados, e orelhas; no centro, nicho de volta perfeita. Remate em frontão interrompido com anjos de vulto e espaldar recortado, rematado por concheados e volutas; altar em forma de urna, com decoração fitomórfica. No do Calvário, percebe-se uma data "1815". Os colaterais ostentam nicho mais pequeno, também de volta perfeita e duas mísulas protegidas por baldaquino. Estes possuem, na base da tribuna, sacrários, o do lado da Epístola em forma de templete e saliente, com custódia rodeada de resplendor na porta.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1706 - segundo Carvalho da Costa, era uma abadia, com 900$000 réis, pertencente ao Padroado Real; a povoação tinha 200 vizinhos; 1757 - a povoação tinha 313 fogos; 1798 - provável conclusão das obras da actual igreja, presumivelmente sobre um outro templo mais pequeno (LEAL, Pinho, p. 76), patrocinadas por uma família de apelido Silva (VILARES, João Baptista, p. 227); séc. 19 - pintura do arco triunfal, do tecto da capela-mor e do retábulo-mor; a escola primária funcionou na Casa das Almas; tinha escola de latim, de lógica e moral, que funcionava, no lado S., na antiga residência paroquial; 1815 - execução dos retábulos laterais e colaterais; séc. 20, década de 20 - arborização do adro da igreja; 1926 - a povoação tinha 248 fogos e 1004 habitantes; 1940 - tempestade atinge a torre sineira, danificando vidros e causando fendas na cantaria; 1992, 01 Junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2005 - concurso para intervenção no imóvel; 2006, 25 Agosto - inauguração da igreja após as obras de restauro.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria de granito na estrutura (rebocada e pintada de branco), cunhais, molduras, frisos, cornijas, cruzes, pináculos, embasamento, nicho da fachadas posterior, pavimentos da capela-mor e sacristia e corredor central da nave, púlpitos, colunas do coro-alto, arco triunfal, pias baptismal e de água-benta; madeira nas portas, coberturas, mísulas do coro-alto, confessionários, guarda do púlpito, retábulos, imaginária, pavimento da nave; metal nos caixilhos e tirantes das coberturas; telha de aba e canudo; vidro simples nas janelas.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de [dir.], Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1988; AZEVEDO, José Correia de, Inventário artístico ilustrado de Portugal, Trás-os-Montes e Alto Douro, Algés, 1991; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza..., Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, tomo I; FULGÊNCIO, Joana, Igreja Matriz de Sambade reabre após restauro, in Terra Quente, 01 Setembro 2006; GONÇALVES, Carla A., Câmara recupera capela do século XVI, in Mensageiro de Bragança, 27 Maio 2005; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. VIII, Lisboa, 1878; LOPES, Flávio [coord.], Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado. Distrito de Bragança, Lisboa, 1993; MACHADO, Casimiro de Morais, A Capela-mor da Matriz de Sambade, in A Torre, ano V, n.º 105, 01/05/1956; Sambade, in Guia de Portugal, Trás-os-Montes e Alto Douro, vol. V, tomo II, 3.ª ed., Lisboa, 1995, pp. 886-887; SILVA, Isabel [dir.], Dicionário enciclopédico das freguesias, 3.º vol., Matosinhos, 1997, pp. 18-19; VILARES, João Baptista, Monografia do Concelho de Alfândega da Fé, Porto, 1926; VILARES, João Baptista, Terras de Sambade, in Segundo Congresso Transmontano, Lisboa, 1942, p. 245; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73762 [consultado em 8 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; Câmara Municipal de Alfândega da Fé; Junta de Freguesia de Sambade

Intervenção Realizada

DGEMN: 1937 - reparação do soalho e substituição de parte do vigamento da cobertura; CMAlfândega da Fé / Junta de Freguesia de Sambade: 1990, cerca - limpeza e reboco de cantarias, colocação de novas portas, nivelamento do telhado à altura do edifício: 1991, cerca - fixação dos altares; CMAF / IPPAR: 2005 / 2006 - obras de conservação geral, com obras das coberturas, tectos e rebocos; tratamento de caixilharias; execução de pavimento em madeira e estabelecimento de sistema de drenagem à volta do perímetro da igreja; abertura das juntas do lajeado do pavimento e colocação de argamassas; as obras foram financiadas pela Câmara, acompanhadas tecnicamente pelo IPPAR; 2013, 7 novembro - publicação de Anúncio n.º 5485/2013, DR n. 216, 2ª série, relativo a obras de valorização da envolvente da Igreja Paroquial de Sambade, pela Câmara Municipal de Alfândega da Fé, no valor de 499838.26 euros, e constantes da: remoção de lancis e do pavimento existente; demolição de um edifício (desativado) de instalação sanitária, assim como muros, murete e alguns canteiros existentes; eliminação de barreiras arquitetónicas e promover a acessibilidade; substituição das infraestruturas de iluminação pública; e a reparação e ampliação do adro.

Observações

*1 - o projecto primitivo previa a altura de 25 metros (VILARES, João Baptista, p. 226).

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Marisa Costa 2001

Actualização

 
 
 
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