Casa dos Biscainhos / Museu dos Biscainhos

IPA.00001047
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Braga (Maximinos, Sé e Cividade)
 
Casa nobre de planta poligonal irregular com amplo jardim formal junto à fachada posterior. Fachada principal com porpo principal de dois pisos, separados por friso e cornija, rasgado por vãos retilíneos, os do andar cobre com janelas de sacada encimadas por frontões semicirculares interrompidos, encimado por mezzanino, com vãos ovais. O jardim, inspirado no barroco francês, com quadras de buxo topiado e casas de fresco feitas de camélias topiadas, é um dos mais ricos e completos da época barroca, conservando um antigo Tulipeiro da Virgínia (Liriodendrum Tulíferto), contemporâneo da sua plantação. O muro ameado é do séc. 19.
Número IPA Antigo: PT010303520016
 
Registo visualizado 1745 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

A entrada principal, de amplas proporções, foi estruturada de modo a permitir que as carruagens e outros veículos entrassem num pátio coberto, que servia simultaneamente de entrada para o edifício e de passagem para os estábulos e jardins. A característica predominante é o tratamento dado ao pavimento em lajeado de granito, estriado e com função anti-derrapante e as entradas em forma de arco e as pilastras de granito. Em cada uma destas pilastras existe uma pequena estátua de um pagem ou cavaleiro com traje do século 18. O primeiro andar do corpo principal da casa é constituído por sete salas. O salão ou sala dos azulejos reveste-se de um interesse particular. É um espaço amplo, com cerca de treze metros de comprimento. Ao longo das paredes existem azulejos. O tecto é de madeira, pintado, representando a história do Beato Miguel de Carvalho, bracarense ilustre e muito venerado. Ao lado, numa outra pequena sala; o tecto ostenta também uma pintura com motivos mitológicos, mas mais tardia. O conjunto de salas dispostas ao longo do jardim, em especial a sala de jantar, está mobilada e decorada com peças que datam do princípio do século 18 e princípio do 19. As cenas pintadas em telas, românticas, evocam temas sobre ruínas e histórias fantásticas. Jardim - Cerca de um hectare nas traseiras da casa foi rodeado de muros e dividido em terraços ajardinados. Do lado oposto foi dada ao muro uma implantação poligonal que, associada ao seu coroamento com ameias e à presença de guaritas nos ângulos, lhe confere um aspecto de fortaleza quinhentista. No interior desse simulacro de baluarte foi construído um templete com cúpula e lanternim que contém lajes sepulcrais de parentes dos senhores da casa. A quinta está dividida em três terraços, descaindo ligeiramente da casa para poente, separados por muros coroados de alegretes e revestidos de azulejos. Latadas, sustentadas por decorativas colunas de granito, estão dispostas ao longo dos muros, e terraços da quinta. Destes, os dois inferiores são cultivados com horta e pomar, divididos em quarteirões ladeados de banquetas de buxo. O superior é ocupado pelo jardim propriamente dito e por um terreiro que o separa da casa. Este ocupa um terraço rectangular rodeado por um muro cujo revestimento de azulejos e decoração de pirâmides, urnas e estátuas de cantaria, nas ombreiras dos portões de acesso, nos mirantes laterais e nos ângulos, juntamente com o rendilhado dos canteiros debruados a murta, lhe confere o aspecto de um tabuleiro decorado a filigrana. No interior dos canteiros, cinco taças com repuxos de água, ao gosto das que na Península introduziram os invasores muçulmanos do século 8, testemunham o estilo Rocaille.

Acessos

Praça do Conselheiro Torres Almeida; Rua dos Biscainhos

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 37 366, DG, 1ª Série, nº 70 de 05 abril 1949 *1

Enquadramento

Urbano, isolado, outrora localizada extra-muros, em ambiente rural, foi, devido à expansão urbana, absorvida pela cidade de Braga, encontrando-se hoje inserida em pleno centro histórico, adossada, em parte, a outras costruções. A implantação específica, a relação directa que estabelece com o espaço urbano envolvente e o conjunto de características formais, conferem-lhe uma posição de destaque. A envolvente, preserva ainda uma imagem consentânea com o espírito da casa.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Decreto-Lei n.º 114/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Alberto da Silva Bessa (1963). PEDREIRO: Manuel Fernandes da Silva (1712). PINTOR: Manuel Furtado de Mendonça (1724).

Cronologia

1665 - Casamento de Maria da Silva e Sousa com Dr. Constantino Ribeiro do Lago, procurador-geral da Mitra Bracarense Cavaleiro da Ordem de Cristo, Alcaide-mor de Ervededo, Ouvidor e Desembargador de Braga, Chanceler da Relação, Procurador Geral da Mitra, instituidor do vínculo dos Biscaínhos; este manda edificar a casa, a qual, provavelmente, foi construída por artífices bascos da província de Biscaia, então a trabalharem na catedral; 1699 - conclusão das obras, na parte antiga, mandadas executar por Diogo de Sousa da Silva; séc. 18 - ao longo de três gerações, a casa é transmitida através do ramo feminino; 1712, 26 novembro - o Deão Francisco Pereira da Silva assina contrato com o pedreiro Manuel Fernandes da Silva, para ampliação das suas casas na rua dos Biscaínhos, segundo modelo de papelão executado para o efeito; 1724 - conclusão da pintura do tecto do salão nobre, executado pelo pintor Manuel Furtado de Mendonça; data dos azulejos, fabricados em Coimbra; 1963 - adquirida pela Junta Distrital ao 3º Visconde de Paço de Nespereira, para ali instalar o actual Museu, sendo as obras da responsabilidade do Arquitecto Alberto da Silva Bessa; 1978, 11 fevereiro - o Museu dos Biscaínhos abre ao público; dada a incapacidade financeira da Junta Distrital de Braga, o Decreto-lei nº 133/87 de 17 Março transfere a gestão do organismo para o Instituto Português do Património Cultural; 1991, 09 agosto - o museu é afeto ao Instituto Português de Museus, Decreto-Lei n.º 278/91, DR, 1.ª série-A; 2007, 29 março - o imóvel é afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. pelo Decreto-Lei n.º 97/2007, DR, 1.ª série, n.º 63.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Granito de Braga e de Gondizalves.

Bibliografia

ARAUJO, Ilídio, Arte Paisagística e Arte dos Jardins em Portugal, volume I, Lisboa, 1962; GIL, Júlio, Os mais belos palácios de Portugal, Edições Verbo, Lisboa, 1992, p. 30 - 35; STOOP, Anne de, Palácios e Casas Senhoriais do Minho, Tomo I, Porto, 1993; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, O edifício do Convento do Salvador - De mosteiro de freiras ao Lar Conde de Agrolongo, Braga, 1994; AIRES-BARROS, Luís, As Rochas dos Monumentos Portugueses: tipologias e patologias, vol. II, Lisboa, Abril 2001; REIS, Vítor Manuel Guerra dos - O Rapto do Observador: invenção, representação e percepção do espaço celestial na pintura de tectos em Portugal no século XVIII. Lisboa: s.n., 2006. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2 vols.

Documentação Gráfica

IHRU: DSID, Arquivo Pessoal de Ilídio de Araújo

Documentação Fotográfica

IHRU: DSID

Documentação Administrativa

IHRU: Arquivo Pessoal de António Viana Barreto (Curriculum Vitae do Arquitecto Paisagista Ilídio de Araújo)

Intervenção Realizada

Junta distrital de Braga: 1963 - obras de restauro para adaptação a Museu; 1990 - obras de reparação das fachadas exteriores e obras de reparação e pintura de interiores.

Observações

1* - DOF: Conjunto da Casa dos Biscaínhos, terreiro, jardins, pomar e muralha; Constantino Ribeiro (1619 - 1686), é uma das personalidades civis de maior destaque em Braga. Cavaleiro da ordem de Cristo, alcaide-mor de Ervededo, ouvidor e desembargador de Braga, chanceler da Relação, procurador-geral da Mitra, representou a cidade nas Cortes de 1667, em Lisboa. Foi ele que institui o vínculo dos Biscaínhos. Diogo de Sousa da Silva, seu filho, era cavaleiro professo da Ordem de Cristo. Francisco Pereira da Silva era Deão da Catedral. António Pereira Pinto de Eça, era administrador do segundo vínculo de Bertiandos. João Pereira Forjaz Coutinho, é filho do secretário dos Negócios Estrangeiros, da Guerra e da Marinha. Damião Pereira da Silva de Sousa e Menezes (1764 - 1835) é administrador do primeiro vínculo de Bertiandos. Gonçalo Pereira da Silva de Sousa e Menezes (1797 - 1856), conde de Bertiandos, é membro da do Conselho de D. Maria II, par do reino, governador civil de Braga e procurador nas cortes de 1928. A filha que lhe sucede, Joana Maria do Rosário Francisca Sales Pereira da Silva de Sousa e Menezes (1818 - 1874), segunda condessa de Bertiandos, é açafata das rainhas D. Estefânia e D. Maria. O seu neto, Gaspar Lobo Machado do Amaral Cardoso de Menezes, 3º visconde de Paço de Nespereira foi o último membro da família a ser proprietário da Casa dos Biscainhos.

Autor e Data

Isabel Sereno e João Santos 1994

Actualização

Luísa Estadão 2007
 
 
 
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