Igreja e Mosteiro de Vilar de Frades / Mosteiro de São Salvador

IPA.00001053
Portugal, Braga, Barcelos, União das freguesias de Areias de Vilar e Encourados
 
Arquitectura religiosa românica, de que conserva o primitivo portal. Pelo exterior subsistem outras reminiscências do templo medievo, nomeadamente uma torre rectangular de sabor defensivo e um pano de muro do antigo alçado frontal da igreja românica. A grande reedificação quinhentista esteve a cargo de Mestre João. São patentes as afinidades da abóbada com a da Sé de Braga, de João de Castilho. No séc. 17 a abóbada sofreu transformações. O portal é um dos mais notáveis exemplares de entre Douro e Minho.
Número IPA Antigo: PT010302110001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem de São Bento - Beneditinos

Descrição

Templo reforçado exteriormente por gigantes, portal românico constituído por 2 arquivoltas assentes em 4 colunelos de capitéis historiados, alpendre saliente de arco abatido, apoiado em 2 meias colunas de capitéis esculpidos, sobre o qual uma tripla arcada em ogiva ilumina o interior do templo, de planta cruciforme. Nave coberta por complexa abóbada de nervuras cruzadas. Recortam-se de cada lado 5 capelas abobadadas, 2 delas notáveis pelos painéis de azulejos do séc. 18.

Acessos

Estrada de Barcelos / Braga

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto 16-06-1910, DG nº 136 de 23 Junho 1910 / ZEP, Portaria n.º 398/2014, DR, 2.ª série, n.º 103 de 29 maio 2014

Enquadramento

Rural. Assenta num outeiro, rodeado por mata de árvores seculares, nas faldas da serra da Oliveira. É antecedida por pátio.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Assistencial: lar

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 11 / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

CARPINTEIRO: Bartolomeu Dias (1520). ENSAMBLADOR: António João Padilha (1682). ENTALHADORES: António Coelho (atr., 1611); António de Lamego; António Gomes (1696); Domingos Nunes (1696); Pêro de Figueiredo (1596). ORGANEIRO: Heitor Lobo (1551). PINTOR DE AZULEJO: Bartolomeu Antunes (1736-1742); Nicolau de Freitas (séc. 18).

Cronologia

566 - fundação do convento segundo a regra de S. Bento por S. Martinho, Bispo de Dume; 1070 - D. Godinho Viegas inicia a reedificação do edifício que havia sido destruído pelos árabes; 1100 - ampliação do edifício levada a cabo por D. Godinha, herdeira de D. Godinho Viegas; 1186 - 1212 - coutado e previlégio por D. Sancho I; 1400 - notícia do abandono do edifício que se encontra despovoado de monges; 1425 - D. João I toma posse da abadia e seu repovoamento pelos Cónegos Seculares de São Jorge em Alga de Veneza, dando assim início à congregação dos Cónegos Seculares de São João Evangelista, também conhecidos como Lóios; o Arcebispo de Braga, D. Fernando da Guerra cede um órgão ao mosteiro; 1523 - início das obras do dormitório (O.); 1520 - o carpinteiro do Porto, Bartolomeu Dias executa camas para a enfermaria e armários para a sacristia; 1537 - construção de capelas na cerca do mosteiro; 1540 - Padre Reitor Paulo de São João dá início a obras de melhoramentos na torre N.; 1541 - construção do cadeiral do coro; 1543 - construção do dormitório do "Val de Cavalinhos"; 1546 - construção do refeitório, colégio e dormitório grande; 1548 - cozinha; 1551 - data provável da construção do órgão por Heitor Lobo, com 16 registos para a mão direita e 14 para a esquerda; 1552 - construção de casas entre o cunhal da capela-mor e a levada; 1555 - construção do claustro e suas varandas; 1560 - colocação do órgão na igreja; 1561 - biblioteca construída sobre as capelas laterais, do lado do Evangelho; 1566 - construção de retábulo na capela-mor; 1572 - construção do dormitório da "varanda"; 1574 - azenhas do interior da cerca e sua levada; 1581 - casa da "limpeza"; 1583 - mais capelas na cerca e casas da "procuração e do azeite"; 1595 - Padre Reitor Baltasar de Cristo Sodré manda executar o altar e frontal de azulejo com retábulo do Espírito Santo; 1596 - Pero de Figueiredo executa a caixa do órgão; 1597 - chafariz do claustro; 1601 - compra de um realejo por 25$000; 1607 - construção de ilhargas do altar-mor; 1611 - provável feitura dos retábulos colaterais, atribuíveis a António Coelho; 1623 - 1641 - reinício da construção do corpo da igreja em consonância com a linguagem da capela-mor e cruzeiro, entretanto concluídos; 1629 - deslocação do relógio da torre S. para a torre N.; 1658 - param as obras dando-se a igreja por completa; 1682, 13 maio - contrato com António João Padilha para fazer o cadeiral, estante, grades do coro e tribuna do órgão, sendo o cadeiral semelhante ao do Convento da Serra do Pilar; 1696, 07 agosto - contrato do retábulo-mor e tribuna da igreja com António Gomes e Domingos Nunes, por 500$000; 1697 - a Crónica da Ordem refere que a capela-mor foi executada no tempo de D. Diogo de Sousa (1505-1532); séc. 18 - remodelação da fachada principal com a colocação do portal românico na torre S.; pintura de azulejos por Nicolau de Freitas; 1736 - 1742 - colocação de painéis de azulejos da autoria de Bartolomeu Antunes em duas capelas laterais; séc. 18 - remodelação da fachada principal com a colocação do portal românico na torre S.; 1898 - o mosteiro é foi devastado por um incêndio; 1967 - o chafariz de granito foi transferido para Barcelos; 2011, 1 julho - proposta de zona especial de proteção da DRCNorte; 2012, 31 agosto - publicação do projeto de decisão relativo à ampliação da classificação da Igreja de Vilar de Frades, alterando a designação para Conjunto constituido pela Igreja e Convento de Vilar de Frades, cerca e outros elementos construídos na sua envolvente e à fixação da respetiva Zona Especial de Proteção em Anúncio n.º 13371/2012, DR, 2.ª série, n.º 169; 2013, 7 maio - publicação do Decreto n.º 7/2013, DR, 1.ª série, n.º 87, referente à ampliação de classificação e alteração da designação * 1.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Abóbada de calcário branco das pedreiras de Peniche; estrutura de granito.

Bibliografia

ALMEIDA, C. A. Ferreira de, Arquitectura Românica Entre Douro e Minho, Tese de Doutoramento, Porto, 1987; BARREIROS, P. Manuel de Aguiar, A Igreja de Vilar de Frades, 1919; Idem, A Portada de Vilar de Frades, 1920; Idem, Românico - Vilar de Frades; BRANDÃO, Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação, vol. I (séculos XV a XVI), Porto, Diocese do Porto, 1984; FONSECA, Teotónio da, O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado, vol. II, Barcelos, 1987; MARIA, Frei Francisco de Santa, O Céu Aberto na Terra, 1697; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; PALMA, João, Memórias do Portugal Velho, A Capital, 29 Fev. e 7 Março 1988; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961, 1º Vol., Lisboa, 1962; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1962, 1º Vol., Lisboa, 1963; SODRÉ, Baltazar, Memorial de Vilar de Frades, Man. Torre do Tombo, 23, B. 44. 25; VALENÇA, Manuel ( Padre ), A Arte Organística em Portugal, vol. I e II, Braga, 1990; VITORINO, Manuel, IPPAR recupera secular mosteiro de Vilar de Frades, in Jornal de Notícias, 3 Dezembro de 2002, p. 30.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1941 - Reconstrução da parede da capela-mor e abóbada; 1944 - reconstrução do telhado da nave; 1945 - reparação de paredes e telhados das naves; 1956 - reparação de telhados a N.; 1957 - reparação do pórtico do muro do adro; reconstrução telhados a S.; 1958 - reparação de telhados a N. e torre N.; consolidação de cadeirais e caixilharia; 1959 - conclusão de telhado das capelas a N. e refechamento das juntas da torre N.; 1960 - prosseguimento das obras de conservação e restauro e demolição da cozinha do claustro; 1961 - assentamento do soalho da ala E. do claustro; caixilharias e portas; obras de conservação pelos Serviço dos Monumentos Nacionais; 1962 - continuação das obras de conservação, pelos Serviços de Conservação; 1963 / 1964 - reparação de telhados; 1967 - reparação de telhados; 1968 - caixilharias de uma ala do claustro; 1969 - prosseguimento dos trabalhos; 1970 - construção de dreno, reparação da cobertura da sacristia e caixilharia do coro, limpeza dos telhados da capela-mor; 1975 - reconstrução da cobertura da capela-mor e torre S.; 1976 / 1978 - reconstrução da cobertura da sacristia, pavimentos, torres e ala N. do claustro; 1979 - trabalhos de beneficiação diversa compreendendo a reconstrução de pavimentos; 1980 - diversos trabalhos de beneficiação, nomeadamente o descasque do reboco das capelas da nave; 1981 - reparação dos pavimentos; 1983 - tratamento contra o caruncho de dois altares desmontados; IPPAR: 1996 / 1997 - reparação das coberturas das alas N. e S. da igreja, substituição de madeiras e colocação de material de isolamento; estabilização de todo o conjunto arquitectónico, lavagem e tratamento da pedra, restauros interiores na talha e azulejaria; 1998 / 1999 / 2000 - trabalhos de limpeza e obras para reabilitação da igreja, instalação de drenagens e restauro do retábulo da Sagrada Família; 2002 - reconstrução das coberturas das naves e capela-mor; drenagens no exterior e interior; limpeza de fachadas; escavações arqueológicas nos claustros e numa das capelas da igreja; restauro do retábulo-mor e do cadeiral; aproveitamento dos vãos das coberturas das capelas laterais para salas de catequese; 2003 - recuperação da ala monacal do claustro e adro; drenagem e ventilação dos pavimentos das capelas laterais, capela-mor e passagem para a sacristia; limpeza dos azulejos.

Observações

O processo de ampliação da classificação engloba bens anteriormente classificados, nomeadamente a Igreja de Vilar de Frades e o Chafariz existente no claustro do Convento (v. PT010302110010), bem como as alas conventuais (privada e pública); a antiga cerca, matas e terrenos agrícolas (com exceção do centro hípico e dos espaços destinados a essa prática) e, alguns elementos extramuros, como o trecho do aqueduto, o conjunto de engenhos de pesca do rio Cávado; o Casal do Barqueiro, as alminhas do padrão, as alminhas (Capelinha), o Cruzeio do Socorro e o fontanário. * 1 - DOF: Conjunto constituído pela Igreja e Convento de Vilar de Frades, cerca e outros elementos construídos na sua envolvente.

Autor e Data

Isabel Sereno e João Santos 1994

Actualização

 
 
 
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